Notícia: Proteína de veneno de serpente destrói célula de tumor em teste

Obtida da jararacuçu, molécula leva a suicídio celular do câncer durante experiência in vitro
Pesquisadoras da PUC do Paraná consideram abordagem promissora, mas caminho até uso em pacientes ainda é longo

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA

É provável que o mero nome da jararacuçu (Bothrops jararacussu) cause arrepios em quem teme serpentes. O veneno do réptil, contudo, pode se revelar uma arma valiosa contra o câncer.
Os indícios, obtidos em laboratório, ainda são preliminares. Uma proteína isolada na peçonha da jararacuçu parece capaz de se ligar a células tumorais e forçá-las ao suicídio, por exemplo.
Os resultados vêm do trabalho de duas pesquisadoras da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), cujo próximo desafio é entender, em detalhes, a interação da proteína do veneno com as células do câncer.
“Ninguém ainda entrou na célula para ver como a molécula faz isso, onde ela se liga”, disse à Folha a bióloga Selene Esposito, que investiga o tema junto com Andréa Novais Moreno.
A dupla tem em comum o interesse pelo grupo de proteínas ao qual pertence a BJcuL (apelido da molécula de veneno). São as lectinas, cuja estrutura e função sugerem uma série de aplicações médicas, diz Esposito.

RECONHECE E GRUDA
“Elas são basicamente moléculas de reconhecimento”, conta a bióloga. O mais comum é que as lectinas estejam localizadas na superfície celular, embora também seja possível encontrá-las no interior das células.
De um jeito ou de outro, o papel das lectinas costuma ser o de reconhecer certos tipos de moléculas de açúcar e se ligar a elas, desencadeando sinais específicos, como a ativação do sistema imunológico (de defesa) do corpo.
Era razoável imaginar que as lectinas poderiam agir contra o câncer porque há anomalias nas moléculas de açúcar produzidas pelos tumores. Justamente por serem sensíveis a açúcares, as lectinas poderiam reconhecer a mudança e sabotar o câncer.
É justamente isso que a dupla da PUC-PR tem visto ao estudar alguns tipos de lectinas, como uma molécula produzida pela jaca e a BJcuL (sigla que significa “lectina de Bothrops jararacussu”).
Primeiro, a proteína do veneno consegue estimular várias facetas do sistema imunológico. O mais interessante, porém, veio com o efeito da substância contra células de câncer do estômago e de tumores do cólon (intestino grosso). Nesses casos, a BJcuL induz a apoptose, ou morte celular programada.
Além disso, a lectina também afeta a integridade da membrana que envolve a célula tumoral, ou causa danos a seu núcleo, o centro de comando celular, onde está aninhado o DNA.
A esperança é que a especificidade da ligação da lectina com as células de câncer impeça efeitos colaterais, como os da quimioterapia tradicional. Mas serão necessários muitos testes antes do possível uso em pacientes.

Evolução fez cobras virarem fábrica de droga

DO EDITOR DE CIÊNCIA

Não há nada mais lógico do que procurar substâncias de interesse médico no veneno produzido por serpentes.
Diversos medicamentos já foram inspirados pela peçonha dos bichos, e não é difícil entender o porquê disso. Em resumo, pode-se dizer que Darwin explica.
É que milhões de anos de evolução moldaram o veneno das cobras para interagir de forma bastante específica com as moléculas presentes no organismo de suas vítimas.
Quando melhor a serpente manipular o corpo da presa via veneno, mais fácil será devorar o jantar. É por isso que certas substâncias da peçonha, por exemplo, fazem cair a pressão da vítima, enquanto outras bagunçam o sistema nervoso do bicho que foi picado.
Ora, em alguns casos pode ser do interesse do médico fazer coisas parecidas. Não é à toa que o Captopril, remédio contra pressão alta, foi desenvolvido a partir do veneno de jararacas por cientistas nos Estados Unidos.
Por tudo isso, é de esperar que novos medicamentos de valor venham da pesquisa com veneno de serpentes. (RJL)
Fonte: FOLHA.com/Ciência

Sobre a evolução das presas das serpentes

Fonte: Brimac The 2nd disponível em http://www.flickr.com/photos/30775272@N05/2966080537


Canais de condução de veneno presente nas presas das serpentes podem ter derivado de sulcos nos dentes do ancestral é o que dizem três pesquisadores norte americanos após analisarem a morfologia de dentes de um réptil do gênero Uatchitodon que viveu no período triássico (entre aproximadamente 228.0 e 199 milhões de anos atrás).

Neste estudo os pesquisadores não encontraram evidências que suportassem hipóteses prévias para a existência dos sulcos, como por exemplo, a de que eles ocorreriam em função da idade ou do desgaste dentário. Assim eles atribuíram a função de condução de veneno a essas estruturas.

Para quem quiser saber mais detalhes segue o link para artigo (em inglês)

Notícia: Serpentes escapam de proprietário e assustam cidade chinesa

Moradores de uma cidade chinesa tiveram que abandonar suas casas após 3 mil cobras recém-nascidas extremamente venenosas escaparem de uma gaiola em Xianling, no sudoeste da China. Os ovos da perigosa espécie estavam sendo criados para abastecer a indústria de medicina tradicional de forma ilegal… Veja a matéria completa: odia.terra.com.br

As cobras recém-nascidas extremamente venenosas escaparem de uma gaiola em Xianling, no sudoeste da China. Fonte: http://odia.terra.com.br

NOTA DO BLOG:
Mas que trapalhada essa ein!? Que esta notícia sirva de lição àqueles que acham que criar animais como esses para extração de veneno seja uma atividade que possa ser feita por qualquer um e com pouco investimento. Muito pelo contrário, se como animais de estimação eles já exigem cuidados especializados a criação desses animais para a finalidade de produção de veneno para fabricação de soro requer muito conhecimento, treinamento e acompanhamento por uma equipe de profissionais incluindo-se um médico veterinário. Pesa-se ainda a obrigatoriedade legal da manutenção de instalações próprias para este fim além da homologação do criador junto aos órgãos ambientais competentes. Um caso como esse se ocorrido no Brasil implicaria em multa ao responsável e muito provavelmente em sua prisão, conforme a Lei Nº 9.605/1998.

Sobre o veneno das jararacas

Uma hemorragia que pode levar à amputação é característica de picadas das jararacas, responsáveis por 90% dos acidentes com serpentes no Brasil… [Referência: Ciência e Ideias]

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