A importância da descoberta de uma nova espécie de lagarto para Caatinga: a contribuição de Tropidurus jaguaribanus 

Até pouco tempo, inclusive entre os cientistas, pensava-se que a Caatinga (bioma tropical semi-árido do nordeste do Brasil) apresentava baixa diversidade biológica. Em relação aos répteis, admitia-se que aqueles ali encontrados eram os mesmos existentes nas áreas adjacentes (Cerrado, Mata Atlântica e Floresta Amazônica). Portanto, um ambiente sem caracterização biológica própria, com baixa riqueza de espécies e destituído de endemismos.

Contudo, nas últimas décadas, como resultado do esforço de diversos pesquisadores, esta visão foi definitivamente ultrapassada. Hoje, sabemos que a Caatinga apresenta diversas espécies endêmicas, restritas ao seu domínio geográfico e intimamente associadas às condições biológicas e ambientais típicas da região.

No que se refere aos répteis, a última contribuição a este respeito ocorreu recentemente, com a descoberta de uma nova espécie endêmica da Caatinga. Seu nome, Tropidurus jaguaribanus ou mais popularmente “calango-de-lajeiro” (Figura 1, 2 e 3).

Figura 1. “Calango-de-lajeiro”  (Tropidurus jaguaribanus). Detalhe do seu evidente achatamento corpóreo.

O mais novo lagarto brasileiro foi descrito por um grupo de pesquisadores do Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (NUROF-UFC) e foi encontrado em meio às rochas áridas do sertão cearense (Veja: Nova espécie de lagarto é descoberta no sertão cearense: O mais novo “calango-de-lajeiro”, Tropidurus jaguaribanus)

Figura 2. “Calango-de-lajeiro”  (Tropidurus jaguaribanus) em seu ambiente natural típico.

Esta recente descoberta fez ressurgir a importância e o potencial biológico da Caatinga. Nestas terras, ainda vistas pela sociedade como tórridas e sem vida, existe uma biodiversidade oculta e intocada, à espera dos cientistas mais corajosos.

Não resta dúvida que inúmeras regiões na Caatinga permanecem inexploradas e desconhecidas pela Ciência. Mas o tempo passa, as condições climáticas mudam, e o homem continua avançando na destruição dos ambientes naturais. Sobreviverão as espécies a estes processos? Restará tempo de descobri-las? De preservá-las?

Cabe a todos nós, reconhecermos e lutarmos por nossa biodiversidade! Sem o apoio da sociedade, nós, biólogos, estamos sozinhos incessantemente correndo contra o “tempo”. Mas com o apoio de você leitor, tudo pode mudar… e para melhor!

Eu sou sertanejo sim senhor, com muito orgulho! Sou catingueiro todo!

                                                                                                         Daniel Passos

Figura 3. Indivíduo jovem de Tropidurus jaguaribanus, com coloração típica.

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

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