É verdade que algumas cobras sao alimentadas por um tubo direto no estomago ?

É verdade.
Algumas serpentes mantidas em cativeiro não se adaptam bem e acabam não se alimentando. Por isso, para que permaneçam vivas, é realizada a técnica de "alimentação forçada", onde uma das opções é o preparado alimentar injetado, através da boca, diretamente no estômago usando tubos ou cateteres.

por Paulo Cesar Mattos Dourado de Mesquita, pesquisador colaborador do NUROF UFC

Pergunte-nos suas curiosidades ou dúvidas sobre os anfíbios e répteis!

Cobra que bebe leite? Um pouco mais sobre a Pseudoboa nigra, a cobra preta!

A serpente Pseudoboa nigra (Família Dipsadidae) mais conhecida como muçurana ou cobra preta foi descrita pelo pesquisador Vital Brasil. É uma espécie ofiófaga, ou seja, se alimenta de outras serpentes. Portanto, é capaz de resistir ao veneno de serpentes como jararacas (Bothrops) e cascavéis (Crotalus), contudo não possui resistência para o veneno das corais (Micrurus) isto provavelmente pela forte ação neurotóxica.

" A Cobra que bebe leite"

Foto:Samuel C. Ribeiro Fonte:http://ardobrasil.blogspot.com/


Ao nascer a Pseudoboa nigra apresenta coloração avermelhada com a cabeça preta, mas ao decorrer do amadurecimento do animal vai mudando a coloração, o que serve como uma das bases de uma lenda bastante conhecida.

Foto: Gabriel F. Horta Fonte: http://ardobrasil.blogspot.com/

Quem já não ouviu falar que algumas mulheres em fase de amamentação dizem que enquanto dormiam, a serpente se aproximava e introduzia sua cauda na boca do bebê, para que este não chorasse, se aproveitando para mamar no seio da mulher, conforme a serpente ingeria o leite sua coloração ficaria esbranquiçada.

Alguns visitantes do NUROF-UFC afirmam (com testemunhos) que as crenças na lenda tem forte apelo e que algumas mulheres gestantes, ao verem uma muçurana, só conseguem ter sossego após o animal ser morto, com medo de que ele venha a “beber” seu leite materno. Não podemos esquecer de algumas características biológicas marcantes dessas serpentes como por exemplo: as serpentes não apresentam a enzima lactase para digerir o leite, além do mais nenhuma serpente é dotada das adaptações no crânio necessárias para realizar a sucção como fazem os bebês humanos (e de outros mamíferos).

Como e por que o leite provocaria a mudança na cor da pele da cobra? Conhece alguém que ganhou alguma manchinha branca por gostar de leite? O fato de algumas muçuranas possuírem coloração branca é devido ao albinismo que ocorre em alguns animais, não estando ligado à quantidade de leite ingerido.

Os mitos e lendas são testemunhos culturais ricos e não se sabe ao certo onde e por que surgiram da forma como ouvimos atualmente. Não se esqueça de pesquisar e conhecer a biologia do animal e a cultura de cada região, somente assim poderá compreender algumas raízes que cercam esses pensamentos!

Acesse também: Um pouco mais sobre as cobras que bebem leite
Por Rafael Cavalcante Pinheiro, membro NUROF-UFC

Sobre o tipo de dentição das serpentes

As serpentes formam um grupo bastante diverso ocorrendo em quase todos os ambientes da terra. Estes animais só não habitam os pólos do planeta que não são lá lugares muito convenientes à vida de um animal ectotérmico.

Os diferentes grupos de serpentes desenvolveram ao longo de suas histórias evolutivas diferentes táticas de captura de presas. Associado a isso houve o desenvolvimento de diferentes tipos de dentições, cada uma com diferentes características de mordida. Existem quatro tipos de dentições básicas nas serpentes: áglifa, opistóglifa, proteróglifa e solenóglifa. Vamos vê-las um pouco mais detalhadas agora.
Encontrada principalmente em serpentes da família dos boídeos (Boidae), a dentição áglifa (Figura 1) não conta com dentes especializados em inocular veneno, servindo somente para rasgar tecidos e orientar a entrada da presa para o estômago. Ao invés da presença de uma glândula com toxina, apresentam uma glândula de saliva que libera uma substância que lubrificará o inicio do trato digestório facilitando assim a deglutição.

