Caninana

Spilotes pullatus (Linnaeus 1758) (Serpentes, Colubridae), a famosa Caninana (Fig. 1), é uma das serpentes mais amplamente distribuída na América  do Sul (Marques et al. 2014; Guedes et al. 2014) e no Brasil ela é encontrada na Caatinga, Cerrado, Pantanal e florestas Atlântica e Amazônica (Guedes et al. 2014). Na nossa Caatinga habita todos os tipos de fitofisionomias, preferindo vegetações mais arbóreas e enclaves florestais, até 1000m de altitude (Guedes et al. 2014). Adapta-se bem a áreas de florestas degradadas também (Martins e Oliveira, 1999), para ela não tem tempo ruim.

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Figura 1. Spilotes pullatus, a famosa Caninana. Créditos da foto: Willianilson Pessoa.

É uma serpente semi-arborícola, diurna e se alimenta principalmente de pequenos mamíferos, aves e seus ovos, as quais procura forrageando no chão ou na vegetação (Marques et al. 2014), mas pode comer também sapos e lagartos (Martins e Oliveira, 1999). Quando capturam presas pequenas as engole rapidamente ainda vivas, ao passo que quando as presas são maiores as constringe ou pressiona contra o substrato antes de serem devoradas (Marques et al. 2014).

 A Caninana é um dos maiores colubrídeos da América do Sul (Fig. 2), com tamanho médio de 1,5 m (igualmente para machos e fêmeas) mas com alguns indivíduos chegando a 2,5 m (Marques et al. 2014). Comportamentos de coorte podem exibir combates entre machos, os quais ficam com a porção anterior e cabeça em posição vertical, se entrelaçando e tentando alcançar a máxima altura quanto possível (Marques et al. 2014). Provavelmente, a fêmea prefere aquele que alcança a maior altura, assim como acontece com outras espécies de serpentes. A ninhada das Caninanas podem ter de 5 a 12 ovos, os quais nascem por volta do mês de março, depois de 3 a 4 meses após a postura (Amaral, 1930; Marques et al. 2014).

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Figura 2. A Caninana é um dos maiores colubrídeos da América do Sul. Créditos da foto:  Willianilson Pessoa.

Sua popularidade está intimamente ligada a seu comportamento agressivo, o que faz com que pessoas a chamem de Cobra-Voadora, vingativa e perseguidora. Tais crendices podem ser justificadas pelo repertório comportamental que essa serpente exibe ao se deparar com seres humanos, que envolve elevação da cabeça e parte anterior do corpo, enrodilhamento em forma de S, inflação gular (Fig 3) e, em algumas situações, pode perseguir o observador humano por alguns metros, mas de repente se vira e foge rapidamente. Quando manuseadas, elas podem se debater e girar o corpo, frequentemente tentando morde o manipulador (Martins e Oliveira 1999).

A Caninana  é uma das serpentes mais notáveis e emblemáticas nas áreas onde ocorre, tornando-se alvo de admiração e medo por parte da população que a conhece. Sempre surgem  crenças sobre essa serpente. Contudo, na maioria das vezes, infelizmente, acabam gerando um ódio cego, o que leva muitos indivíduos à morte simplesmente pela ignorância e falta de informação. Ressaltamos aqui que essa serpente é áglifa, não peçonhenta e não oferece perigo significativo aos seres humano. Portanto, por mais agressiva que possa parecer quando alguém se deparar com alguma Caninana, não precisa ficar com medo e matar o animal, apenas se afaste dele, pois é nosso dever respeitar todas as formas de vida.

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Figura 3. Caninana apresentando o comportamento de defesa de inflação gular. Créditos da foto:  Willianilson Pessoa

Por: Castiele Holanda Bezerra, bióloga do NUROF-UFC.

Referências:

Amaral, A. 1930. Notes on Spilotes pullatus. Bull. Antiv. Inst. America 3:96-99.

Guedes, T. B.; Nogueira, C.; Marques, O. A. V. 2014. Diversity, natural history and geographic distribution of snakes in the Caatinga, Northeastern Brazil. Zootaxa 3863 (1): 1 – 93. DOI: http://dx.doi.org/10.11646/zootaxa.3863.1.1.

Marques, O. A. V.;  Muniz-Da-Silva, D. F.;  Barbo, F. E.; Cardoso, S. R. T.; Maia, D. C.; Almeida-Santos, S. M. 2014. Ecology of the Colubrid Snake Spilotes pullatus from the Atlantic Forest of Southeastern Brazil. Herpetologica 70(4):407-416.

Martins, M.; Oliveira, M.E. 1998. Natural history of snakes in forests of the Manaus Region, Central Amazonia, Brazil. Herpetological Natural History 6:78–150.

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