Fui picado por uma cobra! E agora?

Caro leitor, não se preocupe. De fato, o Brasil abriga uma das maiores faunas de serpentes do mundo, mas apenas um pequeno número delas (cerca de 15%) é capaz de produzir e injetar veneno em outros animais (BERNARDE, 2011). Uma vez que você siga simples medidas de segurança, provavelmente não será vítima de uma ocorrência como essa.

Aqui no Brasil, temos apenas dois grupos de serpentes peçonhentas: os Viperídeos (grupo da Surucucu, Cascavel, Jararacas), e os Elapídeos (grupo das Corais verdadeiras).

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Figura 1. Lachesis muta. Foto: Jairo Maldonado.

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Figura 2. Micrurus ibiboboca registrada no Estado de Pernambuco. Foto: Marcelo Ribeiro Duarte.

De acordo com o Ministério da Saúde e o Instituto Butanan, caso seja picado por uma serpente e você não saiba se ela é de um dos grupos acima, é necessário manter a calma, lavar o local da picada apenas com água e sabão, se hidratar e ir imediatamente ao hospital. Ou seja, após o acidente, lave a ferida e vá ao hospital, levando uma garrafa de água para ficar bebendo.

No território nacional temos quase 2 mil polos listados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmotológicas (Sintox), e nesses lugares você pode receber gratuitamente o soro antiofídico. Você pode acessar o documento através do link. Aqui em Fortaleza, por exemplo, os polos que disponibilizam soro são o Instituto Dr. José Frota (IJF) e a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC).

Entretanto, costumam ser divulgadas algumas medidas (listadas abaixo) que estão erradas e que podem inclusive agravar o problema.

  1. Tomar uma bebida forte, como cachaça, funciona?

Não. O álcool tem três problemas principais. Primeiramente, o álcool no organismo desidrata os tecidos, dificultando a ação imunológica, ou seja, dificulta nosso corpo a combater o veneno. Além do mais, estando severamente sob o efeito de álcool, alguns sintomas da “embriaguez” podem ser confundidos com sintomas do envenenamento por cascavel ou coral, chamado de facies miastenicas (PINHO & PEREIRA, 2001), a famosa cara-de-bêbado, podendo prejudicar o diagnóstico médico e o tratamento. Por último, o álcool eleva a pressão sanguínea, fazendo com que o veneno circule mais rápido pelo corpo.

Facies miastênica. 
Fonte aqui.
  1. Fazer um torniquete no local é eficaz?

Não, pois pode piorar muito a situação. A maioria esmagadora dos acidentes ofídicos acontecem com as jararacas (mais de 90%) (BERNARDE, 2012), que possuem um veneno necrosante. Fazer uso do torniquete no local de uma picada de jararaca concentra o veneno, o que provavelmente irá destruir o tecido, às vezes causando até a perda de um membro.

  1. Urinar no local da picada melhora?

Não. A urina sai do corpo pela uretra, carregando microrganismos que irão contribuir para inflamar e até mesmo provocar uma infecção na ferida. Uma dica: essa prática não higiênica também serve para a água-viva e outros cnidários (HALSTEAD et al., 1990).

  1. Posso chupar o veneno para fora?

É impossível chupar o veneno para fora, pois imediatamente após a picada, ele começa a ser absorvido pelos tecidos e entrar na corrente sanguínea. Tampouco se deve pedir a um amigo para fazê-lo, pois se tiver resquício do veneno na superfície da picada, ele poderá envenenar-se também; alguns estudos sugerem também que a sucção pode exacerbar o dano tecidual, piorando a situação (BUSH, 2004). Enfim, “sugar” o veneno para fora comprovadamente não funciona e pode agravar o problema.

  1. Preciso levar a cobra que me picou?

O Ministério da Saúde diz que, se possível, o animal seja levado para identificação (FUNASA, 1998). Ademais, tirar uma foto poderá ajudar os médicos a identificar o animal, e passar o correto tratamento – e você não precisará se arriscar tentado pegar o animal.

Agora, também é interessante saber o que fazer para não ser picado, evitando ter que ir para um hospital e ter que ser tratado com soro. Siga essas instruções para não ter que passar por esse tipo de problema.

  1. Não manusear animais silvestres, mesmo que pareçam mortos. Vários animais podem adotar um comportamento de parecer estarem mortos para evitar predadores, chamado de Tanatose (você pode ver mais sobre isso aqui no Blog). Ao pegar esse animal, ele pode defender-se desferindo um bote.
  2. Usar vestimentas adequadas em regiões de matas. O principal é uma calça comprida e um calçado fechado. Como foi dito anteriormente, a maior parte dos acidentes ofídicos em nossa região é causada por jararacas, que são terrestres – com a vestimenta adequada, esse tipo de acidente já é evitado.