A dentição opistóglifa (Figura 2) é encontrada principalmente em serpentes da família dos colubrídeos (Colubridae) e dos dipsadídeos (Dipsadidae). Além de dentículos especializados em rasgar os tecidos da presa, apresentam também um par de dentes localizados posteriormente na boca com intuito de perfurar profundamente o tecido da presa e inocular, através de escorrimento e por canais abertos, o veneno produzido pela glândula de Duvernoy. Alguns preferem chamar esse veneno de “saliva tóxica”, pois ele não oferece risco ao ser humano, atuando principalmente como um metabólito (proteolítico) que facilitará na digestão das proteínas presentes na presa.

Por sua vez, a dentição proteróglifa (Figura 3) é encontrada nas serpentes da família da Coral-Verdadeira, os elapídeos (Elapidae). Neste tipo de dentição o dente inoculador localiza-se na parte anterior da mandíbula. Seu mecanismo de mordida é simples, a serpente morderá ( não picará, visto que ela terá que se segurar na presa) e liberará a peçonha por um canal semi-aberto que escorrerá vindo da glândula de peçonha até o dente inoculador penetrado na presa. São serpentes que têm dificuldade para morder uma pessoa, uma vez que sua boca é pequena

No Brasil, os principais representantes das serpentes com dentição solenóglifa (Figura 4) são as aquelas pertencentes a família dos viperídeos (Viperidae), as jararacas, cascavéis e surucucus. Neste tipo de dentição existem duas presas especializadas, móveis e capazes de projetar uma mordida de grande abertura. As presas ficam guardadas por uma membrana fina quando não estão em uso. Quando a serpente está pronta para dar o bote em sua presa essa membrana se afasta, as presas se projetam 90 graus para frente de modo que a picada injetará o veneno através de canais fechados desde a glândula de veneno até o tecido da vítima. O mecanismo da picada é muito semelhante ao de uma seringa de injeção e muito eficaz também. Neste caso o veneno é inoculado ativamente no tecido da presa sem que seja necessário escorrer por um canal até o tecido da vítima como no caso das opistóglifas ou proteróglifas.

Por Rafael Cavalcante, membro NUROF-UFC

Cientistas usam alta tecnologia para ver interior de cobra digerindo rato

Cobra píton birmanesa de 5 kg foi anestesiada para tomografia computadorizada uma hora depois de ter devorado um rato inteiro (Foto: BBC)

Pesquisadores da Dinamarca fazem imagens dentro de píton anestesiada para compreender processo de digestão.

Cientistas da Dinamarca mostraram pela primeira vez, por meio de exames de alta tecnologia, o interior de uma cobra enquanto ela realizava a digestão completa de um rato, como parte de um projeto de exploração da anatomia animal.

Os pesquisadores da Universidade de Aarthus, na Dinamarca, usaram a técnica de tomografia computadorizada em uma cobra píton birmanesa de 5 kg. Ela foi anestesiada para o exame uma hora depois de ter devorado um rato inteiro.

Os cientistas também usaram ressonância magnética para estudar os órgãos da píton enquanto ela digeria o rato. Com agentes contrastantes, os pesquisadores conseguiram destacar órgãos específicos, em cores diferentes.

A ressonância mostrou o lento desaparecimento do corpo do rato. Ao mesmo tempo, o intestino da cobra se expandiu, a vesícula biliar encolheu e o coração aumentou de volume em 25%.

Para os pesquisadores, o aumento no volume do coração da cobra provavelmente está ligado à energia que a píton precisa para digerir o rato.
No total, a cobra precisou de 132 horas para digerir completamente o rato. (more…)

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