Notícia: Descoberta nova espécie de calango na Caatinga

Endêmico do semiárido, na Caatinga baiana, o Tropidurus sertanejo é a mais nova espécie de calango descrita, homenageando os habitantes da região.

O calango tem por volta de 8cm, corpo amarronzado com pequenos pontos e a cabeça numa cor bronze.

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Tropidurus sertanejo. Foto retirada da figura 2 do artigo de Carvalho et al, 2016.

A espécie foi coletada pela primeira vez na década de 90, mas apenas com o advento da genética e da morfologia é que foi possível descrever uma nova espécie. Mais de 70% das espécies desse gênero foram descobertas nos últimos 35 anos.

O artigo que descreve a nova especie de calango do semiarido nordestino foi publicado no periodico American Museum Novitates, e foi conduzido pelo pesquisador Andre Luiz Carvalho em sua tese de doutorado.

Leia a reportagem completa aqui:

http://www.museu-goeldi.br/portal/content/nova-esp-cie-de-calango-descoberta-no-sert-o-nordestino

Consulte o artigo original aqui:

http://www.museu-goeldi.br/portal/sites/default/files/noticias/arquivos/2016_Carvalho_etal_Tropidurus%20sertanejo.compressed.pdf

 

Calango-verde, Ameiva ameiva

O Ameiva ameiva (Linnaeus, 1758), conhecido popularmente como calango-verde ou ainda tijubina é um lagarto que ocorre em quase todo território nacional. Tem ampla distribuição geográfica, sendo encontrado em áreas abertas na América do Sul e em Galápagos (Vanzolini et al, 1980), no Panamá e em Ilhas do Caribe (Schwartz et al, 1991). Geralmente abundante nos locais onde ocorre e apresenta alta densidade tanto em ambientes naturais quanto antropicamente alterados (Vitt e Colli, 1994).

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Ameiva ameiva forrageando em ambiente de Caatinga. Foto por John A. Andrade

O A. ameiva possui aproximadamente 30 cm e os machos apresentam geralmente tamanho maior que as fêmeas. É um lagarto terrícola e habita diversos (veja também: origem e diversificação dos lagartos) locais como áreas de bordas de mata, clareiras no interior de matas, e em áreas que foram alteradas pelo homem, como jardins, quintais e roçados.

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Ameiva Ameiva região amazônica. Foto por Paulo Sérgio Bernarde

Alimentam-se principalmente de invertebrados artrópodes (Vitt, L. J. & Colli G. R. 1994.), mas também podem se alimentar de algumas frutas. É um animal de hábitos diurnos. Sua reprodução é ovípara e pode ocorrer durante todo o ano havendo uma redução no período de seca. O tamanho da ninhada varia de 1 a 11 ovos por desova. Sua cor chama bastante atenção, pois apresenta um dorso verde brilhante.

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Ameiva ameiva. Foto por Paulo Sérgio Bernarde

Texto por Rafaela Moura, estagiária NUROF-UFC 


REFERÊNCIAS:

Silva, T. F., et al. “Ecologia de Ameiva ameiva (Sauria, Teiidae) na Restinga de Guriri, São Mateus, Espírito Santo, sudeste do Brasil.” Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão 15 (2003): 5-15.

Schwartz, A. & Henderson, R. W. 1991. Amphibians and reptiles of the West Indies: Description, Distribution and Natural History. University of Florida Press. Gainesville.

Vanzoline, P.E., Ramos-Costa, A.M.M., & Vitt, L.J. 1980. Repteis das caatingas. Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro.

Vitt, L. J. & Colli G. R. 1994. Geographical ecology of a neotropical lizard: Ameiva ameiva (Teiidae) in Brazil. Canadian Journal of Zoology, 72: 1986–2008.

SITE ACESSADO:

Herpetofauna

Bonita, nadadora e cheirosa!

Thamnophis sirtalis

 

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Essa é a Thamnophis sirtalis (Serpentes: Colubridae), uma típica serpente de jardim nativa da América do Norte. Com hábitos diurnos, essas serpentes de até um metro e meio de comprimento podem ser encontradas em muitos ambientes, de florestas e pradarias a ambientes urbanos, embora prefiram áreas úmidas, como as margens de lagoas, pântanos e córregos.  

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Quanto à aparência, elas capricham! Extremamente variáveis e coloridas, sua região dorsal pode variar de preto, marrom ou cinza ao verde, azeitona ou vermelho, e há normalmente três listras claras ao longo do seu comprimento. Mas ela não é só um rostinho bonito não! A serpente de jardim é uma excelente nadadora e frequentemente caça nadando lentamente ao longo das margens de lagos, muitas vezes varrendo de boca aberta de um lado para outro, aproveitando aquela presa descuidada. E nessa dieta de atleta ela tem uma gama diversificada de refeições, incluindo peixes, anfíbios e seus girinos, minhocas, sanguessugas e outros invertebrados aquáticos e terrestres, além de pequenos mamíferos e aves. 

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A saliva da serpente de jardim é levemente tóxica, possivelmente ajudando a imobilizar presas, no entanto, a sua mordida é geralmente inofensiva para os seres humanos. Elas ainda possuem outra característica especial: ser tolerante ao frio, fato pouco incomum no grupo das serpente. É uma das últimas espécies de serpentes a entrar em hibernação em regiões mais frias e uma das primeiras a surgir novamente na primavera.

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As serpentes de jardim podem ser lindas e ter várias peculiaridades, mas nada se compara a sua vida sexual! Quando a fêmea sai da hibernação, libera um feromônio que atrai todos os machos das proximidades ao mesmo tempo (ver também: Anaconda), resultando em grandes ninhos de acasalamento com até 30.000 cobras ao mesmo tempo. E não bastasse a acirrada disputa pelo sexo com a fêmea, na qual apenas um macho irá fecundá-la, em meio ao grupo pode haver também alguns machos que mimetizam o tamanho, os comportamentos e os feromônios de fêmeas para poderem atrair outros machos e, assim, obter aquecimento e proteção, garantindo a esses machos maior sucesso reprodutivo.

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Texto por Jamile Lima, estagiária NUROF-UFC

REFERÊNCIAS:

Larsen, K.W., Gregory, P.T. and Antoniak, R. (1993) Reproductive ecology of the common garter snakeThamnophis sirtalis at the northern limit of its range. American Midland Naturalist, 129(2): 336-345.

Mason, R.T. and D. Crews. (l985). Female mimicry in garter snakes. Nature, 316: 59‑60. [PDF]

U.S. Fish and Wildlife Service (1985) Recovery Plan for the San Francisco Garter Snake (Thamnophis sirtalis tetrataenia). U.S. Fish and Wildlife Service, Portland, Oregon. Available at:  http://ecos.fws.gov/docs/recovery_plan/850911.pdf

U.S. Fish and Wildlife Service (2006) San Francisco Garter Snake (Thamnophis sirtalis tetrataenia). 5-Year Review: Summary and Evaluation. U.S. Fish and Wildlife Service, Sacramento, California. Available at: http://ecos.fws.gov/docs/five_year_review/doc774.pdf

SITES ACESSADOS:

Arkive.org

FlMNH

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