Notícia: Nova espécie de sapo recebe nome em homenagem à banda Pink Floyd

T1F0

Pesquisadores brasileiros descreveram recentemente uma nova espécie de sapo, que recebeu seu nome inspirado na famosa banda britânica Pink Floyd. A espécie recebeu o nome de Brachycephalus darkside (FIGURA 01), em homenagem ao álbum “The Dark Side of the Moon”, lançado em 1970 pela banda.

T1-F1

FIGURA 01. Fotografias de Brachycephalus darkside, mostrando uma fêmea (A) e um macho (B) da espécie. Fonte: GUIMARÃES et al., 2017.

Essa escolha não foi feita só pelo gosto musical dos pesquisadores. A espécie descrita possui manchas nas costas causadas pela presença de um tecido conjuntivo de cor preta que cobre toda a musculatura dorsal do animal (FIGURA 01). Por esse motivo, esse lado escurecido do anfíbio deu a ideia para a escolha do nome “darkside”. Segundo a pesquisadora, Carla Silva Guimarães, o nome da espécie é muito importante para divulgar o local de pesquisa e o grupo de pesquisadores, bem como promover o Museu de Zoologia e o Departamento de Biologia Animal da Universidade Federal de Viçosa, instituição na qual a pesquisa estava vinculada.

B. darkside foi encontrado na floresta atlântica da Serra do Brigadeiro (MG), o tipo de floresta no qual o gênero Brachycephalus é endêmico. O gênero possui 31 espécies descritas, e cerca de 30% foram descritas nos últimos três anos, o que indica que a diversidade do gênero ainda está sendo descoberta.

Durante os meses secos da pesquisa, de Julho a Setembro, B. darkside foi encontrado escondido profundamente na serrapilheira, enterrado ou entre raízes de árvores (FIGURA 02). Durantes os meses de Outubro a Dezembro, período de atividade de B. darkside, os machos foram encontrados cantando em cima ou abaixo de folhas, e as fêmeas foram encontradas andando sobre a serrapilheira.

T1-F2

FIGURA 02.  Fotografias do local onde B. darkside foi encontrado, mostrando um macho escondido abaixo de raízes (C) e as raízes onde o macho foi encontrado (D). Fonte: GUIMARÃES et al., 2017.

A cor amarelo-alaranjada brilhante de B. darkside (FIGURA 01), característica do seu gênero, é um tipo de coloração aposemática, que atua como um alerta para predadores, avisando-os que aquele indivíduo provavelmente possui toxinas.

A descoberta foi publicada na revista Zootaxa, em um artigo com o título “The dark side of pumpkin toadlet: a new species of Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae) from Serra do Brigadeiro, southeastern Brazil”. A descrição foi embasada por estudos de morfologia, osteologia, histologia e vocalização da espécie. A análise molecular ainda será feita, em outra fase da pesquisa. A autora ainda planeja, em seu doutorado, explicar a origem química e função da pigmentação característica de B. darkside, e o motivo das outras espécies de seu gênero não a possuírem.

Para mais informações, você pode consultar o artigo original aqui, e uma matéria muito interessante publicada sobre a descoberta aqui.

Texto escrito por Thaís Abreu, bolsista de extensão do NUROF-UFC.

REFERÊNCIAS

GUIMARÃES, Carla Silva; LUZ, Sofia; ROCHA, Pedro Carvalho; FEIO, Renato Neves. The dark side of pumpkin toadlet: a new species of Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae) from Serra do Brigadeiro, southeastern Brazil. Zootaxa: v. 4258, n. 4, p. 327-344, 2017.

Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFV. Nova espécie de sapo descrita por pesquisadores da UFV traz referência a grupo de rock. Disponível em: < http://www.ppg.ufv.br/?noticias=nova-especie-de-sapo-descrita-por-pesquisadores-da-ufv-traz-referencia-a-grupo-de-rock>. Acesso em: 20 jun. 2017.

 

Anúncios

NOTÍCIA: Artigo da Science descreve fóssil de cobra com patas encontrado no Brasil.

Cientistas descreveram o que dizem ser o primeiro fóssil conhecido de serpente com quatro patas. Os membros, tanto anteriores quanto posteriores (Fig.1), de 120 milhões de anos estão muito bem preservados, apresentam 20 cm de comprimento e terminam em cinco dígitos delgados. O fóssil foi batizado de Tetrapodophis amplectus, sendo que o gênero, em Grego, significa “Serpente com quatro patas” e o epíteto deriva do Latim e refere-se aflexibilidade da criatura e a capacidade presumida para agarrar firmemente suas presas.

Tetrapodophis (rear limbs shown), had delicate but functional limbs that may have been used for grasping prey or used during mating

Fig.1. Tetrapodophis (membros posteriores), tinha membros delicados, mas funcionais que podem ter sido utilizados para agarrar a presa ou utilizados durante o acasalamento.

Segundo os pesquisadores, a peça é originária da Formação Crato, na Bacia do Araripe, no Ceará. Detalhes de quando ela foi descoberta e como finalmente acabou no museu alemão,onde se encontra agora, permanecem um mistério. Esses detalhes são importantes paramuitos pesquisadores e especialmente para alguns do Brasil, visto que tem sido ilegal exportar fósseis do país desde 1942. A descrição foi publicada em artigo tendo como autores David M. Martill, paleontólogo da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, Helmut Tischlinger e Nicholas Longrich.

Este seria o fóssil de uma das primeiras serpentes, sugerindo que o grupo evoluiu a partir de precursores terrestres na Gondwana, o remanescente sul  do supercontinente Pangeia. Embora apresente plano corporal e outras características anatômicas semelhantes às serpentes atuais, alguns pesquisadores não tem tanta certeza da filogenia deTetrapodophis (Fig.2).

Tetrapodophis (artist’s representation) is the first known snake known to have four limbs.

Fig.2. Representação artística de Tetrapodophis mostrando uma das funções que poderia ter seus membros (segurar as presas). Foto: Reprodução/Science/Julius Cstonyu

Michael Caldwell, paleontólogo de vertebrados da Universidade de Alberta, Edmonton, no Canadá, admite que viu apenas imagens do fóssil, não o próprio fósseis. Mas alguns aspectos da coluna vertebral da criatura não coincidem com o de outras cobras e lagartos, observa. Em particular, as superfícies frontal das vértebras de cobras e lagartosconhecidos, exceto em geckos, são côncavas, e as superfícies posteriores são convexas; o que não parece ser o caso em Tetrapodophis (Fig.3), diz ele.

Tetrapodophis

Fig.3. Fóssil completo de Tetrapodophis (Coluna e costelas). Adaptado de Martill et al, 2015.

Tetrapodophis tem uma mistura muito interessante de personagens,” diz SusanEvans, uma paleobiolóloga da University College London. Embora os dentes da criatura pareçam com os de serpentes, ela admite, “Estou tentando sentar cuidadosamenteem cima do muro sobre se esse fóssil pertence, realmente, a uma cobra.Um alongamentoradical do corpo e redução no tamanho ou perda de membros ocorreu muitas vezes em outros grupos de répteis, observa ela. Outro enigma, acrescenta, são o porque dos ossos nas pontas dos dígitos da criatura serem tão longos. Longrich e seus colegas sugerem que os dedos das patas longos eram usados para agarrar presas ou possivelmenteusado durante o acasalamento. Mas Caldwell observa que essas características “são notavelmente incomuns, a menos que você é seja arborícula.”

FONTE: Science

%d bloggers like this: