Estão reabertas as visitas a exposição do NUROF-UFC . Agende uma visita e traga a sua turma.

O Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (NUROF-UFC) através de dos seus projetos de Educação Ambiental recebe visitas desde 2005, centenas de pessoas, dentre alunos de escolas, famílias e outros, já visitaram o Nurof-UFC e aprenderam um pouco mais sobre a biologia das serpentes,  a prevenção contra acidentes ofídicos e as diversas crendices populares que envolvem esses magníficos animais.  A visita consiste em uma palestra e uma visita guiada a exposição do serpentário do Nurof-UFC.

O que fazer para agendar uma visita?

Entre em contato conosco, de segunda a sexta das 8h às 18h, para agendamento através do número (85)3366-9801 ou através do e-mail nurof@gmail.com, lembrando que as visitas devem ser marcadas com no mínimo uma semana de antecedência. São aceitos grupos de 15 a 35 pessoas.

Dias e horários de visitação desse  semetre:

Todas as quintas e sextas-feiras, com horários disponíveis pela manhã: das 08h às 10h; das 10h às 12h e pela tarde: das 14h às 16h e das 16h às 18h.

Aguardamos sua visita!

Por: Luan Pinheiro, membro do NUROF-UFC.

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Iguanas: os lagartos mais famosos das Américas!

As iguanas constituem um grupo de lagartos amplamente distribuídos pelo continente Americano. Embora o nome popular “Iguana” indubitavelmente transmita a concepção de um lagarto de morfologia bem peculiar, a diversidade de formas de vida associada a este nome é fantástica.

Os cientistas que estudam lagartos têm demonstrado que sob este famoso nome existem pelo menos 39 diferentes espécies biológicas, inclusas em 8 gêneros e agrupadas em uma grande família biológica, a Iguanidae (Uetz & Hallermann, 2011).

Apesar da imensa diversidade do grupo, existem iguanas mais conhecidas do que outras. Merecem destaque: as Iguanas Marinhas de Galápagos – Amblyrhynchus cristatus; as Iguanas Terrestres de Galápagos – Conolophus subcristatus; e, em especial, a Iguana Verde – Iguana iguana, cujo Gênero faz referência ao nome popular.

A Iguana Marinha de Galápagos (Amblyrhynchus cristatus) é um lagarto de grande porte, de coloração pardo-avermelhada, com proporções variáveis de preto e vermelho (Figura 1). A espécie habita a faixa costeira das ilhas do arquipélago de Galápagos, sendo facilmente encontrada sobre os costões de rochas vulcânicas à beira-mar. Este animal foi um dos organismos mais estudados pelo igualmente renomado naturalista Charles Darwin, fundador da teoria da evolução por seleção natural. A dieta das Iguanas Marinhas é predominantemente composta por algas oceânicas que são obtidas na zona de arrebentação das ondas ou mesmo no fundo oceânico. É exatamente isso! As iguanas marinhas fazem jus ao seu nome, sendo capazes de mergulhar à procura de algas e permanecerem submersas por até uma hora (Wikelski, 2011). Como conseqüência destes hábitos, estas iguanas apresentam um especializado sistema de eliminação de sais, as glândulas nasais, que esguicham o excesso de sal ingerido (Hazard, 2004).

Figura 1. Iguana Marinha de Galápagos (Amblyrhynchus cristatus) Foto: mtkopone. http://twixar.com/lGK2sM

A Iguana Terrestre de Galápagos (Conolophus subcristatus) pode alcançar cerca de um metro de comprimento e é facilmente reconhecida por sua coloração amarela-esbranquiçada (Figura 2). Esta espécie habita as paisagens mais centrais das ilhas, justificando seu nome popular. A dieta das iguanas terrestres é primariamente herbívora, consistindo em folhas, flores e frutos, entretanto insetos e outros artrópodes podem complementar sua dieta (AISBL, 2006). Nos períodos de seca intensa, a aquisição de água se dá indiretamente através do alimento, principalmente por meio de frutos carnosos de cactos, encontrados em abundância nestas ilhas.

Figura 2. Iguana Terrestre de Galápagos (Conolophus subcristatus). Foto: Jerry Fiddler (jfiddler) http://twixar.com/0WHCL

A Iguana Verde (Iguana iguana) é uma das espécies de lagarto mais famosas do mundo, tendo sido descrita em 1758 pelo famoso taxonomista Carolus Linnaeus (Lineu), criador do sistema de classificação biológica e nomenclatura binomial, utilizados pelos cientistas até os dias de hoje. Esta espécie apresenta-se distribuída por toda a América, desde o Sul dos Estados Unidos até o Paraguai (Uetz & Hallermann, 2011).

Iguanas

Figura 3. Iguana iguana jovem (acima) e adulta (abaixo). Fotografias de Daniel Passos.

A Iguana Verde sofre uma evidente mudança de coloração ao longo de seu desenvolvimento. Quando jovem, é quase que completamente verde, entretanto os indivíduos adultos apresentam-se predominantemente pardo-acinzentados (Figura 3). Estes padrões de coloração constituem uma eficiente estratégia defensiva, a camuflagem, que dificulta a localização dos indivíduos pelos seus predadores. Assim, as jovens iguanas preferem a periferia das árvores, repletas de folhas verdes, enquanto que os adultos geralmente se associam a troncos de árvores ou ao próprio solo.

A fama internacional das Iguanas Verdes é principalmente devido a sua renomada utilização como “pets”, consistindo uma das espécies exóticas mais criadas em cativeiro.Esta prática só tem aumentado nos últimos anos e, com a intensificação das exigências legais, os impactos derivados do tráfico ilegal destes animais têm se tornado cada vez mais intensos e preocupantes (Alberts et al., 2004).

Aguardem novas contribuições sobre lagartos no próximo mês!

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AISBL, 2006. Charles Darwin Foundation for the Galapagos Islands (AISBL)http://web.archive.org/web/20070606214921/http://www.darwinfoundation.org/files/species/pdf/land-iguana-en.pdf.

ALBERTS, A. C.; CARTER, R. L.; HAYES, W. K. & MARTINS, E. P. (eds.) 2004. Iguanas – Biology and Conservation. University of California Press.

HAZARD, L. C., 2004. Sodium and Potassium Secretion by Iguana Salt Glands. University of California Press.

UETZ & HALLERMANN, 2011. http://www.reptile-database.org/.

WIKELSKI, M., 2011. http://www.princeton.edu/~wikelski/DivingDragons.htm.

Os menores répteis do mundo

Homopus signatusé o menor quelônio do mundo. Ocorrendo exclusivamente na África do Sul, os adultos deste pequeno jabuti raramente ultrapassam 8 cm de comprimento. Seus filhotes nascem com aproximadamente o tamanho de uma uva.

Leptotyphlops carlae é tão pequena que só foi descrita recentemente, em 2008. Esta cobrinha foi encontrada na ilha de Barbados, no Caribe. É fina como um macarrão instantâneo e tão pequena que pode caber em uma moeda. O adultos não costumam ultrapassar 10 cm de comprimento.

Imagem disponível em: wikimedia commons

O Caribe parece ser o lar dos pequenos, na República Dominicana você pode tentar encontrar Sphaerodactylus ariasae. Um lagartinho, descoberto em 2001, que mede menos de 2 cm (16 a 18 mm). É simplesmente o menor de todos os vertebrados amniotas!


O “gigante” dessa lista de pequenos é o representante dos crocodilianos. O menor dos crocodilianos é o Paleosuchus palpebrosus. Os adultos desta espécie, que ocorre no Brasil, medem cerca de 1,5 m de comprimento.

Imagem disponível em: wikimedia commons

Bibliografia recomendada:

Hedges, S. B. 2008. At the lower size limit in snakes: two new species of threadsnakes (Squamata: Leptotyphlopidae: Leptotyphlops) from the Lesser Antilles. Zootaxa 1841: 1–30

Hedges, S. B. and Thomas, R. 2001. At the Lower Size Limit in Amniote Vertebrates: A New Diminutive Lizard from the West Indies. Caribbean Journal of Science 37 (3-4): 168–173

Loher, V. J. T. 2008. The ecology of the world’s smallest tortoise, Homopus signatus signatus: effects of rainfall. PhD Thesis (Western Cape, South Africa).

Magnusson, W.E. and Campos, Z. 2010. Cuvier’s Smooth-fronted Caiman Paleosuchus palpebrosus. Pp. 40-42 in Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan. Third Edition, ed. by S.C. Manolis and C. Stevenson. Crocodile Specialist Group: Darwin

Por: Paulo Cesar Mattos Dourado de Mesquita, colaborador NUROF-UFC.

Notícia: Polícia encontra iguana que seria entregue pelo correio em SP

Animal de 15 cm viajou de Currais Novos (RN) a São José do Rio Preto. Destinatário negou ter feito encomenda, mas recebeu multa de R$ 1,5 mil.

Iguana foi apreendida dentro de caixa de correspondência (Foto: Reprodução/ TV Tem)

Uma iguana foi apreendida pela Polícia Ambiental dentro de uma agência dos Correios, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. O animal de 15 centímetros estava dentro de uma caixa remetida de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, e percorreu uma viagem de 2,7 mil quilômetros.

A presença do animal só foi detectada quando a encomenda chegou à cidade, assim que passou pelo equipamento de raios-X dos correios.
O destinatário negou ter comprado o bicho. Mesmo assim foi autuado em R$ 1,5 mil e deve responder processo por crime ambiental. A polícia vai investigar se outros animais também estariam sendo enviados para outras regiões do país. A iguana será devolvida à natureza.

Fonte: G1

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Determinação do sexo em tartarugas marinhas: ameaças ao equilíbrio das populações

Nos humanos a determinação do sexo ocorre através do sistema de determinação cromossômica no qual fêmeas tem um par de cromossomos XX e machos tem um par XY. Porém há outras formas de determinação do sexo nos animais. Em 1966, foi descoberto que em animais como tartarugas, crocodilos e tuataras , a determinação do sexo depende da temperatura de incubação dos ovos nos ninhos (Charnier, 1966).

Existe uma determinada faixa de temperatura no ambiente dos ninhos que produz apenas machos e outra que, por sua vez, produz exclusivamente fêmeas. Há também um intervalo de transição onde são gerados embriões de ambos os sexos. Desta forma em um mesmo ninho e em uma mesma ninhada pode ocorrer o nascimento tanto de machos quanto de fêmeas (Hamann et al., 2003). No primeiro terço do período de incubação dos ovos há influencia da temperatura na determinação sexual, porém somente no segundo terço da incubação, a determinação sexual é irreversível (Bull & Vogt, 1981). Neste estágio, a temperatura atua na síntese de enzimas envolvidas na diferenciação das gônadas (Pieau, 1996).

Embriões tratados experimentalmente com estrógeno geram fêmeas em temperaturas apropriadas ao desenvolvimento de machos e machos se desenvolvem quando a síntese de estrógeno é bloqueada em uma temperatura que tipicamente produz fêmeas (Wibbels et al., 1994; Pieau, 1996). Entretanto, como é a temperatura de incubação que regula a produção de estrógeno, deduz-se que no ambiente natural a temperatura da incubação é o elemento básico da determinação sexual (Wibbelset al., 1994).

A localização dos ninhos de tartarugas marinhas em diferentes locais como zonas próximas ou afastadas da maré, entremeadas ou não de vegetação ou em áreas com processo de erosão eólica fazem com que cada um destes ambientes tenha uma variação de temperatura característica. Assim, a temperatura dos microambientes de desovas associada também a ação climática influenciam a proporção de machos e fêmeas entre ninhadas.

A influência das ações humanas também contribui para o desequilíbrio entre o número de nascimentos de machos e fêmeas nas populações de tartarugas marinhas. A degradação dos ambientes litorâneos diminui a disponibilidade de áreas adequadas para a construção do ninho e/ou alteram as temperaturas dos ambientes onde as fêmeas constroem os ninhos. O problema é que este desequilíbrio reduz as chances de que indivíduos de um determinado sexo encontre parceiros sexuais, o que culmina com a redução de indivíduos nas populações. Neste caso para que uma população de tartaruga não se extingua pode ser necessário a execução de ações de manejo.

Ninho de tartaruga Marinha foi construído em local de risco em uma praia de Recife em Fevereiro de 2011 Fonte:http://oglobo.globo.com/

Sabemos que poucos filhotes de uma ninhada de mil conseguem sobreviver e chegar à maturidade sexual devido à alta sensibilidade desses animais aos fatores naturais. Atualmente esta mortalidade juvenil é potencializada por ações humanas que não seguem planejamentos adequados (por vezes são até mesmo ilegais) e tornam-se prejudiciais para as populações destes animais.

Por: Gabriela Cavalcante de Melo, membro do Nurof-UFC.

REFERÊNCIAS:

Bull, J.J.; Vogt, R.C. 1981. Temperature-sensitive periods of sex determination in Emydid turtles. J. Exp. Zool., 218: 435-440.

Charnier, M. 1966. Action de la temperature sur la sex-ratio chez l’embryon d’Agamma agama (AgamidaeLacertilien). Soc. Biol. Ouest Afric., 160: 620-622.

Hamann M, Limpus CJ, Owens DW. Reproductive cycles of males and females. In: Lutz PL, Musick JA, Wyneken, J. (Ed.). The Biology of sea turtle II. Boca Raton, FL:CRC Press, 2003. p.135-161.

Pieau, C. 1996. Temperature variation and sex determination in reptiles. BioEssays, 18(1): 19-26.

Wibbels, T.; Bull, J.J.; Crews, D. 1994. Temperature-dependent sex determination: a mechanistic approach. J. Exp. Zool., 270(1): 71-78.

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