A importância dos lagartos para a Natureza (inclusive para o homem)

Não é raro que biólogos que trabalham com répteis e anfíbios (herpetólogos) se deparem com perguntas como: “O quê…? Você trabalha com sapo? Com calango? Com cobra? Você só pode ser maluco! E esses bichos servem para alguma coisa? Estes ‘insetos’ não servem para nada!”

Tendo em vista estas concepções presentes em grande parte da sociedade, decidi escrever um pouco mais sobre o legado dos lagartos e suas importâncias para a Natureza, entendendo o ser humano (Homo sapiens), como incluído nesta.

Figura 1. Indivíduo adulto de Iguana iguana. Fotografia de Daniel Passos.

A primeira atribuição de importância é amplamente divulgada para qualquer grupo biológico e diz respeito às funções desempenhadas pelos lagartos em seus ambientes. As aproximadamente 5500 espécies de lagartos viventes constituem um dos mais diversos grupos de animais terrestres (Uetz, 2001). Esta imensa diversidade de espécies também se traduz na variedade de: dimensões e formas corpóreas (Pough et al., 2008), padrões no uso dos habitats (Stamps, 1977; Martins, 1994), repertórios comportamentais (Brattstrom et al., 1974), entre outros aspectos biológicos. O fato é que, em geral, os lagartos constituem elementos essenciais para a dinâmica ecológica dos sistemas naturais, visto que ocupam posições-chave específicas dentro da organização trófica dos ecossistemas, seja como predadores ou presas. Portanto, os lagartos influenciam, direta ou indiretamente, inúmeras outras populações de seres vivos, como as de aracnídeos, miriápodes, insetos, aves, répteis, mamíferos, entre muitas outras.

A segunda importância está relacionada com a contribuição dos lagartos para nossa compreensão do mundo natural, através do conhecimento científico. Nas últimas décadas, o número de estudos biológicos com lagartos tem aumentado enormemente. Além disso e em especial, os lagartos têm sido amplamente utilizados como organismos modelo de estudos ecológicos (Huey et al., 1983; Vitt & Pianka, 1994). Enfim, é indubitável a herança teórica que estes organismos têm nos fornecido, indiretamente, ampliando nossa capacidade de conhecer e entender o planeta em que vivemos.

Vanzosaura rubricauda - Pentecoste - CE (MB)

Figura 2. Indivíduo adulto de Vanzossaura rubricauda. Fotografia de Daniel Passos.

Por último, e talvez a importância mais impactante, uma vez que promove uma associação benéfica imediata, está a influência direta dos lagartos sobre a nossa sociedade. Sabe-se que as principais influências diretas dos lagartos sobre os seres humanos são benéficas, tanto nas zonas urbanas quanto rurais, pois eles são importantes predadores de espécies vetores de organismos causadores de doenças e de insetos-pragas. Além disso, alguns são consumidos como alimento em muitas regiões do mundo e, atualmente, muitas espécies são destaque no comércio de animais de estimação.

Por todo o exposto, podemos considerar os lagartos um verdadeiro e importante elo entre Natureza, Ciência e “seres humanos”. Está claro que os lagartos são importantes, não só para os demais grupos biológicos, mas também para nós, que tanto os discriminam. Concluo na esperança de ter contribuído mais uma vez com a transformação de pré-concepções equivocadas sobre estes fascinantes animais. Valorizemos, pois, os lagartos.

Até a próxima!

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRATTSTROM, B. The evolution of the reptilian social  behavior. American Zoologist, 14: 35-49.

HUEY, R. B.; PIANKA, E. R. & SCHOENER, T. W. 1983. Lizard Ecology: Studies of a model organism. London: Harvard University Press.

MARTINS, E. 1994. In: Lizard ecology: Historical and experimental perspectives. Vitt, L. J. & Pianka E. R. New Jersey: Princeton University Press.

POUGH, H. F.; JANIS, C. M.; HEISER, J. B. 2008. A vida dos vertebrados. 4ª ed. São Paulo: Atheneu.

STAMPS, J. A. 1977. Social behavior and spacing patterns in lizards. In: Gans, C & Tinkle, D. W. Biology of the Reptilia, Vol 7, pp 265–334. London: Academic Press.

UETZ, P. 2012. The reptile database. Disponível em http:/reptile-database.org/. Acesso em: 10. dez. 2012.

