Retrospectiva: As dez postagens mais acessadas de 2010

O ano de 2010 marcou o início das atividades do projeto “NUROF-UFC nas Nuvens” (NnN). Desde junho, o mês de nascimento do NnN, estamos trabalhando para consolidar este projeto que tem por objetivo a divulgação cientifica e de educação ambiental na internet.
Até o momento contamos com 61 postagens da qual destacamos as dez mais visitadas durante esses nossos primeiros seis meses de vida:

1-Existe diferença entre tartaruga, cágado e jabuti?

2-Cobra que bebe leite? Um pouco mais sobre a Pseudoboa nigra, a cobra preta!

3-Sobre o tipo de dentição das serpentes

4-Um pouco sobre a ectotermia: Temperatura corporal nos Répteis

5-Como as serpentes suportam tanto tempo sem alimento?

6-Sobre tartarugas, cágados e jabutis: Parte II

7-Curiosidades: Sobre o hemipênis, o órgão reprodutor dos machos das serpentes

8-Quem tem medo de sapo cururu?

9-Quem são as cobras-de-duas-cabeças? Cobras de duas cabeças?

10-A Lenda da “serpente arco-íris” australiana

Espécies de anfíbios recentemente descobertas sofrem efeitos da degradação ambiental.

Aparasphenodon arapapá é uma espécie de sapo recentemente descoberta por cientistas na Unesp, um bom exemplo do quanto a diversidade desses animais ainda não é de todo conhecida. O bichinho vive em associação com a vegetação de bromélias e palmeiras de terreno arenoso.

A associação da nova espécie com bromélias é típica de outros bichos do gênero, a julgar por sua anatomia. “Espécies de Aparasphenodon são conhecidas por usarem um escudo ósseo rijo que possuem na parte superior da cabeça para fechar a entrada de tocas, que geralmente são os miolos de bromélias. (ver Foto). A maioria dos predadores tem dificuldade em acessar as partes moles e vulneráveis do corpo do anfíbio, que fica protegido”, explica o pesquisador Haddad.


O hábitat dessa espécie é comprometido, constantemente degradado o que deixa os animais totalmente vulneráveis.

Saiba mais sobre as descobertas de novas espécies de anfíbios e os efeitos da degradação de seus ambientes:
Fonte: folha.uol.com.br

Notícia: Parte das cobras que fugiram de serpentário em SP é capturada.

Suspeita é a de que local foi invadido, em Santa Cruz da Esperança.
Ao todo, 173 cascavéis e quatro jararacas escaparam do criadouro.

Cascavel que escapou de serpentário é capturada no interior de São Paulo (Foto: Luis Cleber/AE/AE)

Parte das mais de 170 cobras venenosas que escaparam de um serpentário de Santa Cruz da Esperança, na região de Ribeirão Preto, foi capturada nesta sexta-feira (24) por bombeiros e agentes da Polícia Ambiental, que fazem uma varredura na região.
O biólogo proprietário do serpentário, que funciona com autorização do Ibama, registrou um boletim de ocorrência na tarde de quinta-feira (23) sobre o desaparecimento de 173 cascavéis e quatro jararacas.

Segundo o biólogo, ao chegar no local ele encontrou os cadeados das portas do criadouro estourados na terça-feira (21) e que passou dois dias na tentativa da contagem das espécies para poder procurar a polícia. O serpentário fica a 150 metros do Rio Pardo.

Veja a notícia completa aqui: http://bit.ly/ht5sTW

O que fazer quando encontrar uma cobra em casa?

Relatos de serpentes sendo encontradas nas proximidades de residências, quer seja na cidade ou no campo, são frequentes nos meios de comunicação veja um exemplo . Quando isso acontece as pessoas ficam em geral amedrontadas, em estado de pânico. Não é incomum também sempre ter alguém valente que, lançando mão de um bom tacape, quer acertar a todo custo o bicho. Neste caso a cabeça do animal é a parte visada pois acreditam que uma serpente só morre quando acertada a cabeça do animal (o que é um mito).

Aproveitamos aqui para lembrar que segundo artigo 29 da Lei nº 9.605/1998 matar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização é passível de punição com detenção de seis meses a um ano, e multa.

