O que acontece quando jogamos sal em sapos?

Jogar sal em sapos é uma “brincadeira” muito comum em cidades do interior. Com o intuito de afugentar os sapos de suas residências ou simplesmente por pura perversidade, as pessoas jogam sal no anfíbio e observam-no saltar e agonizar sob efeito do composto. O que era pra ser engraçado acaba se tornando uma piada de muito mau gosto.

A pele dos anfíbios é um dos principais órgãos responsáveis pela respiração cutânea,  processo em que a pele é a mediadora entre a troca de gases respiratórios (assim como o pulmão). Para isso ser possível, a epiderme deve ser muito vascularizada e úmida, pois a água facilita a troca gasosa por um fenômeno conhecido como difusão. Quando em contato com o sal, a pele do sapo perde parte da sua umidade e da sua capacidade respiratória, deixando-o desidratado e causando asfixia, além do fato de sua pele fina deixar os vasos sanguíneos bem mais expostos ao composto, aumentando a sua pressão sanguínea. Além disso, essa prática é considerada criminosa pela Lei Federal nº 9.605/98, Art. 32: “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, com pena de multa e detenção de três meses a um ano.

Sapo Rhinella jimi. Foto: Déborah Praciano

Então o que fazer ao encontrar um sapo na rua ou em casa? Simples, deixe-o seguir seu caminho ou peça para alguém para  deixá-lo com cuidado em uma área de mata próxima. Eles são muito importantes no controle de pragas como insetos e não fazem mal algum ao ser humano. Os animais, assim como nós, têm todo o direito de, simplesmente, viver.

Por: Paulo Cunha Ferreira Bringel, membro do NUROF-UFC

A mentirinha que faz bem: saiba o que é a tanatose em anfíbios

Alguns animais apresentam comportamentos de defesa antipredadores como a coloração chamativa e críptica (aposemática), que é associada pelos predadores como uma advertência ao perigo, comum em serpentes (Greene, 2000) e alguns anfíbios da subfamília Phyllomedusinae (família Hylidae), conhecidos vulgarmente como pererecas (Duellman & Trueb, 1986).

Outra estratégia de defesa é de fingir-se de morto, também conhecida como tanatose, que é apresentada por diversos grupos como os coleópteros (Barreto e Anjos, 2002), marsupiais (Franq, 1969), lagartos (Machado et al., 2007) e vários anfíbios (Sazima, 1974). Este comportamento ocorre quando o animal, em situação de perigo, é tocado ou capturado pelo predador. Então a presa se infla ou encolhe o corpo, ficando imóvel, fingindo-se de morto e apresentando total imobilidade tônica, para que o predador perca o interesse e desista de predá-lo.

Geralmente durante a tanatose o animal exibe o ventre, permanecendo estático por até alguns minutos. Entretanto, escapa tão logo haja o desinteresse do predador. Estudos sugerem que este comportamento pode ter surgido em decorrência da forma lenta de locomoção dos grupos, não muito eficaz para fugas rápidas.

Abaixo, apresentamos alguns exemplos destes comportamentos nas espécies Lepdotactylus aff. hylaedactylus (Figuras 1 e 2, Borges-Leite et al., 2012a) e Elachistocleis piauiensis (Figuras 3 e 4, Borges-Leite et al., 2012b).

Figura 01. Indivíduo adulto de Leptodactylus aff. hylaedactylus. Fotografia de Juliana Borges.

Figura 01. Indivíduo adulto de Leptodactylus aff. hylaedactylus. Fotografia de Juliana Borges.

Figura 02. Indivíduo adulto de Leptodactylus aff. hylaedactylus realizando tanatose. Fotografia de Juliana Borges.

Figura 02. Indivíduo adulto de Leptodactylus aff. hylaedactylus realizando tanatose. Fotografia de Juliana Borges.

Figura 03. Indivíduo adulto de Elachistocleis piauiensis. Fotografia de Juliana Borges.

Figura 03. Indivíduo adulto de Elachistocleis piauiensis. Fotografia de Juliana Borges.

