A bribinha da Caatinga


Na Caatinga, a maioria das espécies de lagartixas são crepusculares e noturnas (Hemidactylus, Gymnodactylus e Phyllopezus), apresentando pupilas elípticas (verticalizadas). Porém, existem alguns representantes com pupilas circulares (arredondadas), como os pertencentes aos gêneros Coleodactylus e Lygodactylus, os quais são frequentemente encontrados ativos durante o dia.

O gênero Lygodactylus, em particular, compreende um grupo de lagartos comumente conhecidos como lagartixas anãs. Existem aproximadamente 60 espécies de Lygodactylus no mundo, a maioria sendo originária da África. No Brasil ocorrem as duas espécies encontradas na América do Sul, L. klugei e L. wetzeli.

Entretanto, aqui nos focaremos mais em relação a Lygodactylus klugei, a lagartixa anã da Caatinga ou bribinha como é mais comumente chamada pelos sertanejos. A bribinha tem uma morfologia bem peculiar, que permite distingui-la das outras lagartixas da Caatinga. Seu tamanho diminuto e aparência delicada, em geral, atraem a admiração dos expectadores. Aproveite para observar as imagens abaixo e não se esqueça de registrar sua impressão nos comentários.

Lygodactylus klugei_Sousa-PB_DCP

Figura 01. Indivíduo adulto de Lygodactylus klugei. Fotografia de Daniel Passos.

Uma das principais particularidades desta espécie é a presença de lamelas adesivas na porção final da cauda, diferentemente das outras lagartixas nas quais estas estruturas são localizadas somente sob os dedos das mãos e dos pés. Para maiores informações sobre as lamelas adesivas acesse a postagem: “As lagartixas e suas peculiaridades“.

As lamelas sob a cauda do Lygodactylus klugei constituem um modo adicional de fixação sobre o substrato. Deriva-se desta especialização morfológica a sua incrível habilidade locomotora ao se deslocar entre troncos e galhos de arbustos e árvores. A bribinha da Caatinga é extremamente veloz e precisa, lançando-se de um galho para outro com impressionante agilidade, o que muitas vezes dificulta inclusive sua visualização.

Lygodactylus klugei - Pentecoste - CE (MD)

 Figura 02. Detalhe de um Lygodactylus klugei em seu microhabitat favoritoFotografia de Daniel Passos.

Embora relativamente poucas pesquisas tenham sido realizadas acerca da biologia de Lygodactylus klugei, sabemos que esta é uma espécie de pequeno porte (pode atingir pouco mais de 5 cm), diurna, arborícola e insetívora, que se distribui pela Caatinga brasileira (Vitt, 1995). Recentemente, pesquisadores do Núcleo Regional de Ofiologia investigaram aspectos da ecologia de L. klugei em uma área de Caatinga no estado do Ceará e encontraram entre outras descobertas, que as fêmeas desta espécie são maiores que os machos e que besouros (Coleoptera) e mosquitos (Diptera) figuram entre os itens alimentares mais importantes na dieta deste animal (Galdino et al, 2011).

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

VITT, L. J. 1995. The ecology of tropical lizards in the Caatinga of Northeast Brazil. Occasional papers of the Oklahoma museum of natural history, 1:1-29.

GALDINO, C. A. B. G.; PASSOS, D. C.; ZANCHI, D.; BEZERRA, C. H. 2011. Lygodactylus klugei (NCN) Sexual dimorphism, habitat, diet. Herpetological Review, 42(2): 275-276.

10 Respostas

  1. Excelente o artigo sobre a “Biribinha”, Parabéns, Daniel!
    Ana.

  2. Muito interessante Daniel, para os leigos fica difícil diferenciar esta espécie anã de um filhote ainda bebê. Percebi apenas que a calda é bem mais grossa.

    • Cristiani,

      Na verdade o nome “lagartixa anã” é uma atribuição a essa espécie particular. Isso não quer dizer que os indivíduos apresentem uma condição de “nanismo”. Este nome “lagartixa anã” apenas faz menção ao seu pequeno tamanho corpóreo.

      Além disso, os filhotes da espécie são bem parecidos com os adultos. Com o tempo, se você prestar bem atenção, saberá diferenciar esta espécie das demais lagartixas ocorrentes na sua região.

      Muito obrigado pela contribuição.

  3. muito interessante.
    Meu
    pode me dizer o nome daquela espécie q vive na casa da galera.
    Geralmente elas são amarelas ou brancas.
    Acredito q da mesma família dessas outras lagartixas ae.
    Gostaria de saber o nome cientifico delas.

  4. […] de forrageadores em nosso blog: Tijubina: o calanguinho do sertão (forrageador ‘ativo’) e A bribinha da Caatinga (forrageador de ‘senta-e-espera’). Leia também sobre a pele dos lagartos em: A pele dos […]

  5. […] caro leitor, em contribuições anteriores, várias curiosidades sobre as lagartixas (relembre em: A bribinha da Caatinga), inclusive citando algumas informações sobre a “Briba” Phyllopezus periosus (veja em: As […]

  6. Olá, Daniel!
    Foi muito esclarecedor e matou muito a minha curiosidade sobre esse lindo lagarto que descobri a pouco tempo.vc falara sobre uma pesquisa da ecologia desse animal que o NUROF realizara, vc tem esse material?
    vlw, Parabens

    • Oi Fred,

      Para ter acesso ao trabalho, basta clicar na referência em forma de link no fim da postagem. O download irá iniciar automaticamente.

      Boa leitura.

      Abraço

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