3. Esteja atento a situações de risco. Revirar folhas secas, levantar pedras, colocar a mão em buracos são os tipos de atividades que vão aumentar muito a sua chance de encontrar, não apenas serpentes, mas vários outros animais que usam esses lugares como abrigos (como aranhas e escorpiões). Tenha cuidado ao realizar essas atividades.

4. Caso aviste uma serpente, se afaste. Não é necessário fazer um alarde e tampouco precisa sair correndo. As serpentes possuem uma série de características sensoriais para a predação. Antes de avistá-la, muito provavelmente ela já tinha percebido que você estava ali, ela só não teve tempo hábil para fugir ou se esconder. Portanto, apenas se afaste devagar e siga seu caminho, pois ela não irá persegui-lo.

Dado o comportamento das serpentes e sua distribuição (podemos achá-las no meio urbano também), cabe apenas a nós adotarmos medidas para reduzir nossas chances de encontro com elas e reduzir o impacto causado no ambiente delas. As serpentes são predadores que exercem um papel ecológico muito importante, principalmente realizando o controle populacional de algumas espécies e necessitam serem respeitadas e protegidas, sejam peçonhentas ou não.

 

Texto pelo bolsista Lucas Araújo de Almeida

REFERÊNCIAS

1) SINTOX. Polos de soro para acidentes ofídicos. https://sinitox.icict.fiocruz.br/polos-de-soro-para-acidentes-ofidicos

2)  PINHO, F. M. O.; PEREIRA, I. D. Ofidismo. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 47, n. 1, p. 24-29, 2001.

3) BERNARDE, Paulo Sérgio. Anfíbios e répteis: introdução ao estudo da herpetofauna brasileira. Anolis Books, 2012.

4) BERNARDE, Paulo Sergio. Mudanças na classificação de serpentes peçonhentas brasileiras e suas implicações na literatura médica. Gazeta Médica da Bahia, n. 1, 2011.

5) BUSH, Sean P. Snakebite suction devices don’t remove venom: they just suck. Annals of emergency medicine, v. 43, n. 2, p. 187-188, 2004.

6) HALSTEAD, Bruce W.; AUERBACH, Paul S.; CAMPBELL, Dorman R. A colour atlas of dangerous marine animals. Wolfe Medical Publications, 1990.

7) FUNASA. Fundação Nacional de Saúde (Brazil), Brazil. Coordenaça̋o de Controle de Zoonoses, Animais Peçonhentos, & Centro Nacional de Epidemiologia (Brazil). Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos. Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, 1998.

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Homenagem do NUROF-UFC ao Prof. Dr. Lima-Verde

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Neste último domingo, eu e minha equipe do NUROF-UFC recebemos a triste notícia do falecimento do Prof. Dr. José Santiago Lima-Verde, ocorrido no sábado, dia 16.Fevereiro. Tive o enorme prazer de tê-lo como meu primeiro orientador científico, mestre, parceiro em publicações científicas e colega de trabalho na UFC. É importante informar que o Prof. Lima-Verde foi o fundador do Núcleo Regional de Ofiologia da UFC (NUROF-UFC), bem como do Laboratório de Herpetologia da UFC e das Coleções Científicas, foi um ícone da Herpetologia nordestina e da velha-guarda da Herpetologia brasileira. Portanto, é fato que a herpetologia do Ceará, principalmente a nossa equipe do NUROF-UFC, deve muito a este pesquisador.

Como uma forma de homenageá-lo e de expressar nossa imensa gratidão, apresentamos aqui um pouco do legado que este ilustre mestre nos deixou:

                Nascido em Limoeiro do Norte-CE, em 1945, o Prof. Lima-Verde realizou os cursos primário e secundário na sua cidade natal, o curso técnico em agricultura em Areias-PB e o curso superior em Engenharia Agronômica em Fortaleza, na Universidade Federal do Ceará.  Iniciou a vida científica, ainda na graduação, estagiando no Laboratório de Ciências do Mar-UFC (Labomar), estudando invertebrados marinhos (Equinodermos). Posteriormente, nos anos 70, ingressou no Doutorado do Instituto de Biociências da USP, em São Paulo-SP, retomando seus estudos com as serpentes, grupo animal de interesse desde a adolescência. Concluiu o doutorado com apenas dois anos, e ainda neste mesmo período, foi estagiário do Instituto Butantan e teve a oportunidade de trabalhar com o Prof. Dr. Melquíades Pinto Paiva (UFRJ), Prof. Dr. Henry Matthews, Prof. Dr. Paulo Sawaya (Orientador na USP) e Prof. Dr. Alphonse Richard Hoge, entre outros.

                Profissionalmente, no período de 1970 a 1972, foi Professor Assistente da Escola Superior de Agricultura de Mossoró-RN (ESAM), atualmente Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA), e logo após, por dez anos, foi professor e pesquisador da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto-SP, atualmente USP-Ribeirão Preto. Em 1982, retornou ao Ceará. Ingressou na Universidade Federal do Ceará, em Setembro do mesmo ano, aposentando-se em março de 2003, como Professor Titular.

                Entre suas colaborações à pesquisa brasileira, publicou mais de 20 artigos e notas científicas em revistas nacionais e internacionais, capítulos de livros e duas teses (de doutorado e professor titular); descobriu e descreveu espécies de anfíbios (p.e. Chthonerpeton arii e Typhlonectes cunhai) e répteis (p.e. Erythrolamprus mossoroensis e Colobosauroides cearensis), até então desconhecidas das ciências; participou de muitos simpósios de Zoologia e Herpetologia, proferindo palestras e apresentando trabalhos; colaborou como assessor científico de grupos de trabalhos nos Ministério da Saúde e do Meio Ambiente; desenvolveu projetos de pesquisa e extensão na UFC, e em parceria com várias outras instituições como por exemplo o Museu Paraense Emílio Goeldi; participou de grupos de trabalho de resgates da fauna em hidrelétricas; orientou e participou na formação de várias gerações de pesquisadores na USP de Ribeirão Preto e na UFC; fundou o Núcleo Regional de Ofiologia da UFC (NUROF-UFC), o Laboratório de Herpetologia (hoje integrado ao NUROF-UFC) e as Coleções Científicas de Herpetologia da USP-Ribeirão Preto, da UFERSA e da UFC; também foi pesquisador bolsista do CNPq e membro titular da Academia Cearense de Ciências (Cadeira 26, patrono Rodolph Von Ihering).

                Ao longo da vida, o Prof. Lima-Verde recebeu algumas homenagens: foi professor homenageado por turmas dos cursos de Licenciatura e Bacharelado da USP-Ribeirão Preto e da UFC, e para ser eternamente lembrado nas ciências, em 2016, recebeu a homenagem de ter seu nome na descrição de um lagarto raro e endêmico do Ceará, o Placosoma limaverdorum.

                Hoje, com muito pesar, nos despedimos fisicamente do Prof. Lima-Verde, mas com a certeza de que a sua memória e suas colaborações à Herpetologia ficarão para sempre registradas como modelo para as próximas gerações de pesquisadores.

 

Profa. Dra. Diva Maria Borges-Nojosa                                                                                e Equipe do NUROF-UFC.

 

O impacto do aquecimento global nos sapos do Brasil

O aquecimento global tem sido há alguns anos um dos principais tópicos de estudos na comunidade científica, pois afeta direta ou indiretamente a vida de quase todo ser vivo no planeta. Dentre os grupos de seres vivos, os anfíbios provavelmente serão um dos primeiros a serem afetados. Mas por quê? Isso se deve, principalmente, ao fato da grande dependência que eles apresentam em relação aos ambientes aquáticos ou úmidos para a sobrevivência e reprodução (DUELLMAN; TRUEB, 1994). Uma dessas dependências associadas à sobrevivência está relacionada com a pele desses animais que deve estar constantemente úmida, pois parte da sua respiração é feita por esse tecido (HADDAD et al.,  2008).

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Figura 1.Biomas brasileiros.Fonte:IBGE, adaptado SFB (http://snif.florestal.gov.br/pt-br/os-biomas-e-suas-florestas)

Sendo assim, essas mudanças climáticas podem afetar também as suas distribuições geográficas e abundâncias, chegando, em casos extremos, a extinção de populações e espécies (HADDAD et al., 2008). Como exemplo tem-se a extinção do sapo-dourado, Ollotis periglenes, na América Central, que pode ter sido causada tanto pela elevação das temperaturas médias quanto pela redução da precipitação média, relacionadas com o El Niño-Oscilação Sul (ENSO) fortalecido (POUNDS; CRUMP, 1994).

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Figura 2. Holoaden bradei, espécie presente na categoria Criticamente em Perigo (CR).  Fotografia de Ivan Sazina. Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7515-anfibios-holoaden-bradei

Atualmente no mundo são conhecidas aproximadamente 7.969 espécies de anfíbios (AMPHIBIAWEB, 2019), das quais cerca de 1.080 ocorrem no Brasil, sendo a grande maioria espécies de anuros (1039) seguidos por cecílias (36) e salamandras (5) (SEGALLA et al., 2016). Com isso, é possível deduzir que o Brasil será um dos primeiros países a sentir o impacto das mudanças climáticas na sua biodiversidade.

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Figura 3. Ischnocnema manezinho, espécie Vulnerável (VU) e endêmica da Ilha de Santa Catarina  Foto: Vitor Carvalho-Rocha. Fonte: http://www.herpetologia.ufsc.br/2018/04/27/501/

Recentemente, em julho de 2018, foi publicado um trabalho sobre a ameaça de extinção que algumas espécies de anuros da Floresta Atlântica e do Cerrado (Figura 1) estão sujeitas nos próximos anos devido ao aquecimento global. O artigo apresenta como título “Expected impacts of climate change threaten the anuran diversity in the Brazilian hotspots”, foi publicado na revista Ecology and Evolution e tem como autor principal o herpetólogo Tiago da Silveira Vasconcelos.

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Figura 5. Espécie Criticamente em Perigo presente no bioma Floresta Atlântica, Physalaemus soaresi. Fotografia de Ivan Sazima. Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7517-anfibios-physalaemus-soaresi

No artigo em questão, foram avaliadas as métricas de diversidade alfa e beta de anuros na Floresta Atlântica e no Cerrado, sendo a diversidade de anuros maior no primeiro hotspot citado do que no segundo (VASCONCELOS et al., 2018). Eles analisaram como os efeitos das mudanças climáticas até 2050 e 2070 poderão afetar os gradientes de riqueza de espécies e a estrutura de diversidade beta de anuros nos biomas anteriores, utilizando Modelos de Nicho Ecológico para gerar áreas de clima favorável para 350 espécies de anuros da Floresta Atlântica e 155 do Cerrado e para observar se haverá redução ou expansão desses locais nos próximos anos (VASCONCELOS et al., 2018).

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Figura 6. Melanophryniscus dorsalis ou Sapinho-da-barriga-vermelha esta na categoria Vulnerável (VU). Foto de Daniel Loebmann. Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7514-anfibios-melanophryniscus-dorsalis

Alguns dos resultados obtidos foram que das espécies de anuros da Floresta Atlântica utilizadas nesse estudo, 8,29% não terão nenhuma área climaticamente apropriada até 2050 e 2070 e das 155 espécies do Cerrado, apenas três não terão áreas climaticamente propicias até os anos citados (VASCONCELOS et al., 2018).

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Figura 7. Sapinho-narigudo-de-barriga-vermelha ou Melanophryniscus macrogranulosus faz parte da categoria Em Perigo (EN). Foto: Taran Grant. Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira?id=7545:especia-7545

Na discussão eles relataram que a perda total de áreas climaticamente adequadas ate 2050 e 2070 levará a extinção de 42 espécies de anuros nos hotspots citados, sendo esse o primeiro impacto esperado (VASCONCELOS et al., 2018). Segundo VASCONCELOS e colaboradores (2018), o importante a ser notado é que se esses anfíbios não possuem características adaptativas para se acomodar as novas condições climáticas ou esquivar-se nos meses com climas desvantajosos (BELLARD et al., 2012), acredita-se que eles sejam extintos devido à ausência de áreas com clima favorável para os próximos anos. Sendo isso mais preocupante para as espécies Holoaden bradei (Figura 2), Ischnocnema manezinho (Figura 3), Melanophryniscus cambaraensis (Figura 4), Physalaemus soaresi (Figura 5), M. dorsalis (Figura 6), M. macrogranulosus (Figura 7) e Hypsiboas curupi (Figura 8) (HADDAD et al., 2018).

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Figura 8. Hypsiboas curupi espécie categorizada como Vulnerável. Foto: Daniel Buhler. Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7504-anfibios-hypsiboas-curupi

Por fim, eles concluíram que o principal desafio que os anuros da Floresta Atlântica e Cerrado enfrentarão nos próximos anos será a falta de locais climáticos adequando e semelhantes, e que a ampliação do presente estudo é uma etapa importante para a conservação dos biomas ameaçados (VASCONCELOS et al., 2018).

Para quem tiver interesse em saber mais sobre o assunto segue abaixo o link (1) do artigo completo e alguns textos do Blog do Nurof semelhantes ao tema.

1 – https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ece3.4357

2 – https://blogdonurof.wordpress.com/2011/06/01/o-impacto-do-novo-codigo-florestal-sobre-os-anfibios-do-brasil/

3 – https://blogdonurof.wordpress.com/2010/12/26/especies-de-anfibios-recentemente-descobertas-sofrem-efeitos-da-degradacao-ambiental/

4 –  https://blogdonurof.wordpress.com/2017/09/07/noticia-lancamento-do-amphibio/

Por: Alyne Costa Martins, membro do NUROF-UFC.

Referências bibliográficas

AMPHIBIAWEB. Amphibian Species Lists. Universidade da Califórnia, Berkeley, CA, EUA. 2019.

BELLARD, Céline et al. Impacts of climate change on the future of biodiversity. Ecology letters, v. 15, n. 4, p. 365-377, 2012.

DUELLMAN, William E.; TRUEB, Linda. Biology of amphibians. JHU press, 1994.

HADDAD, Célio FB et al. O aquecimento global e seus efeitos na distribuição e declínio dos anfíbios. Dimensão Zoológica. Departamento de Zoologia, IB, UNESP, 2008.

HADDAD, Célio Fernando Baptista et al. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. In: Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. 2018.

POUNDS, J. Alan; CRUMP, Martha L. Amphibian declines and climate disturbance: the case of the golden toad and the harlequin frog. Conservation Biology, v. 8, n. 1, p. 72-85, 1994.

SEGALLA, Magno V. et al. Brazilian Amphibians: List of Species. Herpetologia Brasileira, v. 5, n. 2, p. 34-46, 2016.

VASCONCELOS, Tiago S. et al. Expected impacts of climate change threaten the anuran diversity in the Brazilian hotspots. Ecology and evolution, v. 8, n. 16, p. 7894-7906, 2018.

 

Sapos Mortais criados em cativeiro? Conheça o pequeno Dendrobates auratus

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Figura 1. anuro Dendrobates auratus. Créditos da imagem: © Frank Steinmann

Mesmo sendo magnificamente bela, a natureza pode apresentar seus perigos, os quais alguns estão relacionados principalmente com espécies venenosas, que vão desde plantas até animais. Quando se fala em animais venenosos, os primeiros que nos vem em mente são as serpentes, aliado também a diversos mitos que permeiam o imaginário popular. No entanto, há outros grupos de animais que possuem espécies venenosas, como os anfíbios. Entre eles encontram-se alguns sapinhos que, apesar da aparência exuberante, de inofensivo não tem nada.

Geralmente, muitos deles apresentam uma coloração forte e chamativa, possuindo, desse modo, uma beleza única. Com essa aparência incrivelmente bela é difícil de imaginar que eles possam representar perigo para muitos outros seres, inclusive nós, humanos. Essa aparência característica serve como um tipo de aviso para os seus predadores, alertando-os que eles são tóxicos.

Os anuros (sapo, perereca e rã) com esse padrão de coloração podem ter a pele irrigada por toxinas mortíferas. Diferentemente de escorpiões e serpentes peçonhentas que possuem meios de inoculação da peçonha (ferrões e presas respectivamente), dize-se que eles são venenosos, pois precisam ser tocados ou ingeridos para o veneno fazer efeito (PATRICIA, 2009).

No entanto, mesmo os que não apresentam uma coloração forte possuem toxinas. Segundo Amaral (1945, apud SILVA, 1976), todos os anuros possuem pequenas glândulas distribuídas pelo corpo e algumas espécies da família Bufonidea apresentam duas glândulas paratóides que secretam certas toxinas. Além disso, ele relata que cada uma dessas glândulas produz secreções diferentes: as pequenas produzem uma secreção mucosa que tem ação neurotrópica e hemolítica; e as paratóides produzem uma secreção granulosa, viscosa e cremosa que é altamente irritante, provocando salivação intensa, náuseas, convulsões e até a morte. Porém, mesmo apresentando essas glândulas de toxinas, não significa que todos sejam nocivos aos seres humanos, pois o grau de toxidade muda de acordo com a espécie.

Mas… voltando aos anuros coloridos… Como há pessoas que criam esses sapinhos tão mortais? Isso ocorre por que quando retirados da natureza e criados em cativeiro esses animais perdem sua toxidade ao longo dos anos (PATRICIA, 2009). Mas por que isso ocorre? Esse fato está diretamente relacionado com a sua alimentação, no seu habitat natural sua dieta é à base de formigas, cupins e outros insetos de onde extraem os alcaloides necessários para a produção do veneno. Logo, quando em cativeiro, eles são privados de tais alimentos, não produzindo assim o veneno (PATRICIA,2009).

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Figura 2. Dendrobates auratus entre folhas. Créditos da imagem: © Danté B Fenolio.

Como exemplo desses animais, temos o belo Dendrobates auratus(figuras 1 e 2). Essa espécie pode ser encontrada na região Neotropical, desde o sul da Nicarágua até o Peru, Bolívia e o Brasil (AHUMADA, 2016). Está presente, também, na ilha de Oahu, no Havaí, onde foi introduzida (SCHAFER, 1999). Vivem próximos a pequenos riachos, são diurnos e estão sempre a procura de alimento (ALVES,2009), sendo sua dieta baseada em pequenos invertebrados, como os citados anteriormente. Em cativeiros são alimentados com insetos sem alcalóides, para que não produzam toxinas (SCHAFER, 1999).

       O Dendrobates auratus apresenta grande variedade de cores, tornando-o uma das espécies mais populares entre os amantes de anfíbios. O individuo adulto tem aproximadamente 4 cm, sendo os machos menores que as fêmeas (SCHAFER, 1999). Além disso, possuem glândulas venenosas distribuídas por toda a superfície corporal (SCHAFER,1999). Não apresentam dimorfismo sexual nítido, sendo necessário observar o comportamento para distinguir o sexo (ALVES, 2009).

       O Dentrobate sauratus tem significante importância para a humanidade, pois seu veneno tem sido utilizado por povos indígenas na preparação de suas armas (SCHAFER, 1999), várias pesquisas vêm sendo realizadas a fim de produzir medicamentos derivados da toxina desses animais, e, além disso tudo ainda são importantes controladores de insetos transmissores de doenças (SCHAFER, 1999). Apesar de não ser atualmente considerado como ameaçado de extinção, com a destruição das florestas tropicais é possível que logo eles estejam na lista (SCHAFER, 1990).

 

Aguardem o próximo texto sobre sapinhos mortais.

 

Texto escrito por Alyne Martins, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

Referências:

AHUMADA, Diana Patrícia Rojas. Explorando processos que geram variação de cor Adelphobatesgalactonotus, uma espécie de sapo colorido e venenoso endêmico da Amazônia Oriental. 2016. 92 f… Tese (Biologia (Ecologia)) – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, 2016. Disponível em:<bdtd.inpa.gov.br/bitstream/tede/2205/5/Tese%20Diana_Rojas_FINAL.pdf>. Acesso em: 14 de Setembro de 2018.

 

ALVES, Diogo. Mundo dos Dendrobates. Revista Mundo dos Animais. 9. ed. Dezembro 2008 / Janeiro 2009. p. 25. Disponível em: <https://www.mundodosanimais.pt/revista/edicao9/&gt; . Acesso: 14 de Setembro de 2018.

 

PATRICIA, Karlla. Qual a diferença entre sapos venenosos e não venenosos. Disponível em: <https://diariodebiologia.com/2009/01/qual-a-diferenca-entre-sapos-venenosos-e-nao-venenosos/>. Acesso em: 14 de Setembro de 2018.

 

SCHAFER, Rachel. DendrobatesauratusGreen and Black Dart-poison Frog. Disponível em: <http://animaldiversity.org/accounts/Dendrobates_auratus/>. Acesso em: 14 de Setembro de 2018.

 

SILVA, Paulo et al. Envenenamento de cães por bufadienolídeos (Substâncias encontradas na secreção das glândulas paratóides dos sapos do gênero Bufo). Anais da E.A.V. Universidade Federal de Goiás. V. 6, nº 1, JAN/DEZ. 1976. Disponível em: <https://www.revistas.ufg.br/pat/article/view/2242>. Acesso em: 14 de Setembro de 2018.

 

 

O curioso sapinho da Caatinga (Pleurodema diplolistris) e sua estratégia para sobreviver à estiagem

 

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. É caracterizado pelo seu clima semiárido, com altas temperaturas, períodos de chuvas irregulares e períodos de secas severas. Apesar de negligenciada, a Caatinga apresenta uma rica biodiversidade, abrigando, segundo o Ministério do Meio Ambiente, 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 abelhas. Mas como esses animais conseguem sobreviver a um bioma com condições tão severas e estressantes?

Isso foi possível graças às adaptações morfológicas, comportamentais, reprodutivas e alimentares que desenvolveram ao longo da evolução para enfrentar e sobreviver à seca (FAGUNDES et al., 2016). Uma das estratégias mais interessantes é a realizada por um sapinho curioso que mede mais ou menos 3 cm, chamado de Pleurodema diplolistris, popularmente conhecido como goré (fig. 1). O P. diplolistris é uma espécie com hábitos fossoriais, estratégias reprodutivas explosivas correlacionadas com a precipitação e desenvolvimento larval rápido (ANDRADE, 2012 apud SANTOS et al. 2003).

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Figura 1: Pleurodema diplolistris em seu esconderijo de estiagem. Créditos: José Eduardo Carvalho/Unifesp.

Do mesmo modo que muitos anfíbios, o goré depende da água para a reprodução, assim, durante os períodos de seca – boa parte do ano – eles enterram-se em profundidades que podem ultrapassar um metro (PERERIRA, 2009). Mesmo enterrado o sapinho consegue se movimentar, pois com o avanço da seca ele penetra cada vez mais fundo no solo, fazendo um percurso vertical em busca de água, já que se tem uma maior umidade em maiores profundidades. Durante um curto período, na época das chuvas, eles desenterram-se para se hidratarem, alimentar-se e procurar um parceiro reprodutivo (fig. 2).

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Figura 2. Abraçado à fêmea, macho bate muco e produz um ninho para os ovos. Créditos: Isabel Cristina Pereira/USP.

