Os animais silvestres definitivamente caíram no gosto popular como bichinhos de estimação: peixes, pequenos roedores, aves exóticas, anfíbios, serpentes e lagartos já fazem parte do ranking.

Foto: Roberta Rocha
Nos países estrangeiros, essa moda pegou há muito tempo. Estima-se que existam 13 milhões de répteis de estimação nos Estados Unidos e cerca de 300 mil na Europa. No Brasil, os números não são exatos, devido ao intenso tráfico de animais (Como por exemplo: esta postagem e esta outra), o qual vem sendo combatido ostensivamente pelas autoridades ambientais nos últimos tempos. É comum que as pessoas encontrem animaizinhos diversos em feiras populares e os levem para casa. É importante saber que um animal silvestre não é o mesmo que um cãozinho ou um gatinho; existem muitas diferenças que devem ser levadas em consideração antes de se adotar um deles.
Primeiramente, levar para casa um animal silvestre sem procedência é CRIME previsto pelo artigo 29 da Lei nº 9.605/1998, com pena de seis meses até 1 ano de detenção além do pagamento de uma multa. Isso vale também para quem persegue, caça e mata esses animais. Em segundo lugar, os animais silvestres não são acostumados ao convívio humano como cães, gatos, bois, porcos, carneiros e galinhas, os chamados animais domésticos. Por isso eles possuem reações instintivas imprevisíveis, que podem ser perigosas para as pessoas. Outros aspectos importantes incluem nutrição, manejo e saúde: alimentos, recintos e cuidados veterinários exclusivos.
Em se tratando de répteis – serpentes, lagartos, tartarugas – aí vão algumas das diferenças. Os répteis são ectotérmicos, mais conhecidos como “animais de sangue frio”; por esta razão, necessitam de requisitos de luz e calor diferentes dos mamíferos e das aves. Também possuem metabolismo diferente dos demais animais domésticos, por isso necessitam de uma dieta própria, não devendo serem alimentados com comida caseira ou ração para espécies diferentes, sob risco de sofrerem desnutrição e carências. Do mesmo modo, suas doenças são específicas, não devendo ser tratadas de modo empírico, na base da comparação com outras espécies ou no método do “acerto-erro”. Deve-se enfatizar ainda seu tempo de vida: algumas espécies de répteis, como jabutis e tartarugas, podem viver mais de 50 anos… O proprietário tem de estar preparado para conviver com o animalzinho e cuidar dele por toda a vida, ou mesmo deixá-lo de herança para seus filhos!
Quanto à saúde do seu réptil, deve-se manter um cronograma anual de manejo preventivo, isto é, “é melhor prevenir do que remediar”. É considerável saber que, como os médicos humanos têm suas especialidades, os médicos veterinários também têm, por isso deve-se procurar um médico veterinário com experiência em animais silvestres para cuidar do seu bichinho. Somente um especialista poderá identificar alterações em seu estado normal e indicar os tratamentos corretos. Nunca compre e nem administre por conta própria medicações ou suplementos em seu bichinho.
Algo que muitas pessoas desconhecem é o fato de que os animais, de toda e qualquer espécie, podem transmitir doenças para os humanos, as chamadas zoonoses. Os cães podem transmitir raiva, leishmaniose, verminoses, micoses e sarna; os bovinos, ovinos e caprinos, tuberculose, brucelose e febre aftosa; as aves, a clamidiose e a psitacose, e os répteis podem transmitir salmonelose, micobacterioses e pentastomíase. Nomes complicados hein? Pois é… Só o que você precisa saber é que, cuidando da saúde do seu bichinho de estimação da maneira correta, você também pode prevenir doenças em você e em sua família.
Então… se comprar bichinhos em feiras livres ou de pequenos criadores é CRIME, como posso ter um bichinho silvestre para criar em casa???
A resposta é: procure o escritório do IBAMA em sua cidade e peça informações sobre como adquirir o animal de sua preferência. O IBAMA libera a criação de pequenos mamíferos, aves e répteis como animais domésticos, desde que venham de criatórios legalizados e devidamente registrados.
Lembre-se: pratique a posse responsável. Cuide de seu bichinho com responsabilidade, visando seu bem-estar e respeitando suas propriedades. Não esqueça: animais de estimação não são objetos, que podem ser abandonados quando se perde o interesse. Um animal de estimação é um companheiro para toda a vida. Trate-o com o carinho e o respeito que ele merece.
Cuidados Veterinários – Em Fortaleza, informações na Coordenação da Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará – Av. Paranjana, 1700, Itaperi – (85) 3101.9832/9833/9834 e Clínica de Pequenos Animais da UECE – (85) 3101.9847
Mais informações:
WWF Brasil
Wikipedia – página em inglês -
Wikipedia – página em português –
IBAMA
Saúde Animal – Zoonoses -
Arca Brasil – Posse Responsável -
Por Roberta Rocha: Médica Veterinária (CRMV-CE nº2099) responsável pelo NUROF-UFC
-3.718394
-38.543395
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