Sobre o uso de animais em estudos científicos


O governo em parceria com a comunidade científica já lançou uma campanha para conscientizar a população sobre a importância dos estudos realizados com uso de animais.

Esse sempre foi um tema bastante polêmico, muitas mídias pregam a indissociabilidade de estudos científicos que usam animais ao sofrimento do animal e à conduta antiética, buscando formar opiniões negativas em relação aos pesquisadores.

A campanha pretende dar visibilidade à lei Arouca (nº 11.794, de 8 de outubro de 2008) que disciplina a criação e utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica em todo o território nacional.

“A aprovação de lei 11.794/2008, que regulamentou a experimentação animal após 13 anos de debates, ainda não eliminou, segundo as organizações, o desconhecimento da importância das cobaias para desenvolver medicamentos, vacinas, cirurgias e a própria medicina veterinária.”

Através desta Lei, foi criado o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – CONCEA, que coordena os procedimentos de criação e utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica. O CONCEA é presidido pelo Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia e integrado por representantes de órgãos como os Ministérios de Educação, do Meio Ambiente e da Saúde, Academia Brasileira de Ciências, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, representantes de sociedades protetoras de animais legalmente estabelecidas no país, entre outros.

O CONCEA formula e zela o cumprimento de normas relativas à utilização humanitária e ética dos animais, avalia e propõe técnicas alternativas para substituir ao máximo o uso desses animais, estabelece e revê, periodicamente, as normas a serem seguidas pelas instituições credenciadas e autorizadas a fazer o uso dos animais e fiscaliza os cumprimentos.

As instituições de pesquisas possuem Comissões Internas de Ética no uso de animais (Ceua’s) que regulamentam a pratica em cada centro de pesquisa. Os trabalhos só são realizados depois de avaliada a relevância do estudo, as condições adequadas da metodologia a ser empregada e as possibilidades de redução da amostra de animais e/ou a substituição deles por métodos alternativos como, por exemplo, vídeos, programas de computador, culturas de tecidos e outros, dependendo de cada estudo. No caso dos testes, os estudos usam os resultados já obtidos em outras pesquisas reduzindo ainda mais o número de animais utilizados.

Os cientistas são pessoas que trabalham pela vida, não são maníacos com vontade de maltratar animais. As pesquisas não são feitas sem avaliações, fiscalizações e finalidades.

“Hoje, quase todos os medicamentos, vacinas e procedimentos da área de saúde são resultado de pesquisas com animais de laboratório”, lembra o filme da campanha, que mostra indivíduos que tiveram sua vida salva ou melhorada por avanços propiciados por essas pesquisas.Outro destaque é que, depois da Lei Arouca, aprovada em 2008 para regular o uso de cobaias, nenhum animal deixa de ser tratado com “ética e dignidade”.

Por : Gabriela Melo, membro do Nurof.

9 Respostas

  1. Essa campanha é uma bela iniciativa. Pena, que ainda vemos por ai várias outras campanhas ao avesso desta, tratando os cientistas como verdadeiros vilões. =/

  2. Acho que é por causa de pessoas que não tem conhecimento de como realmente a coisa funciona.

  3. A lei é extremamente valida, o problema é que ainda é necessária uma maior divulgação. Afinal a grande maioria da população só tem acesso à mídia que mostra o cientista que faz experimentação animal como vilão. As pessoas acabam por não perceber a grande importância que essas xperimentações tem, mas isso vai mudar a partir do momento em que a divulgação científica para o grande público for maior.

  4. Covardes. Egoístas. A exploração no meio científico sim é de desconhecimento geral. Pouco se pode fazer tentado salvar humanos usando exemplos tão distantes como os animais. Puro negócio, pura ganância, pura mentira. Mentirosos!!! Indústria da doença, indústria do cancer. A indústria farmaceutica controla tudo. Cegos e loucos.

    • Cara Nádia,
      Primeiramente gostaríamos de agradecer pelo comentário.

