Clipagem: O atendimento de animais silvestres em clínicas de pequenos animais

Com a crescente verticalização das moradias, é cada vez mais comum à criação de animais não convencionais nos lares, por estes ocuparem menor espaço, serem de fácil manejo e manutenção. Ainda, desde os tempos mais remotos, os animais silvestres sempre tiveram presentes nas casas, impulsionados pelo crescente número de criatórios registrados no IBAMA.

Com isso, é cada vez mais frequente a presença destes na clínica de pequenos animais e o clínico deve estar preparado para fornecer as corretas orientações de manejo, ambiente de criação, nutrição, biologia aplicada, entre outros; assim como saber como abordar, conter, examinar, tratar e manter internado este paciente tão diferente dos animais domésticos convencionais. O correto conhecimento dos tópicos apresentados é crucial para o sucesso do profissional que pretende oferecer a seus clientes um serviço pleno na clínica de pequenos animais.

A criação de animais não convencionais e silvestres tem se tornado uma prática comum nos lares. O que eleva a demanda de atendimento especializado para estes animais.

O animal silvestre é diferente de um cachorro e de um gato. Ele se estressa mais fácil, às vezes é difícil de segurar e ainda por cima pode bicar e morder.

A anatomia e fisiologia únicas dos répteis, aves e mamíferos silvestres, tornam os procedimentos cirúrgicos nestes animais bastante diferentes daqueles empregados em cães e gatos.

A abordagem cirúrgica requer equipamentos especiais de acesso e acompanhamento do paciente no transoperatório, como anestesia inalatória, monitores cardíacos, oxímetro de pulso, Doppler vascular, bomba de infusão e em alguns casos deve-se valer de serras cirúrgicas específicas para cascos e bicos.

As clínicas que atendem animais silvestres devem valer do maior número de métodos diagnósticos para descobrir as afecções que acometem aves, répteis e pequenos mamíferos, pois, muitas delas apenas podem ser descobertas com o uso de raios-X. Os posicionamentos radiográficos não são os mesmos adotados em cães e gatos e algumas vezes é preciso anestesiar os animais. E o profissional que vai prestar o atendimento precisa ser capacitado para poder lidar com as principais situações ocorridas na clínica de pequenos animais.

Leia também: Meu bichinho de estimação é silvestre

Fonte: CPT Cursos Presenciais

Adaptação: Revista Veterinária

Disponível em:  RevistaVeterinaria.com.br

Os números de 2012

Se 2012 foi um ano muito bom para os herpetólogos de plantão, aguardem por textos, curiosidades e discussões ainda melhores em 2013! Ótimo 2013 para todos nós e para toda a herpetologia! Lá vamos nós!

Aqui está um excerto:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 120.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 6 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Notícia: Conheça o encantador de serpentes da USP

José Manuel Lourenço

A fala mansa com um falso sotaque mineiro e o jeito tranquilo do biólogo Luiz Henrique Pedrosa, natural de Mococa, nem de longe antecipam o que faz para ganhar a vida. Há 27 anos na Faculdade de Medicina de Ribeirão da Universidade de São Paulo, ele é o responsável pelo serpentário da USP.

Biólogo Luiz Henrique cuida do serpentário da USP à 27 anos Foto: Matheus Urenha- A Cidade

Trabalha diariamente com cerca de 250 cobras, sobretudo cascavéis e jararacas, répteis cujas picadas podem causar a morte de forma extremamente dolorosa. Tem com elas uma relação de carinho e respeito que a maioria das pessoas nem de longe deseja ou sonha ter. É um encantador de serpentes dos tempos modernos, mas também o provedor de uma matéria-prima vital para pesquisas na área da Toxicologia.

Nas três décadas dessa estranha e perigosa convivência, ele garante ter sido picado somente uma vez. Mesmo assim, fora do serviço. “Estava em casa quando apareceu uma pessoa com um saco e uma jararaca dentro. Quando fui pegá-la, a boca do saco estava meio solta e ela me picou”, conta. Sobreviveu, mas ficou quatro dias no hospital.

