Entrevista com o NUROF-UFC: Elas são do bem


Quem vê cobra não vê importância. O senso comum coloca jiboia, cascavel, jararaca e quase todo bicho que rasteja no mesmo balaio do mal. Em contrapartida, pesquisas científicas comprovam que 14% das 375 espécies de serpentes encontradas no Brasil são peçonhentas.

Estudos – como os desenvolvidos, desde 1987, pelo Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (Nurof-UFC) – separam mal e bem. “A maioria das cobras são predadoras de animais que fariam mais mal a gente, como ratos, baratas, morcegos. Elas controlam as populações desses bichos”, informa o biólogo Daniel Cassiano Lima, professor da Universidade Estadual do Ceará e pesquisador no Nurof-UFC.

“E algumas possuem propriedades farmacológicas. O veneno é capaz de curar doenças como pressão alta”, completa. Daniel se refere ao captopril (ou capoten – nome comercial), remédio obtido com o veneno da jararaca.

As cobras estão mais próximas do que nos damos conta. “São animais com ampla distribuição, ocorrem em vários tipos de bioma e têm menos exigência quanto à parte ambiental. Conseguem sobreviver em locais com área reduzida de mata original e que foram modificadas”, sublinha a bióloga Diva Maria Borges-Nojosa, coordenadora do Nurof-UFC.

“Convivemos com elas e muita gente não sabe. Por exemplo, nos bairros que ainda têm muita vegetação. Na maioria, são serpentes que não trazem grandes problemas”, dialoga Daniel Cassiano, citando as populares jiboia, cobra-de-veado, corre-campo e cobra-verde como as corriqueiras na fauna urbana (onde o meio ambiente mais sofreu alterações pela urbanização) da Capital.

“Dentro de Fortaleza, quase não temos registro de bicho peçonhento. Temos a coral-verdadeira (já encontrada na região do atual aeroporto). Cascavel, jararaca, ninguém escuta mais falar. Isso mostra que têm limitação ecológica; à medida que o homem vai chegando, elas vão sumindo”, observa Diva Nojosa.

Doutores da universidade reconhecem que falta saber além. Não há, por exemplo, catalogação desses bichos entocados no Parque do Cocó. Mas, alegam, a falta de segurança limita os passos de pesquisadores pela floresta.

Esta entrevista se deu na sala do Nurof-UFC, enquanto Diva Nojosa identificava cobras, lagartos e sapos encantados pela fotografia do jornalista Demitri Túlio. E, admirando as adaptações que os animais realizam em si para viver, a professora diz sobre evolução, ensina sobre conhecer e respeitar. “Nosso trabalho gira em torno da conservação. Tudo o que fazemos – pesquisa, blog, palestra, artigo – é para sensibilizar as pessoas para que queiram conservar a fauna”, conclui Diva, convidando a se aproximar.

SORO

O Ceará não produz soro antiofídico. Apenas três instituições brasileiras – em São Paulo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro – concentram essa produção e a distribuem para todo o País.

SERVIÇO

O Nurof-UFC

disponibiliza informações pelos vários cantos do mundo virtual. De blog a redes sociais. Para começar: www.nurof.ufc.br

FONTE: O Povo online

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