Notícia: Descoberta de nova “cobra cega”

Sabemos que os animais conhecidos como “cobras cegas” não são cobras. Estes animais são, na verdade, anfíbios com características peculiares que lhes fazem ser confundidos com as cobras (répteis).

Relembre: Parece mas não é: Cobras-cegas são anfíbios!

Cobras cegas não são facilmente encontradas pois vivem sob a terra.  Apesar disso, o esforço de uma equipe de pesquisadores com cientístas da University of Delhi, the U.K. Natural History Museum e Belgium’s Vrije University encontrou cobras cegas de espécie ainda desconhecida em uma região no nordeste da Índia.

Veja notícia completa em:NATIONAL GEOGRAPHIC-Pictures: New Amphibians Without Arms or Legs Discovered

Muitos conhecem a forma de desenvolvimento em anfíbios que envolve fases larvais ou girinos, porém existem outros tipos de desenvolvimento nesses animais. Neste caso, o filhote nasce na forma de um adulto em miniatura, como pode-se perceber nos detalhes do ovo translúcido.
A recém descoberta cobra cega parece proteger a ninhada enrolando-se sobre ela.

Fotos cedidas pelo pesquisador SD Biju, disponíveis em: NATIONAL GEOGRAPHIC- Pictures: New Amphibians Without Arms or Legs Discovered

 [Clique a acesse mais fotos e informações interessantes relacionadas a esta descoberta]

Notícia: Apesar do medo, cobras devem ser preservadas, ensina biólogo

Animal cercado de medos e superstições é importante predador de ratos.
Matar cobras é crime ambiental e a recomendação é chamar os bombeiros.

A cobra é um animal cercado de medos e superstições. Como para muitas pessoas elas são malignas, geralmente são mortas, mas ao eliminar as cobras, também eliminamos um predador importante dos ratos, considerados uma praga nociva. Dependendo da cobra, ela pode comer até 15 ratos em uma semana.

O biólogo Ed Carlos Soares, especialista em cobras, é referência no salvamento de espécimes em risco em Mogi Guaçu, na região de Campinas, e hoje mantém 20 desses animais na casa onde mora, entre elas uma jiboia que chegou com queimaduras graves. A cobra passou por tratamento e, após 45 dias, está quase pronta para voltar à natureza.

Na casa também estão uma urutu, espécie ameaçada de extinção, e uma cascavel, que chegou quase morta e, após três meses, exibe os sinais de saúde.Cobra levada para o Projeto Serpentes do Brasil para tratamento em Mogi Guaçu (Foto: Reprodução EPTV)

Cobra encontrada ferida foi levada para tratamento em Mogi Guaçu (Foto: Reprodução EPTV)

Quando estão completamente saudáveis, as cobras são levadas até o município deEspírito Santo do Pinhal, também na região de Campinas, onde a soltura é feita em uma área autorizada.

O trabalho é supervisionado pelo veterinário Paulo Roberto Martim, da Universidade de Pinhal, que explica que preservar a espécie é uma forma de controle de doenças e pragas como os ratos.

O biólogo Miguel Carlos Mattar reforça a necessidade de preservação das cobras como predadores dos ratos, que transmitem doenças.O perigo para o ser humano realmente existe, já que, em média, a cada mil pessoas picadas, uma morre da vítima. Mas além da necessidade de preservação, matar uma cobra é crime ambiental, já que elas são animais silvestres. Quem encontrar uma cobra deve chamar o Corpo de Bombeiros 193.

Quem quiser conhecer mais sobre as cobras pode entrar no site do projeto Serpentes do Brasil.

Para ver a notícia completa acesse: http://migre.me/81scI

Polychrus marmoratus

Por Hugo Fernandes-Ferreira

Polychrus marmoratus Foto Hugo Fernandes-Ferreira

Polychrus marmoratus (papa-vento) – Lagarto diurno que habita áreas florestadas da Amazônia e Mata Atlântica (inclusive os brejos nordestinos), possui hábito arborícola e se alimenta de pequenos insetos e plantas.

A bribinha da Caatinga

Na Caatinga, a maioria das espécies de lagartixas são crepusculares e noturnas (Hemidactylus, Gymnodactylus e Phyllopezus), apresentando pupilas elípticas (verticalizadas). Porém, existem alguns representantes com pupilas circulares (arredondadas), como os pertencentes aos gêneros Coleodactylus e Lygodactylus, os quais são frequentemente encontrados ativos durante o dia.

O gênero Lygodactylus, em particular, compreende um grupo de lagartos comumente conhecidos como lagartixas anãs. Existem aproximadamente 60 espécies de Lygodactylus no mundo, a maioria sendo originária da África. No Brasil ocorrem as duas espécies encontradas na América do Sul, L. klugei e L. wetzeli.

Entretanto, aqui nos focaremos mais em relação a Lygodactylus klugei, a lagartixa anã da Caatinga ou bribinha como é mais comumente chamada pelos sertanejos. A bribinha tem uma morfologia bem peculiar, que permite distingui-la das outras lagartixas da Caatinga. Seu tamanho diminuto e aparência delicada, em geral, atraem a admiração dos expectadores. Aproveite para observar as imagens abaixo e não se esqueça de registrar sua impressão nos comentários.

Lygodactylus klugei_Sousa-PB_DCP

Figura 01. Indivíduo adulto de Lygodactylus klugei. Fotografia de Daniel Passos.

Uma das principais particularidades desta espécie é a presença de lamelas adesivas na porção final da cauda, diferentemente das outras lagartixas nas quais estas estruturas são localizadas somente sob os dedos das mãos e dos pés. Para maiores informações sobre as lamelas adesivas acesse a postagem: “As lagartixas e suas peculiaridades“.

As lamelas sob a cauda do Lygodactylus klugei constituem um modo adicional de fixação sobre o substrato. Deriva-se desta especialização morfológica a sua incrível habilidade locomotora ao se deslocar entre troncos e galhos de arbustos e árvores. A bribinha da Caatinga é extremamente veloz e precisa, lançando-se de um galho para outro com impressionante agilidade, o que muitas vezes dificulta inclusive sua visualização.

Lygodactylus klugei - Pentecoste - CE (MD)

 Figura 02. Detalhe de um Lygodactylus klugei em seu microhabitat favoritoFotografia de Daniel Passos.

Embora relativamente poucas pesquisas tenham sido realizadas acerca da biologia de Lygodactylus klugei, sabemos que esta é uma espécie de pequeno porte (pode atingir pouco mais de 5 cm), diurna, arborícola e insetívora, que se distribui pela Caatinga brasileira (Vitt, 1995). Recentemente, pesquisadores do Núcleo Regional de Ofiologia investigaram aspectos da ecologia de L. klugei em uma área de Caatinga no estado do Ceará e encontraram entre outras descobertas, que as fêmeas desta espécie são maiores que os machos e que besouros (Coleoptera) e mosquitos (Diptera) figuram entre os itens alimentares mais importantes na dieta deste animal (Galdino et al, 2011).

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

VITT, L. J. 1995. The ecology of tropical lizards in the Caatinga of Northeast Brazil. Occasional papers of the Oklahoma museum of natural history, 1:1-29.

GALDINO, C. A. B. G.; PASSOS, D. C.; ZANCHI, D.; BEZERRA, C. H. 2011. Lygodactylus klugei (NCN) Sexual dimorphism, habitat, diet. Herpetological Review, 42(2): 275-276.

Sucuri de 7 metros fotografada embaixo d’água… Verdade ou Mentira?

Nesse mês, uma foto muito peculiar de uma serpente “viralizou” nas redes sociais. Trata-se da imagem de um mergulhador fotografando uma sucuri (Eunectes murinus) de 7,0 metros de comprimento.

Sucuri Foto: Daniel de Granville

Muitos chegaram a contestar a autenticidade da foto, mas, segundo notícias recentes, a imagem é real e de autoria do biólogo Daniel de Granville, que acompanhava fotógrafos chineses, suíços e checos em busca de imagens da sucuri brasileira.

A foto foi tirada no Rio Formoso, em Bonito, estado do Mato Grosso do Sul, possivelmente a melhor região do mundo para fotografar esta espécie debaixo d’água, graças as suas águas cristalinas. Geralmente, as áreas de ocorrência desta serpente envolvem águas barrentas e muito turvas.

No entanto, junto com a divulgação da fotografia, surgiram diversos questionamentos, trazendo à tona novamente uma série de crenças arraigadas na cultura popular brasileira e disseminadas no mundo (infelizmente) pelo filme estadunidense “Anaconda”.

Apesar de existirem relatos confirmados de ataques de sucuris contra seres humanos, esses animais não costumam agir agressivamente quando não provocados. Assim como acontece para outras espécies de serpentes, a maioria dos acidentes está relacionada exclusivamente a situações de defesa. Até o momento, não existe documento comprovando casos de predação ao ser humano. Além disso, embaixo d’água, o ataque seria bem menos provável e a explicação para isso é bem simples: apesar de possuírem excelente fôlego, as serpentes de hábito aquático respiram fora d’água. Um ataque subaquático acarretaria em um alto custo energético e aumento da necessidade de respiração, o que traria um grande risco para o ofídio.

Respeitando os limites do animal (e das regras de mergulho), os riscos que estes fotógrafos correram foram pequenos (sem desmerecer a qualidade do registro, que realmente é fantástica, principalmente pela dificuldade de encontrar a sucuri sob condições tão perfeitas de nitidez e luz). Vale ressaltar que em qualquer atividade subaquática, é sempre necessário deixar um espaço de fuga para o espécime a ser fotografado e jamais tocá-lo ou realizar ações que possam estressá-lo.

A Eunectes murinus (sucuri, sucuriju, sucurijuba ou anaconda) é uma espécie de grande porte que mata suas presas por constricção e não possui glândulas produtoras de veneno, assim como todas as serpentes de sua família (Família Boidae), como as jibóias, periquitambóias e cobras-arco-íris. Alimenta-se preferencialmente de mamíferos, bem como de jacarés e aves. A espécie é bem distribuída em quase todos os biomas do Brasil. Em 2009, a equipe do NUROF-UFC documentou o primeiro registro dessa espécie para o estado do Ceará, através da coleta em uma área estuarina do município de Aquiraz, ver: MENDONÇA, S.V., FERNANDES-FERREIRA, H. & CRUZ, R.L. 2009. Eunectes murinus (Anaconda). Geographic Distribution. Herpetological Review 40(2): 238.

Por: Hugo Fernandes-Ferreira

Hugo Fernandes-Ferreira (CRBio 67339/05)
Pós-Graduação em Zoologia – UFPB
NUROF – UFC
Instituto Atlântida Ambiental

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