Notícia: Descoberta de sapos que não escutam o canto da sua espécie

Uma equipe de pesquisadores brasileiros, ingleses e dinamarqueses descobriram que dois sapos brasileiros são surdos para seu próprio canto (Figura 01).  Os sapos Brachycephalus ephippium e B. pitanga se mostraram insensíveis ao som de seu próprio canto. Os pesquisadores sugerem que esse fato inusitado ocorre por conta do desenvolvimento incompleto do ouvido interno dessas duas espécies (Figura 02), que as impede de escutar as altas frequências do seu canto. Os anuros tipicamente possuem seus ouvidos “sintonizados” para detectar a frequência dominante das vocalizações da sua própria espécie, o que permite que eles diferenciem o som do seu canto dos sons do ambiente e do canto de outras espécies.

Goutte et al. 2017 - B. pitanga

Figura 01. Fotografia presente no artigo original, mostrando a espécie Brachycephalus pitanga, uma das duas espécies de sapos que não escutam seu próprio canto. Fonte: Goutte et al., 2017.

O curioso é que o comportamento do canto é energeticamente custoso e ainda pode atrair predadores e parasitas, e mesmo assim, apesar de todas essas características, o comportamento se manteve nas duas espécies até hoje. Os pesquisadores supõem que o comportamento de cantar tenha permanecido por causa de aspectos visuais do canto, como o movimento dos sacos vocais. Essa hipótese é sustentada pelos hábitos diurnos, cores vibrantes e certos comportamentos visuais desses anuros. A presença de cores vibrantes é indicativa de que o animal possui toxinas, sendo essa coloração de advertência chamada de “aposematismo”. Realmente, esses dois anuros possuem substâncias altamente tóxicas em sua pele e órgãos internos, e é por isso que os sapinhos são menos predados, mesmo chamando tanta atenção por causa do seu canto. Logo, o fato de os sapos cantarem não irá trazer grandes problemas assim, e o comportamento de cantar se mantém evolutivamente, através da inércia evolutiva.

Goutte et al. 2017 - Estrutura Ouvido

Figura 02. Figura presente no artigo original, mostrando as estruturas do ouvido médio em sapos “com” ouvido (a) e “sem” ouvido (b). Fonte: Goutte et al., 2017.

Os pesquisadores supõem que a perda das estruturas do ouvido interno desses sapos possa ter sido resultado de mutações genéticas e deriva gênica, ou resultado da seleção de outros traços na espécie, como a hiperossificação do crânio presente em ambas as espécies, que afetaram o desenvolvimento do seu ouvido. Eles também suspeitam que a espécie possa se comunicar através de sinais químicos, assim como outros anuros sem ouvido, mas isso é algo que ainda precisa ser estudado.

A descoberta da comunicação singular desses dois sapos forneceu informações importantes  para os estudos sobre a evolução e degeneração da comunicação acústica nos vertebrados, contribuindo, assim, com o estudo da comunicação animal.

Texto escrito por Thaís Abreu, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

 

REFERÊNCIAS

GOUTTE, S.; MASON, M. J.; CHRISTENSEN-DALSGAARD, J.; MONTEALEGRE-Z, F.; CHIVERS, B. D.; SARRIA-S, F.; ANTONIAZZI, M. M.; JARED, C.; SATO, L. A.; TOLEDO, L. F. Evidence of auditory insensitivity to vocalization frequencies in two frogs. Scientific Reports, v. 7, p. 1-10, 2017. Disponível em: <https://www.nature.com/articles/s41598-017-12145-5 >.

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Bebês a bordo: Conheça os mais novos integrantes do NUROF-UFC!

Nessa sexta-feira (29/09), nasceram mais 3 integrantes do NUROF-UFC (Figura 01). Estes são filhotes do cágado conhecido como Muçuã (Kinosternon scorpioides). Os cágados são quelônios de hábito predominantemente aquático de água doce, diferentemente das tartarugas, que são exclusivamente marinhas, e dos jabutis, que são exclusivamente terrestres (Saiba mais um pouco sobre eles aqui).

Castiele Holanda - Muçuãs Filhotes (Kinosternon scorpioides)

Figura 01. Os mais novos 3 integrantes do NUROF-UFC são lindos cágados da espécie Kinosternon scorpioides, conhecidos popularmente como Muçuã. Autora: Castiele Holanda.

Uma curiosidade sobre esses animais é que seu gênero, de nome “Kinosternon”, é derivado da palavra grega “kinetos”, que significa “móvel”, e “sternon”, que significa “peito”, em referência às “dobradiças” presentes em seu plastrão. Já seu epíteto específico, “scorpioides”, é derivado do latim “scorpio”, provavelmente em referência ao espinho córneo no final da sua cauda. Juntando com o final “oides”, “scorpioides” tem como tradução completa “similar a um escorpião”1 apud 2.

Em cativeiro, os Muçuãs se acasalam de Abril a Agosto, e a postura de ovos ocorre de Maio a Setembro, com a postura de 1 a 7 ovos de formato alongado (Figura 02). O período de incubação de seus ovos varia de 111 a 164 dias3. Os três filhotes serão analisados semanalmente para que seu desenvolvimento seja acompanhado. Ainda não se sabe seu sexo, pois os caracteres sexuais dos cágados aparecem apenas em torno de seus 22 meses de idade3.

Castiele Holanda - Muçuã Filhote (Kinosternon scorpioides)

Figura 02. Filhote recém-nascido de Muçuã, Kinosternon scorpioides, dentro de seu ovo. Autora: Castiele Holanda.

Os interessados podem conhecer os filhotes marcando uma visita ao NUROF-UFC, através do email nurofextensao@gmail.com .

Que nomes os três cágados devem receber? Os nomes que você sugerir podem ser os escolhidos!

Texto escrito por  Thaís Abreu e Bruno Guilhon, membros do NUROF-UFC.

 

REFERÊNCIAS

1 DIXON, J. R.; LEMOS-ESPINAL, J. A. Amphibians and reptiles of the state of Queretaro, Mexico. Tlalnepantla UNAM, 2010.

2 The Reptile Database. Kinosternon scorpioides (LINNAEUS, 1766). Disponível em: <http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Kinosternon&species=scorpioides >.

3 CASTRO, A. B. Biologia reprodutiva e crescimento do muçuã Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1776) em cativeiro. 2006. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Pará. Disponível em: <http://repositorio.ufpa.br/jspui/bitstream/2011/5547/1/Dissertacao_BiologiaReprodutivaCrescimento.pdf >.

Notícia: Lançamento do AmphiBIO, banco de dados de traços ecológicos dos anfíbios

Michel de Aguiar Passos - Phyllomedusa nordestina

Phyllomedusa nordestina, um anuro da superfamília Hyloidea. Fonte: Michael de Aguiar Passos, do blog Herpetolife.

Pesquisadores da UFRN, juntamente com pesquisadores do México e EUA, acabam de publicar um banco de dados muito importante para o estudo dos anfíbios. Os autores compilaram dados de mais de 6500 espécies de anfíbios de 531 gêneros, a partir de mais de 1500 fontes da literatura. Denominado de AmphiBIO, o banco de dados reúne informações da história natural de anfíbios do mundo todo, possuindo dados de 17 traços ecológicos relacionadas à ecologia, morfologia e reprodução. Esses dados vão permitir análises em larga escala nas áreas de ecologia, evolução e conservação dos anfíbios. É possível obter o link para download do AmphiBIO em sua publicação contida na revista Scientific Data, do grupo Nature. Para saber mais sobre o AmphiBIO, veja a publicação aqui.