Figura 04. Indivíduo adulto de Elachistocleis piauiensis realizando tanatose. Fotografia de Juliana Borges

Figura 04. Indivíduo adulto de Elachistocleis piauiensis realizando tanatose. Fotografia de Juliana Borges

Por: Maria Juliana Borges-Leite, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARRETO, M. R. & ANJOS, N. 2002. Mecanismos de defesa e comportamentos alimentar e de dispersão de Spermologus rufus, Boheman, 1843 (Coleoptera: Curculionidae). Ciência Agrotécnica, 26(4): 804-809.

BORGES-LEITE, M. J.; BORGES-NOJOSA, D. M. & MORAIS, D. O. 2012a. Leptodactylus aff. hylaedactylus. Defensive behavior. Herpetological Review, 43(1): 122.

BORGES-LEITE, M. J.; BORGES-NOJOSA, D. M.; RODRIGUES, J. F. M. & PRADO, F. M. V. 2012b. On the occurrence of thanatosis in Elachistocleis piauiensis Caramaschi and Jim, 1983 (Anura: Microhylidae). Herpetology Notes, 5: 9-10.

DUELLMANN, W. E. & TRUEB, L. 1986. Biology of Amphibians.Mc Graw-Hill, New York, USA, 670pp.

FRANQ, E. N. 1969. Behavioral aspects of feigned death in the opossum Didelphis marsupialisAmerican Midland Naturalist, 81(2): 556-568.

GREENE, H. W. 2000. Snakes: The evolution of mystery in nature. University of California Press, Berkeley, USA, 351pp.

MACHADO, L. L.; GALDINO, C. A. B. & SOUSA, B. M. 2007. Defensive behavior of the lizard Tropidurus montanus (Tropiduridae): Effects of sex, body size and social context. South American Journal of Herpetology, 2: 136-140.

SAZIMA, I. 1974. Experimental predation on the leaf-frog Phyllomedusa rohdei by the water snake Liophis miliaris. Journal of Herpetology, 8(4): 376-377.

Notícia: Três novas espécies de salamandra são descobertas no Brasil

Agora, com as outras duas espécies registradas de forma correta, o Brasil passa a ter cinco salamandras reconhecidas

Três novas espécies de salamandra foram descobertas recentemente por pesquisadores do Pará. A descrição dos animais, junto ao registro corrigido de outras duas já existentes (antes consideradas sendo a mesma pela Ciência), foi publicada na edição de julho da revista internacional Zootaxa. Resultado: o Brasil, que antes tinha apenas uma salamandra reconhecida, agora passou a ter cinco.

O estudo, que durou cerca de dois anos, foi a conclusão da dissertação de mestrado da bióloga Isabela Carvalho Brcko, na Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com o Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG). Teve a orientação dos pesquisadores Marinus Hoogmoed (do Museu Paraense Emilio Goeldi) e Selvino Neckel de Oliveira (da Universidade Federal de Santa Catarina).

Segundo Brcko, por quase 40 anos as salamandra Bolitoglossa paraensis Bolitoglossa altamazonica eram tidas pela Ciência como uma única espécie. Essa sinonímia se dava graças à grande semelhança morfológica entre as duas e à escassez de material depositado em coleções.

“Porém, nos últimos 30 anos, um novo material de Bolitoglossa foi coletado em vários locais da Amazônia brasileira – incluindo a localidade tipo de B. paraensis, que é Santa Isabel do Pará. Dessa forma, foi possível redefinir a espécie B. paraensis e corrigir as interpretações equivocadas sobre quantas espécies do gênero Bolitoglossa ocorrem na Amazônia brasileira”, explica.

Bolitoglossa caldwellae - Serra do divisor -AC - Fonte Pedro Peloso

Bolitoglossa caldwellae, uma das três novas espécies de salamandra descritas para o Brasil. Fotografia de Pedro Peloso.

Veja a notícia completa acessando: terradagente.com.br

Clipagem: O atendimento de animais silvestres em clínicas de pequenos animais

Com a crescente verticalização das moradias, é cada vez mais comum à criação de animais não convencionais nos lares, por estes ocuparem menor espaço, serem de fácil manejo e manutenção. Ainda, desde os tempos mais remotos, os animais silvestres sempre tiveram presentes nas casas, impulsionados pelo crescente número de criatórios registrados no IBAMA.

