Os lagartos representam uma das mais antigas formas de vida animal no ambiente terrestre. Os primeiros lacertílios evoluíram provavelmente há cerca de 200 milhões de anos, durante a era Mesozóica, conhecida como a “Era dos Répteis” (Pough et al., 2008), tendo co-existido com os renomados “dinossauros”.
Figura 1. Indivíduo jovem de Hemidactylus mabouia. Fotografia de Daniel Passos.
Os registros fósseis demonstram que os primeiros representantes deste grupo se assemelham morfologicamente com as formas de lagartos viventes, como Tijubina pontei, lagarto fóssil do Cretáceo Inferior (Figura), encontrado na Bacia do Araripe, Estado do Ceará, Nordeste do Brasil (Bonfim-Junior & Rocha-Barbosa, 2006).

Desenhos esquemáticos do fóssil (A e B) e reconstituição hipotética de Tijubina pontei (C). Fonte: Bonfim-Junior & Rocha-Barbosaoautoecologia de Tijubina pontei Bonfim-Junior & Marques, 2006. Anuário do Instituto de Geociências–UFRJ 29:54-65.
A pele impermeável, seca e revestida por escamas epidérmicas, a presença de casca envolvendo o ovo e a fecundação interna, independente da água, consistiram em adaptações que permitiram a sobrevivência e a diversificação destes animais no ambiente terrestre (Zug et al., 2001). Desta forma, os lagartos se dispersaram e se diversificaram, ocupando a maioria dos continentes da Terra, com exceção das regiões polares.
Considerando o surgimento dos lagartos, por volta de 200 milhões de anos atrás, e sua ampla distribuição pelo globo, é licito considerar que os lagartos “dominavam” a Terra muito antes do aparecimento dos seres humanos atuais, surgidos há aproximadamente 200 mil anos.
Seremos nós humanos os “donos” da Terra? Ou os lagartos, uma vez surgidos, jamais deixaram de imperar sobre o Planeta que dizemos ser “nosso”? Estes animais sobreviveram à quedas de asteróides, glaciações, vulcanismos, entre outros acontecimentos que estão associados a eventos de extinção em massa . . . Continuarão eles a existir após a extinção da espécie humana? Sem dúvida, os lagartos ainda têm muito a nos ensinar.
O estudo do legado dos lagartos continua . . . Aguardem nota sobre a biodiversidade de lagartos no próximo mês!
Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BONFIM-JUNIOR, C. F.; ROCHA-BARBOSA, O. 2006. A Paleoautoecologia de Tijubina pontei Bonfim-Junior & Marques, 1997 (Lepidosauria, Squamata Basal da Formação Santana, Aptiano da Bacia do Arararipe, Cretáceo Inferior do Nordeste do Brasil). Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ, 9: 54-65.
POUGH, H. F.; JANIS, C. M.; HEISER, J. B. 2008. A vida dos vertebrados. 4ª ed. São Paulo: Atheneu.
ZUG, G. R.; VITT, L. J.; CALDWELL, J. P. 2001. Herpetology: An introductory biology of amphibians and reptiles. 2nd ed. California: Academic Press.
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