III Feira das Profissões 2011 acontece de 3 a 5 de agosto, não perca!

Mais de 66 mil alunos de 250 escolas públicas estaduais vão participar da III Feira das Profissões 2011, promovida pela Universidade Federal do Ceará, entre 3 a 5 de agosto. O evento será organizado pela Pró-Reitoria de Graduação, no Campus do Pici. É destinado a alunos do Ensino Médio das redes pública e particular de ensino. Durante a Feira, os pré-universitários conhecerão detalhes dos cursos de graduação oferecidos pela UFC, nos estandes montados, onde os estudantes universitários tirarão dúvidas dos visitantes sobre os cursos.

A Feira das Profissões é uma ferramenta que auxiliará na tomada de decisão da escolha do curso de graduação; o que esperamos venha a diminuir a insatisfação do estudante com seu curso e consequente evasão. As informações esclarecerão dúvidas e agregarão novos dados, que permitirão uma opção mais consciente. Evidentemente, nesse processo devem, ainda, pesar as aptidões e interesses pessoais, além do aconselhamento que venha a ser dado por familiares, educadores, psicólogos e orientadores.

A UFC deseja que os jovens superem medos e angústias, que se encaminhem para a Universidade ensaiando passos mais seguros, com uma noção mais clara do que irão encontrar na UFC. Isto é muito importante para garantirem o sucesso em seus estudos e avançarem na construção de seu projeto de vida.

Fonte: UFC

Para as escolas do Ensino Médio que pretendem fazer o agendamento de uma visita a III Feira das Profissões UFC 2011: Clique aqui

A importância da descoberta de uma nova espécie de lagarto para Caatinga: a contribuição de Tropidurus jaguaribanus 

Até pouco tempo, inclusive entre os cientistas, pensava-se que a Caatinga (bioma tropical semi-árido do nordeste do Brasil) apresentava baixa diversidade biológica. Em relação aos répteis, admitia-se que aqueles ali encontrados eram os mesmos existentes nas áreas adjacentes (Cerrado, Mata Atlântica e Floresta Amazônica). Portanto, um ambiente sem caracterização biológica própria, com baixa riqueza de espécies e destituído de endemismos.

Contudo, nas últimas décadas, como resultado do esforço de diversos pesquisadores, esta visão foi definitivamente ultrapassada. Hoje, sabemos que a Caatinga apresenta diversas espécies endêmicas, restritas ao seu domínio geográfico e intimamente associadas às condições biológicas e ambientais típicas da região.

No que se refere aos répteis, a última contribuição a este respeito ocorreu recentemente, com a descoberta de uma nova espécie endêmica da Caatinga. Seu nome, Tropidurus jaguaribanus ou mais popularmente “calango-de-lajeiro” (Figura 1, 2 e 3).

Figura 1. “Calango-de-lajeiro”  (Tropidurus jaguaribanus). Detalhe do seu evidente achatamento corpóreo.

O mais novo lagarto brasileiro foi descrito por um grupo de pesquisadores do Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (NUROF-UFC) e foi encontrado em meio às rochas áridas do sertão cearense (Veja: Nova espécie de lagarto é descoberta no sertão cearense: O mais novo “calango-de-lajeiro”, Tropidurus jaguaribanus)

Figura 2. “Calango-de-lajeiro”  (Tropidurus jaguaribanus) em seu ambiente natural típico.

Esta recente descoberta fez ressurgir a importância e o potencial biológico da Caatinga. Nestas terras, ainda vistas pela sociedade como tórridas e sem vida, existe uma biodiversidade oculta e intocada, à espera dos cientistas mais corajosos.

Não resta dúvida que inúmeras regiões na Caatinga permanecem inexploradas e desconhecidas pela Ciência. Mas o tempo passa, as condições climáticas mudam, e o homem continua avançando na destruição dos ambientes naturais. Sobreviverão as espécies a estes processos? Restará tempo de descobri-las? De preservá-las?

Cabe a todos nós, reconhecermos e lutarmos por nossa biodiversidade! Sem o apoio da sociedade, nós, biólogos, estamos sozinhos incessantemente correndo contra o “tempo”. Mas com o apoio de você leitor, tudo pode mudar… e para melhor!

Eu sou sertanejo sim senhor, com muito orgulho! Sou catingueiro todo!

                                                                                                         Daniel Passos

Figura 3. Indivíduo jovem de Tropidurus jaguaribanus, com coloração típica.

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

É verdade que algumas cobras sao alimentadas por um tubo direto no estomago ?

É verdade.
Algumas serpentes mantidas em cativeiro não se adaptam bem e acabam não se alimentando. Por isso, para que permaneçam vivas, é realizada a técnica de "alimentação forçada", onde uma das opções é o preparado alimentar injetado, através da boca, diretamente no estômago usando tubos ou cateteres.

por Paulo Cesar Mattos Dourado de Mesquita, pesquisador colaborador do NUROF UFC

Pergunte-nos suas curiosidades ou dúvidas sobre os anfíbios e répteis!

Instituto Mamirauá tem oportunidade para quem quer trabalhar com jacarés

O Instituto Mamirauá (IDSM) está com edital aberto para seleção de profissionais graduados e alunos(as) de graduação na área de ciências biológicas, ou outras áreas ambientais afins, para dar apoios às atividades técnicas e científicas do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Jacarés. Os bolsistas serão envolvidos em atividades de pesquisa e conservação de jacarés. As bolsas para profissionais graduados é de R$950,00 e para os bolsistas graduandos de R$510,00.

Atenção o prazo das inscrições será até 01 de Agosto de 2011! Para maiores informações clique aqui para ir para a página do edital.

Histórico das Coleções Zoológicas / Herpetológicas

Desde a Pré-História, o homem coleta animais para os mais diversos fins. De início, estas coletas tinham como finalidade a alimentação e a produção de vestimentas, mas, com o passar do tempo, a coleta desses animais, principalmente mamíferos e aves, teve caráter recreativo (esportivo), na forma de caça esportiva. Os animais coletados eram exibidos como troféus, mas, após algum tempo, estes materiais se deterioravam. Posteriormente, algumas técnicas de preservação (conservação) foram desenvolvidas e aprimoradas, como a Taxidermização (empalhamento), permitindo a manutenção destes animais por longo tempo sem a sua degradação. Contudo, no início estas técnicas se detinham apenas a ossos e peles.

No século XVIII, com o inicio da Sistemática Lineana, a coleta de animais passou a ter um caráter científico, sendo, em princípio, utilizada para o crescente número de descrições de novas espécies, em que os animais são catalogados na forma de “modelos” (Tipos) de cada espécie.

Um dos desafios da época era a preservação de “partes moles” (musculatura e vísceras). Para tanto, várias substâncias foram testadas, sendo o álcool (etanol 70%), o melhor conservante de tecidos animais, mas para uma melhor preservação, os tecidos devem ser antes fixados em formol (formaldeído) para conferir rigidez e evitar degradação microbiana.

Com o surgimento e desenvolvimento da Ecologia no início do século XX, os animais coletados deixaram de servir apenas como Tipos para a espécie descrita, sendo outros aspectos analisados do ponto de vista ecológico, como carga parasitária, dieta, reprodução, entre outros.

Com o crescente número de animais coletados, foi necessária a organização dos espécimes. Com isso, surgiram as Coleções Zoológicas de caráter científico, criadas por diferentes instituições (Museu Nacional de História Natural – França, Museu de História Natural de Londres – Inglaterra, Museu Americano de História Natural – EUA). No Brasil, o Museu Nacional do Rio de Janeiro – Figura 1, o Museu Paraense Emilio Goeldi e o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo são as instituições mais representativas (http://blogdonurof.wordpress.com/2010/09/21/colecoes-cientificas/).

Figura 1. Coleção de Herpetologia (Anfíbios e Répteis) do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Acesso em: http://www.herpetologia-mn.com/colecao.html.

Quando o animal coletado é levado a uma instituição que possui uma Coleção Zoológica, ele passa por um processo de tombo, em que os dados coletados em campo (data, local, coordenadas geográficas e o nome do coletor) são transcritos para um caderno, o Livro de Tombo, e também recebe um número próprio, o numero de tombo, que é específico para cada indivíduo. Mais recentemente, com o desenvolvimento da Sistemática baseada em seqüenciamento genético, em que seqüências específicas de DNA ou RNA são decifradas e comparadas, um novo tipo de coleção surgiu que é a Coleção de Tecidos, em que pequenos fragmentos de tecido são acondicionados em pequenos tubos modelo Eppendorf™. A principal diferença da Coleção de Tecidos é que o material não passa por um processo de fixação em formol, pois esta substância causa danos ao material genético, impedindo seu posterior seqüenciamento. Os tecidos são mantidos em outro tipo de álcool, o etanol P.A., de concentração 95% e isento de impurezas. Faz-se necessário frisar ainda que uma mesma instituição, sob a direção de um mesmo curador, pode manter ambos os tipos de coleção, a de animais e a de tecidos.

Figura 2. Coleção de Herpetologia (Anfíbios e Répteis) da Universidade Federal do Ceará (CHUFC).

Foto de Roberta Rocha.

