Répteis como animais de estimação: dificuldades e problemas


Por serem silenciosos, os répteis parecem ser os animais de estimação ideais para muitas pessoas que moram em apartamentos ou em casas pequenas. Jabutis (Chelonoidis carbonaria, principalmente), iguanas (Iguana iguana), teiús (Salvator merianae) e jiboias (Boa constrictor) (Figura 1) são criados em muitas residências como pets. Entretanto, é importante refletir sobre os cuidados requeridos por esses animais.

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Figura 01. Filhote de jiboia (Boa constrictor) mantida em cativeiro. Fotografia de Diego de Oliveira Soares

Os répteis, assim como todos os outros animais, necessitam de assistência para poderem crescer saudavelmente em cativeiro. Cuidados com a alimentação, com o espaço onde vivem e com a saúde não podem ser negligenciados. Em relação à alimentação, não existem muitas rações industrializadas com todas as vitaminas e nutrientes que esses animais precisam. Desse modo, é muito comum ocorrer problemas de saúde devido a falhas na dieta. Paranzini et al. (2008) listam vários distúrbios nutricionais encontrados em répteis criados em cativeiro. Dentre os mais comuns citados pelos autores, destacam-se problemas na ingestão e no metabolismo de cálcio, que causa deformações no casco dos quelônios (Figura 2) e aumento da fragilidade nos ossos longos de iguanas; a anorexia, causada pelo stress do cativeiro ou por doenças adicionais; hipovitaminose A, a qual causa inchaços nos olhos desses animais; obesidade, dentre outros. Recintos inadequados, sem acesso à luz solar, também reduzem o crescimento desses animais e causam problemas no metabolismo da vitamina D, diminuindo o aproveitamento do cálcio da dieta (MADER, 2007). Quanto aos cuidados com a saúde dos répteis de estimação, pode-se identificar um problema simples logo de início: Quantos veterinários vocês conhecem que realmente sabem cuidar desses animais? Poucos profissionais da veterinária conhecem a biologia e as doenças que podem atingir os répteis. Desse modo, quando ficam doentes, é muito difícil encontrar alguém com experiência para socorrê-los.

Indivíduo de Chelonoidis carbonaria (Jabuti) alimentando-se. Notar a presença de pequenas deformações nos escudos da carapaça, os quais apresentam formas semelhantes a pequenas pirâmides (problema conhecido como piramidismo). Fotografia de João Fabrício Mota Rodrigues.

Figura 2. Indivíduo de Chelonoidis carbonaria (Jabuti) alimentando-se. Notar a presença de pequenas deformações nos escudos da carapaça, os quais apresentam formas semelhantes a pequenas pirâmides (problema conhecido como piramidismo). Fotografia de João Fabrício Mota Rodrigues.

Outro problema de criar um réptil é a origem do animal. Normalmente, eles são comprados em feiras clandestinas, de vendedores que os retiraram ilegalmente da natureza. Assim, é comum adquirir-se um animal estressado e machucado pelo transporte inadequado a que foi submetido, o qual poderá morrer em pouco tempo devido a lesões internas ou mesmo por, simplesmente, não querer comer (RENCTAS, 2001). Também convém lembrar que comprar répteis ilegalmente é um incentivo ao tráfico de animais silvestres, afinal não existiria um produto se não houvesse quem o comprasse. Portanto, caso desejem criar um réptil, procurem o IBAMA para obter contatos de vendedores legalizados, os quais possuem animais nascidos em cativeiro, microchipados e com cuidados veterinários.

Por fim, é importante ressaltar que criar qualquer animal é uma grande responsabilidade e que, em alguns anos, aquele pequeno animalzinho que você escolheu criar pode se transformar em um grande problema, o qual vai demandar muito mais espaço e comida. Souza et al. (2007) destacam que a principal causa da entrega de répteis por seus criadores aos órgãos do governo é a perda de interesse em criá-los. Então, antes de procurar um local para adquirir um réptil como animal de estimação, deve-se pesquisar e refletir sobre a dieta do animal, tamanho que ele atingirá quando adulto, tempo de vida, doenças associadas, espaço requerido, dentre outras informações. Se após essas considerações, você se considerar apto a assumir essa responsabilidade, procure um vendedor legalizado e boa sorte nessa jornada.

Por: João Fabrício Mota Rodrigues, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MADER, D. R. Reptile medicine and surgery. Philadelphia: WB Saunders Company, 2007. 1242p.

PARANZINI, C. S.; TEIXEIRA, V. N.; TRAPP, S. N. Principais distúrbios nutricionais encontrados em répteis cativos – Revisão Bibliográfica. UNOPAR Científica, Ciências Biológicas e Saúde, v. 10, n. 2, p. 29-38, 2008.

RENCTAS. 1° Relatório Nacional obre o Tráfico de Fauna Silvestre. 2001. Disponível em: <www.renctas.org.br>. Acesso em: 23 Mar. 2013.

SOUZA, V. L.; SANTOS, T. M.; PEÑA, A. P.; LUZ, V. L. F.; REIS, I. J. dos. Caracterização dos répteis descartados por mantenedores particulares entregues ao Centro de Conservação e Manejo de Répteis e Anfíbios – RAN. Revista Biologia Neotropical, v. 4, n. 2, p. 149-160, 2007.

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