Histórico das Coleções Zoológicas / Herpetológicas


Desde a Pré-História, o homem coleta animais para os mais diversos fins. De início, estas coletas tinham como finalidade a alimentação e a produção de vestimentas, mas, com o passar do tempo, a coleta desses animais, principalmente mamíferos e aves, teve caráter recreativo (esportivo), na forma de caça esportiva. Os animais coletados eram exibidos como troféus, mas, após algum tempo, estes materiais se deterioravam. Posteriormente, algumas técnicas de preservação (conservação) foram desenvolvidas e aprimoradas, como a Taxidermização (empalhamento), permitindo a manutenção destes animais por longo tempo sem a sua degradação. Contudo, no início estas técnicas se detinham apenas a ossos e peles.

No século XVIII, com o inicio da Sistemática Lineana, a coleta de animais passou a ter um caráter científico, sendo, em princípio, utilizada para o crescente número de descrições de novas espécies, em que os animais são catalogados na forma de “modelos” (Tipos) de cada espécie.

Um dos desafios da época era a preservação de “partes moles” (musculatura e vísceras). Para tanto, várias substâncias foram testadas, sendo o álcool (etanol 70%), o melhor conservante de tecidos animais, mas para uma melhor preservação, os tecidos devem ser antes fixados em formol (formaldeído) para conferir rigidez e evitar degradação microbiana.

Com o surgimento e desenvolvimento da Ecologia no início do século XX, os animais coletados deixaram de servir apenas como Tipos para a espécie descrita, sendo outros aspectos analisados do ponto de vista ecológico, como carga parasitária, dieta, reprodução, entre outros.

Com o crescente número de animais coletados, foi necessária a organização dos espécimes. Com isso, surgiram as Coleções Zoológicas de caráter científico, criadas por diferentes instituições (Museu Nacional de História Natural – França, Museu de História Natural de Londres – Inglaterra, Museu Americano de História Natural – EUA). No Brasil, o Museu Nacional do Rio de Janeiro – Figura 1, o Museu Paraense Emilio Goeldi e o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo são as instituições mais representativas (https://blogdonurof.wordpress.com/2010/09/21/colecoes-cientificas/).

Figura 1. Coleção de Herpetologia (Anfíbios e Répteis) do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Acesso em: http://www.herpetologia-mn.com/colecao.html.

Quando o animal coletado é levado a uma instituição que possui uma Coleção Zoológica, ele passa por um processo de tombo, em que os dados coletados em campo (data, local, coordenadas geográficas e o nome do coletor) são transcritos para um caderno, o Livro de Tombo, e também recebe um número próprio, o numero de tombo, que é específico para cada indivíduo. Mais recentemente, com o desenvolvimento da Sistemática baseada em seqüenciamento genético, em que seqüências específicas de DNA ou RNA são decifradas e comparadas, um novo tipo de coleção surgiu que é a Coleção de Tecidos, em que pequenos fragmentos de tecido são acondicionados em pequenos tubos modelo Eppendorf™. A principal diferença da Coleção de Tecidos é que o material não passa por um processo de fixação em formol, pois esta substância causa danos ao material genético, impedindo seu posterior seqüenciamento. Os tecidos são mantidos em outro tipo de álcool, o etanol P.A., de concentração 95% e isento de impurezas. Faz-se necessário frisar ainda que uma mesma instituição, sob a direção de um mesmo curador, pode manter ambos os tipos de coleção, a de animais e a de tecidos.

Figura 2. Coleção de Herpetologia (Anfíbios e Répteis) da Universidade Federal do Ceará (CHUFC).

Foto de Roberta Rocha.

A Universidade Federal do Ceará conta com uma coleção zoológica de caráter Herpetológico, isto é, de Anfíbios e “Répteis”, localizada no Núcleo Regional de Ofiologia da UFC (Figura 2). A Coleção Herpetológica da UFC (CHUFC) conta com mais de 5800 Anfíbios, 4200 Lagartos, 3600 Serpentes, além de outros grupos como Quelônios e Crocodilianos, representados por um menor número de exemplares. Para saber mais sobre a CHUFC, veja a postagem Coleções científicas/.

Por: Diego de Oliveira Soares, membro Nurof-UFC.

Uma resposta

  1. […] Quer saber um pouco mais sobre coleções científicas? Então confira estes textos: Histórico das Coleções Zoológicas / Herpetológicas e Coleções Científicas […]

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