A importância dos lagartos para a Natureza (inclusive para o homem)

Blog do NUROF-UFC

Não é raro que biólogos que trabalham com répteis e anfíbios (herpetólogos) se deparem com perguntas como: “O quê…? Você trabalha com sapo? Com calango? Com cobra? Você só pode ser maluco! E esses bichos servem para alguma coisa? Estes ‘insetos’ não servem para nada!”

Tendo em vista estas concepções presentes em grande parte da sociedade, decidi escrever um pouco mais sobre o legado dos lagartos e suas importâncias para a Natureza, entendendo o ser humano (Homo sapiens), como incluído nesta.

Figura 1. Indivíduo adulto de Iguana iguana. Fotografia de Daniel Passos.

A primeira atribuição de importância é amplamente divulgada para qualquer grupo biológico e diz respeito às funções desempenhadas pelos lagartos em seus ambientes. As aproximadamente 5500 espécies de lagartos viventes constituem um dos mais diversos grupos de animais terrestres (Uetz, 2001). Esta imensa diversidade de espécies também se traduz na variedade de: dimensões e formas corpóreas…

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NOTÍCIA: Como os Camaleões mudam sua cor?


Camaleões (Fig. 1) são uns dos mais famosos animais capazes de mudar de cor rapidamente, alternando entre camuflagem furtiva e cores chamativas em poucos minutos. Mas agora pesquisadores revelaram o segredo para essa mudança tão rápida de cor: os camaleões apresentam cristais fotônicos em sua pele que podem se reorganizar e refletir padrões de coloração variadas. Os resultados foram publicados na Nature Communications .

Fig.1. Indivíduo macho de Camaleão-pantera (Furcifer pardalis) fotografado em Madagascar.  Crédito: Michel C. Milinkovitch

Em Madagascar, os camaleões-pantera (Furcifer pardalis), tanto machos quanto fêmeas, de todas as idades podem alterar o brilho de sua pele, mas os machos adultos demonstrar uma gama muito maior de cores, com várias combinações de brancos, vermelhos-fogo, entre outros tons. Ao encontrar um rival ou uma parceira em potencial, um camaleão macho adulto pode mudar a cor de sua pele de um fundo verde para amarelo ou laranja, enquanto manchas azuis tornam-se esbranquiçadas e os vermelhos se tornam mais brilhantes. Isso tudo acontece dentro de poucos minutos, e é totalmente reversível.

Muitos animais podem alterar as suas cores, como alguns cefalópodes (polvos e lulas), embora relativamente rápida, estas alterações dependem tipicamente da acumulação ou a dispersão de pigmentos (como a melanina na pele e olhos). Cameleões, por outro lado, dependem de mudanças estruturais para afetar a forma como a sua pele reflete a luz. Cores estruturais são aquelas que são “geradas sem pigmentos, por meio de um fenômeno físico de interferência óptica,” Michel Milinkovitch da Universidade de Genebra, explica em um comunicado à imprensa. “Eles são o resultado de interações entre certos comprimentos de onda e estruturas nanoscópicas.”

Agora, através da combinação de trabalho microscópico, videografia, e modelagem, a equipe de Milinkovitch descobriu que os camaleões realizam a proeza de mudar de cor por meio do ajuste ativo de uma rede de nanocristais de reflexão da luz dentro de uma camada superior de células da pele chamados iridóforos (Fig.2).

 Teyssier et al, 2015

Fig. 2. Modelo tridimensional de Iridóforo. Teyssier et al, 2015

Estes nanocristais fotônicos são constituídos de guanina, uma das moléculas formadoras do DNA. Camaleões podem alterar o arranjo estrutural das células em que eles estão alongando e contraindo a pele. Quando o animal está calmo, os nanocristais são organizados em uma rede densa refletindo comprimentos de onda azul e verde. Quando está excitado, a rede de nanocristais fica “relaxada” para permitir a reflexão de outras cores, como amarelo e vermelho.

No vídeo abaixo, você pode ver um Camaleão-pantera macho adulto “sob excitação”, quando se apresentam outros machos adultos em seu campo de visão. O vídeo original é acelerado oito vezes, e a primeira imagem do filme é mostrado no canto inferior direito para demonstrar a extensão da mudança de cor.


Fontes: IFLS, Genèv & Phys.org.

Artigo completoNature Communicatios.

Edição por John A. Andrade

A Cobra-Cipó, Oxybelis aeneus

A Cobra-Cipó, Oxybelis aeneus (Wagler 1824) (Serpentes, Colubridae), é uma serpente arborícola, de coloração amarronzada, longa e delgada, características que a tornam bem semelhante a um galho seco, fazendo jus a seu nome popular (Fig. 1). Reforçando as características de um cipó, esse animal tem o comportamento de ficar parado e suspenso entre os galhos das árvores e se balançando com o vento que bate em seu corpo, o que lhe permite ficar bem camuflada a espera de uma presa desatenta. Sua alimentação é composta principalmente por lagartos, mas também pode comer sapos e pássaros (Mesquita et al. 2012; Keiser 1967).

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Figura 1. Detalhe do corpo delgado e da coloração amarronzada da Cobra-Cipó (Oxybelis aeneus). Fotografia de Paulo Mesquita.

A cobra-cipó é uma serpente bastante comum onde ocorre e tem ampla distribuição geográfica, ocorrendo desde o Arizona, nos EUA, até o sudoeste do Brasil (Goldberg 1998). Apesar de ser encontrada durante todo o ano, ela é mais abundante no período seco, quando as temperaturas médias são maiores e as chuvas mais escassas (Mesquita et al. 2012; Brown & Shine 2002). Essa serpente é diurna, com maior intensidade de atividade entre os 31°C e 35°C. Durante seu período de atividade, esses animais usam galhos mais baixos e mais lisos para forragear, trocando de preferência durante a noite, onde preferem descansar em galhos mais altos (provavelmente para aproveitar os primeiros raios de sol da manhã para se aquecer) e mais espinhosos (que conferem maior proteção contra predadores, evitando ataques-surpresa durante seu sono) (Mesquita et al. 2012).

Fêmeas dessa espécie são maiores que os machos, o que pode ser resultado da pressão seletiva de carregar os ovos, nas fêmeas, força essa inexistente nos machos (Mesquita et al. 2010b). Visto que as mamães dessa espécie podem produzir até nove ovos por ninhada (Mesquita et al. 2010a) dá pra imaginar mesmo porque as fêmeas são maiores!

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Figura 2. Cobra-Cipó (Oxybelis aeneus) exibindo comportamento de intimidação (boca aberta e palato preto). Fotografia de Daniel Passos.

Algumas histórias e crenças populares cercam esse animal. Uma delas diz que se você for mordido por uma Cobra-Cipó irá morrerá seco e esguio igual a ela! Com certeza uma crença muito exagerada para uma serpente que não é peçonhenta* e não representa perigo aos humanos. Mas talvez essa lenda tenha surgido por medo de sua boca muito escura e grande, a qual ela abre quando se sente ameaçada na tentativa de afugentar seus predadores (Fig. 2). O fato é que essa é uma das serpentes mais abundantes que pode ser encontrada nas Caatingas e, pelo menos em minha opinião, também uma das mais bonitas.

*Apesar de ser considerada não peçonhenta, a Cobra-cipó apresenta dentição opistóglifa e toxinas que são usadas na captura de suas presas (Vanzolini et al, 1980).

Por: Castiele Holanda Bezerra

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Brown, G.P. & Shine, R. 2002. The influence of weather conditions on activity of tropical snakes. Austral Ecology, 27: 596-605.

Goldberg, S.R. 1998. Reproduction in the Mexican vine snake Oxybelis aeneus (Serpentes: Colubridae). Texas Journal of Science, 50(1): 51-56.

Keiser, E.D. 1967. A monographic study of the Neotropical Vine Snake, Oxybelis aeneus (Wagler, 1824). Ph.D. (dissertation), Louisiana State University, 157 pp.

Mesquita, P.C.M.D., Borges-Leite,M.J., Borges-Nojosa, D.M. & Passos, D.C. 2010a. Oxybelis aeneus (Brown Vinesnake) reproduction. Herpetol. Rev. 41: 346.

Mesquita, P.C.M.D., Borges-Nojosa, D.M. & Bezerra, C.H. 2010b. Dimorfismo sexual na “Cobra-Cipó” Oxybelis aeneus (Serpentes, Colubridae) no Estado do Ceará, Brasil. Biotemas, 23(4): 65-69.

Mesquita, P.C.M.D., Borges-Nojosa, D.M., Passos, D.C. & Bezerra, C.H. 2012. Activity patterns of the Brown Vine Snake Oxybelis aeneus (Wagler, 1824) (Serpentes, Colubridae) in the Brazilian semiarid. Animal Biology, 62: 289-299.

Vanzolini, P. E., Ramos-Costa, A. M. M. & Vitt, L. J. 1980. Répteis das Caatingas. Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro.

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