A ”infância” dos quelônios

A ”infância”, em geral, corresponde à fase da vida dos animais na qual eles são considerados mais “bonitinhos”. Indefesos, amedrontados e fofinhos são exemplos de características que atraem a atenção de todos, diferentemente dos adultos fortes, solitários, brutos e quietos. Os filhotes de quelônios não seriam exceção(Figura 1).

Figura 1: Filhote de cágado (Phrynops tuberosus). Foto: Luan Pinheiro

Enquanto os adultos são vistos como sinal de sabedoria e grande resistência, os pequenos são presas fáceis para muitos predadores. Quando nascem, a principal estrutura desses indivíduos, o casco, ainda não apresenta consistência muito rígida. Ele é bastante maleável e pode ser facilmente quebrado. Desse modo, não é surpresa que estatísticas como “De cada mil filhotes de tartarugas marinhas que nascem, apenas um atinge a fase adulta”sejam verdadeiras. As pequenas tartaruguinhas, por exemplo, são alvos fáceis de aves de rapina, guaxinins, peixes e mesmo de invertebrados como caranguejos e polvos. Cágados e jabutis também sofrem essa grande pressão seletiva nas fases iniciais de vida. Pobres filhotinhos… Até atingirem a fase adulta, eles precisam sobreviver de alguma maneira.

Figura 2: Comparação entre o tamanho do filhote de cágado(Phrynops tuberosus) com uma moeda de um real. Foto: Luan Pinheiro

Recentemente, o NUROF-UFC recebeu um novo “membro”, um filhote de cágado da espécie Phrynops tuberosus (Figura 2), a qual pertence a um complexo de espécies chamado Complexo Phrynops geoffroanus. Os indivíduos dessa espécie recolhem a cabeça lateralmente e não são capazes de escondê-la dentro do casco. Os imaturos de P. tuberosus apresentam coloração avermelhada no plastrão, a qual desaparece à medida que o animal cresce, e amarronzada na carapaça. Esses indivíduos possuem casco achatado e hidrodinâmico, manchas alaranjadas nos membros e dois barbelos sob a boca, que possuem função sensitiva.

Deve-se lembrar que alguns desses indivíduos precisam sobreviver também ao homem e ao tráfico de animais silvestres, assunto que será abordado posteriormente.

Até a próxima!

Por: Fabrício Mota Rodrigues, Membro do NUROF-UFC.

Notícia: Estudo mostra que mercúrio tem afetado as tartarugas da Amazônia

No Rio Tapajós metal foi usado em garimpo e há reservatório natural.
Fêmeas contaminadas colocam ovos em áreas rasas da praia.

Mercúrio estaria afetando tartarugas do Rio Tapajós no Pará (Foto: Ary Souza/ O Liberal)

Mercúrio estaria afetando tartarugas do Rio Tapajós no Pará (Foto: Ary Souza/ O Liberal)

Uma pesquisa apresentada pela UniversidadeFederal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém, mostra como a contaminação pelo mercúrio no Rio Tapajós está influenciando as tartarugas da Amazônia que nascem no tabuleiro de Monte Cristo, um dos mais importantes para a reprodução da espécie em solo paraense.

Os dados revelam que a presença de taxas de mercúrio nos ovos da tartaruga marinha tem contribuído para a produção de ovos menores e mais leves, o que pode prejudicar a espécie. Outra conclusão do estudo é de que o mercúrio também está relacionado a desovas em áreas mais rasas da praia, o que também diminuiria a taxa de sucesso reprodutiva da tartaruga.

“Estima-se que são necessários cerca de mil ovos para que um deles supere todas as ameaças e alcance a maturidade sexual para que chegue a reprodução. Esta situação é mais dramática, pois além das pressões antrópicas, as ninhadas em seu desenvolvimento devem ainda suportar as limitações que são impostas pela natureza tais como as inundações naturais das praias”, diz José Carvalho, mestre em recursos naturais da Amazônia.

