NOTÍCIA: Descobertas primeiras espécies de anfíbios realmente peçonhentos!!


As espécies de pererecas Corythomantis greeningi da Caaatinga e Aparasphenodon brunoi (Fig1) da Mata Atlântica, são as primeiras espécies conhecidas de anfíbios que apresentam mecanismos especializados para liberação de toxinas.

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Fig.1. A) Aparasphenodon brunoi e B) Corythomantis greeningi. Imagem: Carlos Jared

Não é novidade que pererecas secretem substâncias tóxicas através de glândulas presentes na pele, usando como defesa química contra predadores, mas o curioso é que as duas espécies acima apresentam espinhos ósseos (Fig2) em suas cabeças que permitem a inoculação da peçonha em outros animais.

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Fig.2. Crânios com projeções ósseas de C) Aparasphenodon brunoi e D) Corythomantis greeningi. Imagem: Carlos Jared

As espécies em questão não apresentam predadores conhecidos na natureza, o que faz sentido após o resultado do estudo. Apesar de serem conhecidas há décadas, talvez séculos, as espécies apresentam pouco de sua biologia documentada. A descoberta foi feita por acaso por Carlos Jared, pesquisador do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantan, que foi ferido por um exemplar de C. greenengi, espécie com toxina mais branda. O acidente promoveu uma dor intensa que irradiou do local do ferimento para todo o membro superior. A toxina agiu por cinco horas, e por a equipe estar longe de qualquer auxílio médico, o pesquisador ferido apenas teve que suportar até que a dor cessasse. A espécie que apresenta a toxina mais potente, A. brunoi, pode matar mais de 300.000 camundongos e 80 homens adultos, e sua peçonha é considerada mais letal do que as de espécies de serpentes do gênero Bothrops, as Jararacas.

As toxinas não são liberadas por meios ativos, como no caso de outros animais peçonhentos como as serpentes; elas precisam sofrer algum estímulo externo para efetuar o envenenamento (Fig3). Os pequenos espinhos nos “rostos” de ambas as espécies perfuram a pela do próprio animal quando são pressionados, levando as secreções das glândulas vizinhas, que são abundantes na pele, e injetando em quem estiver manuseando sem o devido cuidado ou em predadores que tentem deglutir a perereca.

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Fig.3. Visão macro e microscopia das glândulas e do espinho ósseo transmissor de peçonha em Corythomantis greeningi. Imagem: Carlos Jared

“Descobrir uma perereca verdadeiramente peçonhenta foi inesperado, e encontrar pererecas com secreções mais venenosas que as víboras mortais do gênero Bothrops (da jararaca) foi surpreendente”, Argumenta Edmund Brodie, da Universidade Estadual de Utah, nos EUA, um dos autores do estudo publicado nesta quinta-feira na revista acadêmica Current Biology.


Fontes:  Sci-News.com & Newscientist.

REFERÊNCIA:

Jared et al., Venomous Frogs Use Heads as Weapons, Current Biology (2015), http://dx.doi.org/10.1016/ j.cub.2015.06.061

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