Notícia: como alimentar uma cobra de duas cabeças?

Criadores que possuem muitas cobras normalmente mantem todas separadas. Como possuem uma vida solitária na natureza elas poderiam não se darem bem com outras em cativeiro, podendo haver canibalismo e também luta por alimento. Então o que fazer para alimentar uma cobra com duas cabeças?

double headed snake

Foto do Youtube

Medusa é uma Serpente-de-Leite-Hondurenha albina que apresenta bifurcação axial: apresenta duas cabeças que tem pensamentos independentes e são capazes de controlar o corpo de forma compartilhada. A bicefalia é causada pela divisão incompleta de gêmeos monozigóticos e não é muito comum na natureza. Cobras bicéfalas selvagens não costumam viver por muito tempo, mas conseguem ter uma vida relativamente longa em cativeiro com boas condições.

É impossível saber como cada cérebro interpreta a outra cabeça. Embora o alimento consumido por uma das cabeças nutra todo o corpo a cabeça que não deglutiu o alimento não sentirá saciação, porque cada cérebro recebe o sinal de fome, e cada uma decide se quer ir para alimentação. Se um lado tem alimento e o outro não, elas começarão a lutar por ele.

Confira como os cuidadores de Medusa orquestram sua refeição no link  vídeo.

Fontes: IFLS, NAT GEO

Anúncios

O que acontece quando jogamos sal em sapos?

Jogar sal em sapos é uma “brincadeira” muito comum em cidades do interior. Com o intuito de afugentar os sapos de suas residências ou simplesmente por pura perversidade, as pessoas jogam sal no anfíbio e observam-no saltar e agonizar sob efeito do composto. O que era pra ser engraçado acaba se tornando uma piada de muito mau gosto.

A pele dos anfíbios é um dos principais órgãos responsáveis pela respiração cutânea,  processo em que a pele é a mediadora entre a troca de gases respiratórios (assim como o pulmão). Para isso ser possível, a epiderme deve ser muito vascularizada e úmida, pois a água facilita a troca gasosa por um fenômeno conhecido como difusão. Quando em contato com o sal, a pele do sapo perde parte da sua umidade e da sua capacidade respiratória, deixando-o desidratado e causando asfixia, além do fato de sua pele fina deixar os vasos sanguíneos bem mais expostos ao composto, aumentando a sua pressão sanguínea. Além disso, essa prática é considerada criminosa pela Lei Federal nº 9.605/98, Art. 32: “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, com pena de multa e detenção de três meses a um ano.

Sapo Rhinella jimi. Foto: Déborah Praciano

Então o que fazer ao encontrar um sapo na rua ou em casa? Simples, deixe-o seguir seu caminho ou peça para alguém para  deixá-lo com cuidado em uma área de mata próxima. Eles são muito importantes no controle de pragas como insetos e não fazem mal algum ao ser humano. Os animais, assim como nós, têm todo o direito de, simplesmente, viver.

Por: Paulo Cunha Ferreira Bringel, membro do NUROF-UFC

Répteis como animais de estimação: dificuldades e problemas

Por serem silenciosos, os répteis parecem ser os animais de estimação ideais para muitas pessoas que moram em apartamentos ou em casas pequenas. Jabutis (Chelonoidis carbonaria, principalmente), iguanas (Iguana iguana), teiús (Salvator merianae) e jiboias (Boa constrictor) (Figura 1) são criados em muitas residências como pets. Entretanto, é importante refletir sobre os cuidados requeridos por esses animais.

P1110052

Figura 01. Filhote de jiboia (Boa constrictor) mantida em cativeiro. Fotografia de Diego de Oliveira Soares

Os répteis, assim como todos os outros animais, necessitam de assistência para poderem crescer saudavelmente em cativeiro. Cuidados com a alimentação, com o espaço onde vivem e com a saúde não podem ser negligenciados. Em relação à alimentação, não existem muitas rações industrializadas com todas as vitaminas e nutrientes que esses animais precisam. Desse modo, é muito comum ocorrer problemas de saúde devido a falhas na dieta. Paranzini et al. (2008) listam vários distúrbios nutricionais encontrados em répteis criados em cativeiro. Dentre os mais comuns citados pelos autores, destacam-se problemas na ingestão e no metabolismo de cálcio, que causa deformações no casco dos quelônios (Figura 2) e aumento da fragilidade nos ossos longos de iguanas; a anorexia, causada pelo stress do cativeiro ou por doenças adicionais; hipovitaminose A, a qual causa inchaços nos olhos desses animais; obesidade, dentre outros. Recintos inadequados, sem acesso à luz solar, também reduzem o crescimento desses animais e causam problemas no metabolismo da vitamina D, diminuindo o aproveitamento do cálcio da dieta (MADER, 2007). Quanto aos cuidados com a saúde dos répteis de estimação, pode-se identificar um problema simples logo de início: Quantos veterinários vocês conhecem que realmente sabem cuidar desses animais? Poucos profissionais da veterinária conhecem a biologia e as doenças que podem atingir os répteis. Desse modo, quando ficam doentes, é muito difícil encontrar alguém com experiência para socorrê-los.