A Universidade Federal do Ceará conta com uma coleção zoológica de caráter Herpetológico, isto é, de Anfíbios e “Répteis”, localizada no Núcleo Regional de Ofiologia da UFC (Figura 2). A Coleção Herpetológica da UFC (CHUFC) conta com mais de 5800 Anfíbios, 4200 Lagartos, 3600 Serpentes, além de outros grupos como Quelônios e Crocodilianos, representados por um menor número de exemplares. Para saber mais sobre a CHUFC, veja a postagem Coleções científicas/.

Por: Diego de Oliveira Soares, membro Nurof-UFC.

Sobre o parentesco entre tartarugas e lagartos!

Um dos pontos ainda controversos na história evolutiva dos répteis é a determinação do “nível de parentesco” (posição taxonômica) das tartarugas (testudíneos) em relação aos outros grupos. Uma das características morfológicas marcantes na determinação da posição taxonômica dos grandes grupos de répteis é a presença e tipo de fenestração craniana, “buracos” no crânio dos animais que atuam como pontos de passagem da musculatura relacionada a mandíbula/maxila. Inicialmente a ausência dessas fenestras no crânio das tartarugas fez com que os primeiros estudiosos as colocassem em um grupo,-anapsida- à parte dos lepidossauros (lagartos anfisbenas e serpentes) e dos arcossauros (crocodilianos e aves) que são diapsidas. No entanto há duas hipóteses que relacionam as tartarugas aos diapsidas, uma delas a de que estes animais compartilhariam um ancestral comum com os arcossauros, a outra seria que as tartarugas compartilhariam um ancestral comum com as serpentes e os lagartos.

Os resultados de um estudo realizado por um time de pesquisadores dos Estados Unidos é uma peça que nos ajuda a entender a história evolucionária dos répteis. O trabalho publicado nesta semana na revista Biology Letters (em inglês) da conta que as tartarugas são aparentadas aos lagartos dividindo com eles um mesmo ramo filético, ou seja os dois grupos compartilham entre si um ancestral comum. Para tanto os pesquisadores utilizaram técnicas moleculares modernas que tratam como caracteres taxonômicos a presença ou ausência de MicroRNA’s específicos. Desta forma, os autores apresentam informações que corroboram que as tartarugas seriam na verdade répteis diapsidas, e não anapsidas como pensado inicialmente.

PARA SABER MAIS:

Tartarugas emergem de suas carapaças evolucionárias (Tradução Google translator) – Turttles emerge from their evolutionary shell- Nature News 19 de Julho

Tyler R. Lyson, Erik A. Sperling, Alysha M. Heimberg, Jacques A. Gauthier, Benjamin L. King, and Kevin J. Peterson.MicroRNAs support a turtle + lizard clade. Biol Lett 2011 : rsbl.2011.0477v1-rsbl20110477.

Nova espécie de lagarto é descoberta no sertão cearense: O mais novo “calango-de-lajeiro”, Tropidurus jaguaribanus

Uma nova espécie de lagarto foi descoberta e descrita para o sertão do Ceará. A pesquisa foi desenvolvida pelos pesquisadores do Núcleo Regional de Ofiologia da UFC (NUROF-UFC), Daniel Passos e Daniel Cassiano Lima, sob a orientação da Profa. Dra. Diva Maria Borges-Nojosa, coordenadora do NUROF-UFC.

A pesquisa teve início em 2008, após um inventário de fauna realizado no Vale do Jaguaribe, região leste do estado do Ceará. Durante a identificação das espécies capturadas, examinando espécimes dos popularmente conhecidos como “calangos-de-lajeiro” (lagartos com um plano corporal achatado do dorso para o ventre e especialistas no uso de fendas em rochas), os pesquisadores perceberam que os animais coletados não se tratavam da espécie ocorrente na região (Tropidurus semitaeniatus) e sim, consistia em uma espécie ainda desconhecida pela ciência.

A partir de então, iniciou-se o processo de descrição, que envolve entre outros atributos morfológicos, a forma e dimensões do corpo, a contagem de escamas e a coloração. Através das lentes de um microscópio estereoscópico, os pesquisadroes confirmaram aquilo que já previam. Eles estavam com uma nova espécie em mãos!

Após dois anos de pesquisa (descrição, comparações e redação do trabalho), finalmente o artigo foi aceito e reconhecido pela comunidade científica, tendo sido publicado pelo periódico Zootaxa, da Nova Zelândia, em 27 de junho de 2011.