Quando começam as chuvas, os machos ocupam os corpos d’água e emitem sons para atrair as fêmeas para o acasalamento. As fêmeas liberam os óvulos na água para serem fecundados pelo macho. Após a fecundação, o macho cobre os ovos com um muco, que se torna uma espuma devido ao movimento das pernas traseiras do animal na água. Depois de um tempo as larvas eclodem e desenvolvem-se em um curto período, o qual está relacionado com a permanência da água no ambiente semiárido (AMORIM, 2005).

Tal estratégia adaptativa chama-se estivação. Vocês se lembram da hibernação praticada por muitos mamíferos, como os ursos polares? Pois é. Pode-se dizer que a estivação é um tipo de hibernação que ocorrem em locais secos e com baixa pluviosidade. Esse fenômeno é um estado de dormência, o qual algumas espécies diminuem temporariamente e periodicamente suas atividades metabólicas (GUERRA, 1988) para sobreviver a condições extremas de seca. No entanto, diferentemente de outras espécies de anfíbios, o P. diplolistris não forma casulo e voltam ao seu estado de alerta assim que tem sua estivação é interrompida, não apresentando, assim, um estágio de dormência profunda (PEREIRA, 2009).

Link do vídeo do P. diplolistris enterrando-se:

 

Texto escrito por Alyne Martins, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

Referências:

AMORIM, Fabiana et al.
Espécies mastofaunísticas encontradas nas áreas de influência direta… Disponível em: <http://mapas.mma.gov.br/mapas/aplic/dadosdoc/chesf/fauna_itaparica/2%C2%BA%20relat.%20trim.%207140%20prelim%20parte%205a.doc&gt;. Acesso em: 19 de agosto de 2018.

BLOG BIOLOGIA TOTAL. Você conhece o sapinho que se enterra para sobreviver na Caatinga? Disponível em: < https://www.biologiatotal.com.br/blog/voce-conhece-o-sapinho-que-se-enterra-para-sobreviver-na-caatinga.html&gt;. Acesso em: 11 de agosto de 2018.

DE ANDRADE, Sheila Pereira; VAZ-SILVA, Wilian. First state record and distribution extension of Pleurodema diplolister (Peters 1870) (Anura: Leiuperidae) from state of Goiás, Brazil. Check List, v. 8, n. 1, p. 149-151, 2012. Disponivel em: < https://biotaxa.org/cl/article/view/8.1.149&gt;. Acesso em: 19 de agosto de 2018.

GUERRA, Rafael Torquemada. Ecologia dos oligochaeta da Amazônia. II. Estudo da estivação e da atividade de Chibuibari, através da produção de excrementos. Acta Amazonica, v. 18, n. 1-2, p. 27-34, 1988. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0044-59671988000100027&script=sci_arttext&tlng=pt&gt;. Acesso: 11 de agosto de 2018.

FAGUNDES, Adelly Cardoso de Araujo et al. Mecanismos de sobrevivência dos animais no nordeste do brasil. Anais do Congresso Nordestino de Biólogos, vol. 6, 2016. Disponível em: <http://congresso.rebibio.net/congrebio2016/trabalhos/pdf/congrebio2016-et-09-020.pdf&gt;. Acesso: 11 de agosto de 2018.

MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE. Caatinga. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/biomas/caatinga&gt;. Acesso em: 11 de agosto de 2018.

O CURIOSO caso do sapo da Caatinga. Disponível em: < http://www.geenf.fe.usp.br/v2/wp-content/uploads/2016/08/Encarte-sapo.pdf&gt;. Acesso em: 11 de agosto de 2018.

PEREIRA, Isabel Cristina. Aspectos fisiológicos e ecológicos da estivação em Pleurodema diplolistris (Leiuperidae/Anura). 2009. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-05112009-104020/en.php&gt;. Acesso: 11 de agosto de 2018.

 

 

 

 

 

Você já ouviu falar da Cobra-real (Ophiophagus hannah)?

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Figura 1. Retrato de uma cobra-real (Ophiophagus hannah). Créditos:© Bo Jonsson.

Você já teve curiosidade em saber qual é a maior cobra venenosa do planeta? A cobra-real ou cobra-rei ocupa essa posição com orgulho digno da realeza, podendo alcançar, quando adulta, um tamanho de em média 3 a 4 metros de comprimento e em alguns casos raros pode passar os 5 metros. Essa serpente é nativa das florestas tropicais e planícies da Índia, do sul da China e do sudeste da Ásia, possui uma coloração que varia muito de acordo com a região, possui um capuz (também pode ser chamado de capelo e é utilizado para que a serpente aparente ser maior do que é realmente) e consegue levantar até um terço do seu corpo quando se sente ameaçada ou está caçando, ou seja, seria o suficiente para ela olhar no olho de uma pessoa adulta. Apesar do grande porte e da aparência de durona, ela não possui um dos venenos mais fortes entre as serpentes, o segredo dela está na quantidade, injetando neurotoxinas suficientes para derrubar um elefante ou 20 pessoas.

King Cobra

Figura 2. Retrato de uma Cobra-real (Ophiophagus hannah). Créditos: Australia Zoo.

Antes de tomar um susto e se desesperar com ela, saiba que a cobra-rei evita bastante o contato com seres humanos (sempre que possível) e emite sons de alerta quando está se sentindo ameaçada que parece com um grunhido de cachorro, mas se tornam bem agressivas quando encurraladas. A alimentação dessas cobras da realeza é interessante, elas se alimentam principalmente de outras serpentes (Quer saber mais sobre cobras com esse mesmo hábito? Acesse: Cobra que bebe leite? Um pouco mais sobre a Pseudoboa nigra, a cobra preta! ) , o próprio nome do gênero faz menção a essa característica de  “comedora de serpentes” (Ophiophagus), mas elas também se alimentam de pequenos mamíferos, lagartos e ovos. A Cobra-rei apresenta uma característica bem peculiar e única entre as serpentes do mundo todo: elas fazem ninhos e protegem os ovos até que os filhotes nasçam.

Gostou de saber um pouco mais sobre essas incríveis serpentes de “sangue azul”? Surgiu alguma dúvida?Deixe seu comentário!

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Figura 3. Retrato do corpo de uma Cobra-real (Ophiophagus hannah). Créditos: Gettyimages (E. Hanumantha Rao)

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Figura 4. Retrato de uma Cobra-real (Ophiophagus hannah). Créditos: Gettyimages (Thomas Marent/Minden Pictures)

 

Referências:

https://www.nationalgeographic.com/animals/reptiles/k/king-cobra/ > Acesso em: 28 de Julho de 2018.

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quais-sao-as-maiores-cobras-do-planeta/ > Acesso em : 28 de Julho de 2018.

https://www.arkive.org/king-cobra/ophiophagus-hannah/ > Acesso em : 28 de Julho de 2018.

https://video.nationalgeographic.com/video/til/170113-sciex-til-sandesh-kadur-king-cobras-cannibals > Acesso em: 30 de Julho de 2018.

Scientific American 88, 176 (1903)
doi:10.1038/scientificamerican03071903-176 > Acesso em: 30 de Julho de 2018.

Scientific American 196, 114 – 122 (1957)
doi:10.1038/scientificamerican0157-114 > Acesso em : 30 de Julho de 2018.

Lim, K. K., Leong, T. M., & Lim, F. L. (2011). The king cobra, Ophiophagus hannah (Cantor) in Singapore (Reptilia: Squamata: Elapidae). Nature in Singapore4, 143-156. > Acesso em :30 de Julho de 2018.

Mais artigos sobre a Cobra-Rei:

http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Ophiophagus&species=hannah&search_param=%28%28search%3D%27ophiophagus+hannah%27%29%29 > Acesso em: 30 de Julho de 2018.

Uma nova espécie de “cobra-de-duas-cabeças” foi descoberta na Caatinga!

As anfisbenas, popularmente conhecidas como “cobra-de-duas-cabeças”, são répteis pertencentes ao grupo dos Squamatas junto com as cobras e os lagartos. Esses animais possuem hábitos fossoriais, sendo assim difíceis de serem visualizados normalmente. Porém em época de chuvas costumam sair do solo devido a este ficar alagado (Se interessou? Leia mais sobre no texto: Quem são as cobras-de-duas-cabeças? Cobras de duas cabeças?).

Devido sua dificuldade de detecção, durante muito tempo esses animais foram pouco amostrados em coletas, principalmente nas regiões da Caatinga, Cerrado e Chaco. Até a década de 90, existiam apenas nove espécies registradas para a Caatinga. Entre 1991 e 2017 foram registradas mais 13 espécies para a região.

Esse ano, Ribeiro e colaboradores, pesquisadores vinculados ao Museu de Fauna da Caatinga localizado no Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Petrolina, Pernambuco, identificaram oito indivíduos que não pareciam pertencer a nenhuma espécie conhecida. Essa nova espécie foi chamada de Amphisbaena kiriri e foi descrita esse ano. Agora possuímos 23 espécies de Anfisbenas na Caatinga!

Amphisbaena kiriri (Fonte: http://ricardobanana.com.br)

Amphisbaena kiriri (Fonte: http://ricardobanana.com.br)

Para maiores informações segue o link do artigo:

https://www.researchgate.net/publication/325069459_A_New_Species_of_Amphisbaena_from_Northeastern_Brazil_Squamata_Amphisbaenidae

Referencias:

RIBEIRO, Leonardo B.; GOMIDES, Samuel C.; COSTA, Henrique C. A New Species of Amphisbaena from Northeastern Brazil (Squamata: Amphisbaenidae). Journal of Herpetology, v. 52, n. 2, p. 234-241, 2018.

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