Indivíduo de Chelonoidis carbonaria (Jabuti) alimentando-se. Notar a presença de pequenas deformações nos escudos da carapaça, os quais apresentam formas semelhantes a pequenas pirâmides (problema conhecido como piramidismo). Fotografia de João Fabrício Mota Rodrigues.

Figura 2. Indivíduo de Chelonoidis carbonaria (Jabuti) alimentando-se. Notar a presença de pequenas deformações nos escudos da carapaça, os quais apresentam formas semelhantes a pequenas pirâmides (problema conhecido como piramidismo). Fotografia de João Fabrício Mota Rodrigues.

Outro problema de criar um réptil é a origem do animal. Normalmente, eles são comprados em feiras clandestinas, de vendedores que os retiraram ilegalmente da natureza. Assim, é comum adquirir-se um animal estressado e machucado pelo transporte inadequado a que foi submetido, o qual poderá morrer em pouco tempo devido a lesões internas ou mesmo por, simplesmente, não querer comer (RENCTAS, 2001). Também convém lembrar que comprar répteis ilegalmente é um incentivo ao tráfico de animais silvestres, afinal não existiria um produto se não houvesse quem o comprasse. Portanto, caso desejem criar um réptil, procurem o IBAMA para obter contatos de vendedores legalizados, os quais possuem animais nascidos em cativeiro, microchipados e com cuidados veterinários.

Por fim, é importante ressaltar que criar qualquer animal é uma grande responsabilidade e que, em alguns anos, aquele pequeno animalzinho que você escolheu criar pode se transformar em um grande problema, o qual vai demandar muito mais espaço e comida. Souza et al. (2007) destacam que a principal causa da entrega de répteis por seus criadores aos órgãos do governo é a perda de interesse em criá-los. Então, antes de procurar um local para adquirir um réptil como animal de estimação, deve-se pesquisar e refletir sobre a dieta do animal, tamanho que ele atingirá quando adulto, tempo de vida, doenças associadas, espaço requerido, dentre outras informações. Se após essas considerações, você se considerar apto a assumir essa responsabilidade, procure um vendedor legalizado e boa sorte nessa jornada.

Por: João Fabrício Mota Rodrigues, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MADER, D. R. Reptile medicine and surgery. Philadelphia: WB Saunders Company, 2007. 1242p.

PARANZINI, C. S.; TEIXEIRA, V. N.; TRAPP, S. N. Principais distúrbios nutricionais encontrados em répteis cativos – Revisão Bibliográfica. UNOPAR Científica, Ciências Biológicas e Saúde, v. 10, n. 2, p. 29-38, 2008.

RENCTAS. 1° Relatório Nacional obre o Tráfico de Fauna Silvestre. 2001. Disponível em: <www.renctas.org.br>. Acesso em: 23 Mar. 2013.

SOUZA, V. L.; SANTOS, T. M.; PEÑA, A. P.; LUZ, V. L. F.; REIS, I. J. dos. Caracterização dos répteis descartados por mantenedores particulares entregues ao Centro de Conservação e Manejo de Répteis e Anfíbios – RAN. Revista Biologia Neotropical, v. 4, n. 2, p. 149-160, 2007.

Clipagem: O atendimento de animais silvestres em clínicas de pequenos animais

Com a crescente verticalização das moradias, é cada vez mais comum à criação de animais não convencionais nos lares, por estes ocuparem menor espaço, serem de fácil manejo e manutenção. Ainda, desde os tempos mais remotos, os animais silvestres sempre tiveram presentes nas casas, impulsionados pelo crescente número de criatórios registrados no IBAMA.

