As tartarugas são animais que vivem no mar ( veja aqui ). Estes animais possuem ancestrais terrestres, no entanto hoje se encontram adaptadas ao ambiente aquático, retornando a terra apenas para a reprodução. São conhecidas sete espécies de tartarugas marinhas, dentre as quais cinco ocorrem no Brasil (veja aqui).
As tartarugas são animais migratórios por excelência, todas as espécies migram pelos oceanos entre áreas de forrageamento (alimentação) e reprodução. Utilizam para isso eficazes mecanismos de navegação e orientação ainda pouco conhecidos pela ciência. As tartarugas marinhas apresentam uma forte tendência em realizar as desovas sempre na mesma área, quer seja em uma mesma temporada reprodutiva ou em temporadas diferentes. Estudos realizados por meio de análises de DNA mitocondrial reforçam a idéia de que uma fêmea geralmente desova na praia onde nasceu, apresentando o que se chama de “fidelidade à praia de nascimento” (Bowen et al., 1994). O termo filopatria é utilizado para designar a fidelidade de retorno a uma mesma região, e o termo fidelidade de praia é empregado para designar os retornos a locais específicos nas praias de desova (Lutz e Musick, 1997).
Durante suas longas rotas de migração pelos oceanos as tartarugas passam por diferentes fronteiras. Este fato é um problema para o estabelecimento de planos de manejo e conservação uma vez que, para isso, são necessários acordos internacionais. No Brasil o projeto Tamar-ICMBio é um dos maiores aliados na conservação das tartarugas marinhas atuando com excelência em nove Estados brasileiros através de 23 bases que protegem até 1.100 km de praia.“Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho sócio-ambiental.”

Fonte: http://www.tamar.org.br
Nos últimos duzentos anos, e de maneira mais intensificada nos últimos cinqüenta, uma combinação de fatores, tais como atividade de pesca comercial, a captura acidental, a destruição de habitats usados para alimentação, nidificação e repouso desses animais, e mais recentemente, a poluição dos mares conseguiram subjugar a capacidade das tartarugas em manter seu número populacional. Hoje são poucas as populações de tartarugas marinhas que não são afetadas pela atividade humana. A maioria das populações encontra-se em declínio, atingindo freqüentemente números críticos (Global, 1995). Todas as espécies que ocorrem no Brasil estão classificadas como Ameaçadas ou Vulneráveis na Lista Vermelha da IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza) (Barata et al., 2004). Sendo a tartaruga de couro classificada como criticamente ameaçada tanto no Brasil como pela IUCN.

Foto disponível no Banco de Imagens do Tamar: http://www.tamar.org.br/fotos.php
O ambiente terrestre da praia é escolhido pela fêmea como o local adequado para desova, incubação dos ovos e do nascimento dos filhotes. Entretanto, estima-se que apenas poucos filhotes em uma ninhada de mil, consigam sobreviver a cada evento reprodutivo. Naturalmente, ovos e filhotes de tartarugas marinhas tornam-se presas fáceis para animais como aves, caranguejos e peixes marinhos. No entanto a ação do homem tem potencializado a mortalidade de ovos e recém eclodidos. A ocupação litorânea e a iluminação inadequada prejudica a desova e desorienta os filhotes, que deixam de caminhar para o mar , guiados pela luz do horizonte, pois a iluminação artificial chega a ser mais forte e os filhotes acabam sendo atropelados, predados ou morrem por desidratação ao caminhar em direção contraria a do mar. Além disso, as grandes construções causam o chamado sombreamento afetando a temperatura das areias da praia. A determinação sexual das tartarugas marinhas sofre influência da temperatura ambiente e o sombreamento acaba por desequilibrar o número de machos e fêmeas nascidos.Veja: Determinação do sexo em tartarugas marinhas: ameaças ao equilíbrio das populações
Quando adultas, as tartarugas dificilmente são predadas, com exceção das fêmeas no período de desova, pois quando sobem a praia elas perdem agilidade e ficam expostas a perigos maiores. Mas, nenhuma ameaça natural pode ser comparada aos riscos que as atividades humanas representam. Alguns hábitos mais antigos de caça e coleta de tartarugas e ovos para consumo em comunidades praianas e pesqueiras hoje são menos intensos devido aos esforços da educação ambiental, assim como é o caso da pesca incidental.
Por: Gabriela C. de Melo, Membro Nurof UFC
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