A respiração dentro dos ninhos de tartarugas marinhas

Por Gabriela Melo

Durante o período de desova, as fêmeas das tartarugas marinhas constroem seus ninhos em câmaras cuidadosamente escavadas nas areias da praia. Cada ninho possui centenas de ovos que são arredondados e moles, dotados de casca coriácea.

Os ninhos são construídos em áreas úmidas das areias da praia, porém livres de inundações pelas marés e formam um micro ambiente favorável ao desenvolvimento dos embriões. A difusão dos gases através da areia dos ninhos é suficiente para suprir os ovos com o oxigênio necessário. Além do mais os espaços entre os ovos dentro do ninho não são preenchidos com areia permitindo que ovos mais centrais também recebam oxigênio.

Em comparação com ovos de aves, a casca dos ovos das tartarugas é mais permeável às trocas gasosas. A casca de um ovo de ave precisa ser permeável aos gases respiratórios, mas essa permeabilidade permite a evaporação de água e precisa ser controlada para evitar desidratação do embrião. Já o ambiente do ninho das tartarugas marinhas sempre está saturado de vapor d’água, dificultando a desidratação dos embriões. Além disso, a disponibilidade de oxigênio dentro dos ninhos é pequena se comparada aos ninhos de aves ao ar livre, fazendo com que uma alta permeabilidade da casca dos ovos da tartarugas seja uma necessidade.

As condições necessárias ao desenvolvimento normal de uma ninhada de tartarugas marinhas são extremamente delicadas, podemos perceber pelos processos que atuam nas trocas gasosas e também de determinação sexual, por exemplo (Ver: Determinação do sexo em tartarugas marinhas: ameaças ao equilíbrio das populações ). Estes processos são fortemente influenciados por fatores externos que facilmente podem alterar e comprometer tais condições ideais ao desenvolvimento dos embriões. Mais um motivo que reforça a importância do estudo da biologia desses animais para que se possa entender como podemos contribuir com sua conservação.

Bibliografia:
SCHMIDT-NIELSEN, Knut. Fisiologia animal: adaptação e meio ambiente . 5. ed. Sao Paulo: Santos, 1996. 600p. ISBN 8572880429

Por: Gabriela Cavalcante de Melo, membro NUROF-UFC

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Novo astro animal na TV brasileira: a lagartixa da novela das 7

Depois de cães, gatos e chimpanzés, agora foi a vez dos lagartos tomarem a cena! No capítulo do dia 25/07/11 da novela global “Morde e Assopra”, mais uma estrela entrou em cena. Aparecendo no período noturno e atuando no papel de “lagartixa”, um calango do gênero Tropidurus roubou a cena e chamou atenção com sua desenvoltura diante das câmeras (Figura 1).

Na cena, a inusitada e brilhante aparição do animal provocou sustos à personagem que o visualizou, que reagiu demonstrando medo e gritando desesperadamente. Em seu socorro, apareceram seus pais, que identificaram o bicho como uma “lagartixa”.

Figura 1. Sequência de imagens do novo astro animal da TV brasileira, um lagarto do gênero Tropidurus. Fonte: Vídeo do capítulo da telenovela disponível na Internet.

Interessante notar as diferentes reações exibidas pelos personagens. Enquanto a personagem que avistou o bicho reagiu com medo, gritos e desespero, clamando inclusive pela morte do animal, seus pais, que há mais tempo tinham contato com esse tipo de bicho, reagiram tranquilamente, considerando uma tolice a reação exagerada da menina.

A aparição do bicho, os comentários e as ações dos pais da personagem são muito importantes, pois, ao trazerem à tona a “lagartixa” e a sua não nocividade ao homem, somam pontos junto às estratégias de conservação desses animais, bem como de outros “répteis”. Informada, a população pode agir, ao visualizar um bicho semelhante a uma lagartixa ou a um calango, apenas deslocando-o para um local no qual o mesmo não mais provoque incômodo, assim como fez o pai da personagem, evitando a tomada de atitudes que culminem com a morte do animal em questão.

Na referida cena, surge ainda um fato curioso, que é a crença que a mãe da personagem tem nas “lagartixas”. Segundo ela, “Dizem que lagartixa dá sorte”, por isso, ela não as mata. Apesar disso ser apenas uma crença, é outro ponto positivo em relação à conservação, pois, uma vez que isso seja tomado como verdade, mais “lagartixas” serão salvas da morte.

Embora apresentando alguns deslizes de cunho biológico, como a aparição noturna do lagarto Tropidurus, que é diurno, e a classificação do mesmo como inseto, a exibição do espécime de lagarto na novela foi positiva, pois trouxe, junto à imagem do animal, informações que podem contribuir com a diminuição da matança desses bichos e com sua conservação. Merecem aqui ser lembradas as importantes funções ecológicas desempenhadas pelos lagartos em seus ambientes, inclusive no consumo de insetos praga e vetores de doenças (Leia mais em: http://blogdonurof.wordpress.com/2011/03/27/a-importancia-dos-lagartos-para-a-natureza-inclusive-para-o-homem/).

Por: Laís Feitosa Machado e Daniel Passos

O canto dos anuros

Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo canta, oh maninha
É porque tem frio…

Muitas espécies de anuros (rãs, sapos e pererecas) são capazes de produzir verdadeiras sinfonias próximo a corpos d’água no campo e até mesmo em algumas regiões urbanizadas. O canto desses animais é conhecido também como vocalização.

Característica importante da biologia dos anuros, a vocalização é típica para cada espécie e pode ter diversas funções como defesa de território, reconhecimento de co-específicos e principalmente, atração de parceiros para reprodução.

Um canto muito estudado entre os anuros é o “canto nupcial”, um tipo de canto de anúncio quando os machos vocalizam para atrair as fêmeas durante os períodos de reprodução. Os machos anuros possuem um saco vocal próximo à região gular que permite a produção do som (Figura 1). As fêmeas reconhecem o canto de um macho da sua espécie e através da altura, duração, complexidade e frequência desse canto percebem informações sobre várias características dos possíveis parceiros como tamanho e força. Elas escolhem então, o parceiro, que pelo canto, demonstra ter as melhores características que deverão ser passadas para sua prole.

Figura 1 - Macho de (Dendropsophus sp) com o saco vocal inflado no momento da vocalização. Foto Luan Pinheiro

O som é produzido a partir de contrações musculares que forçam a passagem de ar dos pulmões até as cordas vocais e para essas contrações há certo gasto energético, além disso, o mesmo canto que atrai as fêmeas pode também atrair predadores. Então para que assumir essas desvantagens?

Há muitas vantagens que compensam para os anuros escolher a vocalização como uma estratégia. Machos que competem para atrair fêmeas através da vocalização evitam combates físicos e riscos de injúrias. Os machos também podem perceber informações sobre tamanho e força de outros machos através do canto e assim evitar combates desfavoráveis.

Geralmente, nos períodos de reprodução forma-se um coro com os cantos de animais de espécies diferentes que pode confundir os predadores. Muitas outras vantagens estão envolvidas, pois até então a vocalização como estratégia usada por esses animais tem trazido o sucesso na reprodução e perpetuação das espécies.

Veja Também: Dica: acesse a SAPOTECA

Por: Gabriela Cavalcante de Melo, Membro NUROF-UFC.

Principais serpentes encontradas no Ceará?

Desculpe-nos a demora na resposta.

Como em toda região isso depende do tipo de ambiente, por exemplo: Em área de caatinga sensu strictu algumas das mais comuns serão Oxybelis aeneus e Philodryas nattereri. Já em brejo-de-altitude, como Baturité, as mais comumente encontradas são Boa constrictor e Liophis reginae.

Só lembramos para o fato de que delimitações políticas não remetem necessáriamente à uma delimitação natural (biológica ou geológica).

Informações adicionais você pode encontrar em:

MESQUITA, P.C.M.D.; BORGES-NOJOSA, D.M.; BRITO, L.B.M.; MELO, J.C.L. 2005. As Serpentes no Estado do Ceará: a Ofiofauna do Maciço de Baturite. Apresentado durante II Congresso Brasileiro de Herpetologia – Belo Horizonte, 2005.
Clique aqui para baixar.

Por: Colaborador NnN

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