Com isso, é cada vez mais frequente a presença destes na clínica de pequenos animais e o clínico deve estar preparado para fornecer as corretas orientações de manejo, ambiente de criação, nutrição, biologia aplicada, entre outros; assim como saber como abordar, conter, examinar, tratar e manter internado este paciente tão diferente dos animais domésticos convencionais. O correto conhecimento dos tópicos apresentados é crucial para o sucesso do profissional que pretende oferecer a seus clientes um serviço pleno na clínica de pequenos animais.

A criação de animais não convencionais e silvestres tem se tornado uma prática comum nos lares. O que eleva a demanda de atendimento especializado para estes animais.

O animal silvestre é diferente de um cachorro e de um gato. Ele se estressa mais fácil, às vezes é difícil de segurar e ainda por cima pode bicar e morder.

A anatomia e fisiologia únicas dos répteis, aves e mamíferos silvestres, tornam os procedimentos cirúrgicos nestes animais bastante diferentes daqueles empregados em cães e gatos.

A abordagem cirúrgica requer equipamentos especiais de acesso e acompanhamento do paciente no transoperatório, como anestesia inalatória, monitores cardíacos, oxímetro de pulso, Doppler vascular, bomba de infusão e em alguns casos deve-se valer de serras cirúrgicas específicas para cascos e bicos.

As clínicas que atendem animais silvestres devem valer do maior número de métodos diagnósticos para descobrir as afecções que acometem aves, répteis e pequenos mamíferos, pois, muitas delas apenas podem ser descobertas com o uso de raios-X. Os posicionamentos radiográficos não são os mesmos adotados em cães e gatos e algumas vezes é preciso anestesiar os animais. E o profissional que vai prestar o atendimento precisa ser capacitado para poder lidar com as principais situações ocorridas na clínica de pequenos animais.

Leia também: Meu bichinho de estimação é silvestre

Fonte: CPT Cursos Presenciais

Adaptação: Revista Veterinária

Disponível em:  RevistaVeterinaria.com.br

A muda de pele das serpentes

O desenvolvimento de um tegumento com um grau de queratinização mais elevado nos répteis foi um evento importante no processo de independência da água. Os répteis squamatas, em geral, passam por um processo chamado ecdise ou mudança de pele, momento crítico na vida desses animais, porém, necessário para auxiliar no crescimento e na renovação dos tecidos. A forma como se dá a ecdise varia conforme o tipo de tegumento. Por exemplo os lagartos apresentam diferentes formas de desprendimento da pele velha, geralmente em pedaços irregulares, diferente das mudas de serpentes que se desprendem inteiramente (SMITH 1946; ZUG 1993).

No caso das serpentes, a muda é especialmente interessante uma vez que a pele é trocada por inteiro, de uma só vez. Começando pela cabeça, a pele velha vai se soltando e saindo pelo avesso, como se fosse uma meia (veja o vídeo abaixo). Os casos onde isso não ocorre e a muda acontece irregular (muda imperfeita) podem indicar que algo está errado com a saúde do animal. Por isso, nos serpentários a muda das serpentes é um quesito que é bem observado.

Fatores como parasitas externos, dieta e condições físicas do ambiente inadequadas ou outras situações de estresse prejudicam o processo de muda das serpentes. Quando a muda não acontece por completo pode causar problemas no crescimento de novos tecidos ou levar ao “apodrecimento” de algumas regiões do corpo, agravando a saúde do animal.

O processo de muda das serpentes é de fácil reconhecimento, geralmente, o animal apresenta sintomas bem característicos. A cor dos olhos fica azulada ou esbranquiçada e turva prejudicando um pouco a visão do animal. As serpentes diminuem ou suspendem a alimentação neste período, voltando a alimentar-se somente depois que a muda se completa. O comportamento e a agressividade também sofrem alterações. Nos serpentários se evitam manusear as serpentes durante esse período.

Foto: Hugo Fernandes

A periodicidade com que as mudas ocorrem depende do estado de saúde do animal, do seu tamanho e idade e das condições do ambiente onde se encontram. Uma curiosidade que envolve a mudança de pele das cascavéis e que pouca gente sabe está relacionada ao tamanho do seu chocalho. Alguns ditos populares afirmam que cada unidade do chocalho de uma cascavél representa um ano a mais em sua idade, provavelmente tiram essa conclusão depois de observarem que cascavéis mais velhas possuem um chocalho maior, mas o que isso tem a ver com mudança de pele de serpentes? Você sabe como relacionar? Em breve postaremos sobre isso.

Por Gabriela Melo, membro NUROF UFC.

%d bloggers like this: