Notícia: Ibama resgata jacaré de 1,8 metro em residência no interior do Ceará

Animal foi visto por uma criança no quintal de casa e alertou os pais. Segundo Ibama, animal da Amazônia é levado ao Ceará de forma ilegal.

Um jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) foi encontrado na manhã do último sábado no quintal de uma casa em Icó, no interior do Ceará, a 375 km de Fortaleza. Segundo o chefe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) da região, Fábio Lima Bandeira, o animal foi avistado por uma criança, que se assustou e alertou os pais sobre a presença do animal.

Animal foi capturado em residência no interior do Ceará (Foto: Richard Lopes/Arquivo pessoal)

Animal foi capturado em residência no interior do Ceará. Fotografia de Richard Lopes/Arquivo pessoal

Apesar do animal não ter apresentado reação agressiva, o Ibama recomenda que as pessoas não tentem se aproximar deste tipo de animal e entrem em contato com o órgão ou com a Polícia Militar Ambiental para fazer o resgate de espécies selvagens.

O animal foi resgatado na zona rural de Icó, no Sítio Logradouro. Segundo Rolfran Ribeiro, chefe de fiscalização do Ibama no Ceará, os filhotes são levados clandestinamente a outros estados do país*. De acordo com fiscais do órgão federal, o jacaré deve ter saído de açudes secos, onde vivia, na procura por comida nas residências da região.

O espécime capturado pesa 22 quilos e idade estimada de cinco anos. Será levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Fortaleza, onde passará por exames de saúde. Após período de quarentena, os fiscais irão avaliar se o animal tem condições de ser devolvido a natureza.

Notícia sintetizada a partir de G1|Ceará

Confira também: O que fazer quando encontrar uma cobra em casa?

*Na notícia original era informado que Caiman latirostris é comum da região Amazônica, mas esta espécie é comum da Mata Atlântica e da região Sul do Brasil.

Marcas de guerra: o que nos contam as cicatrizes dos lagartos?

Relações ecológicas envolvendo encontros agressivos podem desempenhar um papel importante na evolução da forma do corpo e do comportamento dos organismos (Vervust et al. 2009). Entretanto, uma vez que a intensidade de interações agonísticas é difícil de quantificar na natureza, injúrias corpóreas não letais (por exemplo, cicatrizes) têm sido utilizadas para fornecer informações sobre vários processos, tais como predação (Schoener & Schoener, 1980) e agressão intraespecífica (Langkilde et al. 2005). Em lagartos, a perda da cauda, as amputações de dedos e as cicatrizes tegumentares podem constituir boas evidências para mensurar estes tipos de interações ecológicas (Figura 1).

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Figura 1. Tupinambis merianae com cicatrizes tegumentares, falanges amputadas e evidência de autotomia caudal. Fotografia de Daniel Passos.

A análise da frequência de injúrias no corpo entre os sexos pode revelar indícios das causas destas lesões corpóreas e, consequentemente, fornecer pistas sobre o grau de influência de alguns processos ecológicos sobre a população estudada. Neste sentido, quando machos e fêmeas apresentam quantidades similares de injúrias no corpo, isto pode refletir que a predação seja o principal fator responsável pelas lesões. Por outro lado, quando um dos sexos apresenta mais injúrias corpóreas, isto pode ser um sinal de que a agressão entre co-específicos seja a causa principal das lesões.

Uma recente pesquisa investigou a frequência de autotomia caudal, amputações digitais e cicatrizes corpóreas em três espécies simpátricas de lagartos da Caatinga, especificamente avaliando se as taxas dessas lesões corpóreas diferiam entre os sexos (Passos et al. 2013; Indirect evidence of predation and intraspecific agression in three sympatric lizard species). As espécies estudadas foram Tropidurus hispidus (Calango), Tropidurus semitaeniatus (Calango-de-Lageiro) e Ameivula ocellifera (Tijubina), algumas das espécies mais abundantes na área de estudo (Passos, 2011; Figura 2).

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Figura 2. Tropidurus hispidus, Ameivula ocelliferaTropidurus semitaeniatus respectivamente. Fotografia de Daniel Passos.

Em todas as espécies, as frequências de amputações digitais e cicatrizes corpóreas foram maiores nas fêmeas do que nos machos, embora somente em A. ocellifera a diferença tenha sido confirmada estatisticamente. Esta alta frequência de injúrias em fêmeas de A. ocellifera pode ser atribuída ao comportamento de corte dos teiídeos, no qual os machos geralmente mordem e arranham suas parceiras (Anderson & Vitt, 1990). Adicionalmente, os autores reportam que embates físicos devem ocorrer em baixa frequência no ambiente social dos Tropidurus estudados, conforme esperado para lagartos que apresentam um complexo sistema de comunicação visual (Carpenter, 1977).

Quanto à autotomia, não existiram diferenças intersexuais em nenhuma das espécies estudadas, de forma semelhante ao encontrado para outros lagartos neotropicais (Vitt, 1983; Van Sluys et al., 2002). Como conclusão, os autores sugerem que machos e fêmeas das populações estudadas estejam expostos a pressões predatórias similares, similarmente ao reportado para outras espécies de lagartos (Whiting, 2002).

Por: Daniel Passos, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDERSON R.W. & VITT, L.J. 1990. Sexual selection versus alternative causes of sexual dimorphism in teiid lizards. Oecologia, 84:145-157.

CARPENTER, C.C. 1977. The aggressive displays of three species of South American iguanid lizards of the genus Tropidurus. Herpetologica, 33:285-289.

LANGKILDE, T.; LANCE, V.A. & SHINE, R. 2005. Ecological consequences of agonistic interactions in lizards. Ecology, 86: 1650-1659.

PASSOS, D.C. 2011. Diversidade e dinâmica sazonal de uma assembleia de lagartos em área semi-árida, nordeste do Brasil. Monografia (Bacharelado), Curso de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Ceará. 55 pp.

PASSOS, D.C.; GALDINO, C.A.B.; BEZERRA, C.H. & ZANCHI, D. 2013. Indirect evidence of predation and intraspecific agression in three sympatric lizard species from a semi-arid area in northeastern Brazil. Zoologia, 30:467-469.

SCHOENER, T.W. & SCHOENER, A. 1980. Ecological and demo-graphic correlates of injury rates in some Bahamian Anolis lizards. Copeia, 1980:839-850.

VERVUST, B.; DONGEN, S.G.; GRBAC, I. & DAMME, R.V. 2009. The mystery of the missing toes: extreme levels of natural mutilation in island lizard populations. Functional Ecology, 2009: 1-8.

WHITING, M. J., 2002. Field experiments on intersexual differences in predation risk and escape behaviour in the lizard Platysaurus broadleyi. Amphibia-Reptilia, 23:119-124.

Notícia: 20 anos de conservação bem sucedida da iguana jamaicana

Considerado extinta desde 1940, uma pequena população foi descoberta em 1990 no sul da Jamaica numa remota floresta tropical seca. Este evento inspirou a formação da IUCN SSC Iguana Specialist Group, que resultou no aumento da população local da iguana jamaicana (Cyclura collei).

Iguana jamaicano (Cyclura collei) Foto: Rick Van Veen

Iguana jamaicana (Cyclura collei) Foto: Rick Van Veen. Fonte IUCN.

Listado como criticamente em perigo pela Lista Vermelha da IUCN, a população de iguana jamaicana foi dizimada pela perda de habitat em decorrência do desenvolvimento agrícola e expansão urbana como também pela produção de carvão vegetal. Outro empecilho à sustentação desta população é a predação por espécies exóticas invasoras como cães, gatos e porcos selvagens. Estes fatores tornam a floresta tropical seca de Hellshire Hills um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo, além de ser uma das áreas mais extensas do Caribe. A manutenção da floresta depende da iguana, pois ela se alimenta de frutos e flores ajudando na dispersão e germinação de sementes beneficiando outras espécies da floresta.

A Iguana jamaicano fêmea em uma árvore Foto: Rick Van Veen

A Iguana jamaicana fêmea em uma árvore
Foto: Rick Van Veen. Fonte IUCN.

A iguana jamaicana é geneticamente única indicando que sua especiação ocorreu há muito tempo, isolada de seus parentes mais próximos: iguana anegada (Cyclura pinguis) e a grande iguana azul (Cyclura lewisi). Apesar destas iguanas enfrentarem ameaças semelhantes, C. collei ainda tem que lidar com o mangusto indiano (Herpestes javanicus) mamífero introduzido na Jamaica no final do século XIX. Apesar de ser páreo à uma iguana adulta, o mangusto pode predar ovos e juvenis.

Um mangusto indiano roubar um ovo iguana de um ninho Foto: Rick Van Veen

Um mangusto indiano rouba um ovo de iguana de um ninho
Foto: Rick Van Veen. Fonte IUCN.

Atualmente os jamaicanos podem se orgulhar do repovoamento de seu maior vertebrado terrestre nativo. Antes da reintrodução de juvenis e captura de mangustos, a observação de jovens e filhotes nunca tinha ocorrido. Ainda dependente de conservação, a iguana jamaicana se beneficia do compromisso do governo jamaicano na Convenção sobre Diversidade Biológica e também de recursos de vários zoológicos e doadores internacionais.

Iguana jamaicano (Cyclura collei) - juvenil em árvore Foto: Rick Van Veen

Iguana jamaicana (Cyclura collei) – juvenil em árvore
Foto: Rick Van Veen. Fonte IUCN.

No entanto o programa de recuperação desta espécie encontra-se ameaçado, o potencial para o desenvolvimento em grande escala na Área Protegida do Golfo de Portland, onde está a única população selvagem de iguana jamaicano, impediria o estabelecimento de uma segunda população de C. collei nas Goat Islands o que garantiria a sobrevivência em longo prazo da espécie.

Segundo Tandora Grant, Autoridade Coordenadora da Lista Vermelha e do Programa Oficial da IUCN SSC Iguana Specialist Group, junto com parceiros jamaicanos será descrito etapas de ação para nove objetivos no Plano de Recuperação de Espécies que pode garantir a recuperação da iguana jamaicana.

O IUCN SSC Iguana Specialist Group irá compartilhar o Plano Jamaicano de Recuperação de Espécies em reunião anual que ocorrerá em 14 e 15 de novembro em Kingston, Jamaica.

Notícia sintetizada e traduzida a partir do texto disponível em: IUCN

Notícia: Como as serpentes usam “GPS” para localizar suas presas

As serpentes não tem nenhum problema em localizar a presa que escapa depois de ser envenenada. Os cientistas agora sabem como.

Crotalus durissus, cascavel. Fotografia de Hugo Fernades Ferreira

Crotalus durissus, cascavel. Fotografia de Hugo Fernandes Ferreira

As serpentes peçonhentas podem agir de duas maneiras diferentes  após inocularem sua peçonha na presa: uma delas seria a estratégia “strike-and-hold”, na qual ela após inocular a peçonha, elas mantém a sua presa na boca até a toxina fazer efeito e ela morrer. Porém, essa técnica permite que a presa lute nos seus últimos momentos de vida ou que um possível predador possa atacá-la.

A outra estratégia seria a de “strike-and-release”, na qual serpentes, como a cascavel, picam a presa e inoculam o veneno nela, depois a soltam e esperam a toxina fazer efeito. Nesse caso a serpente não corre os riscos anteriormente citados. O risco é apenas que o animal pode fugir e a serpente tem que procurá-lo.

Novas pesquisas feitas por biólogos no Colorado revelaram  um truque que as serpentes possuem para localizar e concluir sua refeição: elas possuem um par de proteínas na sua peçonha que marcam a presa como um rastreador químico.

As serpentes utilizam o seu olfato para reconhecer essas partículas que são percebidas pelo movimento da língua do ofídio.

Para maiores informações confira a notícia completa em: theweek.com

O que acontece quando jogamos sal em sapos?

Jogar sal em sapos é uma “brincadeira” muito comum em cidades do interior. Com o intuito de afugentar os sapos de suas residências ou simplesmente por pura perversidade, as pessoas jogam sal no anfíbio e observam-no saltar e agonizar sob efeito do composto. O que era pra ser engraçado acaba se tornando uma piada de muito mau gosto.

A pele dos anfíbios é um dos principais órgãos responsáveis pela respiração cutânea,  processo em que a pele é a mediadora entre a troca de gases respiratórios (assim como o pulmão). Para isso ser possível, a epiderme deve ser muito vascularizada e úmida, pois a água facilita a troca gasosa por um fenômeno conhecido como difusão. Quando em contato com o sal, a pele do sapo perde parte da sua umidade e da sua capacidade respiratória, deixando-o desidratado e causando asfixia, além do fato de sua pele fina deixar os vasos sanguíneos bem mais expostos ao composto, aumentando a sua pressão sanguínea. Além disso, essa prática é considerada criminosa pela Lei Federal nº 9.605/98, Art. 32: “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, com pena de multa e detenção de três meses a um ano.