Mas então o que fazer no caso de um encontro com uma serpente no ambiente urbano ou rural? O recomendado é que você entre em contato com os bombeiros (através do telefone 193) ou a Polícia Florestal (através do telefone 190) de seu estado para que eles possam fazer a devida remoção do animal e encaminha-lo para a autoridade competente. Deste modo não há nenhum risco de ocorrer um acidente ofídico caso a espécie seja venenosa ou da pessoa incorrer em um crime ambiental ao matar o animal.
:)

A origem e diversificação dos lagartos

Os lagartos representam uma das mais antigas formas de vida animal no ambiente terrestre. Os primeiros lacertílios evoluíram provavelmente há cerca de 200 milhões de anos, durante a era Mesozóica, conhecida como a “Era dos Répteis” (Pough et al., 2008), tendo co-existido com os renomados “dinossauros”.

2012.03.16. Hemidactylus mabouia - Fortaleza - CE (2).

Figura 1. Indivíduo jovem de Hemidactylus mabouia. Fotografia de Daniel Passos.

Os registros fósseis demonstram que os primeiros representantes deste grupo se assemelham morfologicamente com as formas de lagartos viventes, como Tijubina pontei, lagarto fóssil do Cretáceo Inferior (Figura), encontrado na Bacia do Araripe, Estado do Ceará, Nordeste do Brasil (Bonfim-Junior & Rocha-Barbosa, 2006).

Desenhos esquemáticos do fóssil (A e B) e reconstituição hipotética de Tijubina pontei (C). Fonte: Bonfim-Junior & Rocha-Barbosaoautoecologia de Tijubina pontei Bonfim-Junior & Marques, 2006. Anuário do Instituto de Geociências–UFRJ 29:54-65.

A pele impermeável, seca e revestida por escamas epidérmicas, a presença de casca envolvendo o ovo e a fecundação interna, independente da água, consistiram em adaptações que permitiram a sobrevivência e a diversificação destes animais no ambiente terrestre (Zug et al., 2001). Desta forma, os lagartos se dispersaram e se diversificaram, ocupando a maioria dos continentes da Terra, com exceção das regiões polares.

Considerando o surgimento dos lagartos, por volta de 200 milhões de anos atrás, e sua ampla distribuição pelo globo, é licito considerar que os lagartos “dominavam” a Terra muito antes do aparecimento dos seres humanos atuais, surgidos há aproximadamente 200 mil anos.

Seremos nós humanos os “donos” da Terra? Ou os lagartos, uma vez surgidos, jamais deixaram de imperar sobre o Planeta que dizemos ser “nosso”? Estes animais sobreviveram à quedas de asteróides, glaciações, vulcanismos, entre outros acontecimentos que estão associados a eventos de extinção em massa . . . Continuarão eles a existir após a extinção da espécie humana? Sem dúvida, os lagartos ainda têm muito a nos ensinar.

O estudo do legado dos lagartos continua . . . Aguardem nota sobre a biodiversidade de lagartos no próximo mês!

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BONFIM-JUNIOR, C. F.; ROCHA-BARBOSA, O. 2006. A Paleoautoecologia de Tijubina pontei Bonfim-Junior & Marques, 1997 (Lepidosauria, Squamata Basal da Formação Santana, Aptiano da Bacia do Arararipe, Cretáceo Inferior do Nordeste do Brasil). Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ, 9: 54-65.

POUGH, H. F.; JANIS, C. M.; HEISER, J. B. 2008. A vida dos vertebrados. 4ª ed. São Paulo: Atheneu.

ZUG, G. R.; VITT, L. J.; CALDWELL, J. P. 2001. Herpetology: An introductory biology of amphibians and reptiles. 2nd ed. California: Academic Press.

Veja também o site do Nurof-UFC!

O Nurof-UFC nas Nuvens é um projeto de Extensão do Nucleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará(Nurof-UFC). Saiba mais sobre o Nurof-UFC acessando o site do núcleo: http://www.nurof.ufc.br. Lá você encontrará um pouco sobre a história do Nurof-UFC, conhecerá os membros e colaboradores do núcleo, terá acesso a parte das publicações de integrantes do Nurof-UFC, além de ter informações acerca de como realizar uma visita em grupo ao serpentário com direito a palestra.

Acesse e confira: http://www.nurof.ufc.br

Como as serpentes suportam tanto tempo sem alimento?

As serpentes são animais que, em geral, se alimentam com uma frequência baixa. Em ambientes onde pode existir pouca disponibilidade de alimentos, como desertos, savanas africanas e mesmo a Caatinga do Brasil, não é incomum que elas enfrentem longos períodos sem se alimentar. Exemplos de espécies de serpentes que passam até 6 meses sem alimento não são raros e algumas delas podem ocasionalmente sobreviver até dois anos sem uma única refeição! Como podem suportar tanto tempo sem comer?


Todos os animais tem mecanismos para resistir a algum período de privação de alimento, mas as serpentes conseguiram levar a resistência a fome a um outro patamar. Grande parte das serpentes apresenta, naturalmente, uma das taxas metabólicas mais baixas entre os vertebrados, o que já explicaria a capacidade de armazenar energia e se manter ativa mesmo consumindo pouquíssimo alimento durante um longo período (um único rato pode alimentar uma cobra de 1,5 m por semanas).

Mas não é só isso! Muitas serpentes são capazes de sobreviver vários meses sem alimento, pois, quando a comida acaba, elas tem capacidade de diminuir ainda mais seu metabolismo. Algumas espécies de cascavel do deserto americano reduzem seu metabolismo (que já é baixo) em até 80 por cento! E não para por aí! As serpentes possuem estruturas especializadas em reservar gordura. Esta energia acumulada na forma de lipídios é utilizada durante os períodos de privação de alimentos. Mesmo após digerir toda a reserva de gordura estes animais podem começar a utilizar de suas proteínas como fonte de energia.

O mais incrível é que mesmo sem se alimentar por um longo período as serpentes continuam crescendo! Os cientistas procuram uma explicação para este fenômeno, acredita-se que isso possa ter relação com alguma pressão evolucionária que favoreça as serpentes mais longas.

Por diminuírem dramaticamente um metabolismo que já é baixo por natureza, por se “alimentarem” delas próprias de dentro para fora e por ainda assim continuarem crescendo, as serpentes definitivamente podem ser consideradas o extremo da tolerância a fome no reino animal!

Por: Paulo Cesar Mattos Dourado de Mesquita

Novo Código Florestal Brasileiro e seus impactos sobre os répteis do Brasil

Pesquisadores de quatro centros de pesquisa avaliaram os impactos que as mudanças propostas para o código florestal brasileiro poderá ter sobre a fauna de répteis do Brasil. A possibilidade de compensação ambiental em bacias ou microbacias distintas daquelas degradadas; a exclusão de topos de montanhas como Área de Preservação Permanente (APP) assim como a redução da largura das matas marginais a cursos d’água (que também são APPs); a recuperação de Reservas Legais (RL) usando espécies de plantas exóticas. e a compensação de áreas de RL dentro de unidades de conservação são os principais pontos que comprometeriam a existência de espécies de répteis no caso da aprovação do “Novo Código Florestal Brasileiro”.

Os autores apontam que caso as mudanças sejam adotadas,os impactos sobre a fauna de répteis brasileira serão grandes, resultando em um comprometimento da informação biológica, bem como do potencial de uso da biodiversidade.

FONTE
: Revista Biota Neotropica:[ Marques, O.A.V.; Nogueira, C.; Martins, M. e Sawaya, R.J. Impactos potenciais das mudanças propostas no Código Florestal Brasileiro sobre os répteis brasileiros. Biota Neotrop . 2010 10, no. 4
http://www.biotaneotropica.org.br/v10n4/pt/abstract?article+bn00510042010. ISSN 1676-0]

Para baixar o artigo completo clique aqui

Um pouco sobre as jararacas

Jararaca Foto Roberta Rocha

É comum tanto nas grandes cidades quanto no campo encontrarmos alguém que tenha alguma história pra contar sobre algum acontecimento envolvendo as “cobras jararacas”. Estas serpentes despertam grande medo no homem mas tentaremos mostrar aqui o quão fascinante são as “jararacas”. As serpentes popularmente conhecidas como jararacas são incluídas nos gêneros Bothropoides, com 10 espécies, e Bothrops que, por sua vez, possui 22 espécies (além de Rhinocerophis, Bothrocophias, Bothriopsis e Porthidium). Como podem notar estamos falando de um universo de mais de 30 espécies diferentes! Como representantes da família viperidae as jararacas possuem características marcantes como a presença da fosseta e de pupila vertical além de dentição solenóglifa e claro a produção de veneno.

Grande parte das espécies de “jararacas” concentram a atividade durante o final da tarde e ao longo da noite. Durante o dia elas são encontradas protegidas sob pedras e troncos nas áreas naturais. Estas serpentes se alimentam de outros vertebrados e para a grande maioria, das quais se conhece a dieta, os jovens se alimentam de presas ectotérmicas, geralmente alguns invertebrados, anfíbios e lagartos e os adultos consomem mamíferos. Este fato é tecnicamente denominado de mudança ontogenética da dieta.

As serpentes dos gêneros Bothropoides e Bothrops são típicas de ambientes de mata vivendo entre as plantas e sobre a serrapilheira. Portanto os encontros desses animais com o homem ocorre em função de atividades em áreas naturais ou do desmatamento e transformação de áreas de mata em, por exemplo, campos de pastagens, expansão dos limites urbanos ou qualquer outro tipo de alteração. Como a defesa desses animais é a picada com inoculação de veneno quando o homem descuida acaba, por vezes, sofrendo com os efeitos do veneno inoculado. Hemorragia, necrose e dor são os principais sintomas da intoxicação por veneno das jararacas e por vezes culmina na amputação do local da picada caso o socorro não venha a tempo. Por isso quando estamos em atividade em áreas naturais é importante ficar atento ao local onde pisamos além de utilizar equipamentos de proteção como botas e perneiras.

Dentre as espécies de jararacas destacamos Bothropoides alcatraz e B. insularis ambas espécies endêmicas, a primeira exclusiva da ilha de Alcatrazes e a segunda da ilha da Queimada Grande em São Paulo. Estas espécies são insulares ou seja ocorrem em ambientes de ilhas ilhas que, por sua vez, sofrem com impactos que empobrece o ambiente no qual elas vivem, portanto essas são consideradas como ameaçadas de extinção.

Um dos principais centros de estudos sobre as jararacas no Brasil é o Laboratório de ecologia e evolução de vertebrados da USP comandado pelo Prof. M. Martins.

Clipagem: Ciência Brasileira em Destaque

Ter trabalho mencionado ou publicado na Science é o sonho de todo cientista. Pudera. Publicada pela Associação Americana pelo Avanço da Ciência (www.aaas.org), é a mais prestigiosa revista de ciência do mundo, ao lado da Nature , inglesa.

A triagem é rigorosíssima. Os critérios para publicação, científicos, mesmo.

Imaginem ser o tema de uma reportagem de seis páginas. É o supra-sumo.

Pois a edição 331 da Science, que começou a circular nessa tarde, dedica seis páginas à ciência brasileira. É a principal reportagem da edição. Nessa magnitude, é a primeira vez que isso acontece na publicação que já teve como um dos seus editores o Thomas Edison (1847-1931), criador da lâmpada elétrica, do fonógrafo e do projetor de cinema, entre outras invenções.

A reportagem começa e termina por Natal (RN). Mais precisamente no município Macaíba, que sedia o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra, mais conhecido como Centro do Cérebro, implantado pelos neurocientistas Miguel Nicolelis e Sidarta Ribeiro.

A reportagem destaca também, entre outras, as pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Petrobras e da Amazônia. Sinceramente emocionante. Uma demonstração clara de que:

1) Lá fora, estão de olho no que se faz aqui.

2) É preciso mudar o modo de gestão científica no Brasil.

3) A Universidade de São Paulo, apesar de ter grande produção científica, está perdendo espaço. Nenhuma pesquisa da USP foi destacada. Sinal de alerta de que há algo errado.

4) O que o Brasil está fazendo em termos de ciência tem sentido.

5) A visão do Centro de Natal de que ciência é agente de transformação social convenceu até os gringos, apesar de ela ainda sofrer resistência e bombardeio de setores da academia brasileira.

A propósito, todos os aspectos da Ciência Tropical estão no artigo da Science. Sinal de que ela é o futuro.
[Leia o texto completo: Viomundo.com.br]

NOTA DO BLOG: A notícia merece destaque, ultimamente o Brasil tem crescido cientificamente mais que alguns países com tradição em produção científica. É inegável a capacidade dos pesquisadores brasileiros, prova disso é a fuga de nossos pesquisadores (cérebros) para grandes centros de pesquisa no exterior. Assim esta notícia veio dar luz a um fato: Produz-se ciência de qualidade em nossas terras. Precisamos sem dúvida alguma de um modo mais eficiente da gestão científica, além de melhoria nas condições de trabalho e remuneração daqueles que fazem ciência no Brasil, do estudante de iniciação científica ao livre docente.

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