      “Pouco se pode fazer tentado salvar humanos usando exemplos tão distantes como os animais” – Talvez você mesma já tenha se beneficiado de algum medicamento no qual o uso de cobaias foi fundamental para seu desenvolvimento. Com toda certeza não são poucos os avanços, portanto não creio que a assertiva colocada faça algum sentido. Como já dito há um código de conduta estabelecido e no âmbito científico eles devem ser seguidos. Além do mais as pesquisas passam pelo crivo dos comitês de ética. Portanto não se pode dizer que falte respeito e senso de humanidade ao se conduzir qualquer trabalho com animais.

      “A indústria farmacêutica controla tudo” – Os estudos para o desenvolvimento de drogas para consumo humano é somente uma parte daqueles que utilizam animais em experimentos, como exemplo cobaias podem ser utilizadas em estudos de comportamento animal, ecologia, psicologia, neurociência dentre outros, portanto dizer que a “industria farmacêutica tem o controle de tudo” também não tem muito embasamento real.

      Cordialmente,

  5. Usamos os animais como se o sofrimento deles fosse menos importante do que o nosso, entretanto eles sentem a mesma dor que sentimos, sofrem como sofremos, tem doenças terríveis como nós temos. Por que a minha dor é digna de ser diminuída ou terminada através da sujeição de dor a outros seres vivos, com sistema nervoso similar ao meu ? Então se fosse descoberto que a cura para o câncer, para outras tantas doenças terríveis estivesse nos bebês ou criancinhas pequenas, faríamos experiências nos pequenos ? Criaríamos para serem cobaias ? Cortaríamos e depois mataríamos, quando não nos servissem mais ? Não, alguns dirão, pois são nossos semelhantes. Entretanto, bebês recém-nascidos não tem ainda uma linguagem, ainda são incapazes de cuidarem deles mesmos, ainda são indefesos por completo. Onde então está a verdade universal que diz que os bebês humanos são dignos de cuidados e proteção, mas os animaizinhos tão indefesos quanto nossos filhos devem ser torturados para que não sintamos dor ? A consciência é humana, entretanto aparentemente conseguimos enganar a nós mesmos, encontrar subterfúgios para nossa própria crueldade em virtude de nosso egoísmo enorme. É pena. O mundo humano evolui lentamente.

    • Cara Fernanda,
      Primeiramente obrigado pela visita.
      Concordo que temos que buscar sempre formas de minimizar ou neutralizar o sofrimento animal em estudos científicos por isso:

      Quanto ao uso de animais em pesquisa é importante ressaltar que existem balizadores dos procedimentos que devem ser adotados de forma a minimizar ou neutralizar qualquer sofrimento aos animais. Há orientações (“guidelines”) determinadas por organismos internacionais que devem ser seguidos (por exemplo veja em http://www.avma.org/), além do fato destes estudos passarem pelo crivo de comitês de ética. Conta-se também as revistas científicas dedicadas a publicações sobre procedimentos para o bem estar animal (por exemplo http://www.ufaw.org.uk). Portanto, como se pode perceber não há sustentação para a argumentação de que os animais não são dignos de cuidado e proteção e de que o sofrimento deles seja menos importante que o nosso. A experimentação não é feita a esmo, de modo irresponsável, muito pelo contrário.

      A analogia com os bebês humanos é totalmente descabida, basta analisar sua argumentação sob um ponto de vista evolucionário.
      Mais uma vez ressalto que não há tortura na manipulação experimental, cientistas não são sádicos que sentem prazer com a dor de seus objetos de pesquisa. Fato é que existe todo um corpo de normatizações de procedimentos (para ser repetitivo) que maximizam o bem estar animal.

      Antropomorfizar este debate talvez seja o maior dos erros.
      Att,

      • Discordo, ainda, da parte de sua resposta que cita o processo evolucionário, pois dor é dor para animais que tem sistema nervoso semelhante ao nosso. Compreendo que cientistas não sejam sádicos em busca de causar sofrimento aos animais, propositalmente, entretanto, não só em nosso país como em tantos outros considerados mais avançados em termos sociais e éticos, sempre haverá o erro e, infelizmente, a crueldade. Facilmente pode-se encontrar relatos de casos em que animais utilizados em laboratórios passaram por momentos de sofrimento agudo, que causariam horror e repulsa à grande maioria dos cidadãos do país, caso tivessem sido sujeitados a um ser humano. Certamente que sei que os avanços em tantos, se não quase todos, os campos da ciência que hoje nos trazem conforto inimaginável há séculos e até mesmo décadas atrás vieram do uso de animais em experimentos científicos. Hoje cresce o questionamento humano a respeito dos mecanismos e restrições relacionados a esta prática, certamente, e sendo assim eu, que me compadeço do sofrimento animal (como fica claro pelas minhas palavras), fico feliz de ver que algo está mudando. Todavia ainda falta o impulso, a necessidade urgente que “move os motores”, para que maiores esforços sejam feitos com intenção de que se abandone o uso dos animais em pesquisas, com o desenvolvimento de tecnologias que os substituam; infelizmente isso tudo exige enormes quantidades de dinheiro, assim como o interesse e o trabalho de muitas mentes acadêmicas… Portanto creio que ainda estejamos muito longe deste dia.
        Acredito, repito, que a minha analogia com os bebês seja sim válida, para quem consiga se afastar do calor do debate e analisar a tal comparação de forma imparcial. De qualquer forma, é questão de opinião, lógico. Caso eu tivesse filhos, não gostaria sequer de imaginar a possibilidade de qualquer mal sendo causado a eles; entretanto, enquanto não os tenho (e certamente mesmo depois de tê-los, seja esse o caso), sinto pelas outras criaturas vivas que sentem dor, frio e fome verdadeira compaixão e não me envergonho disso. Assim como não quero que me sujeitem a cirurgias desnecessárias a meu corpo, que me infectem com doenças que nada fiz para adquirir, que me induzam dor, em qualquer escala que seja, sem que isso seja necessário para minha própria recuperação ou manutenção de minha saúde, que me forcem a passar fome, sede e que, eventualmente, me privem da vida, eu acredito que isso não deva ser impingido a outros seres que, como eu, tem em seus corpos os mecanismos de sensibilidade que tenho. Também deve ficar claro que não me iludo com alguma mudança drástica a respeito da situação atual do uso de animais em pesquisas científicas; mas que, sim, observo as evoluções visíveis que vem acontecendo e contento-me a cada nova mostra de compaixão da sociedade, antes tão fria e desinteressada pelo sofrimento animal.
        Por último, como estudante de Medicina, creio ser importante mencionar e chamar a atenção dos Senhores a respeito do uso de animais em Universidades por todo o país. Creio que ninguém há de discordar da existência de condutas extremamente levianas, que, acredito, discordem das normatizações de procedimentos a serem utilizadas em tais situações. Animais como cães e gatos de rua são usados em universidades, ou mesmo quando coelhos e porcos são utilizados para o “aprendizado” (nesse caso eu diria que não faz sentido utilizar como exemplo um animal como um coelho para o estudo de procedimentos que serão realizados somente em humanos, como no ensino da Medicina, mas isso é dito e repetido por muitos, todos os dias), muitas vezes a anestesia é muita e o animal morre no início do procedimento (sorte dele, eu suponho) ou, pior, a anestesia é pouca e sabemos o que ocorre. Imaginem o mesmo ocorrendo em um hospital e a notícia no jornal; quem não teria pavor de ir a este hospital ? Qual não seria a revolta da população ? Mas vemos isso acontecendo, é fato. Não é o que ocorre em todos os lugares, certamente, mas ocorre em muito mais casos do que deveria, muito mais. Então termino esse texto exacerbadamente grande lembrando aos Senhores que as normas e as diretrizes para o uso de animais em laboratório são grande vitória para o Ser Humano; em contrapartida não há dúvida de que seres humanos não costumam sempre seguir normas e que sempre haverá inúmeros casos de crueldade, enquanto a prática existir. E em si a prática é cruel, pois, “antropomorfizando”, como foi dito em resposta às minhas palavras, causar a outros seres o que não aceitamos que nos seja causado é uma contradição que mostra o egoísmo humano.

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