Clipagem: O atendimento de animais silvestres em clínicas de pequenos animais

Com a crescente verticalização das moradias, é cada vez mais comum à criação de animais não convencionais nos lares, por estes ocuparem menor espaço, serem de fácil manejo e manutenção. Ainda, desde os tempos mais remotos, os animais silvestres sempre tiveram presentes nas casas, impulsionados pelo crescente número de criatórios registrados no IBAMA.

Com isso, é cada vez mais frequente a presença destes na clínica de pequenos animais e o clínico deve estar preparado para fornecer as corretas orientações de manejo, ambiente de criação, nutrição, biologia aplicada, entre outros; assim como saber como abordar, conter, examinar, tratar e manter internado este paciente tão diferente dos animais domésticos convencionais. O correto conhecimento dos tópicos apresentados é crucial para o sucesso do profissional que pretende oferecer a seus clientes um serviço pleno na clínica de pequenos animais.

A criação de animais não convencionais e silvestres tem se tornado uma prática comum nos lares. O que eleva a demanda de atendimento especializado para estes animais.

O animal silvestre é diferente de um cachorro e de um gato. Ele se estressa mais fácil, às vezes é difícil de segurar e ainda por cima pode bicar e morder.

A anatomia e fisiologia únicas dos répteis, aves e mamíferos silvestres, tornam os procedimentos cirúrgicos nestes animais bastante diferentes daqueles empregados em cães e gatos.

A abordagem cirúrgica requer equipamentos especiais de acesso e acompanhamento do paciente no transoperatório, como anestesia inalatória, monitores cardíacos, oxímetro de pulso, Doppler vascular, bomba de infusão e em alguns casos deve-se valer de serras cirúrgicas específicas para cascos e bicos.

As clínicas que atendem animais silvestres devem valer do maior número de métodos diagnósticos para descobrir as afecções que acometem aves, répteis e pequenos mamíferos, pois, muitas delas apenas podem ser descobertas com o uso de raios-X. Os posicionamentos radiográficos não são os mesmos adotados em cães e gatos e algumas vezes é preciso anestesiar os animais. E o profissional que vai prestar o atendimento precisa ser capacitado para poder lidar com as principais situações ocorridas na clínica de pequenos animais.

Leia também: Meu bichinho de estimação é silvestre

Fonte: CPT Cursos Presenciais

Adaptação: Revista Veterinária

Disponível em:  RevistaVeterinaria.com.br

Os números de 2012

Se 2012 foi um ano muito bom para os herpetólogos de plantão, aguardem por textos, curiosidades e discussões ainda melhores em 2013! Ótimo 2013 para todos nós e para toda a herpetologia! Lá vamos nós!

Aqui está um excerto:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 120.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 6 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Notícia: Descoberta de nova “cobra cega”

Sabemos que os animais conhecidos como “cobras cegas” não são cobras. Estes animais são, na verdade, anfíbios com características peculiares que lhes fazem ser confundidos com as cobras (répteis).

Relembre: Parece mas não é: Cobras-cegas são anfíbios!

Cobras cegas não são facilmente encontradas pois vivem sob a terra.  Apesar disso, o esforço de uma equipe de pesquisadores com cientístas da University of Delhi, the U.K. Natural History Museum e Belgium’s Vrije University encontrou cobras cegas de espécie ainda desconhecida em uma região no nordeste da Índia.

Veja notícia completa em:NATIONAL GEOGRAPHIC-Pictures: New Amphibians Without Arms or Legs Discovered

Muitos conhecem a forma de desenvolvimento em anfíbios que envolve fases larvais ou girinos, porém existem outros tipos de desenvolvimento nesses animais. Neste caso, o filhote nasce na forma de um adulto em miniatura, como pode-se perceber nos detalhes do ovo translúcido.
A recém descoberta cobra cega parece proteger a ninhada enrolando-se sobre ela.

Fotos cedidas pelo pesquisador SD Biju, disponíveis em: NATIONAL GEOGRAPHIC- Pictures: New Amphibians Without Arms or Legs Discovered

 [Clique a acesse mais fotos e informações interessantes relacionadas a esta descoberta]

Hypsiboas albomarginatus

Por Hugo Fernandes-Ferreira

Hypsiboas albomarginatus Foto Hugo Fernandes-Ferreira

Hypsiboas albomarginatus (rã verde) – Espécie facilmente encontrada na Mata Atlântica e parte da Amazônia, onde se reproduz em pequenas poças d’água. É noturna, vive sobre galhos e folhas de arbustos baixos e se alimenta de pequenos insetos.

NnN Feliz Dia das Crianças!

E para homenagear esse dia o NUROF-UFC nas Nuvens resgatou aqui os répteis e anfíbios que fizeram e ainda fazem parte da infância de muita gente! Desejamos a todos um Feliz dia das Crianças!

NnN homenagem ao Dia das Crianças

Dica: acesse a SAPOTECA

Sobre a Sapoteca


A comunicação acústica é especialmente importante na biologia reprodutiva e comportamento reprodutivo dos anuros. Neste sentido, as coleções acústicas podem ser úteis para o estudo e a conservação da biodiversidade e contribuir para o estudo da comunicação animal. A SAPOTECA visa uma representação integrada de diferentes tipos de mídia (notas bibliográficas, gravações sonoras, fotografias, vídeos) de um determinado conjunto de dados, os sapos da Amazônia, disponibilizando-as em um website. No website você encontrará uma amostra da biblioteca, sendo que cada espécie estará representada pelo fragmento de uma gravação de aúdio e/ou vídeo.

Este projeto é parte do Centro para Estudos Integrados da Amazônia “CENBAM” cujo principal objetivo é integrar a pesquisa sobre a biodiversidade amazônica em cadeias de produção científicas e tecnológicas eficientes.

A criação da coleção da SAPOTECA começou há cerca de 10 anos atrás, com gravações e filmagens dos anuros amazônicos feitas pelos pesquisadotes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia “INPA” e colaboradores, durante expedições pela região amazônica. Todo o material depositado nesta coleção é acompanhado pelos dados da gravação, p.e., local e hora da gravação, temperatura do ar, temperatura da água, tamanho corporal do macho gravado, descrições do processo de digitalização e equipamento utilizado durante a gravação. Todo o material será depositado em um computador (com cópias em CDs) no INPA, Manaus, Amazonas, Brasil. Atualmente, a SAPOTECA possui mais de 500 arquivos de audio e 30 de vídeos catalogados. No entanto, estamos continuamente adicionando novos arquivos à biblioteca e novas amostras de som e vídeo ao website.

Esta coleção on-line visa não somente o interesse de pesquisadores, mas também prover uma ferramenta para professores, satisfazer a curiosidade de amantes da herpetologia e do público em geral sobre a comunicação acústica dos anuros amazônicos.

Erdtmann, L.K.; Costeira, J.M.; Oliveira, A.S.; Oliveira, D.M.S.; Lima, A.P. 2011. SAPOTECA: biblioteca de sons e vídeos de anuros amazônicos.Disponível em: http://ppbio2.inpa.gov.br/sapoteca/principal CENBAM, Manaus, Amazonas, Brasil.

O canto dos anuros

Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo canta, oh maninha
É porque tem frio…

Muitas espécies de anuros (rãs, sapos e pererecas) são capazes de produzir verdadeiras sinfonias próximo a corpos d’água no campo e até mesmo em algumas regiões urbanizadas. O canto desses animais é conhecido também como vocalização.

Característica importante da biologia dos anuros, a vocalização é típica para cada espécie e pode ter diversas funções como defesa de território, reconhecimento de co-específicos e principalmente, atração de parceiros para reprodução.

Um canto muito estudado entre os anuros é o “canto nupcial”, um tipo de canto de anúncio quando os machos vocalizam para atrair as fêmeas durante os períodos de reprodução. Os machos anuros possuem um saco vocal próximo à região gular que permite a produção do som (Figura 1). As fêmeas reconhecem o canto de um macho da sua espécie e através da altura, duração, complexidade e frequência desse canto percebem informações sobre várias características dos possíveis parceiros como tamanho e força. Elas escolhem então, o parceiro, que pelo canto, demonstra ter as melhores características que deverão ser passadas para sua prole.

Figura 1 - Macho de (Dendropsophus sp) com o saco vocal inflado no momento da vocalização. Foto Luan Pinheiro

O som é produzido a partir de contrações musculares que forçam a passagem de ar dos pulmões até as cordas vocais e para essas contrações há certo gasto energético, além disso, o mesmo canto que atrai as fêmeas pode também atrair predadores. Então para que assumir essas desvantagens?

Há muitas vantagens que compensam para os anuros escolher a vocalização como uma estratégia. Machos que competem para atrair fêmeas através da vocalização evitam combates físicos e riscos de injúrias. Os machos também podem perceber informações sobre tamanho e força de outros machos através do canto e assim evitar combates desfavoráveis.

Geralmente, nos períodos de reprodução forma-se um coro com os cantos de animais de espécies diferentes que pode confundir os predadores. Muitas outras vantagens estão envolvidas, pois até então a vocalização como estratégia usada por esses animais tem trazido o sucesso na reprodução e perpetuação das espécies.

Veja Também: Dica: acesse a SAPOTECA

Por: Gabriela Cavalcante de Melo, Membro NUROF-UFC.

Histórico das Coleções Zoológicas / Herpetológicas

Desde a Pré-História, o homem coleta animais para os mais diversos fins. De início, estas coletas tinham como finalidade a alimentação e a produção de vestimentas, mas, com o passar do tempo, a coleta desses animais, principalmente mamíferos e aves, teve caráter recreativo (esportivo), na forma de caça esportiva. Os animais coletados eram exibidos como troféus, mas, após algum tempo, estes materiais se deterioravam. Posteriormente, algumas técnicas de preservação (conservação) foram desenvolvidas e aprimoradas, como a Taxidermização (empalhamento), permitindo a manutenção destes animais por longo tempo sem a sua degradação. Contudo, no início estas técnicas se detinham apenas a ossos e peles.

No século XVIII, com o inicio da Sistemática Lineana, a coleta de animais passou a ter um caráter científico, sendo, em princípio, utilizada para o crescente número de descrições de novas espécies, em que os animais são catalogados na forma de “modelos” (Tipos) de cada espécie.

Um dos desafios da época era a preservação de “partes moles” (musculatura e vísceras). Para tanto, várias substâncias foram testadas, sendo o álcool (etanol 70%), o melhor conservante de tecidos animais, mas para uma melhor preservação, os tecidos devem ser antes fixados em formol (formaldeído) para conferir rigidez e evitar degradação microbiana.

Com o surgimento e desenvolvimento da Ecologia no início do século XX, os animais coletados deixaram de servir apenas como Tipos para a espécie descrita, sendo outros aspectos analisados do ponto de vista ecológico, como carga parasitária, dieta, reprodução, entre outros.

Com o crescente número de animais coletados, foi necessária a organização dos espécimes. Com isso, surgiram as Coleções Zoológicas de caráter científico, criadas por diferentes instituições (Museu Nacional de História Natural – França, Museu de História Natural de Londres – Inglaterra, Museu Americano de História Natural – EUA). No Brasil, o Museu Nacional do Rio de Janeiro – Figura 1, o Museu Paraense Emilio Goeldi e o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo são as instituições mais representativas (http://blogdonurof.wordpress.com/2010/09/21/colecoes-cientificas/).

Figura 1. Coleção de Herpetologia (Anfíbios e Répteis) do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Acesso em: http://www.herpetologia-mn.com/colecao.html.

Quando o animal coletado é levado a uma instituição que possui uma Coleção Zoológica, ele passa por um processo de tombo, em que os dados coletados em campo (data, local, coordenadas geográficas e o nome do coletor) são transcritos para um caderno, o Livro de Tombo, e também recebe um número próprio, o numero de tombo, que é específico para cada indivíduo. Mais recentemente, com o desenvolvimento da Sistemática baseada em seqüenciamento genético, em que seqüências específicas de DNA ou RNA são decifradas e comparadas, um novo tipo de coleção surgiu que é a Coleção de Tecidos, em que pequenos fragmentos de tecido são acondicionados em pequenos tubos modelo Eppendorf™. A principal diferença da Coleção de Tecidos é que o material não passa por um processo de fixação em formol, pois esta substância causa danos ao material genético, impedindo seu posterior seqüenciamento. Os tecidos são mantidos em outro tipo de álcool, o etanol P.A., de concentração 95% e isento de impurezas. Faz-se necessário frisar ainda que uma mesma instituição, sob a direção de um mesmo curador, pode manter ambos os tipos de coleção, a de animais e a de tecidos.

Figura 2. Coleção de Herpetologia (Anfíbios e Répteis) da Universidade Federal do Ceará (CHUFC).

Foto de Roberta Rocha.

A Universidade Federal do Ceará conta com uma coleção zoológica de caráter Herpetológico, isto é, de Anfíbios e “Répteis”, localizada no Núcleo Regional de Ofiologia da UFC (Figura 2). A Coleção Herpetológica da UFC (CHUFC) conta com mais de 5800 Anfíbios, 4200 Lagartos, 3600 Serpentes, além de outros grupos como Quelônios e Crocodilianos, representados por um menor número de exemplares. Para saber mais sobre a CHUFC, veja a postagem Coleções científicas/.

Por: Diego de Oliveira Soares, membro Nurof-UFC.

O impacto do novo código florestal sobre os anfíbios do Brasil


Biólogos pesquisadores brasileiros da UNESP publicaram na seção de cartas da Revista Science um texto expondo o fato de que a erradicação de pequenos fragmentos de mata, conforme permitido pelo novo código florestal aprovado no congresso nacional e em tramitação no senado, podem ter consequências graves resultando na perda de biodiversidade.

Na carta os pesquisadores ressaltam a importância destes pequenos fragmentos para a manutenção de populações de espécies de anfíbios. Os autores citam estudos que constataram, por sua vez, que fragmentos de Mata Atlântica de 70 a 100 ha significativamente contribuem para a diversidade de anfíbios, estes fragmentos funcionam como corredores de dispersão ou refúgios.

Caso você tenha acesso ao portal de periódicos CAPES você pode baixar o texto original clicando aqui SILVA, F.R., PRADO, V.H.M., ROSSA-FERES D.C. 2011. Value of Small Forest Fragments to Amphibians. Science 332:1033

Leia também:
No Jornal da Ciência Carta de cientistas critica nova lei florestal

VEJA TAMBÉM:
Novo Código Florestal Brasileiro e seus impactos sobre os répteis do Brasil

Parece mas não é: Cobras-cegas são anfíbios!

Popularmente conhecidos como “cecílias” ou “cobras-cegas” estes animais são anfíbios comumente confundidos com serpentes (répteis). A confusão surge devido a semelhanças como corpo alongado e ausência de membros. Na verdade, uma das ordens dentro da classe amphibia é conhecida como Gymnophiona, do grego: gymnos (nu) + ophioneos (parecido com serpente) e nesta ordem estão inseridas nossas conhecidas cobras-cegas.

Foto Henrique Nogueira

As cobras-cegas são fossoriais (animais que vivem sob a terra escavando os solos) e suas características morfológicas refletem este hábito, por exemplo, a ausência de membros que facilita a escavação e a movimentação embaixo da terra. Uma característica também das cobras-de-duas-cabeças (relembre: Quem são as cobras-de-duas-cabeças? Cobras de duas cabeças?).

Além disso, a visão é um sentido pouco desenvolvido nestes anfíbios, uma vez que vivem embaixo do solo onde há pouca ou nenhuma luminosidade. No máximo, os olhos das cecílias conseguem distinguir entre claro e escuro. Para ajudar na percepção do ambiente e na localização de presas, predadores e parceiros para reprodução estes animais contam com um par de pequenas estruturas sensoriais em forma de tentáculos protáteis na cabeça.

A pele úmida das cobras-cegas difere da pele seca das serpentes, que é coberta por muitas escamas de coloração variada. As cobras-cegas possuem escamas dérmicas, pequenos discos achatados localizados em dobras transversas ao longo do corpo formando anéis que podem auxiliar na locomoção nas galerias subterrâneas.

A língua bífida das serpentes não é encontrada em cobras-cegas, estas não possuem língua protátil e a cauda das cobras-cegas é muito curta ou ausente. Outra diferença importante é o ovo amniótico, característica ausente nos anfíbios e marcante nos répteis.

Então, a diferença básica consiste no fato das cecílias ou cobras-cegas serem anfíbios, portanto com muitas caracteríticas bem diferentes das características das serpentes, que são répteis e apesar de muitos confundirem, o leitor pode agora notar que são animais bem distintos. Cuidado para não confundir!

Por: Gabriela Cavalcante de Melo,membro NUROF-UFC

Bibliografia:

POUGH, F. Harvey; JANIS, Christine M.; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. 4. ed. São Paulo, SP: Atheneu, 2008.

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