Com isso, é cada vez mais frequente a presença destes na clínica de pequenos animais e o clínico deve estar preparado para fornecer as corretas orientações de manejo, ambiente de criação, nutrição, biologia aplicada, entre outros; assim como saber como abordar, conter, examinar, tratar e manter internado este paciente tão diferente dos animais domésticos convencionais. O correto conhecimento dos tópicos apresentados é crucial para o sucesso do profissional que pretende oferecer a seus clientes um serviço pleno na clínica de pequenos animais.

A criação de animais não convencionais e silvestres tem se tornado uma prática comum nos lares. O que eleva a demanda de atendimento especializado para estes animais.

O animal silvestre é diferente de um cachorro e de um gato. Ele se estressa mais fácil, às vezes é difícil de segurar e ainda por cima pode bicar e morder.

A anatomia e fisiologia únicas dos répteis, aves e mamíferos silvestres, tornam os procedimentos cirúrgicos nestes animais bastante diferentes daqueles empregados em cães e gatos.

A abordagem cirúrgica requer equipamentos especiais de acesso e acompanhamento do paciente no transoperatório, como anestesia inalatória, monitores cardíacos, oxímetro de pulso, Doppler vascular, bomba de infusão e em alguns casos deve-se valer de serras cirúrgicas específicas para cascos e bicos.

As clínicas que atendem animais silvestres devem valer do maior número de métodos diagnósticos para descobrir as afecções que acometem aves, répteis e pequenos mamíferos, pois, muitas delas apenas podem ser descobertas com o uso de raios-X. Os posicionamentos radiográficos não são os mesmos adotados em cães e gatos e algumas vezes é preciso anestesiar os animais. E o profissional que vai prestar o atendimento precisa ser capacitado para poder lidar com as principais situações ocorridas na clínica de pequenos animais.

Leia também: Meu bichinho de estimação é silvestre

Fonte: CPT Cursos Presenciais

Adaptação: Revista Veterinária

Disponível em:  RevistaVeterinaria.com.br

Os números de 2012

Se 2012 foi um ano muito bom para os herpetólogos de plantão, aguardem por textos, curiosidades e discussões ainda melhores em 2013! Ótimo 2013 para todos nós e para toda a herpetologia! Lá vamos nós!

Aqui está um excerto:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 120.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 6 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Notícia: Descoberta de nova “cobra cega”

Sabemos que os animais conhecidos como “cobras cegas” não são cobras. Estes animais são, na verdade, anfíbios com características peculiares que lhes fazem ser confundidos com as cobras (répteis).

Relembre: Parece mas não é: Cobras-cegas são anfíbios!

Cobras cegas não são facilmente encontradas pois vivem sob a terra.  Apesar disso, o esforço de uma equipe de pesquisadores com cientístas da University of Delhi, the U.K. Natural History Museum e Belgium’s Vrije University encontrou cobras cegas de espécie ainda desconhecida em uma região no nordeste da Índia.

Veja notícia completa em:NATIONAL GEOGRAPHIC-Pictures: New Amphibians Without Arms or Legs Discovered

Muitos conhecem a forma de desenvolvimento em anfíbios que envolve fases larvais ou girinos, porém existem outros tipos de desenvolvimento nesses animais. Neste caso, o filhote nasce na forma de um adulto em miniatura, como pode-se perceber nos detalhes do ovo translúcido.
A recém descoberta cobra cega parece proteger a ninhada enrolando-se sobre ela.

Fotos cedidas pelo pesquisador SD Biju, disponíveis em: NATIONAL GEOGRAPHIC- Pictures: New Amphibians Without Arms or Legs Discovered

 [Clique a acesse mais fotos e informações interessantes relacionadas a esta descoberta]

Hypsiboas albomarginatus

Por Hugo Fernandes-Ferreira

Hypsiboas albomarginatus Foto Hugo Fernandes-Ferreira

Hypsiboas albomarginatus (rã verde) – Espécie facilmente encontrada na Mata Atlântica e parte da Amazônia, onde se reproduz em pequenas poças d’água. É noturna, vive sobre galhos e folhas de arbustos baixos e se alimenta de pequenos insetos.

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