Lagartos com duas caudas: causas e consequências

A cauda desempenha um importante papel na locomoção dos lagartos, equilibrando o corpo durante o deslocamento (Ballinger, 1973). Entretanto, como a autotomia caudal é um comportamento defensivo amplamente empregado por diversas espécies, a regeneração da cauda constitui um processo essencial para estes animais (saiba mais sobre autotomia lagartos em: “Vão-se os anéis, ficam-se os dedos”).

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Figura 1. Macho adulto de Notomabuya (previamente Mabuya) frenata com bifurcação caudal. Fotografia de Davor Vrcibradic.

Os lagartos têm uma incrível capacidade de reparar diversos tipos de tecidos corpóreos, incluindo musculares, ósseos e neuronais, além da notável habilidade de regenerar suas caudas (Alibardi, 2010). Apesar disto, existe um extenso número de registros de caudas múltiplas em lagartos, principalmente caudas bífidas (Figura 1). Estas anormalidades morfológicas são geralmente atribuídas a falhas durante o processo de regeneração e têm sido reportadas para membros de diversas famílias de lagartos, tais como Anguidae, Gekkonidae, Phrynosomatidae, Phyllodactylidae, Polychrotidae, Scincidae, Teiidae e Tropiduridae.

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Figura 2. Fêmea ovígera adulta de Tropidurus semitaeniatus com cauda bifurcada. Fotografia de Luan Pinheiro.

Embora seja registrado em várias espécies, este fenômeno parece ser realmente raro entre os indivíduos de uma dada população, como reportado para Notomabuya frenata (Figura 1) e Psychosaura macrorhyncha, nos quais a frequência de caudas bifurcadas foi menor que 2% (Vrcibradic & Niemeyer, 2013). Por outro lado, um estudo recente apresentou evidências contrárias à expectativa de que estas anomalias seriam deletérias aos seus portadores, demonstrando que indivíduos com caudas múltiplas podem sobreviver, crescer e inclusive se reproduzir, conforme evidenciado em Tropidurus semitaeniatus (Passos et al., 2013; Figura 2).

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALIBARDI, L. 2010. Morphological and cellular aspects of tail and limb regeneration in lizards. Springer-Verlag Berlin Heidelberg, 109 p.

BALLINGER, R. E. 1973. Experimental evidence of the tail as a balancing organ in the lizard Anolis carolinensis. Herpetologica, 29: 65-66.

PASSOS, D.C; PINHEIRO, L.T.; GALDINO, C.A.B. & ROCHA, C.F.D. 2014. Tropidurus semitaeniatus (Calango de Lagedo). Tail bifurcation. Herpetological Review, 45: 138.

VRCIBRADIC, D. & NIEMEYER, J. 2013. Mabuya frenata, M. macrorhyncha. Tail bifurcation. Herpetological Review, 44: 510-511.

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