Apesar do susto, não ficaram maiores sequelas do ocorrido. Pelo contrário. “Não trocaria este emprego por nada. Sou completamente apaixonado por cobras”, revela.

A paixão por um dos animais mais temidos e odiados pelos seres humanos começou cedo, aos oito anos, quando já levava para casa cobras para exames mais detalhados. Quase sempre levava os pais à loucura e entre um e outro puxão de orelhas, a ligação com os répteis permaneceu. “Acho que esse foi o principal motivo que me fez ir para a Biologia”, conta.

Pesquisa
O outro é menos pessoal, mas igualmente importante. A principal atividade do serpentário da USP é coletar o veneno das quase três centenas de exemplares, que depois será utilizado nas várias áreas de pesquisa da universidade.

O local de trabalho de Luiz Henrique é uma casa localizada no Biotério. O serpentário fica numa sala com quinze metros de comprimento por dois de largura, com telas em todas as janelas e somente uma saída. A temperatura interna fica entre 27 e 28º C.

Caixas numeradas abrigam as serpentes. Uma das ocupantes da caixa 131 foi a que picou Luiz Henrique. As moradoras do serpentário são alimentadas a cada 15 dias, geralmente com pequenos ratos. As coletas são feitas a cada cinco semanas e a quantidade de veneno obtida depende do tamanho do animal e da espécie. Em média, as cascavéis produzem cerca de 20 miligramas por extração e as jararacas em torno de 50 miligramas. Os venenos são coletados em placas de Petri e depois secos sob vácuo, podendo assim ser estocados em geladeira por vários anos sem perder suas propriedades.

Longevidade
As cobras têm longevidade de cerca de 30 anos, o que significa que muitas delas passaram a vida ao lado de Luiz Henrique. Será que elas já o reconhecem? “Não posso dizer que sabem que eu sou, mas pode ser que elas já reconheçam o cheiro, o timbre da voz. O que eu sei é que elas ficam mais dóceis quando chego”, conta.
Dóceis, com certeza, é um adjetivo que pouca gente poderia associar a uma cobra. “É verdade, são animais dóceis, mas com os quais devemos ter muita atenção. Afinal, um acidente com elas pode ser o último das nossas vidas”, complementa.

Nesses 30 anos de convivência diária com as cobras, uma foi especial. “Havia uma jararacuçu da qual gostava muito. Ela acabou morrendo de velhice. Foi muito triste”, revela. Definitivamente, Luiz Henrique Pedrosa não é uma pessoa normal. Ou é? “Pensando bem, acho que não. Mas gosto muito do que faço, sobretudo por ver que o meu trabalho aqui pode ajudar a salvar muitas vidas”, completa.

Veneno da jararaca salva hipertensos
Uma das pesquisas brasileiras mais conhecidas envolvendo o uso de veneno de cobra foi feita na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e culminou com a criação de um remédio que fatura cerca de US$ 5 bilhões/ano e atende a milhões de hipertensos.

O remédio chama-se Captropil e foi desenvolvido entre o final da década de 1960 e a de 1970 pelo pesquisador Sérgio Henrique Ferreira, hoje aposentado da USP.  As pesquisas lideradas por ele envolveram o veneno de jararaca.

O pesquisador descobriu e isolou toxinas encontradas no veneno – chamadas peptídeos potenciadores de bradicina (BPP) -, que causavam hipotensão. Posteriormente, Ferreira e o pesquisador inglês John Vane (vencedor do Prêmio Nobel de Medicina) conseguiram criar um protótipo molecular das BPPs, que foi cedido a um laboratório norte-americano em troca do financiamento de novas pesquisas.

As cobras do serpentário da USP são usadas exatamente no desenvolvimento de estudos sobre os tipos de veneno que produzem e suas possíveis aplicações em novos fármacos.

