Etnoherpetologia: Conservação da biodiversidade e saberes tradicionais

A Herpetologia é uma ciência fantástica que agrega e dialoga com várias outras. Podemos aqui citar algumas, tais como: a Ecologia, Sistemática, Taxonomia, Genética, Etologia e a Conservação. Porém, essa grande ciência tem mais uma carta na manga que é a Etnoherpetologia: um ramo que ainda tem pouca adesão entre os pesquisadores, mas segue em crescimento na atualidade.

Mesmo a etnoherpetologia sendo ainda pouco conhecida, o uso do prefixo ‘Etno’ apareceu pela primeira vez em 1946 de acordo com o levantamento feito por Cardona em 1985 no livro La Foresta di Piume Manuale di Etnoscienza  que catalogou o uso desse prefixo nas ciências naturais (CAMPOS, 2002).

Considera-se a Etnoherpetologia um poderoso instrumento político de conservação da sociobiodiversidade. Seu foco é basicamente estudar com profundidade a relação/interação da sociedade com os anfíbios e répteis. Pois, a partir da compreensão dessa relação, podemos agir junto a comunidade na construção de ações de educação ambiental, projetos de conservação, difusões científicas, fomento de políticas públicas, capacitação de professores e colaboradores locais nas áreas de estudo escolhidas pelo pesquisador ou pesquisadora.

Deste modo, a Etnoherpetologia, no seu âmago, tem uma íntima relação com a Ecologia Humana, que por sua vez vai tratar de toda relação homem x ambiente em diversos níveis. Não podemos perder de vista até aqui que tudo isso se trata de transdisciplinaridade. Ciências conversando entre si em prol de uma ou várias ações no campo da pesquisa acadêmica.

Por exemplo: Um pesquisador que trabalha com Taxonomia pode facilmente dialogar com moradores da sua área de estudo e inserir também em sua pesquisa a descrição que determinada população faz da espécie foco do seu estudo. Por que não pensar na etnotaxonomia? Vários trabalhos têm obtido informações preciosas sobre comportamento, ecologia, biologia, entre outros, devido a parceria entre o pesquisador e os colaboradores locais. (Ver: PORTILLO, 2012) Muitas dessas informações fazem parte da tradição oral, do cotidiano dessas pessoas, fazem parte até mesmo do folclore, dos simbolismos, das literaturas de cordel, das canções e assim por diante.

A etnoherpetologia nos dá informações sobre os diversos usos dos animais, tais como: alimentação, fins religiosos, usos medicinais, percepção dos moradores, além de fornecer dados sobre caça e inferir sobre o status de conservação e biodiversidade local (BERNARDE, P.S, 2012; LIMA et al, 2018; MARQUES et al, 2019; PASSOS, et al 2015; PAZINATO, D.M.M, 2013; PORTILLO, J.T.M, 2012)

Quando realizamos o resgate histórico em documentos, símbolos e iconografias utilizadas por um determinado grupo étnico, podemos perceber que os animais da fauna herpetológica podem ser representados como vilões ou amigos. Deveras, é extremamente interessante perceber que diversos fatores influenciam essa relação sociedade x herpetofauna, como por exemplo a religião, e que essa relação e interação vai se estruturando e/ou se modificando ao longo do tempo em determinadas culturas, pois existe uma troca de valores e crenças com outras sociedades. Assim como em diversas culturas não-europeias, como a cultura Yorubá, possuem uma divindade Oxumarê que tem uma ligação com as serpentes, e, para os adeptos das religiões de matriz africana como o Candomblé as serpentes são seres sagrados, que precisam ser respeitados e conservados.

Imagem: Orixá Oxumarê (O senhor das serpentes e do arco-íris) – André Hora

Atualmente, o foco da minha pesquisa de mestrado tem se voltado a percepção, simbolismos e crendices populares de comunidades do Litoral Norte da Bahia através do Projeto Herpetofauna do Litoral da Bahia coordenado pelo Professor Dr. Moacir Tinoco.

Aos meus colegas que estão lendo esse texto darei uma dica: escutem as canções de Luiz Gonzaga, Cordel do Fogo Encantado e Jackson do Pandeiro (pra começar!). Tem canções que simplesmente são uma aula da visão do homem sobre a natureza e a visão do homem com a herpetofauna!

Imagem: Destaque Notícias

Por fim, creio que a Etnoherpetologia vem firmar e formar laços, vem mostrar que a ciência pode e deve sair dos muros das universidades e dialogar com a sociedade de uma forma igualitária! Senão de que adianta estudar uma determinada espécie, obter o máximo de informação, mostrar que ela é importante para a comunidade científica se nada é feito em conjunto com as populações que convivem quase que diariamente com esse animal? 

Autora: Jamille Marques


Referências:

BERNARDE, P.S. Anfíbios e répteis: introdução ao estudo da herpetologia brasileira. Curitiba: ed. Anolisbooks, 2012. 320 p.

CAMPOS, M. D. Etnociência ou Etnografia de Saberes, Técnicas e Práticas? In:

Métodos de coleta e análise de dados em etnobiologia, etnoecologia e disciplinas correlatas: anais do I Seminário de Etnobiologia e Etnoecologia do Sudeste : Rio Claro. Editora: SBEE – Regional Sudeste, 2002 

CARDONA, G. R. La Foresta di Piume, Manuale de Etnoscienza. Roma: Laterza, 1985.

LIMA, Brenda Silva et al. INVESTIGANDO O CONHECIMENTO ETNOHERPETOLÓGICO DOS CAFEICULTORES SOBRE AS SERPENTES DO MUNICÍPIO DE INCONFIDENTES, MINAS GERAIS. Ethnoscientia, [S.l.], v. 3, mar. 2018. ISSN 2448-1998. Disponível em: <http://ethnoscientia.com/index.php/revista/article/view/137>. Acesso em: 13 Out. 2020. doi:http://dx.doi.org/10.22276/ethnoscientia.v3i0.137.

MARQUES, J. F.; PORTO, C. R.; SOUZA, C. S. A.; MOURA, G. J. B.; Tinôco, M. S.

Sociobiodiversidade, Etnoecologia e Etnoherpetologia In: Restinga: Herpetofauna do Litoral Norte da Bahia.1 ed.São Paulo: Barro de Chão, 2019, p. 524-531

PASSOS, Daniel Cunha et al . Calangos e lagartixas: concepções sobre lagartos entre estudantes do Ensino Médio em Fortaleza, Ceará, Brasil. Ciênc. educ. (Bauru),  Bauru ,  v. 21, n. 1, p. 133-148,  mar.  2015 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132015000100009&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  05  jan.  2020.  http://dx.doi.org/10.1590/1516-731320150010009.

PAZINATO, D.M.M. Estudo etnoherpetológico: conhecimentos populares sobre anfíbios e repteis no municipio de caçapava do sul, Rio Grande do Sul. Monografia (Especialização) – Curso de Educação Ambiental, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013.