Texto escrito por Thaís Abreu, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

REFERÊNCIA

OLIVEIRA, B. F.; SÃO-PEDRO, V. A.; SANTOS-BARRERA, G.; PENONE, C.; COSTA, G. C. AmphiBIO, a global database for amphibian ecological traits. Scientific Data, 2017. Disponível em: <https://www.nature.com/articles/sdata2017123 >.

Notícia: Novas informações sobre a história evolutiva dos anuros

Em julho deste ano, Feng e colaboradores (2017)¹ publicaram um artigo fundamental para a elucidação dos mistérios da origem e diversificação dos anuros. Através da utilização de dados moleculares de 156 espécies de anuros viventes e da utilização de dados de fósseis, os autores apresentaram uma filogenia que abrange as principais linhagens do grupo e é melhor fundamentada que as propostas anteriormente. Seus resultados mostram também uma escala do tempo da evolução dos anuros, sugerindo divergências mais recentes do que o apontado por estudos anteriores.

Fig 6 D - Dong et al. 2013.png

Fóssil de Liaobatrachus zhaoi, o mais antigo registro de um sapo moderno encontrado até hoje, retirado da Formação Yixian, na China. Fonte: Figura 6 D, pertencente a Dong et al. (2013)2.

Em sua pesquisa, foi apontado que aproximadamente 88% dos anuros viventes são originados de três principais linhagens (os grupos Hyloidea, Microhylidae e Natatanura) que diversificaram de forma rápida e simultânea na época da grande extinção do final da Era Mesozoica, entre os períodos Cretáceo e Paleógeno. Essa extinção em massa ocorreu a 66 milhões de anos atrás, e foi responsável também pela extinção dos dinossauros não-avianos (Sim, aves são dinossauros!). Essa informação vai de encontro às dos estudos anteriores, que sugeriram que os principais clados de anuros já se encontravam estabelecidos no Mesozoico.

Análises biogeográficas também foram feitas, e as mesmas sugerem que a África foi a área de origem dos sapos modernos, e que a distribuição atual dos anuros está associada com a divisão da Pangeia e fragmentação do Gondwana. Também foi visto no estudo que famílias e subfamílias de anuros arborícolas foram originadas próximo ou depois dessa época.

Dessa maneira, os resultados obtidos por Feng et al. (2017) sugerem que a extinção do Cretáceo-Paleógeno levou à radiação dos sapos, através da criação de novas oportunidades ecológicas. Logo, essa extinção em massa foi fundamental para definir a diversidade atual e distribuição geográfica dos anuros modernos.

Para mais informações, você pode consultar uma notícia em inglês mais detalhada sobre este artigo aqui ou o próprio artigo original aqui.

Texto escrito por Thaís Abreu, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

 REFERÊNCIAS

1FENG, Y. J.; BLACKBURN, D. C.; LIANG, D.; HILLIS, D. M.; WAKE; D. B.; CANNATELLA, D. C.; ZHANG, P. Phylogenomics reveals rapid, simultaneous diversification of three major clades of Gondwanan frogs at the Cretaceous–Paleogene boundary. PNAS, v. 114, n. 29, p. E5864-E5870, jul. 2017 (online). Disponível em: <https://pdfs.semanticscholar.org/574c/ed3e56c8aab7293fa1f42ac81d73dbdaeb7f.pdf >.

2DONG, L.; ROČEK, Z.; WANG, Y.; JONES, M.E.H. 2013. Anurans from the Lower Cretaceous Jehol Group of Western Liaoning, China. PLoS One, v. 8, n. 7, p. e69723, 2013. Disponível em: <http://journals.plos.org/plosone/article/file?id=10.1371/journal.pone.0069723&type=printable >.

Um lagarto corajoso do olho maior que a barriga

O lagarto Tropidurus torquatus, de ampla distribuição nas áreas abertas do Brasil (RODRIGUES, 1987), é um predador diurno que geralmente usa o comportamento de “senta-e-espera” para se alimentar de suas presas, indo algumas das vezes atrás da sua presa de forma ativa (TEIXEIRA; GIOVANELLI, 1998)(FIGURA 01). T. torquatus se alimenta principalmente de formigas, mas também ingere frequentemente besouros, abelhas, cupins e aranhas, bem como flores e frutos (TEIXEIRA; GIOVANELLI, 1998; CARVALHO et al. 2007).

Carlos Cândido - T. torquatus

Figura 01. Tropidurus torquatus, uma espécie de lagarto de ampla distribuição nas áreas abertas do Brasil. Fonte: Carlos Cândido, Biólogo.

Porém, em 2014, um Tropidurus torquatus de porte grande foi visto tentando se alimentar de uma falsa-coral (Phalotris matogrossensis), no município de Poconé, no estado de Mato Grosso (SANTOS et al., 2017)(FIGURA 02). Essa serpente possui hábitos noturnos e habita áreas abertas e galerias subterrâneas do sudoeste do Brasil ao oeste do Paraguai (LEYNAUD; BUCHER, 1999 apud LEMA; D’AGOSTINI; CAPPELARI, 2005; VANZOLINI, 1948 apud LEMA; D’AGOSTINI; CAPPELARI, 2005), e se alimenta de invertebrados, sapos, anfisbenas e lagartos (BERNARDE; MACEDO, 2006 apud SANTOS et al., 2017; SOUZA, 2014 apud SANTOS et al., 2017), justamente o tipo de animal que a levou a morte.

Pedro Guilherme - T. torquatus 2

Figura 02. O corajoso Tropidurus torquatus e sua predadora Phalotris matogrossensis, que praticamente virou sua presa. Fonte: Pedro Guilherme Alves Rodrigues, coautor da publicação original, presente no periódico Herpetology Notes.

Segundo Santos et al. (2017), o lagarto correu atrás da falsa-coral, que não percebeu sua presença, e a abocanhou e balançou vigorosamente até que a mesma falecesse. Porém, foi só depois disso que o lagarto notou que a mesma não seria um alimento adequado, e a soltou. Os autores sugerem que o lagarto possivelmente soltou a serpente porque percebeu que ela era grande demais e não conseguiria comê-la.

Apesar de ter sido a primeira vez que se é registrado formalmente que T. torquatus se alimenta de serpentes na natureza, já havia sido descrito que a espécie se alimenta de vertebrados de pequeno porte, como outros lagartos (TEIXEIRA; GIOVANELLI, 1998). Outra espécie de seu gênero, Tropidurus hispidus, também já foi observada se alimentando de pequenos vertebrados, como sapos (VITT et al., 1996), outros indivíduos de T. hispidus (SALES et al., 2011) e até mesmo pássaros (GUEDES et al., 2017). Por isso, Santos et al. (2017) supõem que seja possível que outras espécies de Tropidurus de maior porte também se alimentem de pequenas serpentes. Qual será o próximo lagarto corajoso que iremos encontrar?

Para saber mais detalhes sobre o fato, e para ver as imagens com melhor qualidade, você pode consultar o artigo original aqui.

Texto escrito por Thaís Abreu, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

REFERÊNCIAS

BERNARDE, P. S.; MACEDO-BERNARDE, L. C. Phalotris matogrossensis (False coral snake). Diet. Herpetological Review, v. 37, p. 234, 2006.

CARVALHO, André L. G. de; SILVA, Hélio R. da; ARAÚJO, Alexandre F. B. de; ALVES-SILVA, Ricardo; SILVA-LEITE, Roberta R. da. Feeding ecology of Tropidurus torquatus (Wied)(Squamata, Tropiduridae) in two areas with different degrees of conservation in Marambaia Island, Rio de Janeiro, Southeastern Brazil. Revista Brasileira de Zoologia, v. 24, n. 1, p. 222-227, 2007.

GUEDES, Thaís; MIRANDA, Fernanda; MENESES, Luciano; PICHORIM, Mauro; RIBEIRO, Leonardo. Avian predation attempts by Tropidurus hispidus (Spix, 1825)(Reptilia, Squamata, Tropiduridae). Herpetology Notes, v. 10, p. 45-47, 2017.

