Sobre o parentesco entre tartarugas e lagartos!

Um dos pontos ainda controversos na história evolutiva dos répteis é a determinação do “nível de parentesco” (posição taxonômica) das tartarugas (testudíneos) em relação aos outros grupos. Uma das características morfológicas marcantes na determinação da posição taxonômica dos grandes grupos de répteis é a presença e tipo de fenestração craniana, “buracos” no crânio dos animais que atuam como pontos de passagem da musculatura relacionada a mandíbula/maxila. Inicialmente a ausência dessas fenestras no crânio das tartarugas fez com que os primeiros estudiosos as colocassem em um grupo,-anapsida- à parte dos lepidossauros (lagartos anfisbenas e serpentes) e dos arcossauros (crocodilianos e aves) que são diapsidas. No entanto há duas hipóteses que relacionam as tartarugas aos diapsidas, uma delas a de que estes animais compartilhariam um ancestral comum com os arcossauros, a outra seria que as tartarugas compartilhariam um ancestral comum com as serpentes e os lagartos.

Os resultados de um estudo realizado por um time de pesquisadores dos Estados Unidos é uma peça que nos ajuda a entender a história evolucionária dos répteis. O trabalho publicado nesta semana na revista Biology Letters (em inglês) da conta que as tartarugas são aparentadas aos lagartos dividindo com eles um mesmo ramo filético, ou seja os dois grupos compartilham entre si um ancestral comum. Para tanto os pesquisadores utilizaram técnicas moleculares modernas que tratam como caracteres taxonômicos a presença ou ausência de MicroRNA’s específicos. Desta forma, os autores apresentam informações que corroboram que as tartarugas seriam na verdade répteis diapsidas, e não anapsidas como pensado inicialmente.

PARA SABER MAIS:

Tartarugas emergem de suas carapaças evolucionárias (Tradução Google translator) – Turttles emerge from their evolutionary shell- Nature News 19 de Julho

Tyler R. Lyson, Erik A. Sperling, Alysha M. Heimberg, Jacques A. Gauthier, Benjamin L. King, and Kevin J. Peterson.MicroRNAs support a turtle + lizard clade. Biol Lett 2011 : rsbl.2011.0477v1-rsbl20110477.

Clipagem: O mergulho dos filhotes de tartarugas Arrau

By Luisovalles (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (www.creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0), via Wikimedia Commons

Mais de 10 mil tartaruguinhas da espécie Arrau foram liberadas no mês de maio na Poça de Babilla Flaca, um dos afluentes do Rio Orinoco na Amazônia venezuelana. No total, 51 mil exemplares retornarão ainda este ano a seu habitat natural através do Programa de Conservação da Tartaruga Arrau, que desde 1989 atua em conjunto com o Ministério do Ambiente (Minamb) e a Guarda Nacional Bolivariana, além de contar com apoio de diversas organizações não governamentais e instituições educativas do país. Leia o texto completo em: [oecoamazonia.com]

Determinação do sexo em tartarugas marinhas: ameaças ao equilíbrio das populações

Nos humanos a determinação do sexo ocorre através do sistema de determinação cromossômica no qual fêmeas tem um par de cromossomos XX e machos tem um par XY. Porém há outras formas de determinação do sexo nos animais. Em 1966, foi descoberto que em animais como tartarugas, crocodilos e tuataras , a determinação do sexo depende da temperatura de incubação dos ovos nos ninhos (Charnier, 1966).

Existe uma determinada faixa de temperatura no ambiente dos ninhos que produz apenas machos e outra que, por sua vez, produz exclusivamente fêmeas. Há também um intervalo de transição onde são gerados embriões de ambos os sexos. Desta forma em um mesmo ninho e em uma mesma ninhada pode ocorrer o nascimento tanto de machos quanto de fêmeas (Hamann et al., 2003). No primeiro terço do período de incubação dos ovos há influencia da temperatura na determinação sexual, porém somente no segundo terço da incubação, a determinação sexual é irreversível (Bull & Vogt, 1981). Neste estágio, a temperatura atua na síntese de enzimas envolvidas na diferenciação das gônadas (Pieau, 1996).

Embriões tratados experimentalmente com estrógeno geram fêmeas em temperaturas apropriadas ao desenvolvimento de machos e machos se desenvolvem quando a síntese de estrógeno é bloqueada em uma temperatura que tipicamente produz fêmeas (Wibbels et al., 1994; Pieau, 1996). Entretanto, como é a temperatura de incubação que regula a produção de estrógeno, deduz-se que no ambiente natural a temperatura da incubação é o elemento básico da determinação sexual (Wibbelset al., 1994).