No Tapajós, mercúrio é elemento natural, mas também foi usado em garimpo
A tartaruga da Amazônia é uma das 15 espécies que vivem nas águas doces da região. Ela é o maior quelônio que vive em áreas fluviais na América do Sul e atinge até um metro de comprimento e cerca de 90 quilos. A Bacia do Rio Tapajós abriga a maior aglomeração da espécie no Pará. Porém, na região, além da presença de um reservatório natural de mercúrio, o uso desta substância foi intenso nas décadas de 70 e 80 para ajudar na extração de ouro.

“Devido ao uso indiscriminado de mercúrio durante a corrida do ouro, a maioria dos pesquisadores atribuiu os elevados níveis de mercúrio encontrados à atividade garimpeira. Porém no vale do Rio Tapajós, existe um grande reservatório de mercúrio natural, o que corrobora a ideia de que a garimpagem por si só não explica os estoques de mercúrio encontrados nos solos”, diz Josué Carvalho.

Veja a notícia completa acessando: http://g1.globo.com

Notícia: Cientistas identificam vírus que causa comportamento bizarro em cobras

Jiboias e pítons aparentam estar bêbadas e podem dar nó no próprio corpo.
Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral costuma ser mortal para animais.

Cientistas dos Estados Unidos identificaram o vírus responsável por uma doença grave em serpentes, conhecida como Doença do Corpúsculo de Inclusão Viral (IBD, na tradução da sigla do inglês). A contaminação costuma causar comportamento bizarro e até a morte nestes animais.

As cobras infectadas com o vírus parecem estar bêbadas, ficam encarando o vazio e chegam a dar nós no próprio corpo, entre outros sintomas. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia estudavam um surto de IBD em um aquário na cidade de São Francisco, quando se depararam com a causa do mal.

Jiboia (Boa constrictor), serpente da família Boidae. Foto: Luan Pinheiro

O vírus afeta mais as jiboias e similares da família Boidae e as pítons, dizem os cientistas. O estudo foi publicado na edição desta terça-feira (14) do site “mBio”, publicação da Sociedade Americana para a Microbiologia.

A descoberta representa uma classe totalmente nova de arenavírus, dizem os pesquisadores. Para encontrar a origem da doença, pesquisadores extraíram DNA da pele de cobras afetadas pela doença e usaram técnicas para fazer o sequenciamento do genoma dos animais.

Em praticamente todo o DNA dos exemplares de cobras havia sequências que combinavam com o arenavírus. A partir deste achado, os cientistas puderam isolar o vírus usando pele de cobra manipulada em laboratório.

Cura
A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a doença, de acordo com os cientistas.

Michael Buchmeier, professor de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pela pesquisa, classificou a descoberta de “uma das coisas mais excitantes que aconteceram na virologia em um longo tempo”.

Buchmeier diz que até agora os microorganismos da família dos arenavírus só haviam sido identificados em mamíferos. Encontrá-los em cobras foi uma surpresa, afirma o pesquisador.

Fonte:  g1.globo.com

Entrevista com o NUROF-UFC: Elas são do bem

Quem vê cobra não vê importância. O senso comum coloca jiboia, cascavel, jararaca e quase todo bicho que rasteja no mesmo balaio do mal. Em contrapartida, pesquisas científicas comprovam que 14% das 375 espécies de serpentes encontradas no Brasil são peçonhentas.

Estudos – como os desenvolvidos, desde 1987, pelo Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (Nurof-UFC) – separam mal e bem. “A maioria das cobras são predadoras de animais que fariam mais mal a gente, como ratos, baratas, morcegos. Elas controlam as populações desses bichos”, informa o biólogo Daniel Cassiano Lima, professor da Universidade Estadual do Ceará e pesquisador no Nurof-UFC.

“E algumas possuem propriedades farmacológicas. O veneno é capaz de curar doenças como pressão alta”, completa. Daniel se refere ao captopril (ou capoten – nome comercial), remédio obtido com o veneno da jararaca.

As cobras estão mais próximas do que nos damos conta. “São animais com ampla distribuição, ocorrem em vários tipos de bioma e têm menos exigência quanto à parte ambiental. Conseguem sobreviver em locais com área reduzida de mata original e que foram modificadas”, sublinha a bióloga Diva Maria Borges-Nojosa, coordenadora do Nurof-UFC.