PORTILLO, J.T.M. Composição, etnoecologia e etnotaxonomia de serpentes no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Ouro Preto. Ouro Preto, 2012.

O que os animais silvestres tem a ver com você?

O dia-a-dia do ser humano é marcado pelo seu contato com os animais, seja de  modo breve ou de maneira mais profunda (DEL-CLARO, PREZOTO e SABINO, 2008). Cada pessoa possui um animal favorito, seja ele um réptil, mamífero, ave, anfíbio, peixe ou até invertebrado. Alguns empenham-se a tratá-los, criá-los, observá-los ou estudá-los (DEL-CLARO, PREZOTO e SABINO, 2008). Mas independentemente disso, eles estão quase sempre bem próximos, seja no imaginário popular, seja como animais de estimação, de transporte, em documentários de televisão ou reportagens de revistas (DEL-CLARO, PREZOTO e SABINO, 2008).

Sendo assim, é claro que há um dia dedicado a esses seres incríveis e majestosos, em 4 de outubro é celebrado o Dia dos Animais. E com as atrocidades do atual desgoverno brasileiro é de suma importância não deixar essa data passar em branco. Então vamos a um textinho?!

Estima-se que há cerca de 7,7 milhões de espécies animais no mundo, desde invertebrados até vertebrados (MORA, 2011), dentre os quais muitos pertencem a fauna brasileira, distribuídos nos mais diversos biomas. São seres das mais variadas formas, cores e hábitos. Há animais grandes, pequenos, terrestres, marinhos, arbóreos, fossoriais, carnívoros, herbívoros, omnívoros, rastejantes, entre outros. Mas independente disso, cada um possui sua beleza, elegância e o mais importante: um papel fundamental no ecossistema.

Eles são responsáveis pela dispersão de sementes, controle de populações de outras espécies e produção de substâncias que permitem a criação de remédios (ICMBio, 2014). Cada espécie animal é fundamental para a existência de outras espécies – sejam elas pertencentes a esse reino ou não – inclusive a nossa, Homo sapiens. A partir disso, dando ênfase a herpetofauna, seguem algumas importâncias para a manutenção e equilíbrio da biodiversidade que esses animais desempenham:

  • 1. RÉPTEIS: têm papel fundamental no controle populacional de anfíbios, aves, pequenos mamíferos, invertebrados e outros répteis, pelo fato de serem em sua maioria predadores. Ainda há aqueles que se alimentam de plantas e frutos. Pode-se citar também, a grande importância para produção de fármacos a partir de substâncias extraídas do veneno das serpentes peçonhentas, como o Captopril (MARTINS e MOLINA, 2008);
Créditos: Robson Ávila
  • 2. ANFÍBIOS: Podem viver tanto em habitats aquáticos quanto terrestres, sendo dependentes de habitats úmidos, e apresentam pele permeável, sendo assim suscetíveis a alterações no ambiente, tornando-se ótimos bioindicadores ambientais. (ICMBio, 2014). Possuem também grande importância no controle das populações de insetos. Além disso, bioativos importantes para a produção de fármacos são extraídos da pele desses animais;
Créditos: Robson Ávila

Contudo, mesmo com a evidente importância que esses seres desempenham, os seus ecossistemas estão sendo destruídos, dando ênfase ao Brasil. Segundo o WWF (2020), somente no bioma Floresta Amazônica, entre agosto de 2019 e julho de 2020, ocorreu 33% mais desmatamento do que houve no mesmo período do ano anterior. A maioria das queimadas na Amazônia é criminosa e resulta diretamente do destacamento (WWF, 2020).

Outrossim, o Pantanal também está sofrendo com as queimadas e segundo o  Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até o momento, o número de focos de incêndio registrados é o maior valor acumulado desde que o órgão começou a monitorar a região, em 1998 (BRONZE, 2020).

Mais informações sobre a situação da Floresta Amazônica podem ser encontradas no link: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/amazonia1/amazonia desmat amento_e_queimadas uma_nova_tragedia_em_2020/

Autora: Alyne Martins


Referências

BRONZE, Giovanna. Queimadas no Pantanal são as maiores da história. CNN, São Paulo, 24 de        set.                                de                             2020.                      Disponível em:<https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2020/09/24/setembro-de-2020-e-o-mes-com-mai s-queimadas-no-pantanal-desde-1998>. Acesso em: 02 de out. de 2020.

DEL-CLARO, Kleber; PREZOTO, Fábio; SABINO, José. Comportamento animal. Uma introdução à Ecologia Comportamental. Jundiaí: Livraria Conceito, p. 11-15, 2004.

ICMBio – Instituto CHico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Conheça animais que se             destacam         na         natureza.         ICMBio,         2014.         Disponível         em:< https://www.icmbio.gov.br/portal/ultimas-noticias/5215-conheca-animais-que-se-destacam-n a-natureza>. Acesso em: 02 de out. de 2020.

MARTINS, Marcio; MOLINA Flávio de Barros. Panorama Geral dos Répteis Ameaçados do Brasil. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: Volume ll–Répteis. 2008.            Disponível    em:< https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/biodiversidade/fauna-brasileira/livro-vermel ho/volumeII/Repteis.pdf>. Acesso em: 02 de out. de 2020.

MORA, Camilo et al. How many species are there on Earth and in the ocean?. PLoS Biol, v. 9,           n.               8,            p.            e1001127,                            2011.            Disponível             em:< https://journals.plos.org/plosbiology/article?id=10.1371/journal.pbio.1001127&gt;. Acesso em: 02 de out. de 2020.

WWF – World Wide Fund for Nature. Amazônia, Desmatamento e Queimadas: um Novo Desastre     em                           2020.         WWF,           2020.               Disponível    em:< https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/amazonia1/amazonia desmat amento_e_queimadas uma_nova_tragedia_em_2020/>. Acesso em: 02 de out. de 2020.

Quem bebe veneno se torna antídoto?

As jararacas são serpentes da família Viperidae, peçonhentas e de comportamento agressivo. Seus mecanismos de envenenamento compreendem, pelo menos, três ações principais:
1. Ação proteolítica ou inflamatória (degrada componentes da matriz extracelular, causando necrose tecidual);
2. Ação coagulante (compete inibindo uma molécula ativadora da cascata de coagulação);
3. Ação hemorrágica (destrói as paredes dos vasos sanguíneos).
A atuação conjunta das três ações leva uma presa (dependendo do tamanho e do estado de saúde) à morte em um intervalo de minutos a horas (Figura 1).

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Figura 1. Jararaca do Norte (Bothrops atrox), natural da Serra de Ubajara, Ceará. (Fonte: Ávila, RW/NUROF-UFC).

Porém, as jararacas não são apenas predadoras. Elas também podem se comportar como presas.

Mas, se carregam uma peçonha tão poderosa, que pode destruir os tecidos animais, como um predador consegue comê-las sem se envenenar?  🤔

Alguns animais já tiveram registrada essa fantástica característica de predar uma jararaca sem morrerem envenenados. Mamíferos como doninhas e mangustos, alguns pássaros, lagartos e outras serpentes já foram apontados como “imunes” ao veneno de jararacas e cascavéis.

Por exemplo, a acauã (Herpetotheres cachinnans) é um falconídeo que foi visto recentemente predando uma Jararaca do norte (Bothrops atrox) em uma reserva na Floresta Amazônica do Equador1. O curioso é que a ave perspicaz arranca a cabeça da serpente antes de se alimentar do corpo… Claramente evitando comer a região das glândulas de veneno, e se esquivando de se expor à intoxicação (Figura 2).

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Figura 2. Acauã decapita jararaca do norte. (Fonte: Medrano-Vizcaíno, 2019).

Bem, se a acauã parece ser um falcão “arretado” de corajoso, por enfrentar uma jararaca para se alimentar, vejamos o próximo predador da nossa lista.

O Cassaco (Didelphis albiventris), também conhecido como Gambá de orelha branca, Saruê ou Mucura) é um pequeno marsupial registrado em quase todos os estados do Brasil e em países vizinhos. Apesar da fama em vida livre, o fenômeno precisava ser estudado de forma mais metódica. Em um estudo antigo, pesquisadores registraram a predação de Jararacas (Bothrops jararaca), por Cassacos em cativeiro2(Figura 3). Observaram que tanto machos, quanto fêmeas, adultos e jovens, tinham o mesmo comportamento: mordiam a serpente na cabeça, depois as sacudiam forte; ao percebê-las imóveis, iniciavam a ingestão, comendo primeiro a cabeça. Em outro estudo, com outra espécie de Cassaco e predação de cascavéis, perceberam que mesmo quando eram picados, não havia sinais clínicos e a predação não era interrompida3.

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Figura 3. Sequência de comportamento de predação de Jararaca por Cassaco. (Fonte: Oliveira et al., 1999).

Isso sim é que é ter “sangue no olho”! Nada de jogar a cabeça fora; é a primeira parte que é comida.

Estudos posteriores mostraram que Cassacos que se alimentam de serpentes peçonhentas desenvolvem ferramentas bioquímicas de evasão de diferentes moléculas tóxicas, neutralizando as ações danosas dos venenos em seu organismo. É um tipo de “imunidade”, adquiridas em longo…longo prazo, num processo denominado como coevolução adaptativa. Proteínas anti-hemorrágicas4 e ausência do fator pró-coagulante de van Willebrand5 já foram descritas como estratégias de evasão à toxicidade dos venenos em Cassacos.

Já a cobra preta Muçurana (Clelia clelia)  é conhecida há décadas por “arrochar o nó” quando o assunto é Jararaca. Estudos do final do século passado confirmaram que seu soro sanguíneo aquecido era capaz de neutralizar efeitos inflamatórios e necróticos em pele e musculatura de camundongos de laboratório intoxicados experimentalmente pela Jararaca de veludo (Bothrops asper)6,7. Tanto o soro de Muçuranas adultas quanto de recém-nascidas tinha esse fantástico poder. Ô bichas “pais d’égua”!

Por último, o crocodilo americano (Alligator mississippiensis) foi o mais recente predador a ter confirmadas as propriedades antiveneno de jarararacas8. Seu soro sanguíneo foi testado em camundongos experimentalmente intoxicados por veneno de Jararaca cabeça de cobre (Agkistrodon contortrix), e observou-se neutralização da ação hemolítica de enzimas metaloproteinases. Aí eu “dou valor”!

***

Confira os termos regionais:

Arretado: qualidade de algo ou alguém que é muito bom em algum aspecto.

Sangue no olho: indivíduo valente.

Arrochar o nó: enfrentar bravamente.

Pai d’égua: Legal, bacana.

Dar valor: valorizar; curtir; gostar muito.

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Autora: Roberta da Rocha Braga



Referências

  1. MEDRANO-VIZCAÍNO, P. Predating behavior of the Laughing falcon (Herpetotheres cachinnans) on the venomous Amazonian pit viper Bothrops atrox (the use of roads as a prey source). BioRisk, v. 14, p. 25–30, jul. 2019. Disponível em: <https://doi.org/10.3897/biorisk.14.35953&gt;.
  2. OLIVEIRA, M. E.; SANTORI, R. T. Predatory Behavior of the Opossum Didelphis albiventris on the Pitviper Bothrops jararaca. Studies on Neotropical Fauna and Environment, v. 34, n. 2, p. 72–75, 9 ago. 1999. Disponível em: <http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1076/snfe.34.2.72.2105&gt;.
  3. ALMEIDA-SANTOS, S. M. et al. Predation by the Opossunn Didelphis marsupialis on the Rattlesnake Crotalus durissus. Current herpetology, v. 19, n. 1, p. 1–9, 2000. Disponível em: <http://joi.jlc.jst.go.jp/JST.Journalarchive/hsj2000/19.1?from=CrossRef&gt;.
  4. NEVES-FERREIRA, A. G. . et al. Isolation and characterization of DM40 and DM43, two snake venom metalloproteinase inhibitors from Didelphis marsupialis serum. Biochimica et Biophysica Acta (BBA) – General Subjects, v. 1474, n. 3, p. 309–320, maio 2000. Disponível em: <https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0304416500000222&gt;.
  5. JANSA, S. A.; VOSS, R. S. Adaptive evolution of the Venom-targeted vWF protein in opossums that Eat Pitvipers. PLoS ONE, v. 6, n. 6, 2011.
  6. LOMONTE, B. et al. Neutralization of local effects of the terciopelo (Bothrops asper) venom by blood serum of the colubrid snake Clelia clelia. Toxicon, v. 20, n. 3, p. 571–579, jan. 1982. Disponível em: <https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/0041010182900514&gt;.
  7. LOMONTE, B. et al. [The serum of newborn Clelia clelia (Serpentes: Colubridae) neutralizes the hemorrhagic action of Brothrops asper venom (Serpentes: Viperidae)]. Revista de biologia tropical, v. 38, n. 2A, p. 325–6, nov. 1990. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2101463&gt;.
  8. FINGER, J. W. et al. American Alligator (Alligator mississippiensis) Serum Inhibits Pitviper Venom Metalloproteinases. Journal of Herpetology, v. 54, n. 2, p. 151, 11 mar. 2020. Disponível em: <https://bioone.org/journals/journal-of-herpetology/volume-54/issue-2/19-027/American-Alligator-Alligator-mississippiensis-Serum-Inhibits-Pitviper-Venom-Metalloproteinases/10.1670/19-027.full&gt;.

A mortalidade de répteis e o tráfico de animais

O tráfico internacional de animais é um negócio de milhões de euros e envolve centenas de milhões de animais, dentre primatas, aves, répteis e peixes ornamentais. Os répteis são animais de estimação exóticos bem populares. Em alguns países, são retirados diretamente da natureza para a venda; em outros, como os do Reino Unido, movimentam um setor da indústria pet, o da reprodução em cativeiro, que é avaliado em 200 milhões de Libras.

Devido a questões de bem estar animal, perda de biodiversidade e bioética, muito se tem debatido sobre o crescimento do comércio de animais de estimação exóticos.

As legislações internacionais e regionais são muito dinâmicas e estão sempre mudando e adicionando novas restrições. Países como Austrália e Nova Zelândia possuem regras rígidas em relação ao comércio e manutenção de animais exóticos. De acordo com o Animal Welfare Act, na Noruega é proibida a criação de animais exóticos como de estimação, desde 2013. Na última década, os EUA incluíram oito espécies de grandes serpentes constritoras na lista de Injurious Wildlife, consideradas prejudiciais aos ecossistemas locais, tendo, portanto, sua importação proibida.

A maior preocupação de muitos pesquisadores, biólogos, médicos veterinários e protetores de animais é a taxa de mortalidade de répteis que são traficados. Eles podem morrer quando retirados do ambiente selvagem, durante o transporte, e mesmo na casa do consumidor final. Por causa disso, realizaram uma pesquisa através de entrevistas a criadores em dois grandes eventos de herpetocultores no Reino Unido. As perguntas compreenderam dados demográficos, rotina de manejo dos animais no cativeiro e a experiência com morte de animais, incluindo o tempo que passaram com os mesmos após adquiridos. Foram respondidos 265 questionários, abrangendo o histórico de mais de 6 mil répteis. Os entrevistados revelaram que 97% das serpentes, 69% dos quelônios e 87% dos lagartos procediam de reprodução em cativeiro. De forma global, a mortalidade foi estimada em 3,6% no primeiro ano; porém, aplicando os parâmetros distintivos de espécies e procedência, a mortalidade se mostrou muito variável. As serpentes procedentes de reprodução em cativeiro tiveram as menores taxas de mortalidade, com média de 2,3%. Os lagartos, por sua vez, tiveram mortalidades muito mais altas, e maiores ainda quando vindos do ambiente natural. Geckos, iguanas, skinks e tejos apresentaram mortalidade de 6 a 10% no primeiro ano. Camaleões poderiam chegar a 30%.

No Brasil, o IBAMA permite a importação de animais exóticos apenas para Zoológicos e Criadouros científicos ou conservacionistas devidamente registrados (Portaria IBAMA n°93/1998). Desde 2002 (IN IBAMA n°31/2002), proibiu a autorização de funcionamento para novos criadouros de répteis, anfíbios e invertebrados com fins comerciais, sob justificativa de defesa agropecuária do território e de seus ecossistemas.

Quanto às últimas polêmicas sobre a importação de serpentes peçonhentas exóticas e sua manutenção em cativeiro, não existe autorização para tal. O IBAMA não permite a criação de serpentes peçonhentas como de estimação. Os envolvidos serão indiciados e pagarão multa de alguns milhares de reais. Caso seja caracterizado que infligiram maus tratos ou expuseram a sociedade ao risco, poderão sofrer pena de reclusão, caso sejam condenados.

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Figura 1. Animais traficados via correio. Fonte: IBAMA-PR.

Dentro do território nacional, também há transporte e comércio ilegais de espécies nativas. Há poucos dias, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu quase 1500 filhotes de jabutis no porta-malas de um carro, na BR-116 em Minas Gerais. Os animais estavam amontoados em sacos de nylon. Foram encontrados 45 animais mortos. Os três homens no carro informaram que pegaram os animais em Feira de Santana, na Bahia, e estavam levando para vender em Juiz de Fora. Eles foram presos em flagrante por tráfico e maus tratos aos animais.

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Figura 2. Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais – Divulgação.

Autora: Roberta da Rocha Braga



Referências

Botallo, A. Caso de naja que picou estudante em Brasília reacende debate sobre tráfico ilegal de animais. Folha de São Paulo, São Paulo, 15 Jul 2020. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2020/07/caso-de-naja-que-picou-estudante-em-brasilia-reacende-debate-sobre-trafico-ilegal-de-animais.shtml Acesso em 21 Jul 2020.

BRASIL. Legislação de Fauna Silvestre. Disponível em http://www.ibama.gov.br/legislacao/legislacao-fauna-silvestre?view=default Acesso em 21 jul 2020.

Drummond, I. Polícia apreende 1.459 filhotes de jabutis e calopsitas em Minas. Estado de Minas Gerais, Minas Gerais, 20 Jul 2020. Disponível em https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/07/20/interna_gerais,1168600/policia-apreende-1-459-filhotes-de-jabutis-e-calopsitas-em-minas.shtml Acesso em 23 Jul 2020.

Fernandes, T.M. Tráfico de Animais Silvestres e Biopirataria. Disponível em http://www.spvs.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Trafico-de-Animais-Silvestres-e-Biopirataria.pdf Acesso em 23 Jul 2020.

Robinson, J. E., St John, F. A., Griffiths, R. A., & Roberts, D. L. (2015). Captive Reptile Mortality Rates in the Home and Implications for the Wildlife Trade. PloS one10(11), e0141460.

Quer ver mais bichos na natureza? Saiba como a cor da sua roupa pode te atrapalhar ou ajudar nisso.

Em geral, os animais na natureza tendem a evitar os humanos porque nos enxergam como predadores e quando percebem nossa presença tendem a fugir ou se esconder. Isso torna atividades de ecoturismo um pouco complicadas, pois as pessoas despendem seu dinheiro, tempo e energia e querem ver os animais em seu habitat natural, mas muitas vezes se frustram ao não conseguirem localizar os mesmos. Isso pode ser culpa do olho pouco treinado de um observador amador, mas pode ser também resultado de uma gama de comportamentos que assustam os animais que vão desde fazer barulho, fazer movimentos bruscos que chamam atenção e até mesmo a cor da roupa que se usa. Mas qual seria a melhor cor de roupa para se usar em uma trilha de observação de vida selvagem? Sabia que nem sempre uma roupa camuflada é melhor para determinados animais?

Pois bem, alguns animais tendem a ter preferências por certas cores, o chamado viés sensorial, que já foi observado em muitos grupos diferentes, desde insetos até aves e peixes (Gaskett et al. 2017; Ninnes et al., 2015; Spence & Smith, 2008).

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores (Fondren et al., 2020) usando camisas de três cores diferentes (verde, azul e laranja) testaram a taxa de avistamento e captura do anolis-da-água (Anolis aquaticus – figura 1) numa reserva de floresta tropical na Costa Rica. Com isso eles observaram que ambas as taxas de captura e de avistamento eram maiores quando eles estavam usando a camisa de cor laranja. Isso acontece porque a cor laranja é a cor de sinalização sexual usada por essa espécie (figura 2), o que permite uma maior tolerância à presença dessa cor em detrimento de outras cores, permitindo que os pesquisadores cheguem mais perto e capturem os lagartos antes que os mesmos achem que os humanos são predadores e fujam.

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Figura 1: O lagarto anolis-da-água, Anolis aquaticus. Foto: Sebastian Lotzkat.

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Figura 2: Anolis aquaticus e sua sinalização sexual de coloração laranja. Foto: Sebastian Lotzkat.

Esse achado pode ser explicado pela versão adaptada da Hipótese da Confiança da Espécie, que explica que as espécies são mais tolerantes a cores que são encontradas em seus corpos do que outras cores que não fazem parte do seu figurino (Burley, 1986) Estudos com outras espécies de lagartos já mostraram resultados similares. Por exemplo, para o lagarto-de-cerca (Sceloporus occidentalis) a cor azul das roupas usadas pelos pesquisadores era a mais tolerada e isso resultava em melhores resultados de captura (Putman et al., 2017). Conhecendo o lagarto (figura 3) você já deve imaginar o motivo.

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Figura 3. Lagarto-de-cerca, Sceloporus occidentalis. Foto: Ron Vanderhoff

Dessa forma, vemos que o uso adequado e direcionado de cores das roupas em campo impacta no comportamento dos animais e deve ser levado em consideração tanto por pesquisadores quanto por serviços de ecoturismo, pois ao mesmo tempo que podem gerar menos estresse nos bichos podem também melhorar os resultados de observação de animais na natureza. E aí, já pensou em qual roupa vai usar no próximo campo?

Autora: Castiele Holanda Bezerra



Referências

Burley, N. (1986). Comparison of the band-colour preferences of two species of estrildid finches. Animal Behaviour, 34(6), 1732–1741.

Fondren, A., Swierk, L. & Putman, B. 2020. Clothing color mediates lizard responses to humans in a tropical forest. Biotropica, 52: 172-181.

Gaskett, A. C., Endler, J. A., & Phillips, R. D. (2017). Convergent evolution of sexual deception via chromatic and achromatic contrast rather than colour mimicry. Evolutionary Ecology, 31(2), 205–227.

Ninnes, C. E., Adrion, M., Edelaar, P., Tella, J. L., & Andersson, S. (2015). A receiver bias for red predates the convergent evolution of red color in widowbirds and bishops. Behavioral Ecology, 26(4), 1212–1218.

Putman, B. J., Drury, J. P., Blumstein, D. T., & Pauly, G. B. (2017). Fear no colors? Observer clothing color influences lizard escape behavior. PLoS ONE, 12(8), e0182146.

Spence, R., & Smith, C. (2008). Innate and learned colour preference in the Zebrafish, Danio rerio. Ethology, 114(6), 582–588.

Bactérias resistentes em répteis de Galápagos

As bactérias foram observadas pela primeira vez no ano de 1683, em um microscópio rudimentar, pelo naturalista holandês Antonie van Leeuwenhoek. Cerca de duzentos anos depois, Louis Pasteur e Robert Koch estabeleceram a relação entre bactérias e doenças(1).

As doenças infecciosas causadas por bactérias foram responsáveis por grandes epidemias que devastaram populações mundiais. No século XIV, 1/3 da população da Europa pereceu pela peste bubônica(2). No século XVII, a pandemia de cólera matou 1,5 milhão de pessoas em todo o mundo(3). Na Primeira Guerra Mundial, a febre das trincheiras atingiu cerca de 1 milhão de combatentes no front ocidental(4).  As feridas de guerra infectadas pela bactéria causadora do tétano levaram à morte até 78% de soldados britânicos feridos em 1914(5).

Com a descoberta dos antibióticos, as infecções bacterianas deixaram de ser um temor mortal. Desde que Alexander Flemming, em 1928, descobriu acidentalmente a penicilina, milhares de novas moléculas com ação antimicrobiana foram descobertas. A busca por novas drogas era necessária, pois, após 20 a 30 anos de exaustivo uso das primeiras moléculas, começou a se desenvolver um processo conhecido como “resistência antimicrobiana”, no qual as bactérias-alvo conseguiam fugir do efeito exterminador dos antibióticos. Desta forma, novas opções eram pesquisadas incessantemente. O período entre as décadas de 1950 e 1960 foi chamado “Era de Ouro” da produção de antibióticos. Entretanto, na década de 1970, houve um rápido decréscimo na descoberta e produção de novas drogas. Isto é preocupante, pois doenças causadas por bactérias resistentes são muito mais difíceis de tratar e de ter sucesso na cura. O uso indiscriminado de várias drogas antimicrobianas nas últimas décadas contribuiu fortemente para a seleção de bactérias resistentes(6).

Todo esse blá-blá-blá sobre história e epidemiologia foi importante para que o leitor menos experiente possa entender o texto a seguir.

Um estudo publicado em 2012 mostrou que iguanas e jabutis gigantes das Ilhas Galápagos (Oceano Pacífico) carregavam em seus intestinos cepas da bactéria intestinal Escherichia coli resistentes a dois ou mais tipos de antibióticos. Trinta por cento da amostra testada apresentou fenótipos resistentes (18/59 isolados de E. coli). Amostras de água do mar também se mostraram contaminadas por E. coli multirresistentes. Segundo os pesquisadores, os graus de resistência mostravam-se maiores quando os animais habitavam áreas turísticas ao redor de cidades portuárias, com maior fluxo e proximidade com seres humanos(7).

O trabalho chama a atenção para o impacto das populações humanas mesmo no isolado ecossistema de Galápagos. Explica também que outros trabalhos já mostraram que populações bacterianas resistentes em animais silvestres tendem a crescer proporcionalmente à maior densidade humana nas áreas próximas.

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Figura1: Iguana terrestre em Galápagos. Fonte: Völcker,N. CC BY-SA 4.0

Afinal, qual a importância disso?

Bactérias resistentes são um risco tanto para a saúde desses animais quanto para os humanos com os quais eles têm contato. Significa que um hospedeiro (animal ou humano), infectado por uma bactéria resistente, tem menos opções de antibióticos que podem efetivamente controlar e curar a infecção. Em populações selvagens, isso pode significar alta mortalidade, caso os animais não se adaptem à presença dessas bactérias em seu organismo.

Como mudar essa realidade?

As bactérias resistentes são frutos de pressão seletiva pelo uso intensivo e inadequado de drogas antimicrobianas humanas e veterinárias. Atualmente existem leis voltadas para a redução do uso abusivo dessas drogas e do monitoramento constante por médicos humanos e veterinários. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária Brasileira (ANVISA) aprovou em 2011 a RDC n°20/2011, que regulamentou a venda de antibióticos no território nacional e revogou todas as disposições anteriores(8). Esta é a principal medida para controlar o uso das drogas antibióticas e impedir que se tornem contaminantes do meio ambiente e fator de seleção de microrganismos resistentes.

Autora: Roberta da Rocha Braga



Referências

  1. ENCICLOPÉDIA Britannica Online. Bacteriology. Disponível em https://www.britannica.com/science/bacteriology. Acesso em 06 jul. 2020.
  2. CUNHA, B.R. et al. Antibiotic Discovery: Where Have We Come from, Where Do We Go? Antibiotics (Basel). 2019 Jun; 8(2): 45.
  3. Madhav, N. et al. Pandemics: Risks, Impacts, and Mitigation. In: Jamison, D.T.et al., editors. Disease Control Priorities: Improving Health and Reducing Poverty. 3rd edition. Washington (DC): The International Bank for Reconstruction and Development / The World Bank; 2017 Nov 27. Chapter 17. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK525302/
  4. Atenstaedt, R L. Trench fever: the British medical response in the Great War. Journal of the Royal Society of Medicine 99,11 (2006): 564-8.
  5. Wever, P.C., van Bergen, L. Prevention of tetanus during the First World War. Medical Humanities 2012;38:78-82.
  6. HUTCHINGS, M.I. et al. Antibiotics: past, present and future. Current Opinion in Microbiology, 51, 2019, 72-80.
  7. WHEELER, E. et al. Carriage of antibiotic-resistant enteric bacteria varies among sites in Galapagos reptiles. Journal of Wildlife Diseases, 48(1), 2012, pp. 56–67.
  8. Controle de medicamentos antimicrobianos (antibióticos). Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Disponível em http://portal.anvisa.gov.br/. Acesso em 06 jul.2020.

Serpentes da Caatinga: Psomophis joberti

A Tribo de serpentes Psomophini é composta por três espécies com alto suporte monofilético, Psomophis genimaculatus (Boettger, 1885), Psomophis joberti (Sauvage, 1884), e Psomophis obtusus (Cope, 1863), as duas primeiras definidas como espécies irmãs e a outra espécie do grupo como irmã das demais, essas relações são bem definidas, através de caracteres morfológicos (morfologia interna e externa) e moleculares (Myers & Cadle, 1994; Grazziotin et al., 2012;Tedeshi, 2013).

Psomophis joberti, popularmente conhecida como cobra cadarço, é uma serpente com tamanho corpóreo pequeno (CRC médio = 365,8), cauda curta com a ultima escama modificada em forma de espinho, esses animais são diurnos e terrestres, possuí distribuição ampla, ocorrendo do Pantanal até a Caatinga (Myers e Cadles, 1994; Mesquita, et al. 2013;Tedeshi, 2013). A alimentação consiste em anfíbios e lagartos (Strüssmann & Sazima 1993). Na International Union for Conservation of Nature (IUCN), encontra-se no status Menor Preocupação (Silveira et al. 2020).

Psomophis joberti é uma espécie dócil, primeira reação da serpente de defesa é tentar fugir, no entanto, quando capturada, pode utilizar sua escama modificada, tentando inserir seu espinho caudal, pressionando-o contra quem o manuseia, outra forma de defesa dessa serpente é a descarga cloacal, que é quando o animal libera uma substância com odor característico através da cloaca, tentando intimidar o coletor.

 

Figura 1. Psomophis joberti. Fonte: Silvilene Matias

Autora: Silvilene Matias



Referências

Grazziotin F.G., Zaher H., Murphy R.W., Scrocchi G., Benavides M. a., Zhang Y.-P., &  Bonatto S.L. (2012) Molecular phylogeny of the New World Dipsadidae (Serpentes: Colubroidea): a reappraisal. Cladistics, 28, 437–459.

Mesquita, P.C.M.D., Passos, D.C., Borges-Nojosa, D.M., & Cechin, S.Z. (2013) Ecologia e história natural das serpentes de uma área de Caatinga no nordeste brasileiro. Papéis Avulsos de Zoologia, 53 (8), 99-113.

Myers C.W. & Cadle J.E. (1994) A new genus for South American snakes related to  Rhadinaea obtusa Cope (Colubridae) and resurrection of Taeniophallus Cope for the “Rhadinaea” brevirostris group. American Museum Novitates, 3102, 1–33.

Silveira, A.L., Prudente, A.L. da C., Argôlo , A.J.S., Abrahão, C.R., Nogueira, C. de C., Barbo, F.E., Costa, G.C., Pontes, G.M.F., Colli, G.R., Zaher, H. el D., Borges-Martins, M., Martins, M.R.C., Oliveira , M.E., Passos, P.G.H., Bérnils, R.S., Sawaya, R.J., Cechin, C.T.Z & da Costa, T.B.G. (2019) Psomophis joberti. The IUCN Red List of Threatened Species 2019: e.T15182335A15182384. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-2.RLTS.T15182335A15182384.en. acesso 07 June 2020.

Strüssmann, C. & Sazima, I. (1993) The snake assemblage of the Pantanal at Poconé, Western Brazil: Faunal composition and ecological summary. Studies on Neotropical Fauna and Environment, 28 (3): 157-168.

Tedeschi, L. G. (2013) Filogenia molecular e biogeografia de Psomophis Myers & Cadle 1994 e a história da diagonal de áreas abertas neotropicais. 2013. 46 f., il. Dissertação (Mestrado em Biologia Animal) – Universidade de Brasília, Brasília.

Quem são as sucuris?

As sucuris, também chamadas de anacondas, fazem parte da família dos boídeos, habitam praticamente toda a América do Sul, e estão entre as maiores serpentes do mundo, dividindo a coroa com as pítons, e por isso são consideradas predadoras de topo.

As sucuris são animais sub-aquáticos, podendo ser encontradas em rios, lagoas, pântanos e brejos; possuem hábito alimentar generalista, sendo aves a presa favorita; estão ativas tanto durante o dia quanto a noite e se reproduzem durante o período seco, de modo agregado (Terra, 2018). Saiba mais clicando aqui.

As sucuris pertencem ao gênero Eunectes, com quatro espécies ao todo, três delas ocorrendo no Brasil.

A sucuri-verde (Eunectes murinus) é a espécie mais amplamente distribuída geograficamente e por conta disso também é a mais estudada. Ela ocorre em vários estados em todas as regiões do Brasil e em diversos países da América do Sul. Além disso, a sucuri-verde também é a espécie que possui os maiores registros de tamanho desses animais.

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Figura 1. Sucuri-verde (Eunectes murinus). Fonte: Reptile Database.

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Figura 2. Sucuri-verde (Eunectes murinus). Fonte: Reptile Database.

A sucuri do Pantanal ou sucuri-amarela (Eunectes notaeus) possui menor tamanho e habita estados do Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil e regiões da Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina.

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Figura 3. Sucuri-amarela (Eunectes notaeus). Fonte: Reptile Database.

5284Figura 4. Sucuri-amarela (Eunectes notaeus). Fonte: Reptile Database.

A “sucuri-de-manchas-pretas” (anaconda), Eunectes deschauenseei, é a que está mais restritamente distribuída dentre as espécies brasileiras, ocorrendo apenas em alguns estados do extremo Norte do Brasil e na Guiana Francesa. Existem poucos estudos envolvendo essa espécie e sua biologia é bastante desconhecida.

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Figura 5. Sucuri-de-manchas-pretas (Eunectes deschauenseei). Fonte: Anakondas.de (http://www.anakondas.de/cms/front_content.php?idcat=8)

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Figura 6. Sucuri-de-manchas-pretas (Eunectes deschauenseei). Fonte: André Cardoso (https://www.flickr.com/photos/138955704@N02/43201909312/in/photostream/)

Além das espécies que ocorrem no Brasil, existe ainda a sucuri-da-bolívia (Eunectes beniensis) que, como seu próprio nome afirma, é restrita a regiões da Bolívia.

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Figura 7. Sucuri-da-bolívia (Eunectes beniensis). Fonte: Reptile Database.

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Figura 7. Sucuri-da-bolívia (Eunectes beniensis). Fonte: Alexandra Castaneda (https://www.inaturalist.org/observations/12930249)

É essencial ressaltar a importância de desenvolver estudos e pesquisas para melhor compreender a biologia dessas serpentes, visto que apesar de serem animais de grande porte (até mesmo enorme), ainda existem espécies pouco conhecidas, tornando difícil até mesmo de estimar seu estado de conservação, como é o caso da Eunectes deschauenseei.

Autora: Isabel Cristina



Referências

  1. Eunectes murinus (LINNAEUS, 1758). The Reptile Database, 2020. Disponível em: < http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Eunectes&species=murinus&search_param=%28%28search%3D%27eunect%27%29%29>. Acesso em: 24 de jun. de 2020.
  2. Eunectes notaeus (COPE, 1862). The Reptile Database, 2020. Disponível em: <http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Eunectes&species=notaeus&search_param=%28%28search%3D%27eunect%27%29%29>. Acesso em: 24 de jun. de 2020.
  3. Eunectes deschauenseei (DUNN & CONANT, 1936). The Reptile Database, 2020. Disponível em: <http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Eunectes&species=deschauenseei&search_param=%28%28search%3D%27eunect%27%29%29>. Acesso em: 24 de jun. de 2020.
  4. Eunectes beniensis (DIRKSEN, 2002). The Reptile Database, 2020. Disponível em: <http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Eunectes&species=beniensis&search_param=%28%28search%3D%27eunect%27%29%29>. Acesso em: 24 de jun. de 2020.
  5. Junior, Vidal Haddad (Org.). et al. Sucuris: Biologia, Conservação, Realidade e Mitos de Uma das Maiores Serpentes do Mundo. 1. ed. Rio de Janeiro: Technical Books, 2012.
  6. Terra, J.S. 2018. Ecologia, nicho climático e efeitos das mudanças climáticas sobre a distribuição potencial das espécies do gênero Eunectes (Squamata, Serpentes). Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo.

Chikungunya na herpetofauna?! É sério isso?

Sim, é sério. Pesquisadores americanos investigaram o papel de répteis e anfíbios como possíveis reservatórios do vírus da Chikungunya (CHIKV), e advinha o que eles descobriram? Que SIM, algumas espécies de répteis e de anfíbios podem albergar o CHIKV sem desenvolver a doença(1).

Estudos prévios dos mesmos pesquisadores com potenciais reservatórios entre mamíferos e aves revelaram que além do morcego marrom (Eptesicus fuscus) nenhum dos mamíferos e aves mais comuns apresentaram sinais da infecção e produção de anticorpos contra CHIKV. Essa foi a principal razão que os motivou a pesquisar animais ectotérmicos(2).

O CHIKV é um vírus da família Togaviridae, gênero Alphavirus. São vírus RNA fita simples,  envelopados, de simetria icosaédrica, medindo aproximadamente 70nm de diâmetro. São também caracterizados como “arbovírus” (ARthropode BOrne VIRUSES), pois se disseminam através de vetores invertebrados (mosquitos dos gêneros Aedes) (3). Foi relatado pela primeira vez na Tanzânia, em 1952. O vírus foi introduzido no Brasil em 2014 e causou surtos epidêmicos em vários estados, incluindo o estado do Ceará, onde a epidemia durou de 2014 a 2018. A doença é caracterizada por febre alta de início súbito e dores nas articulações (poliartralgia) por até 14 dias. Torna-se mais grave em indivíduos com outras doenças de base (comorbidades). Após esse período, em muitos casos ficam sequelas debilitantes que precisam ser tratadas com antinflamatórios e fisioterapia(4).

Para os vírus se manterem circulantes na natureza, eles precisam ser mantidos em hospedeiros vertebrados que permitem seu crescimento, replicação e eliminação no meio ambiente, sem, no entanto, desenvolver doença clínica (os chamados “reservatórios de infecção”). Há muitas décadas, tem sido detectada uma ampla variedade de anticorpos contra arbovírus diversos (como o vírus da encefalite equina oriental e ocidental, o da encefalite japonesa, do Nilo Ocidental e da Zika) no sangue de répteis e anfíbios. Dessa forma, surgiu a curiosidade de descobrir se o mesmo aconteceria com CHIKV.

Foi realizado o seguinte experimento:, uma amostra de CHIKV foi fornecida pelo Centers for Disease Controls and Prevention (CDC) de Atlanta (EUA). Foram adquiridas diferentes espécies de répteis e anfíbios (Pítons, cobras de cadarço, sapo-cururu, rã leopardo, aligátor, iguana verde, geckos domésticos, cágado de orelha vermelha) de criadouros comerciais e cada um recebeu uma dose 0,1mL de solução de células infectadas por CHIKV. Do primeiro ao quinto dia pós-infecção(dpi), os animais começaram a ter o sangue coletado para pesquisa de anticorpos e isolamento do vírus. Os resultados estão na tabela a seguir.

 

Tabela 1. Viremia e resposta de anticorpos neutralizantes em répteis e anfíbios inoculados com CHIKV. (Adaptado de Bosco-Lauth et al., 2018).

Espécie hospedeira   % de animais virêmicos Pico de viremia (log 10 pfu/mL) Proporção de soropositivos aos 28 dpi Títulos de anticorpos (PRNT80 por título)
Python regius 75,0% 2,8-4,3 87,5% 10-320
Python bivittatus 75,0% 2,3-3,0 100,0% 80-320
Thamnophis sirtalis 100,0% 3,7-4,5 100,0% 20-80
Lithobates spp. 100,0% 3,0-4,7 20
Anaxyrus speciosus 58,3% 2,3-5,1 91,6% 20-40
Rhinella marina 0,0% 100,0% 80-320
Alligator mississippiensis 0,0% 100,0% 20-160
Iguana iguana 85,7% 2,0-3,7 75,0% 20-80
Hemidactylus spp. 0,0% não testado não testado
Trachemys scripta 66,6% 2,3-3,7 50,0%  10-80

 

CHIKV foi detectável no sangue (viremia) dos animais testados por 3 a 10 dpi, atingindo picos de concentração em 1 a 3 dpi. Nenhum dos animais apresentou sinais clínicos compatíveis com Chikungunya. Os geckos domésticos (Hemidactylus spp.) não foram testados porque as quantidades de sangue necessárias para detectar a viremia e os anticorpos eram incompatíveis com a vida, devido ao pequeno tamanho corporal das espécies.

A conclusão dos pesquisadores é que as espécies testadas que desenvolveram viremia e soroconversão (produção de anticorpos) são potenciais reservatórios de CHIKV. Para bater o martelo ainda são necessários mais estudos de campo e laboratório, para ter certeza que os mosquitos transmissores conseguem se alimentar e se infectar nesses hospedeiros.

Autora: Roberta da Rocha Braga



Referências

  1. Bosco-Lauth, A. M., Hartwig, A. E., & Bowen, R. A.. Reptiles and Amphibians as Potential Reservoir Hosts of Chikungunya Virus. The American journal of tropical medicine and hygiene98(3), 841–844, 2018.
  2. Bosco-Lauth AM, Nemeth NM, Kohler DJ, Bowen RA. Viremia in North American mammals and birds after experimental infection with chikungunya viruses. Am J Trop Med Hyg 94: 504–506. 2016.
  3. Quinn, P.J. et al. In: Microbiologia Veterinária e Doenças Infecciosas. Porto Alegre: ArtMed, 2005.
  4. SIMIAO, Adriana Rocha et al . A major chikungunya epidemic with high mortality in northeastern Brazil. Soc. Bras. Med. Trop., Uberaba ,  v. 52,  e20190266,    2019 .

Câncer em répteis?

Sim. Como no ser humano, nos demais mamíferos e nas aves, os répteis podem desenvolver tumores diagnosticados como câncer.

O câncer, chamado cientificamente de “neoplasma”,  é definido como um crescimento de células que se torna anormal porque não responde aos mecanismos de controle do organismo.  Esse crescimento anormal é iniciado por uma mutação genética e pode ser transmitido para os descendentes(1).  Mas, apesar dessa definição, o correto é “O câncer não é UMA doença, mas MUITAS”, como descreveu  Siddhartha Mukherjee, em seu livro “O imperador de todos os males”(2), no qual ele quis dizer que há muitas formas clínicas de manifestação de câncer, por isso nem sempre eles são fáceis de diagnosticar.

Microorganismos ou fatores ambientais podem iniciar mutações que originam um câncer. Porém, o envelhecimento da máquina orgânica também pode gerar falhas no controle celular que exclui células mutadas. Desta forma, quanto mais os homens e os animais vivem, mais predispostos ficam ao desenvolvimento de câncer.  Estudos epidemiológicos mostram que os fatores de risco para humanos incluem dieta pobre, inatividade física, tabagismo e consumo de álcool, infecções sexualmente transmissíveis e poluição ambiental(3).

Em animais, os vírus são a causa de câncer mais identificada e mais pesquisada. Os modelos animais têm ajudado a conhecer vários tipos de câncer e desenvolver tratamentos (1).

Vários casos em répteis cativos têm sido relatados nas últimas quatro décadas. A classificação dos tumores segue os protocolos de identificação de câncer em humanos ou em animais domésticos. Os tumores são classificados de diferentes formas: benignos (limitados e não invasivos) ou malignos (que podem invadir e se disseminar); carcinomas (derivados de tecido epitelial), sarcomas (derivados de tecido conjuntivo) ou ainda tumores mistos (3). Dentre os casos registrados em répteis, existe uma ampla gama de tipos celulares de tumores, e, diferente dos humanos, não é possível ainda apontar para um tipo mais frequente.

Um estudo retrospectivo no Zoológico de Sacramento (EUA) entre 1981-1991, revelou que 21% dos registros de necropsia traziam diagnóstico de neoplasmas em serpentes. Foram observados principalmente tumores internos (fígado, pâncreas, rins, gônadas etc.), dentre os quais o tipo mais prevalente foi o sarcoma de células fusiformes (4).  Outro estudo semelhante no Zoológico de Washington (EUA), observou 12% de neoplasias em serpentes, entre 1978-1997. A maioria dos casos aconteceu em fêmeas, também de tumores internos em órgãos variados. A média de idade dos animais acometidos foi de 9 anos(5). Finalmente, um levantamento recente com 41 serpentes no Zoológico de São Paulo mostrou 53% de ocorrências, sendo as Bothrops sp. as serpentes mais acometidas (6).

Dentre relatos atribuídos a vírus oncogênicos (aqueles que podem causar mutações que geram câncer) tem-se alguns registros de retrovírus em carcinomas em Bothrops jararacussu(7), Corallus caninus(8) e Vipera russeli(9), além de estudos com fibropapilomas em tartarugas marinhas, sugestivos de associação com Herpesvírus (10)(ver texto “Herpesvírus em répteis” aqui no Blog!).

Embora a grande maioria dos diagnósticos de câncer em répteis ocorra apenas à necrópsia, uma pesquisa recente sobre caracterização de tumores de pele e tecidos moles em serpentes teve 87% das amostras obtidas por cirurgia em animais vivos, o que constitui, além de método diagnóstico, o tratamento de escolha nos casos em que os tumores são bem delimitados, não invasivos e de crescimento lento. Contudo, como em outros grupos de animais e nos humanos, pode ocorrer reincidência(11).

No Brasil existem alguns relatos de casos isolados na literatura, como fibrossarcoma oral e sarcoma fusiforme em Jararacas (12,13) e melanoma cutâneo(14) em jabuti, mas ainda não temos estudos de prevalência sobre câncer em répteis.

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Figura 1: Fibrossarcoma oral em Bothrops pubescens (12).

Figura 2: Sarcoma fusiforme em Bothrops leucurus (13).

(Figuras 1 e 2 licenciadas CC BY-NC 4.0)

Na rotina do NUROF, tivemos o diagnóstico pós-morte de pelo menos dois tumores internos,  em serpentes da espécie Philodryas nattereri. O primeiro foi um colangiocarcinoma no fígado, caso que foi publicado na Conferência Internacional de Medicina de Animais Silvestres (Itália, 2017). O segundo caso foi um hemangioma periovariano, que será publicado em breve.

4Figura 3: Colangiocarcinoma em fígado de Philodryas nattereri (15) (Foto: Braga, RR)

Opções de tratamento são principalmente locais, ou seja, direto no tumor.  Técnicas conservativas incluem radioterapia, quimioterapia intralesional e terapia fotodinâmica.  Técnicas cirúrgicas compreendem ressecção cirúrgica convencional, criocirurgia, cirurgia a laser e eletrocauterização. A quimioterapia sistêmica é reservada para casos de tumores disseminados (metástases), podendo ser utilizadas as mesmas drogas anticancerígenas humanas. Naturalmente, a escolha da terapia depende de vários fatores, incluindo o custo-benefício. Não existem estudos de aplicação farmacológica dessas drogas especificamente em répteis, portanto os resultados nem sempre são previsíveis(16).

Apesar de muitos tratamentos não terem bons prognósticos, os autores são otimistas em relação à oncologia aplicada a répteis. Consideram que muitos avanços foram feitos nas duas últimas décadas, que é possível se diagnosticar os tumores mais cedo e trata-los usando as mesmas diretrizes aplicadas a cães e gatos(17).

Autora: Roberta da Rocha Braga



Referências

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  2. Mukherjee, S. O imperador de todos os males: Uma biografia do câncer. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 493p.
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