Herpetoarte: Sonetilho dos esquamados

O Blog do NUROF-UFC também é um lugar para a divulgação da arte relacionada à herpetologia!

O sonetilho a seguir foi escrito pela Patrícia Gondim, bióloga e doutoranda em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal do Ceará.

Sonetilho dos Esquamados - Patrícia Gondim 1

Um S tem a Serpente
Sibila ruidosamente
Tão oblonga e sinuosa
S é também som e forma

Sorrateira e de repente
Sempre dá medo na gente
Mas há também muita prosa
Que persegue a pobre cobra

Sandice que mata e fere
Quantas forem, uma ou sete
Deixe a serpejante ir

Brilha a cada nova pele
Selvagem e bela serpe
Surucucu, sucuri…

Sonetilho dos Esquamados - Patrícia Gondim 2

Patrícia Gondim

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NOTÍCIA: Artigo da Science descreve fóssil de cobra com patas encontrado no Brasil.

Cientistas descreveram o que dizem ser o primeiro fóssil conhecido de serpente com quatro patas. Os membros, tanto anteriores quanto posteriores (Fig.1), de 120 milhões de anos estão muito bem preservados, apresentam 20 cm de comprimento e terminam em cinco dígitos delgados. O fóssil foi batizado de Tetrapodophis amplectus, sendo que o gênero, em Grego, significa “Serpente com quatro patas” e o epíteto deriva do Latim e refere-se aflexibilidade da criatura e a capacidade presumida para agarrar firmemente suas presas.

Tetrapodophis (rear limbs shown), had delicate but functional limbs that may have been used for grasping prey or used during mating

Fig.1. Tetrapodophis (membros posteriores), tinha membros delicados, mas funcionais que podem ter sido utilizados para agarrar a presa ou utilizados durante o acasalamento.

Segundo os pesquisadores, a peça é originária da Formação Crato, na Bacia do Araripe, no Ceará. Detalhes de quando ela foi descoberta e como finalmente acabou no museu alemão,onde se encontra agora, permanecem um mistério. Esses detalhes são importantes paramuitos pesquisadores e especialmente para alguns do Brasil, visto que tem sido ilegal exportar fósseis do país desde 1942. A descrição foi publicada em artigo tendo como autores David M. Martill, paleontólogo da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, Helmut Tischlinger e Nicholas Longrich.

Este seria o fóssil de uma das primeiras serpentes, sugerindo que o grupo evoluiu a partir de precursores terrestres na Gondwana, o remanescente sul  do supercontinente Pangeia. Embora apresente plano corporal e outras características anatômicas semelhantes às serpentes atuais, alguns pesquisadores não tem tanta certeza da filogenia deTetrapodophis (Fig.2).

Tetrapodophis (artist’s representation) is the first known snake known to have four limbs.

Fig.2. Representação artística de Tetrapodophis mostrando uma das funções que poderia ter seus membros (segurar as presas). Foto: Reprodução/Science/Julius Cstonyu

Michael Caldwell, paleontólogo de vertebrados da Universidade de Alberta, Edmonton, no Canadá, admite que viu apenas imagens do fóssil, não o próprio fósseis. Mas alguns aspectos da coluna vertebral da criatura não coincidem com o de outras cobras e lagartos, observa. Em particular, as superfícies frontal das vértebras de cobras e lagartosconhecidos, exceto em geckos, são côncavas, e as superfícies posteriores são convexas; o que não parece ser o caso em Tetrapodophis (Fig.3), diz ele.

Tetrapodophis

Fig.3. Fóssil completo de Tetrapodophis (Coluna e costelas). Adaptado de Martill et al, 2015.

Tetrapodophis tem uma mistura muito interessante de personagens,” diz SusanEvans, uma paleobiolóloga da University College London. Embora os dentes da criatura pareçam com os de serpentes, ela admite, “Estou tentando sentar cuidadosamenteem cima do muro sobre se esse fóssil pertence, realmente, a uma cobra.Um alongamentoradical do corpo e redução no tamanho ou perda de membros ocorreu muitas vezes em outros grupos de répteis, observa ela. Outro enigma, acrescenta, são o porque dos ossos nas pontas dos dígitos da criatura serem tão longos. Longrich e seus colegas sugerem que os dedos das patas longos eram usados para agarrar presas ou possivelmenteusado durante o acasalamento. Mas Caldwell observa que essas características “são notavelmente incomuns, a menos que você é seja arborícula.”

FONTE: Science

Clipagem: Correios de MG encontram cobras em encomenda enviada para SC


Duas cobras foram encontradas dentro de uma caixa em uma agência dos Correios de Varginha, na Região Sul de Minas Gerais, nesta terça-feira (25). Segundo informações da assessoria dos Correios, a encomenda seguia de Pouso Alegre para a cidade de Caçador, no estado de Santa Catarina.

Referência [g1.globo.com]

NOTA DO BLOG: Mais uma vez noticiamos o tráfico de animais através do serviço postal. Somente associando fiscalização efetiva e leis rigorosas é que conseguiremos diminuir este tipo de crime.