VITT, L. J., & E. R. PIANKA. 1994. Lizard ecology: historical and experimental Perspectives. New Jersey: Princeton University Press.

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Notícia: Incêndio que destruiu acervo do Instituto Butantan, em SP, foi acidental, diz laudo

Superaquecimento de pedra para esquentar cobras causou fogo no Butantan - Foto Michel Filho/O Globo

Superaquecimento de pedra para esquentar cobras causou fogo no Butantan - Foto Michel Filho/O Globo

SÃO PAULO – Laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que o incêndio no Instituto Butantan, em maio do ano passado, que destruiu um dos maiores acervos do mundo de cobras, foi acidental. Segundo o Instituto de Criminalística, o fogo que comprometeu boa parte das 85 mil serpentes, aranhas e escorpiões que estavam empalhados ou conservados em formol começou por causa do superaquecimento de pedras de calor usados em ambientes artificiais para aquecer as cobras. esse tipo de pedra tem uma resistência elétrica. O acervo destruído no Laboratório de Répteis é um dos maiores do mundo. Centenas de espécies desses répteis que havia sido capturados ainda nem haviam sido descritas.

O laboratório queimado, de 660 metros quadrados, tinha 100 anos. O fogo teve início às 7h30m do dia 15 de maio de 2010 e foi controlado no meio da manhã. Os animais vivos, entre eles várias espécies de cobras e aranhas, estavam em um outro local e não foram atingidos. No laboratório, segundo os bombeiros, a quantidade de álcool e formol aumentou a intensidade das chamas.

– Eram 77 mil cobras tombadas, mais umas 5 mil para tombamento. Todo o conhecimento do Brasil estava aqui, são 100 anos de história – diz Francisco Franco, curador da coleção.

Veja a matéria completa aqui: http://twixar.com/YSU5Ohh

Notícia: Cobras exóticas via Sedex

Inspeção de rotina dos Correios leva à apreensão de sete animais exóticos

Transporte ilegal de animais silvestres

Desta vez o tiro saiu pela culatra. Uma verificação de rotina dos Correios em suas encomendas, em Londrina, no Paraná, levou à descoberta (após raio-x), do transporte ilegal de cobras exóticas. Segundo o Ibama, eram sete indivíduos da espécie norte-americana Cornsnake.

Com apoio dos Correios, o Ibama e a Polícia Federal resolveram fazer uma entrega controlada da correspondência no município de Uraí, Norte do Estado. Resultado: apanharam o recebedor da “encomenda” em flagrante. Foram encontradas ainda outras seis cobras exóticas da mesma espécie em cativeiro bem como um lagarto ‘diplo’, também exótico. No local, havia também animais silvestres nativos, vivos (uma jiboia e oito quelônios) e empalhados, além de diversas armas.

Fiscalização do Ibama


Todos os animais foram apreendidos e dois autos de infração lavrados (um referente à introdução de animais exóticos sem autorização e outro aos nativos em cativeiro). As multas somaram R$ 12.300,00.

A PF fez a apreensão dos armamentos, a maioria peças de coleção que ornamentavam as paredes da casa. Além do processo administrativo pelo Ibama, o autuado deve responder, na esfera judicial, por crime ambiental e pela posse das armas.

Segundo Neusa Emídio, chefe do escritório regional do Ibama em Londrina, “pela quantidade de animais encontrados no local, estes provavelmente se destinavam ao comércio ilegal.”

Ela explica que as pessoas interessadas em adquirir estes tipos de animais, tanto exóticos como nativos, devem procurar criadouros legalizados, autorizados pelo órgão federal, a fim de evitar contribuir para o tráfico de animais silvestres.

Fonte: EPTV.globo

NOTA:
Se lembrarem bem, os leitores do Blog do Nurof perceberão que isto mais parece “notícia repetida”. Aqui mesmo já divulgamos notícias semelhantes de serpentes cornskanes transportadas ilegalmente via Correios. Veja: BlogdoNUROF-UFC

Estas serpentes não são as únicas vítimas deste tipo de atividade, o comércio de animais silvestres no Brasil é uma das atividades que mais movimenta o dinheiro sujo no País.

Os que se dizem adoradores e admiradores desses animais não podem colaborar com tal prática. O Ibama é o orgão responsável pela fiscalização contra crimes ambientais portanto, caso presencie algum tipo de prática ilegal com animais silvestres, faça a denuncia: Linha Verde- Ouvidoria Geral do IBAMA

Formspring: Sapos e gias soltam um “leite” como defesa? É seu veneno?

Os anfíbios armazenam veneno em glândulas volumosas espalhadas por toda a pele. Ao sofrerem tentativa de predação, a pressão feita nas glândulas leva a liberação de uma substância tóxica “branco leitosa”, vulgarmente chamada de “leite”. Tais substâncias podem causar apenas um gosto desagradável ou mesmo o envenenamento propriamente dito, constituindo um mecanismo de defesa contra a ameaça de predadores.

Esse “leite” pode ser encontrado em boa parte das espécies de anuros, e não apenas em sapos (Família Bufonidae) e jias ou rãs (Família Leptodactylidae). Há também registros de venenos leitosos nas Famílias Leiuperidae e Hylidae, em alguns casos constituindo substâncias bastante grudentas que não saem fácil com água.

SAPO; Foto: Crizanto B. De-Carvalho

Até agora sabe-se apenas do sapo amazônico Rhaebo guttatus que foge a esta regra, e tem a capacidade de lançar ativamente o veneno de suas glândulas na forma de jatos.

Notícia:Pesquisa poderá salvar espécie

Caça, desmatamento e também a retirada de plantas são as principais causas do perigo de extinção do animal

A extinção de apenas uma espécie pode modificar completamente um ecossistema, causando sérios problemas à natureza. Por isso, a descoberta de como o sapinho maranguapense (Adelophryne maranguapensis), que só existe na Serra de Maranguape (distante 30 quilômetros de Fortaleza), se reproduz é tão importante que pode tirar esta espécie da Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçada de Extinção.

Foto: Daniel Cassiano

É que com essa informação será possível criar alternativas para que o habitat desse animal não seja destruido. A pesquisa foi realizada pelo professor Daniel Cassiano Lima, da Faculdade de Educação de Itapipoca (Facedi) – a 130 km de Fortaleza – da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Ele escolheu o sapinho como o tema central da sua pesquisa de doutorado.

Segundo o professor, a descoberta na verdade faz parte de uma pesquisa que ainda está sendo desenvolvida desde o ano de 1996, porém a ênfase na espécie foi dada a partir de abril do ano passado.

Até agora a pesquisa já conseguiu elucidar forma como o sapinho se reproduz. Diferente da maioria dos anfíbios cujos girinos desenvolvem-se dentro da água, o Adelophryne maranguapensis tem uma forma de nascimento direto. As fêmeas depositam os seus ovos nas axilas das folhas de bromélias, sem contato com a água, e desses ovos já eclodem os sapinhos totalmente formados, sem a necessidade passarem pela fase de larva.

Sem dados

“Antes dessa pesquisa ser realizada não existiam dados concretos sobre a reprodução do sapinho. Agora com varias informações coletadas será possível trabalhar para conservar a espécie e consequentemente todo o ecossistema da Serra de Maranguape”, explicou Lima.

Além do modo reprodutivo em si, o professor espera obter como resultados da pesquisa o desenvolvimento embrionário completo, conhecer a distribuição do animal dentro da serra, saber os hábitos alimentares da espécie, preferências de habitat, comportamento de corte e defesa, e também que parasitas ocorrem entre estes animais.

Caça

Ele acrescentou que as principais razões para o Adelophryne maranguapensis estar em extinção são a caça, o desmatamento e a retirada indiscriminada de plantas, entre elas as bromélias. “Tudo isso certamente afeta a sobrevivência desses animais, afirma. Para Lima a melhor forma de preservar a mata da serra, e consequentemente o seu ecossistema, é utilizar a agrofloresta, um sistema de uso e manejo da terra no qual árvores ou arbustos são utilizados em conjunto com a agricultura.

O sapinho maranguapense foi descoberto em 1994. Ele tem dois centímetros de comprimento, é diurno e pode ser encontrado em altitudes superiores a 600 metros. Atualmente, existem outras cinco espécies do mesmo gênero, sendo uma ocorrente nas serras de Baturité e também na da Ibiapaba.

Fonte: Diário do Nordeste

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