A nova espécie de lagarto foi batizada de Tropidurus jaguaribanus Passos; Lima & Nojosa, 2011 (Figura 01). O nome científico faz referência à região do estado onde ela ocorre, municípios integrantes do Vale do Jaguaribe. Até o momento têm-se confirmado o registro da espécie para os municípios de São João do Jaguaribe, Banabuiú e Tabuleiro do Norte, entretanto os pesquisadores acreditam que a espécie ocorre em outros municípios da região.

Figura 01. Indivíduo adulto de Tropidurus jaguaribanus.

O mais novo lagarto descrito para a Caatinga cearense, Tropidurus jaguaribanus distingui-se das demais espécies do grupo dos “calangos-de-lajeiro” principalmente por apresentar coloração com uma única faixa clara dorsal, que se estende do focinho à altura das patas dianteiras (Figura 02), enquanto as outras espécies possuem uma faixa que se estende até a base da cauda, ou têm mais de uma listra dorsal.

Figura 02. Detalhe da faixa clara dorsal de Tropidurus jaguaribanus.

O artigo científico (em inglês) pode ser parcialmente lido aqui: e sua versão completa adquirida na página da Zootaxa ou por solicitação enviada ao autor Daniel Passos

Clipagem: Pesquisadores encontram nova espécie de lagarto no Sertão do Ceará

Pesquisadores do Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (Nurof-UFC) encontraram uma nova espécie de lagarto no Vale do Jaguaribe, Sertão do Ceará. A descoberta foi documentada em uma revista científica da Nova Zelândia e a nova espécie foi batizada como Tropidurus jaguaribanus.
Referência [g1.com.br]

NOTA DO BLOG: Em breve aqui no blog uma postagem completa sobre a descoberta e descrição da nova espécie Tropidurus jaguaribanus, aguardem :) .

VEJA TAMBÉM: Nova espécie de lagarto é descoberta no sertão cearense: O mais novo “calango-de-lajeiro”, Tropidurus jaguaribanus

As 10 mais acessadas no primeiro ano de Blog!

Ao longo deste nosso primeiro ano de existência as 10 postagens mais acessadas foram:

1 - Cobra que bebe leite? Um pouco mais sobre a Pseudoboa nigra, a cobra preta!

2 - Existe diferença entre tartaruga, cágado e jabuti?

3 - Sobre tartarugas, cágados e jabutis: Parte II

4 - Sobre o tipo de dentição das serpentes

5 - Um pouco sobre a ectotermia: Temperatura corporal nos Répteis

6 - Lagartos peçonhentos (Lagartos venenosos no Brasil?)

7 - Sobre Tartarugas Marinhas

8 - Quem são as cobras-de-duas-cabeças? Cobras de duas cabeças?

9 - Existe diferença entre sapo, rã e perereca?

10 - Curiosidades: Sobre o hemipênis, o órgão reprodutor dos machos das serpentes

Aproveite e leia as postagens que ainda não leu!

Notícia: Estudo afirma que inteligência de répteis pode não ser tão limitada

Lagartos testados mostraram facilidade em resolver problemas.
Estereótipo de capacidade limitada para encontrar comida é questionado.

Do Globo Natureza, em São Paulo

Pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, descobriram que os lagartos podem aprender e se lembrar de resolver problemas nunca enfrentados antes tão bem como aves e mamíferos. Os resultados foram obtidos após testes com lagartos tropicais, da espécie Anolis evermanni, tipicamente encontrados em Porto Rico.
Os resultados desafiam o estereótipo científico de que os répteis têm capacidade limitada em métodos para encontrar comida. Entretanto, o desempenho não significa que eles são mais inteligentes que as aves.

Lagarto da espécie Anolis evermanni durante testes realizados nos Estados Unidos. Resultados desafiam o estereótipo científico de que os répteis tem capacidade limitada encontrar comida. (Foto: Manuel Leal/Duke University)


De acordo com os cientistas, durante os testes os lagartos tinham que procurar comida entre dois recipientes, um deles vazio e o outro com um verme dentro, mas coberto por uma tampa. Quatro exemplares, dois machos e duas fêmeas, tinham que remover a tampa e conseguiram fazer isto em menor número de tentativas que as aves.
“Pássaros têm até seis chances por dia de obter comida, mas os lagartos comem apenas uma vez. Em outras palavras, se um lagarto comete um erro, ele tem que se lembrar de como corrigi-lo até o dia seguinte”, disse Manuel Leal, biólogo da universidade. A conclusão do estudo deve levar os pesquisadores a reavaliar o que pensam sobre a evolução da cognição animal.

Fonte: G1 natureza

NOTA DO BLOG: O resumo e o arquivo pdf contendo o artigo (ambos em inglês) podem ser acessados na página da Royal Society Publishing

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