Existe diferença entre sapo, rã e perereca?

Muitas pessoas se confundem ao classificar os anfíbios quanto a sapos, rãs e pererecas. Esses animais possuem sim muitas diferenças que aparecem tanto na morfologia quanto no comportamento e na taxonomia.

SAPO Foto: Crizanto B. De-Carvalho; Disponível em http://ardobrasil.blogspot.com/


Os sapos, em geral, pertencem à família Bufonidae e têm a aparência grosseira, de pele rugosa e geralmente com a presença de muitos grânulos. Possuem pernas curtas, que os possibilita dar apenas saltos pequenos e desajeitados. Preferem habitar os ambientes terrestres, entretanto na época reprodutiva, procuram os ambientes aquáticos.

As rãs brasileiras são representadas pela família Leptodactylidae. Essas espécies têm a pele lisa e brilhante, dedos longos e finos e pernas longas, que alcançam mais da metade do tamanho do animal e os possibilita dar longos saltos. Algumas espécies podem apresentar membranas em suas patas traseiras auxiliando no nado. Em geral, as rãs preferem habitar principalmente os ambientes úmidos próximos à lagoas.

RÃ Foto: Carlos Cândido; Disponível em http://ardobrasil.blogspot.com/

RÃ Foto: Carlos Cândido; Disponível em http://ardobrasil.blogspot.com/

Por fim, as pererecas são animais delicados e geralmente lentos de olhos esbugalhados. Apresentam na ponta de seus dedos ventosas (discos digitais) que auxiliam na fixação durante as escaladas. Também possuem pernas finas e longas que proporcionam saltos de até 2 metros de distância. São representadas principalmente pelas espécies da família Hylidae e preferem habitar árvores ou vegetações próximas a corpos d’água, indo para o ambiente aquático para se reproduzir.

PERERECA Foto: Roberto L.M. Novaes; Disponível em http://ardobrasil.blogspot.com/


Apesar de serem animais enojados pelos seres humanos, não apresentam perigo algum e são de grande importância para manutenção do equilíbrio ecológico, dado que participam ativamente de algumas cadeias alimentares, e podem até servir como potenciais bioindicadores tanto de locais com acentuada poluição, quanto de locais que ainda apresentam mata virgem.

Por: Juliana Borges e Deborah Praciano, membros do Nurof-UFC.

*As fotos desta postagem são publicadas sob permissão do Blog Anfíbios & Répteis do Brasil todos os direitos são reservados à seus autores.

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Notícia: Cobras são tratadas como filhas por casal de Canoas

Moradora de Canoas tratam serpentes como se fossem filhas.

Canoas – Filó e Filomena são a alegria da família Ribas, moradores da Rua Morta, no bairro Mato Grande, em Canoas. Elas vivem dentro de casa. Assistem televisão em cima da mesa da sala. Ganham comida especial e até banho. A primeira apareceu no pátio da residência há quatro meses, a outra, há dois. Foi paixão à primeira vista. “Se quiserem se meter com as minhas gurias, peço briga. Ninguém vai mexer com as minhas crianças”, ameaça Jacira Ribas.

[Referência: diariodecanoas.com.br]

NOTA DO BLOG: Embora a moradora tenha carinho pelas serpentes, o que é em geral incomum, e acredite que as dê todo o cuidado, manter répteis como animais domésticos exige cuidados específicos. Além do mais como sempre ressaltamos a criação desses animais em cativeiro requer o devido licenciamento junto aos órgãos competentes.
VEJA TAMBÉM: Meu bichinho de estimação é silvestre

III Simpósio Nacional de Ecologia teórica

Acontecerá em Fortaleza –CE de 13 a 15 de abril de 2011 na Fábrica de Negócios do Hotel Praia Centro o III Simpósio Nacional de Ecologia teórica. No encontro serão abordados os temas:
* Avanços teóricos notáveis na Ecologia;
* Abordagens teóricas sobre estudos de populações e comunidades;
* Redes complexas e configurações de comunidades;
* Funcionamento de ecossistemas perante mudanças climáticas;
* Renovação de conhecimentos e troca de experiências da pesquisa ecológica;
* Interdisciplinaridade, biodiversidade, educação, desenvolvimento sustentável e conservação.
Para maiores informações e inscrição visite ecologia2011.com.br

#twitciencia: uma proposta pra usar no twitter

Do blog genereporter
Por Roberto Takata

Vários filomatas estão presentes no twitter como podemos verificar pela listagem elaborada por Átila Iamarino no Rainha Vermelha.

Há intensas trocas de mensagens sobre ciências entre os tuiteiros, mas o mecanismo do twitter agora oculta tuítes endereçados a uma conta (ou grupo de contas) específica – somente quem segue a pessoa que envia o tuíte e a pessoa para quem o tuíte é endereçado pode acompanhar o diálogo em sua própria timeline. Isso torna os debates que ocorrem um tanto ocultos.

Para um debate mais amplo, porém, listar todas as pessoas a quem se pretende dirigir um tuíte torna-se proibitivo pela limitação do número de caracteres.

Uma solução seria o uso de uma hashtag temática. O #botequimtuitajoaquim, por exemplo, é uma tag bastante conhecida no twitter voltadoa para se compartilhar informações musicais.

Aí entra a proposta de se usar a hashtag #twitciencia para o mesmo tipo de compartilhamento via twitter voltado para temática científica. O #twitciencia seria uma tag permanente e genérica; eventualmente para um debate mais específico, poderia se usar variações como #twitciencia2011.

Veja o debate nos comentários da postagem original

A diversidade de lagartos

Atualmente, os lagartos compõem o maior grupo entre os “Répteis”, com aproximadamente 5000 espécies descritas. Abrangem uma grande diversidade de dimensões e formas corpóreas, variando desde as pequenas lagartixas anãs, de poucos centímetros de comprimento, aos gigantes dragões de Komodo, com até três metros e cerca de 150 quilos (Pough et al., 2008). Em geral, são formas de vida facilmente reconhecidas e distinguíveis de outros animais, por apresentar corpo alongado coberto de escamas, quatro membros com cinco dígitos cada, cauda longa, pálpebras móveis, ouvido externo com tímpano e, em geral, pela oviparidade. Entretanto, algumas linhagens diversificaram-se, havendo casos de reduções apendiculares, perda de pálpebras e de ouvido externo, além da ocorrência de viviparidade em várias espécies.

Hemidactylus_mabouia_DanielPassos

Figura 1. Uma lagartixa (Hemidactylus mabouia).  Fotografia de Daniel Passos.

O Brasil possui, atualmente, 721 espécies de “Répteis” que ocorrem em seu território, deste total, 241 são lagartos (Bérnils & Costa, 2012). Esta grande riqueza, uma das maiores do mundo, resulta não apenas da elevada extensão territorial do país, mas também da diversidade de ecossistemas e de eventos históricos de mudanças climáticas e geográficas durante o Pleistoceno na América do Sul (Rocha, 1994).

Os lagartos brasileiros ocorrem em praticamente todos os ambientes naturais e inclusive algumas espécies adaptaram-se eficientemente à vida em áreas urbanas. Tendo em vista esta presença no cotidiano das civilizações humanas, urbanas e rurais, é de se esperar que pelo menos algumas espécies tenham se tornado mais populares e figurem mais intensamente na cultura da população brasileira.

A seguir, algumas das espécies mais populares no país
(Nome popular – Nome científico – Família):
1.Camaleão (Iguana iguana) – Família Iguanidae
2.Lagarto rabo-de-abacaxi (Hoplocercus spinosus) – Família Hoplocercidae
3.Calango-cego (Polychrus sp.) – Família Polychrotidae
4.Papa vento (Enyalius sp.) – Família Leiosauridae
5.Lagartixa da praia (Liolaemus sp.) – Família Liolaemidae
6.Calango de parede (Tropidurus sp.) – Família Tropiduridae
7.Briba (Hemidactylus sp.) – Família Gekkonidae
8.Cobra de vidro (Ophiodes sp.) – Família Anguidae
9.Teiú (Tupinambis sp.) – Família Teiidae
10.Calango-liso (Mabuya sp.) – Família Scincidae

OBS: É importante frisar que a nomenclatura popular é muito vasta, apresentando particularidades regionais ao longo do território brasileiro, aqui apenas um nome popular foi citado.

Aguardem mais contribuições sobre os lagartos brasileiros.

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÉRNILS, R. S. & H. C. COSTA (org.). 2012. Répteis brasileiros: Lista de espécies. Versão 2012.1. Disponível em http://www.sbherpetologia.org.br/. Sociedade Brasileira de Herpetologia. . Acesso em: 10. dez. 2012.

POUGH, H. F.; JANIS, C. M.; HEISER, J. B. 2008. A vida dos vertebrados. 4ª ed. São Paulo: Atheneu.

ROCHA, C. F. D. 1994. Introdução à ecologia de lagartos brasileiros. In: NASCIMENTO, L. B.; BERNARDES, A. T.; COTTA, G. A. Herpetologia no Brasil, 1. Belo Horizonte:Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; Fundação Biodiversitas; Fundação Ezequiel Dias.

Sobre Tartarugas Marinhas

As tartarugas são animais que vivem no mar ( veja aqui ). Estes animais possuem ancestrais terrestres, no entanto hoje se encontram adaptadas ao ambiente aquático, retornando a terra apenas para a reprodução. São conhecidas sete espécies de tartarugas marinhas, dentre as quais cinco ocorrem no Brasil (veja aqui).

As tartarugas são animais migratórios por excelência, todas as espécies migram pelos oceanos entre áreas de forrageamento (alimentação) e reprodução. Utilizam para isso eficazes mecanismos de navegação e orientação ainda pouco conhecidos pela ciência. As tartarugas marinhas apresentam uma forte tendência em realizar as desovas sempre na mesma área, quer seja em uma mesma temporada reprodutiva ou em temporadas diferentes. Estudos realizados por meio de análises de DNA mitocondrial reforçam a idéia de que uma fêmea geralmente desova na praia onde nasceu, apresentando o que se chama de “fidelidade à praia de nascimento” (Bowen et al., 1994). O termo filopatria é utilizado para designar a fidelidade de retorno a uma mesma região, e o termo fidelidade de praia é empregado para designar os retornos a locais específicos nas praias de desova (Lutz e Musick, 1997).

Durante suas longas rotas de migração pelos oceanos as tartarugas passam por diferentes fronteiras. Este fato é um problema para o estabelecimento de planos de manejo e conservação uma vez que, para isso, são necessários acordos internacionais. No Brasil o projeto Tamar-ICMBio é um dos maiores aliados na conservação das tartarugas marinhas atuando com excelência em nove Estados brasileiros através de 23 bases que protegem até 1.100 km de praia.“Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho sócio-ambiental.”

Nos últimos duzentos anos, e de maneira mais intensificada nos últimos cinqüenta, uma combinação de fatores, tais como atividade de pesca comercial, a captura acidental, a destruição de habitats usados para alimentação, nidificação e repouso desses animais, e mais recentemente, a poluição dos mares conseguiram subjugar a capacidade das tartarugas em manter seu número populacional. Hoje são poucas as populações de tartarugas marinhas que não são afetadas pela atividade humana. A maioria das populações encontra-se em declínio, atingindo freqüentemente números críticos (Global, 1995). Todas as espécies que ocorrem no Brasil estão classificadas como Ameaçadas ou Vulneráveis na Lista Vermelha da IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza) (Barata et al., 2004). Sendo a tartaruga de couro classificada como criticamente ameaçada tanto no Brasil como pela IUCN.

Foto disponível no Banco de Imagens do Tamar: http://www.tamar.org.br/fotos.php

O ambiente terrestre da praia é escolhido pela fêmea como o local adequado para desova, incubação dos ovos e do nascimento dos filhotes. Entretanto, estima-se que apenas poucos filhotes em uma ninhada de mil, consigam sobreviver a cada evento reprodutivo. Naturalmente, ovos e filhotes de tartarugas marinhas tornam-se presas fáceis para animais como aves, caranguejos e peixes marinhos. No entanto a ação do homem tem potencializado a mortalidade de ovos e recém eclodidos. A ocupação litorânea e a iluminação inadequada prejudica a desova e desorienta os filhotes, que deixam de caminhar para o mar , guiados pela luz do horizonte, pois a iluminação artificial chega a ser mais forte e os filhotes acabam sendo atropelados, predados ou morrem por desidratação ao caminhar em direção contraria a do mar. Além disso, as grandes construções causam o chamado sombreamento afetando a temperatura das areias da praia. A determinação sexual das tartarugas marinhas sofre influência da temperatura ambiente e o sombreamento acaba por desequilibrar o número de machos e fêmeas nascidos.Veja: Determinação do sexo em tartarugas marinhas: ameaças ao equilíbrio das populações

Quando adultas, as tartarugas dificilmente são predadas, com exceção das fêmeas no período de desova, pois quando sobem a praia elas perdem agilidade e ficam expostas a perigos maiores. Mas, nenhuma ameaça natural pode ser comparada aos riscos que as atividades humanas representam. Alguns hábitos mais antigos de caça e coleta de tartarugas e ovos para consumo em comunidades praianas e pesqueiras hoje são menos intensos devido aos esforços da educação ambiental, assim como é o caso da pesca incidental.

Por: Gabriela C. de Melo, Membro Nurof UFC

Notícia: Reconstrução de laboratório do Butantan deve começar em 2011

“A reconstrução do laboratório de répteis do Instituto Butantan deve começar em 2011. O prédio com milhares de espécies foi destruído no ano passado por um incêndio.” [Referência: band.com.br]

NOTA DO BLOG:
A boa notícia esperada pelos estudantes e profissionais da zoologia e áreas afins promete para este ano de 2011 a reconstrução do laboratório do Butatan destruído em maio do ano passado em um trágico incêndio no prédio da Instituição.

Sabemos que a perda para a comunidade científica foi muito grande, porem os esforços para a recuperação daquele centro de pesquisas não podem parar. No incêndio, grande parte da coleção de um dos maiores acervos zoológicos do país foi perdida.

Aproveitamos para lembrar que muito ainda pode ser feito para melhoria das condições de segurança das coleções biológicas no Brasil. Depois de sofrerem quaisquer tipos de danos, os componentes de uma coleção biológica dificilmente podem ter recuperação, causando assim grande desfalque de fontes importantes de dados naturais que ajudam na compreensão da vida no planeta.

VEJA TAMBÉM: Coleções Científicas

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