A localização dos ninhos de tartarugas marinhas em diferentes locais como zonas próximas ou afastadas da maré, entremeadas ou não de vegetação ou em áreas com processo de erosão eólica fazem com que cada um destes ambientes tenha uma variação de temperatura característica. Assim, a temperatura dos microambientes de desovas associada também a ação climática influenciam a proporção de machos e fêmeas entre ninhadas.

A influência das ações humanas também contribui para o desequilíbrio entre o número de nascimentos de machos e fêmeas nas populações de tartarugas marinhas. A degradação dos ambientes litorâneos diminui a disponibilidade de áreas adequadas para a construção do ninho e/ou alteram as temperaturas dos ambientes onde as fêmeas constroem os ninhos. O problema é que este desequilíbrio reduz as chances de que indivíduos de um determinado sexo encontre parceiros sexuais, o que culmina com a redução de indivíduos nas populações. Neste caso para que uma população de tartaruga não se extingua pode ser necessário a execução de ações de manejo.

Ninho de tartaruga Marinha foi construído em local de risco em uma praia de Recife em Fevereiro de 2011 Fonte:http://oglobo.globo.com/

Sabemos que poucos filhotes de uma ninhada de mil conseguem sobreviver e chegar à maturidade sexual devido à alta sensibilidade desses animais aos fatores naturais. Atualmente esta mortalidade juvenil é potencializada por ações humanas que não seguem planejamentos adequados (por vezes são até mesmo ilegais) e tornam-se prejudiciais para as populações destes animais.

Por: Gabriela Cavalcante de Melo, membro do Nurof-UFC.

REFERÊNCIAS:

Bull, J.J.; Vogt, R.C. 1981. Temperature-sensitive periods of sex determination in Emydid turtles. J. Exp. Zool., 218: 435-440.

Charnier, M. 1966. Action de la temperature sur la sex-ratio chez l’embryon d’Agamma agama (AgamidaeLacertilien). Soc. Biol. Ouest Afric., 160: 620-622.

Hamann M, Limpus CJ, Owens DW. Reproductive cycles of males and females. In: Lutz PL, Musick JA, Wyneken, J. (Ed.). The Biology of sea turtle II. Boca Raton, FL:CRC Press, 2003. p.135-161.

Pieau, C. 1996. Temperature variation and sex determination in reptiles. BioEssays, 18(1): 19-26.

Wibbels, T.; Bull, J.J.; Crews, D. 1994. Temperature-dependent sex determination: a mechanistic approach. J. Exp. Zool., 270(1): 71-78.

Sobre Tartarugas Marinhas

As tartarugas são animais que vivem no mar ( veja aqui ). Estes animais possuem ancestrais terrestres, no entanto hoje se encontram adaptadas ao ambiente aquático, retornando a terra apenas para a reprodução. São conhecidas sete espécies de tartarugas marinhas, dentre as quais cinco ocorrem no Brasil (veja aqui).

As tartarugas são animais migratórios por excelência, todas as espécies migram pelos oceanos entre áreas de forrageamento (alimentação) e reprodução. Utilizam para isso eficazes mecanismos de navegação e orientação ainda pouco conhecidos pela ciência. As tartarugas marinhas apresentam uma forte tendência em realizar as desovas sempre na mesma área, quer seja em uma mesma temporada reprodutiva ou em temporadas diferentes. Estudos realizados por meio de análises de DNA mitocondrial reforçam a idéia de que uma fêmea geralmente desova na praia onde nasceu, apresentando o que se chama de “fidelidade à praia de nascimento” (Bowen et al., 1994). O termo filopatria é utilizado para designar a fidelidade de retorno a uma mesma região, e o termo fidelidade de praia é empregado para designar os retornos a locais específicos nas praias de desova (Lutz e Musick, 1997).

Durante suas longas rotas de migração pelos oceanos as tartarugas passam por diferentes fronteiras. Este fato é um problema para o estabelecimento de planos de manejo e conservação uma vez que, para isso, são necessários acordos internacionais. No Brasil o projeto Tamar-ICMBio é um dos maiores aliados na conservação das tartarugas marinhas atuando com excelência em nove Estados brasileiros através de 23 bases que protegem até 1.100 km de praia.“Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho sócio-ambiental.”

Nos últimos duzentos anos, e de maneira mais intensificada nos últimos cinqüenta, uma combinação de fatores, tais como atividade de pesca comercial, a captura acidental, a destruição de habitats usados para alimentação, nidificação e repouso desses animais, e mais recentemente, a poluição dos mares conseguiram subjugar a capacidade das tartarugas em manter seu número populacional. Hoje são poucas as populações de tartarugas marinhas que não são afetadas pela atividade humana. A maioria das populações encontra-se em declínio, atingindo freqüentemente números críticos (Global, 1995). Todas as espécies que ocorrem no Brasil estão classificadas como Ameaçadas ou Vulneráveis na Lista Vermelha da IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza) (Barata et al., 2004). Sendo a tartaruga de couro classificada como criticamente ameaçada tanto no Brasil como pela IUCN.

Foto disponível no Banco de Imagens do Tamar: http://www.tamar.org.br/fotos.php

O ambiente terrestre da praia é escolhido pela fêmea como o local adequado para desova, incubação dos ovos e do nascimento dos filhotes. Entretanto, estima-se que apenas poucos filhotes em uma ninhada de mil, consigam sobreviver a cada evento reprodutivo. Naturalmente, ovos e filhotes de tartarugas marinhas tornam-se presas fáceis para animais como aves, caranguejos e peixes marinhos. No entanto a ação do homem tem potencializado a mortalidade de ovos e recém eclodidos. A ocupação litorânea e a iluminação inadequada prejudica a desova e desorienta os filhotes, que deixam de caminhar para o mar , guiados pela luz do horizonte, pois a iluminação artificial chega a ser mais forte e os filhotes acabam sendo atropelados, predados ou morrem por desidratação ao caminhar em direção contraria a do mar. Além disso, as grandes construções causam o chamado sombreamento afetando a temperatura das areias da praia. A determinação sexual das tartarugas marinhas sofre influência da temperatura ambiente e o sombreamento acaba por desequilibrar o número de machos e fêmeas nascidos.Veja: Determinação do sexo em tartarugas marinhas: ameaças ao equilíbrio das populações

Quando adultas, as tartarugas dificilmente são predadas, com exceção das fêmeas no período de desova, pois quando sobem a praia elas perdem agilidade e ficam expostas a perigos maiores. Mas, nenhuma ameaça natural pode ser comparada aos riscos que as atividades humanas representam. Alguns hábitos mais antigos de caça e coleta de tartarugas e ovos para consumo em comunidades praianas e pesqueiras hoje são menos intensos devido aos esforços da educação ambiental, assim como é o caso da pesca incidental.

Por: Gabriela C. de Melo, Membro Nurof UFC

Sobre tartarugas, cágados e jabutis: Parte II

As tartarugas são répteis que vivem nos mares de áreas tropicais e subtropicais. Esses animais possuem casco achatado, e suas patas em forma de nadadeiras, adaptações que lhe permitem melhor hidrodinâmica. Lembrando que elas passam grande parte do tempo solitárias e submersas.

Esses animais possuem sistemas de audição e visão bem desenvolvidos e seu tamanho, quando adultas, pode variar de 1m até 2m de comprimento, atingindo até 600 kg. Em sua dieta são encontrados medusas, camarões, esponjas e águas-vivas. Elas podem viver até mais de cem anos e as fêmeas atingem a maturidade sexual por volta dos 30 anos de idade. É nesta fase que retornam para a praia onde nasceram para depositar os ovos.

Estima-se que de 100 filhotes de tartarugas marinhas nascidas, apenas um chegará à vida adulta. Isso se dá em função da caça predatória por vários anos, além da atuação de predadores naturais. Por isso grande parte das espécies encontra-se ameaçada de extinção.

As espécies semi-aquáticas e que vivem em água doce são chamadas de cágados, sendo conhecidas por possuírem um pescoço maior e mais estreito que o das tartarugas. Para proteger a cabeça, muitos cágados dobram o pescoço para o lado, enquanto outros são capazes de retraí-lo dentro do casco. Outra diferença entre os cágados e as tartarugas é o tamanho dos indivíduos. Os cágados são em média menores, além de possuírem carapaça mais achatada e escura. No entanto, existem espécies de cágados que atingem grande porte. Aqui mesmo no Brasil, há várias espécies amazônicas de grande tamanho corporal, como a tartaruga da Amazônia (Podocnemis expansa), o tracajá (P. inifilis) e o pitiú (P. sextuberculata).

O corpo dos cágados também é adaptado para a natação, por isso existem membranas entre seus dedos. Assim, o modo de vida dos cágados é associado a ambientes aquáticos de água doce, sendo encontrados em rios, açudes e lagos, preferindo ambientes com temperatura entre 10° e 35°. Por isso vivem grande parte do tempo dentro d’água, principalmente na parte mais rasa dos ambientes. Entretanto é comum vê-los em ambiente terrestre tomando um sol, pegando algum alimento ou, no caso das fêmeas, depositando seus ovos.

Grande parte das espécies de cágados é carnívora (alimentando-se de pequenos peixes, moluscos, anfíbios, insetos, crustáceos e vermes), enquanto outras são onívoras (ou seja, se alimentam tanto de outros animais quanto de vegetais). O acasalamento ocorre na água. Após o desenvolvimento do ovo, as fêmeas os enterram em um buraco no solo, sendo comum a postura ocorrer duas vezes em uma mesma temporada reprodutiva.

Lembramos que no Brasil, o comércio desses animais é proibido, embora seja comum ver cágados a venda em lojas.

Foto: Raquel Ribeiro

Já os jabutis são animais terrestre. Possui carapaça convexa e membros robustos, os quais permitem longas caminhadas em terra firme e nenhuma braçada dentro d’água. São animais onívoros (consomem de vários tipos de alimentos), tendo o costume de comer carne, frutas, verduras e legumes. Possuem hábitos diurnos e passam o tempo em busca de alimento. Muito resistentes e quando sentem a aproximação de um predador ou pressentem algum perigo, põem as patas, cabeça e cauda dentro da carapaça, permanecendo parado como se estivesse morto.

Não existem restrições legais para manter um jabuti, para a criação extensiva, porém é necessária a autorização do IBAMA.

Foto: Raquel Ribeiro

Por: Raquel Ribeiro, Graduanda em Ciências Biológicas pela UFC.
VEJA MAIS: Diferenças Existe diferença entre tartaruga, cágado e jabuti?

Existe diferença entre tartaruga, cágado e jabuti?

Muitas pessoas se perguntam se há alguma diferença entre cágados, tartarugas e jabutis. Primeiramente, convém responder que sim. Há algumas características que definem cada um desses belos animaizinhos cascudos. Então, essa é a sua oportunidade de entender um pouco mais quem é quem e nunca mais se confundir.

As tartarugas são animais que vivem no mar. Elas possuem membros (ou “patas”) modificados em forma semelhante a um “remo” para que possam nadar com mais facilidade. Seu corpo é um pouco achatado facilitando, assim, seus movimentos dentro d’água. Para finalizar, convém dizer que elas vêm a terra apenas para reproduzir.( Saiba mais )

Foto Hugo Fernandes

Os jabutis, por sua vez, são animais totalmente terrestres, indo a corpos d’água apenas para se refrescarem e beberem água. Seus membros são semelhantes a “patas” de elefantes e possuem unhas para facilitar a locomoção em terra firme. É importante frisar seu hábito terrestre, sendo, assim, péssimos nadadores.

Foto Fabrício Rodrigues

Por fim, os cágados são animais que vivem (em sua GRANDE maioria) em água doce. Entretanto, seus membros são adaptados para que eles também consigam se mover bem em terra firme. Suas patas possuem membranas interdigitais (uma membrana que fica entre os dedos a qual aumenta a área superficial do membro) e unhas, possibilitando assim que eles possam nadar e andar com eficiência. Alguns também possuem o corpo um pouco achatado, o qual facilita o nado.Estes animais também colocam seus ovos em terra firme.

Foto: Fabrício Rodrigues

Por: Fabrício Rodrigues, membro Nurof-UFC

VEJA MAIS: Sobre tartarugas, cágados e jabutis: Parte II

Notícia: Tráfico de animais: de tartaruga a cobra via Sedex

Funcionários de uma agência dos Correios em São Paulo (SP) encontraram na segunda-feira (27) duas iguanas vivas em uma encomenda que seguia para Belo Horizonte (BH). Com 25 centímetros cada, elas estavam imobilizadas dentro de uma caixa de Sedex, enroladas com jornal e gaze, ambos por baixo de uma fita adesiva daquelas bem resistentes, de fechar caixa de papelão, com selo dos próprios Correios.Só a cabeça e o rabo dos animais ficavam fora. [Referência: extra.globo.com]

NOTA DO BLOG:
O comércio ilegal de animais é a terceira atividade ilegal que mais movimenta dinheiro no planeta, ficando atrás somente do tráfico de drogas e armas. O que chama atenção são as péssimas condições na qual os animais são submetidos. De fato muitos deles morrem ao longo do transporte. Portanto, notícias como esta são frequentes. A criação de fauna silvestres em cativeiro requer a liberação por parte do IBAMA. Portanto, se for criar algum animal em cativeiro não contribua com o tráfego de animai comprando-os clandestinamente, avalie bem se a pessoa possui registro de criador junto ao IBAMA. Do contrário pode ter certeza que o barato sairá caro para a natureza e quem poderá estar em um recinto fechado poderá ser você!

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