Sapo Rhinella jimi. Foto: Déborah Praciano

Então o que fazer ao encontrar um sapo na rua ou em casa? Simples, deixe-o seguir seu caminho ou peça para alguém para  deixá-lo com cuidado em uma área de mata próxima. Eles são muito importantes no controle de pragas como insetos e não fazem mal algum ao ser humano. Os animais, assim como nós, têm todo o direito de, simplesmente, viver.

Por: Paulo Cunha Ferreira Bringel, membro do NUROF-UFC

Notícia: Fiscais ambientais resgatam mais de cem animais silvestres por mês em Manaus

Pessoas flagradas com animais da fauna brasileira estão sujeitas a multa de R$ 5 mil e dois anos de prisão

Manaus: Até setembro deste ano 909 animais já foram apreendidos ou resgatados na capital do Amazonas, uma média de 101 por mês, segundo estatísticas do Batalhão Ambiental da Policia Militar do Amazonas e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Dentre os animais resgatados, a maioria foi composta por tartarugas, tracajás, serpentes, jacarés e bichos-preguiça. Até julho deste ano, as apreensões nesta capital eram feitas pelo Ibama, sendo esta atividade agora de responsabilidade do Ipaam.

Apreensão de quelônio em operação do Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amazonas. Foto: Coronel Flávio Diniz/PM-AM

Apreensão de quelônio em operação do Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amazonas. Foto: Coronel Flávio Diniz/PM-AM

Os animais resgatados são direcionados aos dois Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) presentes na cidade, onde recebe avaliação clínica e são reabilitados para retorno a natureza. Quando a reintrodução não é possível, eles são encaminhados ao zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), do Exército ou à mantenedores de fauna silvestre.

Criar animais silvestres em cativeiro rende multa de até R$ 5 mil. Foto: Flávio Diniz/PM-AM

Criar animais silvestres em cativeiro rende multa de até R$ 5 mil. Foto: Flávio Diniz/PM-AM

Reabilitação:

Segundo Ibama e Batalhão Ambiental, nem todos os animais são devolvidos a natureza, pois é necessário saber de onde ele veio, no caso de quelônios até a calha do rio de onde o animal é oriundo deve ser conhecida. O que determina a volta do animal à vida livre é o seu desempenho e reabilitação, pois longos períodos de cativeiro dificultam sua reintrodução. Outro problema são os predadores de topo da cadeia alimentar, pois deve-se conhecer bem o local de soltura para não ocorrer desequilíbrio.

Soltura de quelônio por policial ambiental. Foto: Flávio Diniz/PM-AM

Soltura de quelônio por policial ambiental. Foto: Flávio Diniz/PM-AM

Crime:

“A cultura de se alimentar de quelônios é muito presente no Norte. O crime não é consumir, mas tirar o animal de seu habitat natural e comercializá-lo”, segundo Flávio Diniz, sobre o hábito que o nortista tem de comer tartaruga.

O veterinário do Ibama, Diogo Lagroteria, aponta a falta de informação sobre a legislação ambiental a levar pessoas a criar ilegalmente animais silvestres no quintal de residências. “A natureza e os animais são bens de todos. Ninguém pode se apropriar de algo que é de todos. Essa consciência é uma questão de cidadania”.

A comercialização e criação de animais silvestres é crime previsto por lei. Quem for flagrado com animais silvestres pode receber multa de até R$ 5 mil e ser preso por até dois anos.

Noticia sintetizada a partir de Portal Amazônia.com

Seguindo a mamãe: Cuidado parental em anfíbios

Alguns grupos de animais podem fazer uso de estratégias para facilitar a chegada dos filhotes à vida adulta. Tal comportamento é denominado de cuidado parental. Esta estratégia é definida como qualquer forma de comportamento realizado pelos pais e que aumentam as chances de sobrevivência dos filhotes (Vaz-Ferreira & Gehrau, 1971; Clutton-Brock, 1991; Alcock, 1993; Cheng & kam, 2010).

Figura 01. Indivíduo de Leptodactylus pustulatus próximo a grupo de girinos. Fotografia de Déborah Praciano de Castro.

Figura 01. Indivíduo de Leptodactylus pustulatus próximo a grupo de girinos. Fotografia de Déborah Praciano de Castro.

Pelo menos 7% das espécies de anuros apresentam alguma forma de cuidado parental (Wells, 1981), sendo os mais conhecidos à assistência à desova, cuidado com as larvas, transporte de ovos e larvas e alimentação das larvas (Crump, 1995). O comportamento parental pode ainda estar relacionado à defesa contra predadores, e pode ser executado pelo pai, pela mãe ou por ambos os genitores (Beck, 1998; Santos & Amorim, 2006). No entanto, nem tudo são flores, anuros que realizam cuidado parental, por apresentarem um gasto energético acentuado nesta atividade, precisam decidir entre diminuir o número de filhotes a cada desova, ou diminuir o investimento em proles futuras (Trivers, 1972).

Uma das famílias de anfíbios que exibem este comportamento frequentemente é Leptodactylidae (Heyer, 1994). Anfíbios deste grupo também utilizam outros comportamentos associados ao cuidado parental, entre eles podem ser citados a formação de grupos de girinos. Tais grupos podem conter mais de 2000 girinos facilmente, e estes são guiados pela mãe (ou pai) na procura de poças onde o risco de predação seja menor (Downie, 1996). Enquanto os girinos seguem em sua jornada pelas poças, eles podem tocar a mãe frequentemente, o que chamamos de comportamento etepimelético, sugerido como uma forma de comunicação entre a larva e o genitor (Santos & Amorim, 2006).

Aqui, apresentamos dois exemplos de espécies da família Leptodactylidae que exibem comportamento de cuidado parental e costumam guiar grupos de girinos: Leptodactylus pustulatus (Figura 01) e Leptodactylus macrosternum (Figura 02).

Leptodactylus macrosternum (Figura 02- Castro et al., 2013)

Figura 02. Indivíduo de Leptodactylus macrosternum junto á grupo de girinos. Fotografia de Déborah Praciano de Castro.

Por: Déborah Praciano de Castro, membro do NUROF-UFC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALCOCK, J. Animal Behavior: an Evolutionary Approach. 5ª Ed. Sinauer Associates. 1993

BECK, C. W. Mode of fertilization and parental care in anurans. Animal Behaviour. 55: 439-449. 1998.

CASTRO, D. P.; BORGES-LEITE, M. J.; LIMA, D. C.; BORGES-NOJOSA, D.M. Parental care in two species of Leptodactylus Fitzinger, 1826 (Anura, Leptodactylidae) in north- eastern Brazil. 6: 267-269. 2013.

CHENG, W. C. & KAM, Y. C. Paternal Care and Egg Survivorship in a Low Nest-Attendance Rhacophorid Frog. Zoological Studies. 49(3): 304-310. 2010.

CLUTTON-BROCK, T.H. 1991. The evolution of parental care. Princeton, NJ: Princeton Univ. Press.

CRUMP, M. Parental Care. In: HEATWOLE, H. & SULLIVAN, B. K. Amphibian Biology. Surrey Beatty. 519-522. 1995.

DOWNIE, J. R. A new example of female parental behaviour in Leptodactylus validus, a frog of the leptodactylid “melanonotus” species group.  Herpetological Journal. 6: 32-34. 1996.

HEYER, R. Variation within the Leptodactylus podicipinus- wagneri complex of frog (Amphibia, Leptodactylidae).  Smithsonian Contributions to Zoology. 546: 1-124. 1994.

SANTOS, E. M. & AMORIM, F. O. Cuidado parental em Leptodactylus natalensis (Amphibia, Anura, Leptodactylidae). Iheringia, Série Zoologia. 96 (4): 491-494. 2006.

TRIVERS, R. L.  Parental investiment and sexual selection. In: CAMPBELL, B. G. ed. Sexual Selections and the Descent of man. Chicago, Aldine. 136-179. 1972.

VAZ-FERREIRA, R. & GEHRAU, A. Agrupaciones y comportamento social de renacuajos de L. ocellatus (L.). Resúm. V Congresso Latinoamericano de Zoologia. 12-13. 1971.

WELLS, K. D. Parental behavior of male and female frogs.  In: ALEXANDER, R. D. & TINKLE, D. W. eds. Natural Selection and Social Behavior: Recent Research and New Theory. New York, Chiron Press. 184-197. 1981.

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