Philodryas nattereri: a cobra “corre-campo”


A serpente Philodryas nattereri, popularmente conhecida como “corre-campo” ou “tabuleiro”, é uma das mais comuns na Caatinga brasileira e em outras regiões semi-áridas. Se você já andou pelo sertão e viu uma cobra amarronzada ou cinzenta veloz atravessando a estrada durante o dia, é bem provável que tenha sido uma P. nattereri.

Foto: Carlos Cândido, Disponível em: http://ardobrasil.blogspot.com/

As fêmeas de “tabuleiro” são maiores que os machos, entretanto os machos possuem maior comprimento da cauda. Os motivos dessas diferenças estão relacionados principalmente à reprodução. Fêmeas grandes são capazes de gerar um maior número de descendentes e os machos com cauda mais longa são mais eficientes em segurar as fêmeas na hora da cópula, além do que, apenas nos machos existem músculos relacionados ao órgão copulador.

Por muitos anos esta espécie foi considerada como de hábito terrícola, mas evidências recentes mostram que também são capazes de utilizar ambientes arbóreos com muita eficiência. P. nattereri é uma espécie de hábito diurno, caçando variados tipos de presas como pássaros, mamíferos, lagartos, anfíbios, ovos de lagartos e até outras serpentes! Ao anoitecer elas se recolhem para repousar.

Esta espécie pode ser encontrada ao longo de todo o ano e sua temporada reprodutiva é praticamente contínua com as fêmeas depositando de 4 a 21 ovos por ninhada.

Seus principais predadores naturais são aves de rapina e mamíferos marsupiais. A invasão humana em áreas de ocorrência de P. nattereri tem acarretado um grande aumento no número de mortes de indivíduos da espécie, seja pela morte arbitrária provocada pelo homem, pela introdução de animais domésticos como galinhas e gatos e principalmente pela construção de rodovias. Para as serpentes, as rodovias são ótimos sítios de termorregulação, o que as deixam expostas e susceptíveis à atropelamentos acidentais ou mesmo propositais.

Como vemos, a “tabuleiro” é abundante, tem uma grande capacidade reprodutiva e é um predador importante, sendo assim uma espécie chave na maioria dos ecossistemas em que habita e por isso precisa ser preservada.

Por : Paulo Mesquita, colaborador NUROF UFC

Leitura recomendada:
Vitt, L.J. (1980). Ecological observations on sympatric Philodryas (Colubridae) in northeast Brazil. Papéis Avulsos de Zoologia 34, 87–98.
Mesquita, P. C. M. D. ; Borges-Nojosa, D. M. ; Passos, D. C. ; Bezerra, C. H. 2011. Ecology of Philodryas nattereri in the brazilian semi-arid region. Herpetological Journal 21, 193-198.

4 Respostas

  1. Pequena conversa no Facebook sobre este texto:

    – Rodrigo Mesquita: Eita que lá em Pentecoste muitos amigos já falaram que levaram uma “carreira” de corre-campo… Não sei se era verdade.

    – Paulo Mesquita Lá em pentecoste ela é muito comum… mas jamais dá carreira em ninguém.
    – Paulo Mesquita: Aliás, Rodrigo , meu maior sonho era que cobra corresse atrás de pessoas, facilitaria meu trabalho… eu não precisaria ficar tantas horas procurando por elas. 🙂

  2. que cobra bonita mais bonita que todas ela sao malvdas mais sao muitos bonitas!neee

  3. […] outras espécies de dipsadídeos, incluindo a Cobra-verde (Philodryas olfersii) e a Corre-campo (Philodryas nattereri), a partir de 1999 passaram a ser consideradas de importância médica pelo Ministério da Saúde […]

  4. Li o texto todo pra saber se é venenosa, mas consegui saber.

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