Clipagem: Sucuri é a maior cobra brasileira

A sucuri-verde, conhecida como anaconda, é a maior serpente brasileira, atingindo 9 m de comprimento e até 250 kg. É considerada a segunda maior serpente do planeta, ficando atrás apenas da píton-reticulada, que vive na Ásia e mede até 11 m.

Sucuri-verde de 3 metros encontrada no campus da Universidade Federal do Pará. Foto Wagnermeier, disponível em: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:01-COBRA-SUCURI-3M-WAGNER-MEIER_MG_2458.JPG

Além da sucuri-verde (Eunectes murinus) há também a amarela (Eunectes notaeus). Elas habitam locais diferentes e têm características distintas. A amarela vive no Pantanal, é menor e tem coloração mais chamativa. A verde é mais robusta e tem cor escura para poder se esconder melhor no seu habitat, a Floresta Amazônica.

Nenhuma das duas é venenosa, mas ambas têm fama de devoradoras. É que as sucuris são serpentes constritoras, ou seja, matam a presa enrolando-se em volta do corpo dela para sufocá-la. Procura não quebrar os ossos da vítima para não correr o risco de se machucar na hora de se alimentar.

COME GENTE? – Uma lenda diz que a sucuri é ‘comedora de gente’. Essa serpente, assim como todas as outras, é carnívora, mas os humanos não fazem parte de seu cardápio natural que inclui peixes, jacarés e capivaras. Prefere ‘pescar’ com muita habilidade seu rango.

É excelente nadadora, mesmo sem pernas ou braços. Vive próxima a lagos e rios e procura se manter sempre enrolada em galhos de árvore ou mesmo no solo. Ao se sentir ameaçada, entra imediatamente na água, onde consegue se movimentar com mais rapidez, com seu corpo é grande e pesado.

Com a colaboração de Thiago Toshio, do Zoológico de São Paulo, e a consultoria de Giuseppe Puorto, diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan

Fonte: DIÁRIO DO GRANDE ABC- DIARINHO

Enquete do Instituto Butantan para escolher nome de Jararaca

O Instituto Butantan está com uma enquete para a definição do nome de um filhote de Jararaca Ilhoa [Bothropoides insularis (AMARAL, 1921)]. Os nomes para escolha são: Aureo, Fiuk, Homer, Jack, Neymar e Yubá. Para votar é só você entrar na página do Instituto Butantan ou diretamente no link da página de votação

Vamos participar pessoal!

VEJA TAMBÉM:

Reportagem na RedeTV sobre a enquete

Quem tem sangue frio?

Parece mas não é: Cobras-cegas são anfíbios!

Popularmente conhecidos como “cecílias” ou “cobras-cegas” estes animais são anfíbios comumente confundidos com serpentes (répteis). A confusão surge devido a semelhanças como corpo alongado e ausência de membros. Na verdade, uma das ordens dentro da classe amphibia é conhecida como Gymnophiona, do grego: gymnos (nu) + ophioneos (parecido com serpente) e nesta ordem estão inseridas nossas conhecidas cobras-cegas.

Foto Henrique Nogueira

As cobras-cegas são fossoriais (animais que vivem sob a terra escavando os solos) e suas características morfológicas refletem este hábito, por exemplo, a ausência de membros que facilita a escavação e a movimentação embaixo da terra. Uma característica também das cobras-de-duas-cabeças (relembre: Quem são as cobras-de-duas-cabeças? Cobras de duas cabeças?).

Além disso, a visão é um sentido pouco desenvolvido nestes anfíbios, uma vez que vivem embaixo do solo onde há pouca ou nenhuma luminosidade. No máximo, os olhos das cecílias conseguem distinguir entre claro e escuro. Para ajudar na percepção do ambiente e na localização de presas, predadores e parceiros para reprodução estes animais contam com um par de pequenas estruturas sensoriais em forma de tentáculos protáteis na cabeça.

A pele úmida das cobras-cegas difere da pele seca das serpentes, que é coberta por muitas escamas de coloração variada. As cobras-cegas possuem escamas dérmicas, pequenos discos achatados localizados em dobras transversas ao longo do corpo formando anéis que podem auxiliar na locomoção nas galerias subterrâneas.

A língua bífida das serpentes não é encontrada em cobras-cegas, estas não possuem língua protátil e a cauda das cobras-cegas é muito curta ou ausente. Outra diferença importante é o ovo amniótico, característica ausente nos anfíbios e marcante nos répteis.

Então, a diferença básica consiste no fato das cecílias ou cobras-cegas serem anfíbios, portanto com muitas caracteríticas bem diferentes das características das serpentes, que são répteis e apesar de muitos confundirem, o leitor pode agora notar que são animais bem distintos. Cuidado para não confundir!

Por: Gabriela Cavalcante de Melo,membro NUROF-UFC

Bibliografia:

POUGH, F. Harvey; JANIS, Christine M.; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. 4. ed. São Paulo, SP: Atheneu, 2008.

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