“Convivemos com elas e muita gente não sabe. Por exemplo, nos bairros que ainda têm muita vegetação. Na maioria, são serpentes que não trazem grandes problemas”, dialoga Daniel Cassiano, citando as populares jiboia, cobra-de-veado, corre-campo e cobra-verde como as corriqueiras na fauna urbana (onde o meio ambiente mais sofreu alterações pela urbanização) da Capital.

“Dentro de Fortaleza, quase não temos registro de bicho peçonhento. Temos a coral-verdadeira (já encontrada na região do atual aeroporto). Cascavel, jararaca, ninguém escuta mais falar. Isso mostra que têm limitação ecológica; à medida que o homem vai chegando, elas vão sumindo”, observa Diva Nojosa.

Doutores da universidade reconhecem que falta saber além. Não há, por exemplo, catalogação desses bichos entocados no Parque do Cocó. Mas, alegam, a falta de segurança limita os passos de pesquisadores pela floresta.

Esta entrevista se deu na sala do Nurof-UFC, enquanto Diva Nojosa identificava cobras, lagartos e sapos encantados pela fotografia do jornalista Demitri Túlio. E, admirando as adaptações que os animais realizam em si para viver, a professora diz sobre evolução, ensina sobre conhecer e respeitar. “Nosso trabalho gira em torno da conservação. Tudo o que fazemos – pesquisa, blog, palestra, artigo – é para sensibilizar as pessoas para que queiram conservar a fauna”, conclui Diva, convidando a se aproximar.

SORO

O Ceará não produz soro antiofídico. Apenas três instituições brasileiras – em São Paulo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro – concentram essa produção e a distribuem para todo o País.

SERVIÇO

O Nurof-UFC

disponibiliza informações pelos vários cantos do mundo virtual. De blog a redes sociais. Para começar: www.nurof.ufc.br

FONTE: O Povo online

Notícia: Cientistas estudam mecanismo que faz as lagartixas grudarem na parede

Adesivo no dedo dos répteis permite fixação em superfícies verticais.
Força que prende os animais diminui quando as patas ficam molhadas.

Uma pesquisa feita pela Universidade de Akron, no estado americano de Ohio, analisa a estrutura adesiva nos dedos das lagartixas que permite que elas se fixem às superfícies verticais por onde passam, como árvores e paredes. Os resultados estão publicados na atual edição da revista “Journal of Experimental Biology”.

Os cientistas avaliaram como esses répteis se comportam em lugares secos e úmidos, e como se esforçam para se manter presos quando o local está molhado.

A equipe, formada pelos pesquisadores Alyssa Stark, Timothy Sullivan e Peter Niewiarowski, queria saber como os animais da espécie Tokay (Gekko gecko) se comportam em seu habitat natural, ou seja, em florestas tropicais, onde costuma chover muito.

Lagartixa tem adesivo nas patas que as faz grudar (Foto: Edward Ramirez/Journal of Experimental Biology)

Em ambientes secos, por exemplo, as lagartixas são capazes de aguentar uma força de até 20 vezes o próprio peso, mas, quando as patas se encharcam – após 90 minutos, no caso dos testes realizados –, os indivíduos se desprenderam após uma força quase igual ao próprio peso.

Isso indica que esses animais podem caminhar por superfícies molhadas, mesmo que seus pezinhos estejam razoavelmente secos. No entanto, assim que as patas se molham, os répteis mal conseguem se segurar, pois os dedos deles são hidrofóbicos, ou seja, repelem a água.

De acordo com os autores, a estrutura de aderência na sola das patas das lagartixas contém pelos microscópicos, que são atraídos pelo solo por meio de uma interação entre moléculas chamada “força de van der Waals”.

Esse mecanismo de fixação altamente desenvolvido permite, por exemplo, que os répteis não escorreguem nem caiam da copa das árvores, por exemplo. Mas, no caso de um vidro vertical, liso e molhado, eles têm mais dificuldade de controlar o adesivo e, após alguns passos, acabam se desgrudando.

Os cientistas agora estão ansiosos para entender quanto tempo as lagartixas levam para se recuperar desse “encharcamento” e voltar à capacidade total da cola sob as patas.

FONTE:
G1 Natureza

%d bloggers like this: