O impacto do novo código florestal sobre os anfíbios do Brasil


Biólogos pesquisadores brasileiros da UNESP publicaram na seção de cartas da Revista Science um texto expondo o fato de que a erradicação de pequenos fragmentos de mata, conforme permitido pelo novo código florestal aprovado no congresso nacional e em tramitação no senado, podem ter consequências graves resultando na perda de biodiversidade.

Na carta os pesquisadores ressaltam a importância destes pequenos fragmentos para a manutenção de populações de espécies de anfíbios. Os autores citam estudos que constataram, por sua vez, que fragmentos de Mata Atlântica de 70 a 100 ha significativamente contribuem para a diversidade de anfíbios, estes fragmentos funcionam como corredores de dispersão ou refúgios.

Caso você tenha acesso ao portal de periódicos CAPES você pode baixar o texto original clicando aqui SILVA, F.R., PRADO, V.H.M., ROSSA-FERES D.C. 2011. Value of Small Forest Fragments to Amphibians. Science 332:1033

Leia também:
No Jornal da Ciência Carta de cientistas critica nova lei florestal

VEJA TAMBÉM:
Novo Código Florestal Brasileiro e seus impactos sobre os répteis do Brasil

Parece mas não é: Cobras-cegas são anfíbios!

Popularmente conhecidos como “cecílias” ou “cobras-cegas” estes animais são anfíbios comumente confundidos com serpentes (répteis). A confusão surge devido a semelhanças como corpo alongado e ausência de membros. Na verdade, uma das ordens dentro da classe amphibia é conhecida como Gymnophiona, do grego: gymnos (nu) + ophioneos (parecido com serpente) e nesta ordem estão inseridas nossas conhecidas cobras-cegas.

Foto Henrique Nogueira

As cobras-cegas são fossoriais (animais que vivem sob a terra escavando os solos) e suas características morfológicas refletem este hábito, por exemplo, a ausência de membros que facilita a escavação e a movimentação embaixo da terra. Uma característica também das cobras-de-duas-cabeças (relembre: Quem são as cobras-de-duas-cabeças? Cobras de duas cabeças?).

Além disso, a visão é um sentido pouco desenvolvido nestes anfíbios, uma vez que vivem embaixo do solo onde há pouca ou nenhuma luminosidade. No máximo, os olhos das cecílias conseguem distinguir entre claro e escuro. Para ajudar na percepção do ambiente e na localização de presas, predadores e parceiros para reprodução estes animais contam com um par de pequenas estruturas sensoriais em forma de tentáculos protáteis na cabeça.

A pele úmida das cobras-cegas difere da pele seca das serpentes, que é coberta por muitas escamas de coloração variada. As cobras-cegas possuem escamas dérmicas, pequenos discos achatados localizados em dobras transversas ao longo do corpo formando anéis que podem auxiliar na locomoção nas galerias subterrâneas.

A língua bífida das serpentes não é encontrada em cobras-cegas, estas não possuem língua protátil e a cauda das cobras-cegas é muito curta ou ausente. Outra diferença importante é o ovo amniótico, característica ausente nos anfíbios e marcante nos répteis.

Então, a diferença básica consiste no fato das cecílias ou cobras-cegas serem anfíbios, portanto com muitas caracteríticas bem diferentes das características das serpentes, que são répteis e apesar de muitos confundirem, o leitor pode agora notar que são animais bem distintos. Cuidado para não confundir!

Por: Gabriela Cavalcante de Melo,membro NUROF-UFC

Bibliografia:

POUGH, F. Harvey; JANIS, Christine M.; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. 4. ed. São Paulo, SP: Atheneu, 2008.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 145 outros seguidores

%d bloggers like this: