Notícia: Novas informações sobre a história evolutiva dos anuros

Em julho deste ano, Feng e colaboradores (2017)¹ publicaram um artigo fundamental para a elucidação dos mistérios da origem e diversificação dos anuros. Através da utilização de dados moleculares de 156 espécies de anuros viventes e da utilização de dados de fósseis, os autores apresentaram uma filogenia que abrange as principais linhagens do grupo e é melhor fundamentada que as propostas anteriormente. Seus resultados mostram também uma escala do tempo da evolução dos anuros, sugerindo divergências mais recentes do que o apontado por estudos anteriores.

Fig 6 D - Dong et al. 2013.png

Fóssil de Liaobatrachus zhaoi, o mais antigo registro de um sapo moderno encontrado até hoje, retirado da Formação Yixian, na China. Fonte: Figura 6 D, pertencente a Dong et al. (2013)2.

Em sua pesquisa, foi apontado que aproximadamente 88% dos anuros viventes são originados de três principais linhagens (os grupos Hyloidea, Microhylidae e Natatanura) que diversificaram de forma rápida e simultânea na época da grande extinção do final da Era Mesozoica, entre os períodos Cretáceo e Paleógeno. Essa extinção em massa ocorreu a 66 milhões de anos atrás, e foi responsável também pela extinção dos dinossauros não-avianos (Sim, aves são dinossauros!). Essa informação vai de encontro às dos estudos anteriores, que sugeriram que os principais clados de anuros já se encontravam estabelecidos no Mesozoico.

Análises biogeográficas também foram feitas, e as mesmas sugerem que a África foi a área de origem dos sapos modernos, e que a distribuição atual dos anuros está associada com a divisão da Pangeia e fragmentação do Gondwana. Também foi visto no estudo que famílias e subfamílias de anuros arborícolas foram originadas próximo ou depois dessa época.

Dessa maneira, os resultados obtidos por Feng et al. (2017) sugerem que a extinção do Cretáceo-Paleógeno levou à radiação dos sapos, através da criação de novas oportunidades ecológicas. Logo, essa extinção em massa foi fundamental para definir a diversidade atual e distribuição geográfica dos anuros modernos.

Para mais informações, você pode consultar uma notícia em inglês mais detalhada sobre este artigo aqui ou o próprio artigo original aqui.

Texto escrito por Thaís Abreu, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

 REFERÊNCIAS

1FENG, Y. J.; BLACKBURN, D. C.; LIANG, D.; HILLIS, D. M.; WAKE; D. B.; CANNATELLA, D. C.; ZHANG, P. Phylogenomics reveals rapid, simultaneous diversification of three major clades of Gondwanan frogs at the Cretaceous–Paleogene boundary. PNAS, v. 114, n. 29, p. E5864-E5870, jul. 2017 (online). Disponível em: <https://pdfs.semanticscholar.org/574c/ed3e56c8aab7293fa1f42ac81d73dbdaeb7f.pdf >.

2DONG, L.; ROČEK, Z.; WANG, Y.; JONES, M.E.H. 2013. Anurans from the Lower Cretaceous Jehol Group of Western Liaoning, China. PLoS One, v. 8, n. 7, p. e69723, 2013. Disponível em: <http://journals.plos.org/plosone/article/file?id=10.1371/journal.pone.0069723&type=printable >.

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