LEMA, T. de; D’AGOSTINI, F.; CAPPELLARI, L. Nova espécie de Phalotris, redescrição de P. tricolor e osteología craniana (Serpentes, Elapomorphinae). Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, v. 95, p. 65-78, 2005.

LEYNAUD, Gerardo C.; BUCHER, Enrique H. La fauna de serpientes del Chaco sudamericano: diversidad, distribución geográfica y estado de conservación. Academia Nacional de Ciencias, v. 98, 1999.

RODRIGUES, Miguel Trefaut. Sistemática, ecologia e zoogeografia dos Tropidurus do grupo torquatus ao sul do Rio Amazonas (Sauria, Iguanidae). Arquivos de Zoologia, v. 31, n. 3, p. 105-230, 1987.

SALES, Raul Fernandes Dantas de; Jorge, Jaqueiuto da Silva; RIBEIRO, Leonardo Barros; FREIRE, Eliza Maria Xavier. A case of cannibalism in the territorial lizard Tropidurus hispidus (Squamata: Tropiduridae) in Northeast Brazil. Herpetology Notes, v. 4, p. 265-267, 2011.

SANTOS, Arthur de Sena; MENESES, Afonso Santiago de Oliveira; HORTA, Gabriel de Freitas; RODRIGUES, Pedro Guilherme Alves; BRANDÃO, Reuber Albuquerque. Predation attempt of Tropidurus torquatus (Squamata, Tropiduridae)on Phalotris matogrossensis (Serpentes, Dipsadidae). Herpetology Notes, v. 10, p. 341-343, 2017.

SOUZA, Dianne Cassiano de; MORAIS, Drausio Honório; SILVA, Reinaldo José da. Phalotris matogrossensis (Mato Grosso burrowing snake) diet. Herpetological Review, p. 712, 2014.

 TEIXEIRA, R. L.; GIOVANELLI, M. Ecology of Tropidurus torquatus (Sauria: Tropiduridae) of a sandy coastal plain of Guriri, São Mateus, ES, southeastern Brazil. Revista Brasileira de Biologia, v. 59, n. 1, p. 11-18, 1999.

VANZOLINI, Paulo Emílio. Notas sobre os ofídios e lagartos da Cachoeira de Emas, no município de Pirassununga, Estado de São Paulo. Revista Brasileira de Biologia, v. 8, n. 3, p. 377-400, 1948.

VITT, Laurie J.; ZANI, Peter A.; CALDWELL, Janalee P. Behavioural ecology of Tropidurus hispidus on isolated rock outcrops in Amazonia. Journal of Tropical Ecology, v. 12, n. 1, p. 81-101, 1996.

 

Notícia: Nova espécie de sapo recebe nome em homenagem à banda Pink Floyd

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Pesquisadores brasileiros descreveram recentemente uma nova espécie de sapo, que recebeu seu nome inspirado na famosa banda britânica Pink Floyd. A espécie recebeu o nome de Brachycephalus darkside (FIGURA 01), em homenagem ao álbum “The Dark Side of the Moon”, lançado em 1970 pela banda.

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FIGURA 01. Fotografias de Brachycephalus darkside, mostrando uma fêmea (A) e um macho (B) da espécie. Fonte: GUIMARÃES et al., 2017.

Essa escolha não foi feita só pelo gosto musical dos pesquisadores. A espécie descrita possui manchas nas costas causadas pela presença de um tecido conjuntivo de cor preta que cobre toda a musculatura dorsal do animal (FIGURA 01). Por esse motivo, esse lado escurecido do anfíbio deu a ideia para a escolha do nome “darkside”. Segundo a pesquisadora, Carla Silva Guimarães, o nome da espécie é muito importante para divulgar o local de pesquisa e o grupo de pesquisadores, bem como promover o Museu de Zoologia e o Departamento de Biologia Animal da Universidade Federal de Viçosa, instituição na qual a pesquisa estava vinculada.

B. darkside foi encontrado na floresta atlântica da Serra do Brigadeiro (MG), o tipo de floresta no qual o gênero Brachycephalus é endêmico. O gênero possui 31 espécies descritas, e cerca de 30% foram descritas nos últimos três anos, o que indica que a diversidade do gênero ainda está sendo descoberta.

Durante os meses secos da pesquisa, de Julho a Setembro, B. darkside foi encontrado escondido profundamente na serrapilheira, enterrado ou entre raízes de árvores (FIGURA 02). Durantes os meses de Outubro a Dezembro, período de atividade de B. darkside, os machos foram encontrados cantando em cima ou abaixo de folhas, e as fêmeas foram encontradas andando sobre a serrapilheira.

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FIGURA 02.  Fotografias do local onde B. darkside foi encontrado, mostrando um macho escondido abaixo de raízes (C) e as raízes onde o macho foi encontrado (D). Fonte: GUIMARÃES et al., 2017.

A cor amarelo-alaranjada brilhante de B. darkside (FIGURA 01), característica do seu gênero, é um tipo de coloração aposemática, que atua como um alerta para predadores, avisando-os que aquele indivíduo provavelmente possui toxinas.

A descoberta foi publicada na revista Zootaxa, em um artigo com o título “The dark side of pumpkin toadlet: a new species of Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae) from Serra do Brigadeiro, southeastern Brazil”. A descrição foi embasada por estudos de morfologia, osteologia, histologia e vocalização da espécie. A análise molecular ainda será feita, em outra fase da pesquisa. A autora ainda planeja, em seu doutorado, explicar a origem química e função da pigmentação característica de B. darkside, e o motivo das outras espécies de seu gênero não a possuírem.

Para mais informações, você pode consultar o artigo original aqui, e uma matéria muito interessante publicada sobre a descoberta aqui.

Texto escrito por Thaís Abreu, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

REFERÊNCIAS

GUIMARÃES, Carla Silva; LUZ, Sofia; ROCHA, Pedro Carvalho; FEIO, Renato Neves. The dark side of pumpkin toadlet: a new species of Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae) from Serra do Brigadeiro, southeastern Brazil. Zootaxa: v. 4258, n. 4, p. 327-344, 2017.

Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFV. Nova espécie de sapo descrita por pesquisadores da UFV traz referência a grupo de rock. Disponível em: < http://www.ppg.ufv.br/?noticias=nova-especie-de-sapo-descrita-por-pesquisadores-da-ufv-traz-referencia-a-grupo-de-rock>. Acesso em: 20 jun. 2017.

 

Notícia: Descoberta nova espécie de calango na Caatinga

Endêmico do semiárido, na Caatinga baiana, o Tropidurus sertanejo é a mais nova espécie de calango descrita, homenageando os habitantes da região.

O calango tem por volta de 8cm, corpo amarronzado com pequenos pontos e a cabeça numa cor bronze.

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Tropidurus sertanejo. Foto retirada da figura 2 do artigo de Carvalho et al, 2016.

A espécie foi coletada pela primeira vez na década de 90, mas apenas com o advento da genética e da morfologia é que foi possível descrever uma nova espécie. Mais de 70% das espécies desse gênero foram descobertas nos últimos 35 anos.

O artigo que descreve a nova especie de calango do semiarido nordestino foi publicado no periodico American Museum Novitates, e foi conduzido pelo pesquisador Andre Luiz Carvalho em sua tese de doutorado.

Leia a reportagem completa aqui:

http://www.museu-goeldi.br/portal/content/nova-esp-cie-de-calango-descoberta-no-sert-o-nordestino

Consulte o artigo original aqui:

http://www.museu-goeldi.br/portal/sites/default/files/noticias/arquivos/2016_Carvalho_etal_Tropidurus%20sertanejo.compressed.pdf

 

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