Fonte: Jornal A Cidade

Sobre a biologia da cobra verde: Philodryas olfersii

O gênero Philodryas compreende 18 espécies distribuídas ao longo dos ambientes da América do Sul. Nesta postagem tratarei da espécie Philodryas olfersii (Lichtenstein, 1823) (Figura 01), chamada popularmente de cobra-verde, cipó-verde ou cipó-listrada. Possui ampla distribuição, ocorrendo em várias regiões do Brasil, além de países vizinhos, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Esta serpente é considerada uma serpente de porte médio, chegando a alcançar 1,5 m de comprimento total (Vitt, 1980; Marques et al 2001; Giraudo, 2001) e pertence à família dos colubrídeos possuindo coloração verde-escuro no dorso e claro no ventre, por isso estes animais  confundem-se facilmente com o verde da vegetação.

Figura 01: Philodryas olfersii,chamada popularmente de cobra-verde, cipó-verde ou cipó-listrada . Foto: Luan Pinheiro

A cobra verde é ovípara (o embrião se desenvolve dentro de um ovo), pondo de 8 a 10 ovos por ninhada (Vanzolini, 1980). Seu olho é relativamente grande e sua pupila do tipo arredondada (típico de serpentes que são ativas durante o dia). Entretanto um recente trabalho, publicado por integrantes do NUROF-UFC, registra uma cópula de Philodryas olfersii realizada durante o período noturno no município de Pentecoste, Ceará. É o primeiro registro do comportamento de acasalamento dessa espécie na natureza (Mesquita et al, 2012) (Figura 02).

Figura 02: Philodryas olfersii no memento da cópula. Foto: Paulo Mesquita

Quanto a sua dentição, é do tipo opistóglifa (Veja: Sobre o tipo de dentição das serpentes). Machos e fêmeas dessa espécie diferem quanto ao tamanho do corpo, sendo as fêmeas maiores que os machos.  (Vitt, 1980). Alimentam-se de anfíbios, répteis, aves e pequenos mamíferos (Vanzolini, 1980).  O corpo esguio e a presença de cauda longa lhe conferem grande vantagem para a locomoção entre os galhos de árvores, pois isso facilita a distribuição do peso corporal, dando equilíbrio durante o deslocamento por entre a vegetação. Entretanto, P. olfersi é considerada uma serpente semi-arborícola, visto que também faz uso do solo para locomover-se (Lillywhite & Henderson, 1993; Martins et al., 2001 apud Hauzman 2009) (Figura 01) .

A íntima relação dessa serpente com a vegetação nos força lembrar a importância da preservação de nossas matas nativas, refúgio de tantas espécies interessantes como essa. Quem conhece… preserva.

Venha conhecer a cobra verde pessoalmente, agende uma visita ao NUROF-UFC (Link agendamento de visitas) e traga sua turma. Até mais!

Por: Luan Pinheiro, membro do NUROF-UFC.

Bibliografia consultada:

GIRAUDO, A. 2001. Serpientes de la Selva Paranaense y del Chaco Húmedo. Buenos Aires, L. O. L. A. 328 p.

HAUZMAN, EINAT. 2009. Estudo comparativo da densidade e topografia de neurônios de retinas de Philodryas olfersii e Philodryas patagoniensis (Serpentes, Colubridae).. 108. Dissertação (Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Área de concentração: Neurociências e Comportamento). Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

MARQUES, O.A.V., A. ETEROVIC AND I. SAZIMA. 2001. Serpentes da Mata

Atlântica: Guia Ilustrado para Serra do Mar. Holos, Ribeirão Preto.

MESQUITA, P. C. M. D. ; PASSOS, D. C. ; RODRIGUES, J. F. M. 2012. Philodryas olfersii (Serpentes, Dipsadidae, Squamata) Nocturnal Mating Behavior. Herpetologia Brasileira, Brasil, p. 41 – 42, 15.

VANZOLINI, P. E., A. M. M. RAMOS-COSTA & VITT, L.J.. 1980. Répteis da Caatinga. Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro.

VITT, L.J. 1980. Ecological observations on sympatric Philodryas (Colubridae) in northeastern Brazil. Papéis Avulsos de Zoologia, 34:87-98.

Notícia: Cientistas identificam vírus que causa comportamento bizarro em cobras

Jiboias e pítons aparentam estar bêbadas e podem dar nó no próprio corpo.
Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral costuma ser mortal para animais.

Cientistas dos Estados Unidos identificaram o vírus responsável por uma doença grave em serpentes, conhecida como Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na tradução da sigla do inglês). A contaminação costuma causar comportamento bizarro e até a morte nestes animais.

As cobras infectadas com o vírus parecem estar bêbadas, ficam encarando o vazio e chegam a dar nós no próprio corpo, entre outros sintomas. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia estudavam um surto de IBD em um aquário na cidade de São Francisco, quando se depararam com a causa do mal.

Jiboia (Boa constrictor), serpente da família Boidae. Foto: Luan Pinheiro

O vírus afeta mais as jiboias e similares da família Boidae e as pítons, dizem os cientistas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (14) do site “mBio”, publicação da Sociedade Americana para a Microbiologia.

A descoberta representa uma classe totalmente nova de arenavírus, dizem os pesquisadores. Para encontrar a origem da doença, pesquisadores extraíram DNA da pele de cobras afetadas pela doença e usaram técnicas para fazer o sequenciamento do genoma dos animais.

Em praticamente todo o DNA dos exemplares de cobras havia sequências que combinavam com o arenavírus. A partir deste achado, os cientistas puderam isolar o vírus usando pele de cobra manipulada em laboratório.

Cura
A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a doença, de acordo com os cientistas.

Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pela pesquisa, classificou a descoberta de “uma das coisas mais excitantes que aconteceram na virologia em um longo tempo”.

Buchmeier diz que até agora os microorganismos da família dos arenavírus só haviam sido identificados em mamíferos. Encontrá-los em cobras foi uma surpresa, afirma o pesquisador.

Fonte:  g1.globo.com

Entrevista com o NUROF-UFC: Elas são do bem

Quem vê cobra não vê importância. O senso comum coloca jiboia, cascavel, jararaca e quase todo bicho que rasteja no mesmo balaio do mal. Em contrapartida, pesquisas científicas comprovam que 14% das 375 espécies de serpentes encontradas no Brasil são peçonhentas.

Estudos – como os desenvolvidos, desde 1987, pelo Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (Nurof-UFC) – separam mal e bem. “A maioria das cobras são predadoras de animais que fariam mais mal a gente, como ratos, baratas, morcegos. Elas controlam as populações desses bichos”, informa o biólogo Daniel Cassiano Lima, professor da Universidade Estadual do Ceará e pesquisador no Nurof-UFC.

“E algumas possuem propriedades farmacológicas. O veneno é capaz de curar doenças como pressão alta”, completa. Daniel se refere ao captopril (ou capoten – nome comercial), remédio obtido com o veneno da jararaca.

As cobras estão mais próximas do que nos damos conta. “São animais com ampla distribuição, ocorrem em vários tipos de bioma e têm menos exigência quanto à parte ambiental. Conseguem sobreviver em locais com área reduzida de mata original e que foram modificadas”, sublinha a bióloga Diva Maria Borges-Nojosa, coordenadora do Nurof-UFC.

“Convivemos com elas e muita gente não sabe. Por exemplo, nos bairros que ainda têm muita vegetação. Na maioria, são serpentes que não trazem grandes problemas”, dialoga Daniel Cassiano, citando as populares jiboia, cobra-de-veado, corre-campo e cobra-verde como as corriqueiras na fauna urbana (onde o meio ambiente mais sofreu alterações pela urbanização) da Capital.

“Dentro de Fortaleza, quase não temos registro de bicho peçonhento. Temos a coral-verdadeira (já encontrada na região do atual aeroporto). Cascavel, jararaca, ninguém escuta mais falar. Isso mostra que têm limitação ecológica; à medida que o homem vai chegando, elas vão sumindo”, observa Diva Nojosa.

