Sobre a biologia da cobra verde: Philodryas olfersii


O gênero Philodryas compreende 18 espécies distribuídas ao longo dos ambientes da América do Sul. Nesta postagem tratarei da espécie Philodryas olfersii (Lichtenstein, 1823) (Figura 01), chamada popularmente de cobra-verde, cipó-verde ou cipó-listrada. Possui ampla distribuição, ocorrendo em várias regiões do Brasil, além de países vizinhos, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Esta serpente é considerada uma serpente de porte médio, chegando a alcançar 1,5 m de comprimento total (Vitt, 1980; Marques et al 2001; Giraudo, 2001) e pertence à família dos colubrídeos possuindo coloração verde-escuro no dorso e claro no ventre, por isso estes animais  confundem-se facilmente com o verde da vegetação.

Figura 01: Philodryas olfersii,chamada popularmente de cobra-verde, cipó-verde ou cipó-listrada . Foto: Luan Pinheiro

A cobra verde é ovípara (o embrião se desenvolve dentro de um ovo), pondo de 8 a 10 ovos por ninhada (Vanzolini, 1980). Seu olho é relativamente grande e sua pupila do tipo arredondada (típico de serpentes que são ativas durante o dia). Entretanto um recente trabalho, publicado por integrantes do NUROF-UFC, registra uma cópula de Philodryas olfersii realizada durante o período noturno no município de Pentecoste, Ceará. É o primeiro registro do comportamento de acasalamento dessa espécie na natureza (Mesquita et al, 2012) (Figura 02).

Figura 02: Philodryas olfersii no memento da cópula. Foto: Paulo Mesquita

Quanto a sua dentição, é do tipo opistóglifa (Veja: Sobre o tipo de dentição das serpentes). Machos e fêmeas dessa espécie diferem quanto ao tamanho do corpo, sendo as fêmeas maiores que os machos.  (Vitt, 1980). Alimentam-se de anfíbios, répteis, aves e pequenos mamíferos (Vanzolini, 1980).  O corpo esguio e a presença de cauda longa lhe conferem grande vantagem para a locomoção entre os galhos de árvores, pois isso facilita a distribuição do peso corporal, dando equilíbrio durante o deslocamento por entre a vegetação. Entretanto, P. olfersi é considerada uma serpente semi-arborícola, visto que também faz uso do solo para locomover-se (Lillywhite & Henderson, 1993; Martins et al., 2001 apud Hauzman 2009) (Figura 01) .

A íntima relação dessa serpente com a vegetação nos força lembrar a importância da preservação de nossas matas nativas, refúgio de tantas espécies interessantes como essa. Quem conhece… preserva.

Venha conhecer a cobra verde pessoalmente, agende uma visita ao NUROF-UFC (Link agendamento de visitas) e traga sua turma. Até mais!

Por: Luan Pinheiro, membro do NUROF-UFC.

Bibliografia consultada:

GIRAUDO, A. 2001. Serpientes de la Selva Paranaense y del Chaco Húmedo. Buenos Aires, L. O. L. A. 328 p.

HAUZMAN, EINAT. 2009. Estudo comparativo da densidade e topografia de neurônios de retinas de Philodryas olfersii e Philodryas patagoniensis (Serpentes, Colubridae).. 108. Dissertação (Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Área de concentração: Neurociências e Comportamento). Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

MARQUES, O.A.V., A. ETEROVIC AND I. SAZIMA. 2001. Serpentes da Mata

Atlântica: Guia Ilustrado para Serra do Mar. Holos, Ribeirão Preto.

MESQUITA, P. C. M. D. ; PASSOS, D. C. ; RODRIGUES, J. F. M. 2012. Philodryas olfersii (Serpentes, Dipsadidae, Squamata) Nocturnal Mating Behavior. Herpetologia Brasileira, Brasil, p. 41 – 42, 15.

VANZOLINI, P. E., A. M. M. RAMOS-COSTA & VITT, L.J.. 1980. Répteis da Caatinga. Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro.

VITT, L.J. 1980. Ecological observations on sympatric Philodryas (Colubridae) in northeastern Brazil. Papéis Avulsos de Zoologia, 34:87-98.

3 Respostas

  1. Owww Luan, valeu! Eu adoro essa doidinha!

  2. Pela descrição, foi exatamente a que vi quando descia o Rio Jacaré Pepira, no interior de São Paulo. Estávamos fazendo boia cross e eu estava por último. Vi o momento exato em que a cobra se jogou de uma árvore no rio na nossa direção. Gritei “olha a cobra!” e a minha sobrinha olhou e viu que ela estava no pé dela; chutou com tanta força que a vimos “voar”. A cena foi incrível! Quando a cobra caiu no rio novamente, nadou até a outra margem muito, muito rápido. Foi um belo susto!

    Editado por conter erros ortográficos.

  3. […] (B. sertaneja), juntamente com outras espécies de dipsadídeos, incluindo a Cobra-verde (Philodryas olfersii) e a Corre-campo (Philodryas nattereri), a partir de 1999 passaram a ser consideradas de […]

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