Doutores da universidade reconhecem que falta saber além. Não há, por exemplo, catalogação desses bichos entocados no Parque do Cocó. Mas, alegam, a falta de segurança limita os passos de pesquisadores pela floresta.

Esta entrevista se deu na sala do Nurof-UFC, enquanto Diva Nojosa identificava cobras, lagartos e sapos encantados pela fotografia do jornalista Demitri Túlio. E, admirando as adaptações que os animais realizam em si para viver, a professora diz sobre evolução, ensina sobre conhecer e respeitar. “Nosso trabalho gira em torno da conservação. Tudo o que fazemos – pesquisa, blog, palestra, artigo – é para sensibilizar as pessoas para que queiram conservar a fauna”, conclui Diva, convidando a se aproximar.

SORO

O Ceará não produz soro antiofídico. Apenas três instituições brasileiras – em São Paulo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro – concentram essa produção e a distribuem para todo o País.

SERVIÇO

O Nurof-UFC

disponibiliza informações pelos vários cantos do mundo virtual. De blog a redes sociais. Para começar: www.nurof.ufc.br

FONTE: O Povo online

Notícia: PETA quer que encantadores de serpentes usem répteis falsos

ONG denunciou que as serpentes costumam ser maltratadas no Naag Panchami, festival hindu em homenagem à espécie que é celebrado em vários pontos do país

Naja indiana (Naja naja). Foto: Kamalnv via Wikimedia Commons.

Nova Délhi – A organização internacional protetora de animais PETA pediu nesta sexta-feira aos encantadores de serpentes da Índia que utilizem répteis de mentira em suas atuações em um festival que começará na semana que vem.

Em comunicado, a ONG denunciou que as serpentes costumam ser maltratadas no Naag Panchami, festival hindu em homenagem à espécie que é celebrado em vários pontos do país.

”Não há lugar em uma sociedade civilizada para se arrancar os dentes das serpentes ou costurar suas bocas”, criticou o coordenador da PETA na Índia, Chani Singh (Leia: Por quê as serpentes sobem quando tocam flautas?).

Segundo a organização, os encantadores também obrigam frequentemente os répteis a beber leite, o que provoca desidratação e às vezes leva a morte dos animais semanas depois. Além disso, as glândulas que carregam o veneno da serpente são perfuradas com uma agulha quente.

A PETA fez um pedido para a instituição que representa os encantadores na Índia para que sejam utilizados répteis falsos. ”Nós não caçamos serpentes nem organizamos o festival. Somos contra da crueldade”, disse à Agência Efe o porta-voz da instituição, Sandeep Mukherjee.

Leia a notícia completa acessando: exame.abril.com.br

Répteis: Dinossauros, Lagartos, Serpentes, Tartarugas, Crocodilos e … e … e … Aves?

Apesar da confusão que parece, a ideia central é super simples: Aves são répteis! Mas espera aí? Aves não são… aves? Tipo, passarinho, pena, voo e esse tipo de coisa? Sim! Mas nem por isso deixam de ser répteis! Vamos lá tentar explicar.

A verdadeira confusão está no fato que, a forma em que identificamos e classificamos os organismos (conhecido como sistemática), mudou várias vezes durante os anos. O termo “réptil” que temos na nossa mente são aqueles organismos com escamas e que precisam de calor pra se aquecer (ectotermia), alguns com cascos (tartarugas, cágados e jabutis), alguns sem patas (serpentes e alguns lagartos) e por aí vai (Fig. 1).

Figura 1: “Calango” Tropidurus hispidus em sua posição típica. Arquivo pessoal Heideger Nascimento

Pois bem, não é de hoje que esse termo está cientificamente em desuso. Não totalmente, dado a maneira simples de se trabalhar e o uso no cotidiano, mas na sistemática que temos hoje, o termo “réptil” abrange também as aves. Esse “réptil” que temos em mente pertence a uma antiga classificação que foi proposta por Carolus Linnaeus (Carol Lineu ou somente “Lineu”) em 1735 no seu trabalho intitulado “Systema naturae” onde ele propunha o agrupamento dos seres vivos de acordo com suas características como a morfologia externa. Por conta disso, “répteis” e aves ficaram em grupos separados, por serem – a princípio – visualmente bem diferentes.

Figura 2: Cladograma filogenético mostrando a posição das aves dentro de reptília. “Filogenia como base para a investigação da diversidade biológica; http://biofecunda.files.wordpress.com/2008/10/reptilia.jpg, acessado em 02/06/2012”

Hoje, de acordo com a classificação filogenética, tartarugas (e seus similares), crocodilos, lagartos, dinossauros (e seus similares), serpentes e as Aves(!) compartilham o mesmo ancestral basal em comum: Reptilia! (Fig. 2). Com base nas aves viventes é difícil se perceber isso, pois muito tempo se passou desde que divergiram do ancestral, daí muitas especializações mascaram esse parentesco, entretanto, se você observar bem o Archaepteryx lithographica (Fig. 3), um fóssil do período Jurássico do que hoje é a Alemanha, conhecido com “a primeira ave”, notará várias semelhanças para com os répteis como a presença de dentes, a cauda longa com várias vértebras, duas fenestrações (orifícios) no crânio na região atrás do olho, pescoço em “S” (presente nos dinossauros), dentre outras características. O famoso Thomas Huxley (1825-1895), já havia dito bem antes que as aves eram “répteis glorificados”, pela incrível semelhança e o fato de voarem. O voo por si já havia aparecido antes no pterossauros! E hoje acredita-se que as penas tenham surgido a partir de uma modificação das escamas! Incrível não?

Figura 3: Foto do fóssil de Archaeopteryx lithographica. “Mesosoic Era; http://www.lvmnh.org/6.html, acessado em 02/06/2012”

Pois bem, ainda vai precisar de bastante tempo até que isso – ave ser réptil – venha a ser uma concepção geral, uma vez que a classificação proposta por Lineu serviu historicamente por vários anos e por isso permitiu fixar-se até hoje os dias atuais. Todavia, essa concepção filogenética já é factual e bem esclarecida cientificamente. Talvez o fato de afirmarmos que o grupo vivente mais próximo às aves são os crocodilos, ou mesmo que as aves nada mais são que dinossauros voadores, seja ainda uma afirmação ainda mais bombástica!

Mas isso é uma conversa para outro post,  por hoje já está de bom tamanho. Espero que tenham gostado.

Até a próxima,

Abraços.

Por:  Heideger L. do Nascimento

Mestrando em Ecologia e Evolução – UERJ

Laboratório de Ecologia de Aves – IBRAG/UERJ

Notícia: Cobra é encontrada após três dias de buscas no 15º andar de prédio no DF

Captura ocorreu em apartamento de vizinhos do casal que acionou a polícia.
Iscas com ratos foram preparadas na hora de capturar a serpente.

Após três dias de buscas, uma cobra de cerca de um metro foi encontrada pela Polícia Ambiental no 15º andar de um prédio em Águas Claras na madrugada desta terça-feira (19). Ao G1, O sargento João Batista Silva, da Polícia Ambiental, afirmou que o animal, uma corn snake (cobra do milho), foi achado no apartamento dos vizinhos do casal que acionou a polícia no último sábado (16).

O animal, que ficou conhecido como “a cobra do 15º andar”, mudou a rotina dos moradores do edifício. O bicho apareceu no forro do teto do quarto de um casal na sexta-feira (15) e foi encontrado pelos gatos da família. A polícia foi ao local e quebrou o forro do teto do quarto, mas a cobra fugiu. No segundo dia, o animal foi visto na sala.

Na madrugada de terça, a polícia decidiu capturar a cobra com armadilhas. Os responsáveis pela busca prepararam iscas com ratos e o animal foi em direção à emboscada. O forro do outro apartamente também foi quebrado. A serpente será encaminhada para o zoológico.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a espécie é originária dos Estados Unidos e pode picar, mas não é venenosa. O animal encontrado é de porte médio.

Antes de ser capturada, a cobra assustou os moradores do condomínio. “Mesmo sabendo que o animal não é venenoso, ninguém fica tranquilo com uma cobra pendurada no teto do quarto”, disse o morador do apartamento onde a cobra foi vista inicialmente, o policial civil Rodrigo Piante. Rodrigo e a esposa chegaram a dormir fora de casa.

Cobra do milho
O biólogo e diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan, em São Paulo, Giuseppe Puorto disse ser comum cobras consideradas dóceis serem criadas como animais de estimação, mas animais exóticos não têm autorização do Ibama.

“Com certeza alguém tem esse bicho ilegalmente e o deixou fugir. Não existe autorização para criar esse tipo de animal porque a importação dele é proibida pelo Ibama. É um animal da fauna exótica e se cair na natureza pode trazer doenças que nossos animais não têm”, disse Puorto.

Nota do Blog do Nurof-UFC: Na notícia acima não fica claro de onde realmente surgiu a serpente, mas muito provavelmente trata-se de um animal de estimação que pode ter fugido com um descuido do dono. Isso serve de aleta para lembrarmos todos os cuidados que devemos ter quando tomamos a decisão de criar um animal, ainda mais tratando-se de uma serpente, um ser tão temido por grande parte da população. Acesse: Meu bichinho de estimação é silvestre e relembre todos os cuidados que devemos ter com esses animais.

Veja a notícia completa com vídeo, acessando: Globo.com

Notícia: Descoberta nova espécie de serpente com escamas afiadas

A ‘Hydrophis donaldi‘ é uma espécie muito peculiar que habita o golfo da Carpentária, Austrália.

Bryan Fry, coautor do artigo de descrição, com a Hydrophis donaldi. Foto: http://migre.me/9g4NI

Uma espécie muito peculiar de serpente marinha até agora desconhecida foi descoberta nas águas do norte da Austrália. Investigadores da Universidade da Adelaide explicam que este animal tem escamas afiadas que permitem que se defenda de predadores como os tubarões-touro ou os crocodilos.

Normalmente, as serpentes têm escamas lisas. Embora se conheçam algumas espécies marinhas com picos no ventre, nunca se tinha observado uma com uma proteção tão completa. A cobra foi batizada como ‘Hydrophis donaldi’.

Cobra escalas mar.

Escamas ásperas da Hydrophis donaldi em detalhes. Fotografia cedida por Kanishka Dimithra Bandara Ukuwela, University of Queensland

Os investigadores capturaram nove exemplares no golfo da Carpentária. Segundo Bryan Fry, da Universidade de Queensland (Austrália) e coautor do estudo, quando os cientistas avistaram a cobra, logo perceberam que nada tinha a ver com outras espécies já conhecidas. Todos os exemplares foram encontrados no leito marinho rochoso, um habitat agressivo que pode explicar a existência das escamas. No entanto, os cientistas não sabem como esta característica evolui nem para que serve exatamente.

A Hydrophis donaldi nunca tinha sido detectada por dois motivos, explica Kanishka Ukuwela, da Universidade de Adelaide, que dirigiu o estudo, ao jornal espanhol «ABC». “Trata-se de uma espécie pouco comum e vive em habitats pouco frequentados por pescadores, não ficando, por isso, presa em redes como acontece com outras espécies”.

Uma nova espécie de serpente marinha.

A venenosa ‘Hydrophis donaldi‘ (créditos: Bryan Fry, Universidade de Queensland)

Ainda se sabe pouco sobre este animal, que já está descrito na «Zootaxa». Apenas se sabe que é venenoso e potencialmente perigoso para humanos. O fato de ser venenoso é apenas mais um obstáculo que dificulta o estudo da espécie. É praticamente impossível de observar no seu habitat pois vive em águas muito turvas e preenchidas de tubarões-touro, crocodilos e cubomedusas.

Fonte: cienciahoje.pt  e news.nationalgeographic.com.

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